Café com Anime – Dororo, episódios 5 & 6


Nossa conversa semanal sobre os animes da temporada.


Olá a todos, e bem vindos a mais um Café com Anime \o/ E como de costume, mais uma vez se juntam a mim o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, desta vez para discutirmos essa mais nova adaptação do clássico de Osamu Tezuka, Dororo.

Antes de irmos parara a conversa, porém, não deixem também de conferir os demais blogs! No Anime 21, teremos nossas conversas sobre Mahou Shoujo Tokushuusen Asuka. No Dissidência Pop, nossas discussões sobre Kouya no Kotobuki Hikoutai. E no Finisgeekis, aquelas sobre Yakusoku no Neverland. Não percam!

E sem mais delongas, vamos então à conversa. Uma boa leitura /o/


Diego:

Eu literalmente nem sei por onde começar. Como de praxe tivemos ainda outro ótimo episódio.

Começamos esse episódio da mesma forma que começamos o anterior: vendo os efeitos no Hyakkimaru de recuperar outra de suas partes. A título de curiosidade, no mangá esses efeitos eram bem mitigados. Hyakkimaru ficava feliz de recuperar mais um pedaço, mas nem de longe parecia ter a crise que seria esperada de um influxo inteiramente novo de sensações. Nesse sentido, essa adaptação vem apresentando um personagem bem mais interessante.

Eu gosto de como imediatamente é levantada a questão de se tudo isso vale a pena. Se ele não estaria melhor parando com sua busca. E o próprio episódio responde isso: ao saber de um novo demônio, Hyakkimaru vai correndo atrás dele. Ele quer suas partes de volta, e a forma como o anime deixa isso implícito é excelente.

Tem mais coisa pra falar (bem mais coisa), mas vamos primeiro ouvir vocês um pouquinho. Que acharam do episódio?


Fábio “Mexicano”:

Você entendeu dessa forma a saída apressada dele para enfrentar o demônio? Em contexto, me pareceu que ele estava ansioso para ajudar a Mio e suas crianças. Acredito sim que ele queira suas partes de volta, mas depois de anos (todos os que ele tem), acredito que ele não esteja ansioso ao ponto da temeridade por isso.

E oh, puxa, lá se vai uma perna boa e de verdade…

Curiosidade: no anime antigo, isso é um episódio só, e com bem menos desenvolvimento (como já de praxe nessa nova adaptação). Agora temos um arco de, provavelmente, dois episódios.


Gato de Ulthar:

Baita episódio mesmo! E que cena aquela do Dororo perdendo a perna que mal acabou de conseguir? Pelo visto ele vai precisar voltar a usar uma prótese, não que ele já não esteja acostumado com isso né? Mas que foi um baque foi.

O contexto do orfanato também ficou muito bem trabalhado, não é uma surpresa que a moça tivesse de se prostituir para arcar com a sobrevivência das crianças mas ver o moleque pegando no flagra, daí é outra história.


Fábio “Mexicano”:

Aquela perna foi a primeira parte do corpo que ele recuperou, quando ainda estava vivendo com o Jukai.

E bom, acho que isso eu posso falar: no anime antigo, a Mio não se prostitui. Não sabemos como ela e as crianças se sustentam, na verdade.


Vinicius Marino:

Não é de todo anime que posso dizer isso, mas Dororo merece a distinção: que obra de tirar o fôlego. Digo isso literalmente. Esse foi um episódio que tirou o ar dos meus pulmões.

Que o drama tenha tocado notas óbvias não mudou em nada seu impacto emocional. Era óbvio, desde o início, que a Mio estava se prostituindo (que outro trabalho ela faria à noite, para ambos os exércitos)? Mas foi justamente essa obviedade que tornou a revelação no final tão dolorosa.


Fábio “Mexicano”:

Como eu disse, no anime antigo a Mio não se prostituía. Então a primeira aparição dela no anime não me pareceu nada demais. Mas quando descobri depois que ela ia “trabalhar a noite” para os soldados essa cena se tornou outra coisa bem diferente:


Vinicius Marino:

É de arrepiar mesmo.


