Café com Anime – Dororo, episódio 15


Nossa conversa semanal sobre os animes da temporada.


Olá a todos, e bem vindos a mais um Café com Anime \o/ E como de costume, mais uma vez se juntam a mim o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, desta vez para discutirmos essa mais nova adaptação do clássico de Osamu Tezuka, Dororo.

Antes de irmos parara a conversa, porém, não deixem também de conferir os demais blogs! No Anime 21, teremos nossas conversas sobre Carole & Tuesday. E no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Sarazanmai. Não percam!

E sem mais delongas, vamos então à conversa. Uma boa leitura /o/


Diego:

O

QUE

A

FODA?!

Bom, acho que todos podemos concordar que esse foi o pior episódio da série em termos de visual e animação, né? Direção também foi esquisita pra dizer o mínimo. Vários quadros estáticos (feios feito o diabo), vários close ups dos rostos dos personagens, bem pouco movimento nas cenas de ação… Qual é, eu vi episódios do anime de 69 mais bem animados do que isso! >.>

Dito isso, a história em si foi muito boa. Os mistérios foram revelados, o dilema moral das ações dos protagonistas finalmente começa a incomodar a Dororo, e eu até diria que o mesmo vale para o Hyakkimaru: o seu “não tem a ver comigo” soa mais como ele tentando convencer a si mesmo do que realmente algo que ele pensa de fato.

E ao final, temos o retorno do Itachi, que quer o mapa nas costas da Dororo. Se o anime seguir o que acontece no mangá, podemos agora estar nos encaminhando para o arco final dessa história, o que vai ser interessante de se ver.

Mas e vocês, o que acharam do episódio?


Fábio “Mexicano”:

Feio por quê? Sem dúvida é um estilo diferente. Tão diferente, de fato, que só pode ser escolha deliberada. Ao meu olhar de leigo, parece mais simples, e simplicidade tem a ver com custo e etc. Mas sou leigo. Será que é tão simples quanto me parece mesmo? Se não houver a desculpa do custo menor, a escolha se torna apenas estilística.

E aí tenho que repetir a pergunta: feio por quê? Se qualquer coisa, eu acho que esse estilo combinou com a narrativa. A aridez criou um enorme clima de desconforto. O foco nos rostos destacou o quanto os próprios personagens estão sofrendo conflitos internos. Acho que tudo funcionou bem e foi consistente. E foi diferente, claro, adequado para um episódio que parece ser uma pedra angular na história.


Gato de Ulthar:

A cena dele subindo o morro ficou ruim mesmo, mas só isso me impressionou negativamente.

Incrível como esse episódio ficou ainda mais parecido com Lovecraft, principal o Sombras sobre Innsmouth citado pelo Vinicius.

Toda a vila conspirando para a manutenção do “status quo” monstruoso demonstra bem que a sobrevivência vem em primeiro lugar. Dororo teve a consciência de tentar julgar se o que eles tinham feito era uma coisa boa ou ruim depois de olhar as pessoas que perderam tudo.


Vinicius Marino:

Pois é, Gato. Depois que eu fiquei com Sombras Sobre Innsmouth na cabeça, também não pude desver. :grin:

E sobre o visual, já que o Fábio perguntou duas vezes, arrisco uma resposta. Isso aqui é feio porque essas personagens parecem saídas de Sazae-San (e a da direita sofre de hidrocefalia, ou então é uma berinjela disfarçada).

Isso aqui é feio porque essas sombras são horrorosamente grosseiras. Parece que as folhas são de papel crepon.

Aposto que o Diego e o Gato, que se incomodaram, também poderiam dar outros exemplos. Obviamente, não se trata de “certo” ou “errado”. A beleza está nos olhos de quem vê. Tem gente que acha o Rob Liefeld um excelente desenhista. Mas não é “estilo artístico deliberado”. É um episódio feito nas coxas mesmo.

O que não significa que tudo tenha ficado feio. Pelo contrário. Em termos de escolhas estéticas, o episódio fez milagres com o que teve em mãos. Isso aqui, por exemplo, foi muito bonito:

Essa tomada, em teal & orange, foi espetacular.

E essa cena também foi de tirar o chapéu.


Fábio “Mexicano”:

Ainda não tenho certeza que não possa ter sido deliberado. Há animadores famosos por distorções muito maiores, e que fazem disso seu estilo. Como de todo modo isso combinou com o clima depressivo e de horror do episódio, não descarto a hipótese. E certamente não achei feio, em todo caso.


Vinicius Marino:

Esse papo me lembra aqueles competidores do Masterchef que cagam no prato e depois dizem que fizeram “cozinha rústica”. :grin: Indústria de anime opera sob um crunch brutal. Coisa mais normal é o processo sair dos trilhos e os episódios do meio serem entregues de qualquer jeito. Há uma página inteira no TV Tropes sobre isso.


