Review – Anima Yell! (Anime)


Garotas fofinhas líderes de torcida.


Chegando à TV no último trimestre de 2018, Anima Yell adapta ao mangá seinen homônimo, um yonkoma escrito e ilustrado por Unohara Tsukasa e publicado na revista Manga Time Kirara Carat.

Produção do estúdio Doga Kobo, contando com um total de 12 episódios dirigidos por Satou Masako, nossa história começa quando Hatoya Kohane voltava para casa, no que a garota acaba por topar com uma equipe de líderes de torcida ensaiando. Se encantando com o esporte, Kohane decide abrir um clube de cheerleading, com a série então seguindo as desventuras desse grupo de três, quatro, e, finalmente, cinco garotas.

Um dos meus nichijoukei favoritos de 2018, ao lado de títulos como Yuru CampComic Girls, é também um anime que eu não recomendaria para aqueles que pouco se interessam pelo gênero. Anima Yell entrega exatamente o que podemos esperar de uma história do tipo, nomeadamente uma boa comédia com um elenco carismático de personagens, mas ao mesmo tempo há de se conhecer que não é uma obra que vá além.

Dito isso, se você gosta de um bom slice of life de comédia, ou mesmo se busca um bom ponto de entrada para o gênero, vá em frente e dê a Anima Yell uma chance. No mais, fica aqui o aviso de sempre: spoilers a partir deste ponto, então sigam por sua conta e risco.

Algo interessante de se apontar em Anima Yell! é que o anime segue uma tendência recente no nichijoukei de se demorar um pouco a introduzir o seu elenco. Ao contrário das séries de quando o gênero estava primeiro se formando, em que o grupo principal é todo introduzido logo no primeiro episódio, em Anima Yell! nós começamos com – como eu disse um pouco acima – primeiro três garotas, depois quatro, e então cinco. Um formato que, especialmente em uma mídia como o anime, tem lá suas vantagens e desvantagens.

A obvia vantagem é que o formato possibilita explorar essas personagens e as suas relações umas com as outras com um pouco mais de vagar. Ao invés de cada uma já começar a série tendo de interagir com outras três ou quatro, começamos com cada uma tendo de interagir com outras duas e vamos adicionando elenco aos poucos. O que inclusive evita que a história fique monótona, conforme a introdução de um novo elemento é sempre algo que quebra um pouco o status quo anterior, em maior ou menos grau.

A desvantagem, porém, é que corre-se um risco de não haver tempo para se explorar adequadamente as personagens introduzidas ao longo da obra. Em Anima Yell! eu diria que a Kotetsu não sofre disso, chegando na trama cedo o bastante para ainda ter o próprio desenvolvimento, mas tarde o bastante para que o trio da Kohane, Arima e Uki já tivesse sido suficientemente bem trabalhado. A Ushiko, por outro lado, sofre um pouco mais as consequências de uma entrada tardia na trama.

Eu gosto bastante da personalidade das garotas em Anima Yell! Não é incomum que animes desse gênero dê a cada personagem um, no máximo dois traços de personalidade, e se bem aplicado não há realmente nada de errado nisso. É simplista, mas a simplicidade pode ser uma forte aliada da comédia. Anima Yell! não subverte isso, exatamente, indo mais pela rota da adição. Cada personagem tem uma série de traços de personalidade e de pequenos “quirks” que as definem.

A Hatoya nos aparece como uma garota avoada, ultra-entusiasmada e que está sempre tentando ajudar os outros – mesmo quando se machucando por isso. A Arima já é um pouco mais desenvolvida, e eu inclusive diria que o anime é muito o arco dela em particular. A Uki é provavelmente a personagem mais multifacetada do anime, com a sua paixonite pela Hatoya, sua natureza envergonhada, o fato dela ser a personagem que melhor consegue “ler” as demais, etc. E ai temos a Kotetsu e a Uchiko.

A Kotetsu tem também uma série de características. É uma garota insegura, o que vemos sobretudo na primeira apresentação das quatro, mas também em como ela está sempre querendo perder peso (mesmo as demais falando que ela não precisa). E é também uma pessoa que sempre fala o que pensa, por vezes soando até um pouco grossa ou maldosa. A Uchiko, porém, talvez seja a mais simples em personalidade, com sua paixão pela Arima e seu inicial desdém pelas demais três. E é por isso que eu digo que ela parece ser a que mais sofreu com a estrutura da obra.