Fábio “Mexicano”:

Tem as mais sutis-nada-sutis da Mio se envergonhando e cobrindo o corpo na presença do Hyakkimaru também


Vinicius Marino:

Eu já falei no passado como Dororo se apropria de uma imagem contemporânea da guerra, e esse episódio levou isso a outro patamar. Mulheres jovens forçadas à prostituição, evidentemente, são tão antigas quanto a guerra. Mas ver crianças com membros decepados traz à mente as vítimas de minas terrestres em conflitos do século XX. Ou casos deliberados de terrorismo, como as vítimas de Leopoldo II no Congo e da Guerra Civil de Serra Leoa.


Gato de Ulthar:

Pois é, Dororo se mostra bastante anacrônico neste aspecto, em guerras antigas não lembro de ser comum uma quantidade tão grande de crianças com membros decepados, não que não houvesse crianças no campo de batalha eventualmente, mas não vejo que seria do jeito apresentado no anime. Não que o resultado seja ruim, mesmo que destoe da imagem clássica do Japão antigo. E no mais, é uma crítica poderosa à guerra moderna.


Vinicius Marino:

Eu acho que inclusive isso melhorou a obra. Não que civis não fossem atingidos pela guerra pré-industrial, mas nada supera as imagens (fotografadas e televisionadas) de inocentes sofrendo com a guerra contemporânea.

E é uma coisa super recente, no sentido de que mesmo hoje, 50 anos depois do lançamento original do Dororo, essas memórias continuam conosco. Os sobreviventes da Segunda Guerra continuam aí (embora bem velhinhos). Os da guerra da Serra Leoa, Iuguslávia, Chechênia estão todos aí.


Fábio “Mexicano”:

As crianças amputadas (e demais amputados) já existiam no anime original. Se não me engano, não sei se é dessa época mas pelo menos em algum momento da história do Japão era legal samurais cortarem plebeus aleatórios por quaisquer motivos.


Vinicius Marino:

Era mesmo, mas raramente numa proporção que deixaria bandos inteiros de amputados. Compare isso com o Congo Belga, em que os agentes coloniais decepavam as mãos de nativos que não cumpriam as metas de produção. Ou na Serra Leoa, onde a Frente Revolucionária Unida decepava braços de qualquer civil sem motivo aparente.


Diego:

É interessante o paralelo com a guerra moderna porque eu diria que no mangá esse paralelo é ainda mais forte. As crianças não só estavam amputadas como muitas pareciam queimadas, uma imagem que imediatamente remete a outras como vítimas de incêndios causados por bombas. Diria que Dororo é uma obra na qual Tezuka deixa bem claro o seu desdém pela guerra.

Mas voltando um pouco a discussão, a primeira fala do Fábio me fez pensar: como vocês interpretam o Hyakkimaru nesse ponto da história? Quando ele sai, acham que ele ainda quer recuperar suas partes, ou diriam que a motivação principal era ajudar? No mangá, a vontade do Hyakkimaru de recuperar seu corpo era inquestionável: ele podia falar, se expressar, e estava sempre feliz ao reaver uma parte de si. O Hyakkimaru deste anime é mais condizente com a sua condição, mas isso também torna um pouco mais difícil de “ler” o personagem.


Fábio “Mexicano”:

Eu acho que ele partiu para recuperar seu corpo, não tanto por vontade, já que você não pode sentir falta de algo que nunca teve, mas porque o Jukai falou pra ele fazer isso. Parecia o certo a se fazer. Mas agora ele começa a sofrer a cada vez que recupera uma parte do corpo, conforme já temos notado há alguns episódios. Ainda vale a pena, nessas circunstâncias? Inclusive ele perdeu a perna que foi a primeira parte do corpo que recuperou, quando nem sabia que seu corpo era recuperável. Vale mesmo a pena? Eu acho que ele precisa e vai encontrar outra motivação para continuar com a sua busca.


Vinicius Marino:

Olha, eu vou apostar em outra direção. Ele precisa saber A Verdade.

Não “a verdade” sobre o que aconteceu com ele. A Grande Resposta com letras maiúsculas. O sentido cósmico, fundamental, de toda a sua vida.

Ele é uma personagem que nasceu nas piores circunstâncias. Que comeu o pão que o diabo amassou e experimenta o lado mais sombrio da humanidade a cada passo que ensaia.