Fábio “Mexicano”:

Não descarto essa hipótese também, ué. Só não é a minha primeira. Quem sabe algum animador de Dororo dê com a língua nos dentes e descubramos para além de qualquer incerteza? Tem se tornado comum na indústria.


Diego:

Pelo que falaram no reddit, é estilo do animador mesmo (ou diretor, não lembro agora). Ao que parece, é o mesmo cara responsável pelo episódio 4 de Gurren Laggan, conhecido por ter uma animação, er, “diferente” (I.E. muito pior) que o restante do anime. E também comentaram que o responsável estava falando há meses no twitter que trabalharia em Dororo, então aparentemente falta de tempo não foi. Mas bom, comentários de segunda mão, né. Se quiserem eu vejo se consigo encontrá-los :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

O Sakuga blog não está cobrindo Dororo, né? Mas bem, se descobrir o nome dele pode pesquisá-lo lá de todo jeito.


Diego:

Ok, fui atrás. O nome do cara é Osamu Kobayashi, e foi o diretor do episódio. Aqui o link do comentário.


Fábio “Mexicano”:

Bom, podemos encerrar assim então? Foi deliberado. Provavelmente não há problema com tempo ou dinheiro. Mas ninguém precisa achar bonito ou adequado por causa disso. Eu, por acaso, acho.

(e estou tentando me lembrar desse episódio de Gurren Lagann … é o do Rossiu? Se for, mais uma vez, diferente, porém faz muito sentido no contexto, e eu gostei :stuck_out_tongue:)


Diego:

Se não me engano, o 4 é aquele das termas. Um que o Kamina quase desiste da luta só pra ver as personagens femininas peladas. Já disse que odeio o Kamina? :stuck_out_tongue:

Ah, sim, Dororo :smile: . Bom, de fato, não precisamos nos prender nesse assunto. Digam então: que acharam do final? Me refiro às reações da Dororo e do Hyakkimaru ao verem a destruição que a última luta causou.


Fábio “Mexicano”:

Eu acho a reação dos dois, Dororo e Hyakkimaru, verossímeis, ainda que tenham soado um pouco exageradas. Acho que eles terem se separado e Dororo ser alcançado (e, podemos apostar, capturado) pelo Itachi logo em seguida é que fez parecer tudo um pouco estranho.

Hyakkimaru vive para matar demônios e recuperar seu corpo. No meio do caminho, descobriu que tinha uma família, mas o que parecia ser uma boa notícia não poderia ter sido pior: seu pai o amaldiçoou em primeiro lugar, seu irmão jurou matá-lo e sua mãe desistiu dele. Ele sabe agora que é só um sacrifício. Ele sabe, na pele (e em todo o corpo) o quanto as pessoas podem ser capazes de sacrificar os outros pelo próprio bem. Na pior das hipóteses, ele só está fazendo o mesmo, mas como ele o faz para recuperar o que perdeu em primeiro lugar, lhe parece muito menos pior. É a auto-justificativa que ele precisa.

Dororo não teve uma vida fácil, mas não teve esse tipo de vida. Ele é humano do começo ao fim, ao passo que Hyakkimaru foi reduzido a uma condição subumana, sempre à beira de tornar-se não humano. Como já desconfiávamos no começo, o papel de Dororo é humanizar Hyakkimaru, e ele já fez isso mais de uma vez. A urgência e a frustração dele no final desse episódio talvez derivem do fato de que ele se sente parcialmente culpado, já que queimou todo o estoque de arroz do vilarejo. Convencer Hyakkimaru a fazer algo que se lhe parecesse mais humano era necessário para ele conseguir se perdoar. Mas deu tudo errado.


Gato de Ulthar:

Acho que poderia ter demorado um pouco mais para o Itachi encontrar o Dororo, de fato ficou muito conveniente e rápida a situação. Mas no geral eu gostei do final, ficou bem claro que toda ação não se resume em ser boa ou ruim, a realidade é sempre ambígua nestes aspectos. Toda a vila vai sofrer com a destruição causada pelo Hyakkimaru, mesmo que ele tenha matado um demônio que se alimentava de gente. No fi das contas, e acho que isso que o Tesuka quis passar desde o começo, ações em momentos de crise sempre levam a consequências não muito agradáveis.


Fábio “Mexicano”:

Bom, tirando as crianças, toda a vila merecia, sinceramente, estou com o Hyakkimaru nisso, ainda que por outros motivos :stuck_out_tongue:


Vinicius Marino:

Verossímil as reações de fato foram. Como espectador, portanto, consigo menos e menos simpatizar com Hyakkimaru. Sim, tempos de crise despertam o pior nas pessoas. Mesmo cidadãos exemplares são corrompidos pelo egoísmo. Já dizia o ditado: se a farinha é pouca, meu pirão primeiro.

