Café com Anime – Dororo, episódio 20


Nossa conversa semanal sobre os animes da temporada.


Olá a todos, e bem vindos a mais um Café com Anime \o/ E como de costume, mais uma vez se juntam a mim o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, desta vez para discutirmos essa mais nova adaptação do clássico de Osamu Tezuka, Dororo.

Antes de irmos parara a conversa, porém, não deixem também de conferir os demais blogs! No Anime 21, teremos nossas conversas sobre Carole & TuesdayE no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Sarazanmai. Não percam!

E sem mais delongas, vamos então à conversa. Uma boa leitura /o/


Diego:

Senhor, por onde começar a falar desse episódio 20 :smile: Hum, já sei: pela referência da vez!


Gato de Ulthar:

Parece uma manticora da mitologia grega, salvo algumas diferenças.


Diego:

O Nue é um demônio interessante. Tecnicamente falando, eu acredito que a sua primeira aparição foi no episódio final da primeira animação, Dororo to Hyakkimaru, sendo um dos últimos demônios que o Hyakkimaru derrota. Sua primeira aparição de destaque, porém, foi no mangá, onde ele surge como, e eu falo sério, a fusão de todos os demônios que faltava pro Hyakkimaru matar. Yep, foi uma forma mega preguiçosa do Tezuka acabar com essa história porque ele já estava de saco cheio :smile:

Felizmente aqui ele é só mais um demônio, e nem é o “final boss” da vez. Como pudemos ver mais para o final, a sub trama daquele demônio que não conseguiu uma parte do Hyakkimaru para si parece que chegará ao climax em breve. Bom, mas até ai o anime inteiro está chegando ao clímax, não é? Terminamos o episódio com o Hyakkimaru determinado a ir atrás do Daigo, então acho que entramos oficialmente na reta final dessa história.

Mas bom, vamos ouvir (ler?) vocês um pouquinho. Que acharam do episódio?


Fábio “Mexicano”:

Parece que aquele demônio safado está “devorando por procuração” o Hyakkimaru, absorvendo as partes que outros demônios tinham devorado, por isso ele não está recuperando tantas partes do corpo. O que é confuso pra caramba porque a primeira metade do anime já havia estabelecido o óbvio: nem todo demônio é um dos doze, e porque ele recuperou duas partes do corpo depois da destruição da estátua de Buda e o despertar do demônio faminto: a coluna, quando derrotou a mariposa, e uma perna, derrotando o tubarão.

Em todo caso, achei interessante como o Hyakkimaru claramente não se preocupa mais só em recuperar o corpo, ele está agora consciente que sua busca pode acarretar prejuízos colaterais, mas como ainda está obcecado, não está pronto para desistir de recuperar o corpo, o que ele faz é dobrar a aposta e querer matar ainda mais.

De certa forma, por um caminho completamente diferente que os códigos de honra samurai, ele chegou à mesma resposta que seus familiares.


Diego:

Então, eu acho que ai entra aquela divisão que a gente comentou lá nos primeiros episódios entre demônios (kishin), yokai e ayakashi. Nem todo monstro é um demônio, e por isso nem todo monstro tem uma parte do Hyakkimaru. Mas eu acho que até aqui todo demônio teve (alguém ai lembra de um que me contradiga?). O porque do final boss lá só devorar algumas partes, e não todas, é de fato algo confuso, mas ei, talvez expliquem mais adiante, quem sabe.


Fábio “Mexicano”:

Talvez só devore das estátuas que estão pertinho dele :smile:


Diego:

Dito isso, eu achei interessante a questão do corpo nesse episódio. Temos a cena da Dororo presa na pedra, e quando o Hyakkimaru tenta tirar ela de lá ela responde que ele não conseguiria “com esses braços”. Isso adiciona um pouco à problemática toda, porque agora o Hyakkimaru pode ver que seu corpo é importante também para proteger as pessoas que ele ama. Isso pode ser inclusive o que tire sua obsessão: recuperar seu corpo não só por recuperar, mas como um meio de proteger a Dororo.