Ele não precisa de um objetivo. Precisa se virar para os céus e bradar a plenos pulmões, exigindo uma resposta. E eu torço, com todas as forças, que ele a consiga.


Fábio “Mexicano”:

Buscar uma resposta não deixa de ser um objetivo. Em todo caso, ele provavelmente está perto desse momento.


Diego:

E perto de expressá-lo :smile: Agora que recuperou sua voz, poderemos finalmente começar a ouvir o que ele pensa (se bem que… ele vai conseguir falar? Ele lá sabe japonês?).


Fábio “Mexicano”:

Ele sabe escrever e parece entender o que os outros falam.

Aliás, ele já parecia entender mesmo quando não conseguia nem ouvir :stuck_out_tongue:


Diego:

Acho que isso foi meio que explicado. Ele não entende as palavras, mas sim as intenções, meio que o “estado de espírito” de quem fala. E o nome… bom, Jukai ensinou ele a desenhar aqueles kanji, não significa que ele conseguiria pronunciá-los.


Gato de Ulthar:

Faço coro com todos, o que ele quer é descobrir quem ele é, o que ele fez para merecer passar por isso, e para isso ela vai precisar confrontar o seu pai.


Diego:

Bom, pra encerrarmos nossa discussão do episódio 4, antes de passarmos para o 5, o que acham do Hyakkimaru perder sua perna ao final da luta do episódio? Pra ser bem sincero, isso me surpreendeu bastante, dado que nada do tipo acontece no mangá original.


Gato de Ulthar:

Eu gostei, foi uma surpresa e tanto! Estou curioso para ver como ele vai lidar com isso, será que vai procurar o Jukai para fazer uma prótese nova para ele?


Fábio “Mexicano”:

Talvez o Jukai convenientemente apareça. Ele não vai de campo de batalha em campo de batalha dando próteses para os cadáveres decepados? É a desculpa perfeita.

Talvez o Hyakkimaru esteja até amuado quando o Jukai chegar. Triste, jururu, sem vontade de cantar uma bela canção, porque sabemos que o que quer que possa acontecer ali, será trágico. Então vai ter isso e uma perna a menos. E quem melhor para colocar o protagonista de pé de volta, inclusive literalmente, do que seu pai de criação?


Vinicius Marino:

É uma ideia, mas eu preferiria vê-lo fora de combate, pelo menos por um tempo. Até agora, a batalha foi a única forma de expressão do Hyakkimaru. Desta vez, ele precisará contar com outro artifícios.

Que fortuito que ele acaba justamente de recuperar a voz!


Diego:

Acho que com uma fala dessas o Vinicius vai sair um pouquinho desapontado do episódio 6 :smile:

Bom, vamos lá, como o leitor já deve saber, de vez em quando não conseguimos terminar a conversa sobre um episódio antes de sair o próximo, e ai nossa atitude normal é seguir com a conversa :stuck_out_tongue: Sendo assim, vamos falar um pouquinho do sexto episódio agora.

Pra ser sincero, eu já sabia como esse arco ia terminar, e o Fábio também. No original, toda a história da Mio se passa no passado do Hyakkimaru, e na primeira adaptação ela vem logo no segundo episódio. Ainda que: dava pra imaginar que fim teria uma trama dessas, né? Não é como se os personagens pudessem ficar naquele templo para sempre…

Mas digam ai o que vocês acharam do episódio.


Fábio “Mexicano”:

Vou repetir o que já falei noutras ocasiões: as mudanças estão sendo todas para a melhor. Estão fazendo um trabalho incrível. Não apenas isso foi só um flashback no anime antigo, como foi de um episódio só. Ao puxar para o presente o novo Dororo manteve a história antiga, que ele contou de forma muito mais potente, e ainda por cima aproveitou para amarrar em outros fios da trama, que foram no caso a guerra atual e o passado do próprio Dororo.

Certamente teremos em algum momento um episódio sobre o passado do Dororo, como tem no anime antigo, mas antes disso já sabemos algumas coisas, porque o garoto, presente nesse arco da Mio, fez a devida conexão entre os dois. Sobre a guerra, no anime antigo foram samurais de passagem que queimaram o templo e mataram todo mundo simplesmente porque sim. Nessa versão, sem deixar de detestar aqueles soldados, a gente entende que, talvez, não tivesse mesmo outro jeito. É verdade, eles mataram todo mundo, são carniceiros cruéis. Mas lembram do Tanosuke, da espada demoníaca Nihiru? Não é como se a maioria das pessoas tivesse qualquer escolha.