Mas acho que há uma linha que se cruza quando pensamos a sobrevivência de todo um povo versus o alento de um indivíduo. Longe de mim dizer que o indivíduo deva se curvar à coletividade. É algo que vai contra meus princípios mais fundamentais, e se Dororo atacasse isso de um ponto de vista ético – com um herói não-conformista que prefere sofrer a aceitar o jugo dos monstros – eu aplaudiria seu protagonista. O problema é que Hyakkimaru não me parece esse herói.

Ele parece mais e mais movido por teimosia. E não acho que passar o Japão a ferro e fogo seja um preço aceitável para o soul-searching de um jovem.


Fábio “Mexicano”:

Lembrando que quem causou o maior estrago, mais imediato, irremediável e terrível, foi o Dororo, ao queimar o estoque de arroz.

O Hyakkimaru se comporta como um adolescente mimado quando responde porque faz o que faz, mas ele só matou demônios que protegem a vila à custa de carne humana.


Diego:

Eu acho um tanto quanto injusto chamar ao Hyakkimaru de “mimado”. Concordo que ele está fazendo o que faz por teimosia, e depois de ter aprendido como chegou ao estado em que está talvez o faça até por certo rancor dos pais. Mas no final das contas ele ainda está apenas reavendo o que deveria ter sido seu para começo de conversa. E bom, não vou chorar por uma vila inteira de pessoas que aceitavam de bom grado o sacrifício humano :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

Não o chamei de mimado, caracterizei seu comportamento, na falta de palavra melhor. Ele não tem como ser mimado, quem é que mimou ele? :smile:


Vinicius Marino:

Acho que “ensimesmado” seria uma palavra melhor. No final das contas, ele coloca a própria cruzada na frente dos outros. O que é perfeitamente plausível, mas não faz dele exatamente um paladino.


Diego:

Acho que muito em breve o Hyakkimaru vai começar a se questionar se ele realmente quer reaver seu corpo e porquê. Mas isso fica para o futuro :stuck_out_tongue:

Para encerrarmos a discussão, que esperam agora que o Itachi apareceu? E ainda por cima com a outra metade do mapa.


Fábio “Mexicano”:

Ele pode ser um bandido legal, como ele foi com os pais do Dororo, só copiar o mapa e deixar o moleque ir embora. Mas eu acho que ele não vai ser legal agora, porque é mais conveniente assim. Hyakkimaru e Dororo serão separados e etc.


Vinicius Marino:

Pois é… Nesses casos ser genre-savvy cobra um preço. Não imagino que alguém com tantos esqueletos no armário voltaria apenas para dar um aperto de mãos.

Eu sempre fui ambivalente com o Itachi, no entanto,então darei o benefício da dúvida: vou chutar que há uma chance de tanto ele quanto Dororo serem unidos por um conflito externo. Qual? Não faço ideia.

Faça por merecer, Itachi. Estou lhe dando a maior chance


Gato de Ulthar:

Não vejo esperanças quanto ao Itachi, e nem quero ter, quero que ele seja “malvadão” mesmo e toque o terror com o Dororo e companhia.


Fábio “Mexicano”:

Já eu achei a hipótese do Vinicius bastante satisfatória. O Dororo foi, com efeito, apenas a contraparte do Hyakkimaru. Seria legal vê-lo como contraparte de outro personagem completamente diferente: que tipo de Dororo veríamos daí?


Diego:

Vamos descobrir isso rapidinho, já que o novo episódio já saiu :stuck_out_tongue: Mas os nossos comentários ficam pra próxima semana! Por esta, ficamos por aqui. Até lá a todos o/

2 comentários sobre “Café com Anime – Dororo, episódio 15

    • No caso da perna do Hyakkimaru, o que aconteceu foi o seguinte:

      Primeiro: no episódio do flashback nós aprendemos que a perna direita foi a primeira parte de seu corpo que ele recuperou, após matar um demônio que o atacou quando ainda vivia com o Jukai.

      Segundo: no arco da Mio, ele vence o demônio que habitava naquele fosso de areia, que foi como ele conseguiu pegar sua voz de volta. Mas antes de morrer, o demônio agarrou a perna do Hyakkimaru, e com ele ele conseguiu se salvar. Nesse ponto, o Hyakki basicamente trocou a perna pela voz.

      Finalmente: vencendo esse demônio uma segunda vez, ele consegue a sua perna de volta, e é assim que ele chega onde está agora.

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