Fábio “Mexicano”:

É uma interpretação benigna, e eu a compraria fácil se ele já não fosse assim desde sempre. Vimos literalmente ele tão obcecado que nem percebeu que Dororo foi pra outro lado, tão obcecado que estava atropelando Dororo que tentava falar com ele em sua frente, há meros dois arcos atrás.

Ter achado um motivo a mais para completar seu corpo na verdade pode estar funcionando como justificativa para manter e aumentar a obsessão.


Diego:

Bom, o episódio pareceu justamente querer dar um pay off a essa atitude do Hyakkimaru de alguns episódios atrás. Ele percebeu que errou. Foi atrás da Dororo. E no episódio passado vimos como ele a considera importante para si. Aqui vemos um Hyakkimaru bem diferente, um que para para chamar a Dororo quando vê que ela ficou para trás, que pega comida para ela, e que para para ouvir o que ela tem a dizer. Diante de todo esse desenvolvimento, acho plausível a minha interpretação :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

Eu não disse que é implausível. Eu disse que a nova motivação não substitui a anterior. Pelo contrário, se soma a ela.


Gato de Ulthar:

Fiquei confuso também com essa situação do Hyakkimaru não conseguir recuperar as partes depois de matar alguns demônios. Já havíamos visto esta situação quando ele matou o demônio raposa no final do primeiro cour. Se pararem para notar, quando ele matou tanto esse demônio raposa quanto o demônio desta vez só algumas rachaduras apareceram na estátua do demônio que aparenta ser o manda-chuva de todos. Como já dissera, é bastante plausível que esse demônio mais poderoso tenha incorporado ou mesmo furtado as partes faltantes do Hyakkimaru.


Vinicius Marino:

Já quanto às motivações do Hyakkimaru, preciso tomar o partido do Diego. Entre a cena da fruta, sua conversa com Dororo e a catarse na pedra, o episódio forçou a barra para dizer que esse Hyakkimaru não pensa como pensava. Ele agora tem um motivo pelo qual viver: fazer companhia à Dororo. Dá até para encarar o episódio anterior como um prenúncio dessa evolução. Lá, a perspectiva de criar raízes o fez perceber o quanto gosta de viajar com sua companheira.

Não vejo o Hyakkimaru usando seu afeto de desculpa para alimentar uma obsessão egoísta, à la Breaking Bad. Dororo não parece estar interessado nesse tipo de cinismo, a despeito do teor adulto. Vide o Tahomaru, que consistentemente se prova um paladino de seu povo, a despeito das previsões do Fábio de que se transformaria num tirano.

Vale lembrar que a obsessão do Hyakkimaru se aproximava, tecnicamente, de uma compulsão. Ele não era um individualista por convicção, mas por niilismo. Não queria recobrar seu corpo porque fazer pactos com demônios é errado, mas porque não dava a mínima para mais ninguém. Estava mais para Edmund Hillary, o primeiro alpinista a escalar o Everest, que ao ser questionado sobre o porquê da proeza respondeu: “Porque ele estava lá”.

A meu ver, essas motivações são, sim, mutuamente excludentes. E fico feliz por ele, por estar fazendo a escolha certa.


Diego:

Mudando um pouco o assunto, vamos falar um pouquinho sobre esse tal demônio todo poderoso lá que o anime vem construindo? Porque desde a metade do primeiro cour, quando a estátua da bodhisattva se quebrou, o anime começou a falar sobre esse demônio que não conseguiu devorar a cabeça do Hyakkimaru e que parece ser bem mais forte que os demais que vimos até o momento.

Só que eu me pergunto: precisava disso? Esse demônio é uma adição do anime, e me incomoda que ele talvez se torne essa espécie de “final boss” numa história que bem parecia já ter um: o Daigo. Que é, aliás, um “final boss” muito mais significativo dentro da narrativa, pela sua relação com o Hyakkimaru. Claro, é possível que o tal demônio seja um último obstáculo antes do Daigo, mas ainda assim… O que vocês pensam de tudo isso?


Fabio “Mexicano”:

Por enquanto, não sei se ele é efetivamente mais forte. Está servindo para irritar o Hyakkimaru, impedindo que ele recupere algumas partes de seu corpo.