Vinicius Marino:

De fato, circular entre os dois campos é brincar com a sorte. E me pergunto se era mesmo necessário. Existe falta de soldados dispostos a pagar pelo serviço em cada um dos campos? Não é como se ela pudesse atender guerreiros de exércitos diferentes ao mesmo tempo. Enfim…

Não, não fiquei desapontado. Ok, o desenlace foi rápido, mas nós o vimos, ao menos por um tempo, fora de combate. O suficiente para que o drama das crianças atingisse proporções descabelantes. De quebra, tivemos uma pista importantíssima sobre o ônus pessoal da jornada do Hyakkimaru.

Como pudemos ver na sua “conversa” com a Mio, a sua alma, também, está se avermelhando. O germe de um problema que explode no final do episódio – e sugere que muita tensão está por vir.


Gato de Ulthar:

Esse foi um episódio e tanto! Fiquei emocionado com a morte da Mio e as crianças, mas é o tipo de coisa que se espera em momentos de crise como aquele em que eles estão vivendo.

Tirando isso, penso que a participação do Dororo vai ser fundamental para o Hyakkimaru não se deixar sucumbir para o lado “escuro da força”, assim como o velho cego disse, e esse episodio deixou várias pistas desta função especial do menino.

Gostei também de ver como ele interpretou o trabalho degradante da Mio, foi algo a se admirar em uma criança tão jovem, ou melhor, algo a lamentar que uma criança tenha esse tipo de conhecimento que só se aprende em ambientes mal estruturados.

Cheguei a pensar que o Hyakkimaru possa a vir se culpar pelo o que aconteceu com a Mio e as crianças, afinal de contas não era para ele ter ido enfrentar o demônio tão cedo, e se ele estivesse no santuário abandonado ele muito bem poderia ter protegido todo mundo.


Diego:

O Vinicius disse que a alma do Hyakkimaru está se avermelhando, mas não foi bem o que eu entendi. Desde o começo ele tem “algo” de diferente na alma, algo que o velho viu logo quando o Hyakkimaru era bebê, e que provavelmente vem dele ter tido o corpo roubado por demônios.

Agora, a ideia do Gato dele se sentir culpado é uma interessante, mas não sei se o anime iria por esse caminho. Bom, mas se for, ao menos agora o Hyakkimaru poderá se expressar, já que conseguiu sua voz de volta. :smile:


Vinicius Marino:

Jura que aquelas fagulhas vermelhas estavam lá desde o início? Eu não percebi.

Falando em cores, achei legal que as sementes não são nem cinza nem vermelhas. São douradas, como os campos de arroz.

Na minha leitura, é um recurso que indica que elas são o germe de um novo tempo. Não apenas neutro, mas próspero.


Fábio “Mexicano”:

Hyakkimaru não se culpou, só ficou com ódio dos outros. A gente nem sabe o quanto ele está cognitivamente desenvolvido para saber o que é “culpa”. E, sinceramente, acho que se ele estivesse lá provavelmente não os teria conseguido proteger. Ele matou todo mundo ali porque estava movido pela força do ódio (e porque tinha sua perna de volta). Em outras palavras, ele quase era um monstro. Tivesse que apenas defender, não sei se teria conseguido tirar aquela força de dentro de si.


Diego:

A questão da cognição do Hyakkimaru é uma que vale discussão. Desde o começo está no ar o quanto será que ele entende da própria situação, do mundo ao seu redor, e o que pensa a respeito.


Fábio “Mexicano”:

E isso é algo que não existe no original, né? Ele é cego e surdo, mas de alguma forma “escuta” e “enxerga” tudo, além de falar normalmente. É a parte mais difícil dessa adaptação.


Diego:

No original, Hyakkimaru tem algum tipo de poder mental que permite ele “ver”, “ouvir” e se comunicar com as pessoas projetando sua voz diretamente na mente delas. No mangá ele até consegue se comunicar com o Dororo a distância (algo que o próprio anime de 69 excluiu, diga-se de passagem). Ter o corpo perdido acaba sendo muito mais uma desculpa para colocar a história em movimento do que realmente algo que afete o personagem.