Talvez o mangá trabalhe melhor a personagem, ou pelo menos dê a ela algo como gostos e desgostos – como a Kotetsu adorando doces ou a Uki tendo uma relação de amor e ódio com o sobrenatural. Mas no anime ela vem como a personagem menos trabalhada, talvez por ter sido introduzida relativamente tarde na obra. Vemos ela seguindo as garotas desde o começo, mas ela só integra o time no episódio 8. E enquanto ela de forma nenhuma é uma personagem ruim dentro do contexto do anime, ela também não é a melhor que a obra tem a oferecer.

Mas para terminar esse tópico numa nota mais positiva, esse formato de ir introduzindo cada garota aos poucos tem também a vantagem de vermos melhor como cada garota interage uma com a outra e como cada garota vai se abrindo uma para a outra. O que produz uma dinâmica na qual as interações entre as personagens soam bastante distintas. Uki não age da mesma forma com a Hatoya, a Arima e a Ushiko, por exemplo, e vice-versa. Cada personagem estabelece uma relação distinta com cada outra personagem.

Claro, incluso nisso está também a personalidade de cada uma. A Hatoya, extrovertida e avoada como é, age praticamente da mesma forma com todas. Mas cada personagem reage à Hatoya da sua maneira. E enquanto Anima Yell! não é nem de longe o único anime a fazer isso, na verdade eu diria mesmo que é algo bastante normal, ainda que não tão onipresente quanto eu acho que deveria ser, o anime ao menos o fez bem o bastante para que eu prestasse atenção nesse detalhe, então pontos por isso.

Saindo agora das personagens, vale a pena falar um pouco sobre a trama de Anima Yell! Isso porque ela sim é um pouco diferente do que se convencionou no gênero. Nichijoukei, até pela sua natureza de contar o dia a dia de suas personagens, é um gênero que tende muito mais para o episódico, com cada episódio (ou cada capítulo, no caso de mangás) sendo normalmente bastante auto contido. Você tem ainda a passagem do tempo, claro, e elementos recorrentes, mas é difícil falar em uma efetiva trama nesse tipo de história.

Anima Yell! começa com uma abordagem bem próxima a isso, ainda que bastante distinta. Por episódicos que fossem, cada acontecimento ainda era sempre consequência direta de algo que veio antes. Maior exemplo disso sendo todos os novos pedidos que as garotas recebem após a apresentação que fizeram para o time de basquete da escola. Essa sensação de causa e efeito, enquanto ainda não configurando uma trama de fato, ainda dá ao anime um senso de progressão que você dificilmente encontra em séries do tipo.

Mas há também uma trama aqui, ainda que trabalhada em doses mais que homeopáticas. Que é a questão do passado da Arima. Eu disse mais cedo que Anima Yell! é essencialmente o arco da Arima. O anime começa com ela – com a Hatoya a vendo praticar com o time antigo, o que a inspira a começar o esporte – e também termina com ela – na medida em que o episódio final vem para que as garotas provem ao time anterior da Arima que ela estava bem com elas. E inclusive é graças a isso que o anime consegue ter um final até que bastante satisfatório.

De certa forma, todos esses 12 episódios acabam sendo a Hatoya fazendo o que ela faz de melhor: ajudar alguém. Só calhou que ela própria não se deu conta que estava fazendo isso até praticamente o último episódio. Mas é graças a ela que a Arima consegue não apenas enfrentar o seu trauma de ser abandonada, como também retorna ao cheerleading e passa a refletir sobre as próprias atitudes, desejando prestar mais atenção às suas colegas de time ao invés de tentar sempre agir sozinha.

Diga-se de passagem, Anima Yell! consegue ter momentos muito bem executados de drama. Nunca pesados demais, que fique bem claro: ainda é um anime para relaxar e divertir. Mas momentos como a amiga lésbica da Kotetsu confessando a sua sexualidade para as então três integrantes do clube de cheerleading, ou então a Kotetsu nervosa na primeira apresentação das quatro, ou mesmo todo esse final com a Arima e suas antigas colegas de time. São momentos que, enquanto nunca fugindo do tom da série além do necessário, se tornam bastante memoráveis.

Anima Yell! não é incrível, nem subversivo. Mas ele executa muito bem o que se espera de seu gênero, enquanto que adicionando elementos aqui ou ali que dão ao anime uma identidade mais própria. Fora que o anime traz um retrato muito mais positivo do cheerleading do que estamos acostumados a ver na ficção, além de saber muito bem fazer a sua história girar em torno desse elemento. Como eu disse na introdução, não é um anime que eu recomendaria para quem não gosta do gênero, mas para os já convertidos é um título que definitivamente vale a pena conferir.

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Anima Yell, episódio 2

2 – Anima Yell, episódio 4

3 – Anima Yell, episódio 5

4 – Anima Yell, episódio 8

5 – Anima Yell, episódio 9

6 – Anima Yell, episódio 12

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