Gato de Ulthar:

Por enquanto devo concordar com o Fábio, não vimos ele em ação ainda. Talvez em um único conflito o Hyakkimaru mate ele. Mas me surgiu algo, ultimamente os demônios estão fazendo várias transformações. Teve o tubarão que evoluiu e o dessa semana que se fundiu com o carinha que esqueci o nome.

Seria possível que esse último demônio se fundisse com o Daigo e proporcionasse uma batalha final?


Diego:

Possível certamente é. Inclusive, o anime de 69 termina com o Daigo virando um demônio de fato, e ai enfrentando o Hyakkimaru. Uma situação semelhante aqui poderia ser uma referência justamente a isso. Mas eu não sei se chamaria isso de satisfatório, sinceramente. Tem algo na ideia desse Daigo aqui virando um monstrão que não me agrada, ainda que não saiba explicar muito bem o porquê.


Fábio “Mexicano”:

Torna barata toda a maldade humana.


Gato de Ulthar:

Se pelo menos houver um conflito com ele humano primeiro e tudo o mais, e só depois que ele praticamente morra virasse um monstro como uma última manifestação do mal, dai eu acho que seria mais tragável.


Diego:

Acho que soaria “battle shounen” demais para essa encarnação de Dororo. O que é irônico, já que o mangá original é um “battle shounen” :smile:


Gato de Ulthar:

Também espero que isso não ocorra, mas nunca se sabe.


Vinicius Marino:

Eu iria mais longe, Diego. Pelo pouco que conheço da obra original, ela é tida como uma inauguradora (ou difusora) de tropes. Uma referência a ser seguida por animes do gênero. Nada mais previsível que siga caminhos que mais tarde se tornaram super explorados.

Confesso que a ideia do Daigo virar um demônio passou pela minha cabeça também. Mas acho que vou sugerir uma ideia ainda mais biruta: acho que o monstro terá alguma ligação com o próprio Hyakkimaru. Um aspecto monstruoso dele, se quiser, ou uma versão corrompida do mesmo princípio que o move. Algo como aquela “Dark Hikaru” que o anime de Rayearth inventou.


Diego:

Pera, que?! … talvez eu devesse ver o anime de Rayearth algum dia :stuck_out_tongue:

Bom, mas pra encerrarmos a conversa sobre esse episódio, o que acharam do “humano da semana”? Pessoalmente, não tenho muito que falar dele. Mas ei, talvez vocês tenham :smile:


Vinicius Marino:

Ele me pareceu uma versão menos zoada do humano do tubarão. Zoada do ponto de vista in-universe, também. Pelo menos ele ainda tinha todos os membros intactos :stuck_out_tongue:


Gato de Ulthar:

Um aspirante a samurai covarde que deixou a mãe ser devorada por uma criatura quimérica?

Só não consegui compreender como ele passou a sentir prazer dando pessoas para o demônio comer.

Digo, é um salto esquisito, ele ficou traumatizado com a experiência e passou a gostar que outras pessoas sejam comidas…

Ele precisava de tratamento psicológico, mas como nos animes não existem psicólogos nem psiquiatras, ainda mais na época em que se passa a história, aconteceu o que aconteceu.


Diego:

Acho que o que aconteceu foi que ao ver as pessoas com medo e implorando pela vida ele se sentia menos pior consigo mesmo por ter deixado a mãe para trás para morrer. Ou pelo menos é como eu interpreto essa história toda.


Fábio “Mexicano”:

Ele pareceu mesmo uma versão mais crível do moleque do tubarão, que ao olhar para a sociedade humana e só ver decadência, desgraça e morte, encontrou refúgio em algo mais forte. No caso dos tubarões, o refúgio foi poder avassalador e amoral da natureza, enquanto aqui, foi um refúgio na cumplicidade com as demais pessoas. Se todos são dominados pelo medo e se tornam irracionais, então ele ainda é humano, porque foi exatamente isso o que ele fez, não é? Cortar o braço da mãe e deixá-la para o monstro devorar não o torna desumano.


Diego:

Bom, com isso nós ficamos por aqui essa semana. Até a próxima o/

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