Bom, mas mudando um pouco de assunto, o que vocês diriam do Dororo? Falamos tanto do Hyakkimaru que mal tocamos no personagem título da obra :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

Eu não falei nada sobre o Dororo? Acho que eu falei sobre o Dororo. Deixa eu ver.

É, eu falei sobre como na conversa com a Mio já começamos a descobrir um pouco do passado do Dororo. Ele é um órfão que já passou por muita coisa, que se tornou cínico (se não roubar e enganar, não sobrevive), mas encontrou em Hyakkimaru um “herói”. Logo ele descobriu que seu herói era humano e quebrado como todo mundo que ele conhecia, só que era forte o suficiente para não precisar roubar e enganar. Em compensação, ele nunca cresceu como uma pessoa normal, falta algo de humano na personalidade dele, e ajudar Hyakkimaru a encontrar sua humanidade espiritual é o papel do Dororo.


Vinicius Marino:

Eu comentei em um dos nossos primeiros cafés sobre como o considerava uma personagem perfeitamente dispensável. Estou contente em dizer que minha opinião a seu respeito tem melhorado nos últimos episódios.

Ele é útil porque nos oferece um ponto de vista. Através do seus olhos, vemos Hyakkimaru “de fora”. Ele é nosso protagonista, mas é, de certa forma, uma personagem que não conhecemos. Descobri-lo – mais do que descobrir o que será da sua jornada – é a grande recompensa emocional do anime.

Esse ponto de vista não poderia ser cumprido por qualquer outro interlocutor com quem Hyakkimaru cruza nas suas viagens? Poderia. Não seria mais interessante termos uma coleção de “olhares” sobre nosso protagonista, em vez do de um garoto irritante? Talvez.

Mas essa é a obra que temos. E, com tudo o que Dororo já mudou em relação ao seu material de origem, seria injusto exigir que mudasse até mesmo a personagem título.


Fábio “Mexicano”:

Dororo (o mangá) é de uma época que todo protagonista “adulto” (no caso do Hyakkimaru, adolescente, mas ele parecia adulto o bastante) tinha um sidekick criança. Aposto que há estudos sobre o fenômeno. E do que vi até agora do anime antigo, é exatamente isso que o Dororo é mesmo. Porém, quando Tezuka nomeou o mangá “Dororo” ao invés de “Hyakkimaru”, suponho que tenha planejado algo importante para o moleque (e talvez o Diego esteja rindo silenciosamente de mim enquanto escrevo isso).

Nesse anime ele foi elevado a uma condição muito superior a de mero ajudante.


Vinicius Marino:

Você tinha comentado que isso era uma política editorial. Estou curioso para investigar os motivos por trás dela. Eu sei que nos EUA esse tipo de sidekick se tornou popular durante a Era de Ouro por conta dos muitos meninos com pais ausentes na guerra – e, posteriormente, mortos em combate. Colocar um garoto ao lado do herói, muitos dos quais nessa época lutavam as mesmas batalhas que seus pais haviam lutado, era uma forma de “aproximá-lo” de um role model paterno.

Me pergunto se algo parecido aconteceu no Japão. Ou se há uma outra razão não relacionada.


Gato de Ulthar:

Todo mundo já disse o que devia ser dito de Dororo, mas para complementar, posso dizer que ele cumpre muito bem o seu papel como observador do Hyakkimaru, mas muito mais que isso, ele é um elemento que dá uma certa noção de humanidade perdida que o Hyakkimaru não tem.


Diego:

Pra ser sincero, eu mesmo ainda não sei bem o que pensar do Dororo. No mangá e no anime antigo ele é mesmo apenas uma espécie de “sidekick“. O Fábio disse que eu talvez estivesse rindo silenciosamente, pois se estiver é de nervoso mesmo :stuck_out_tongue: Enquanto não inútil, a história do Dororo foi bem sub aproveitada na obra original. Mas com todas as mudanças que esse anime vem fazendo, tenho confiança de que ele conseguirá emendar esse problema. Mas bom, em todo caso, ao menos por aqui eu concordo com o que vocês colocam, do Dororo ser uma espécie de “contraponto humano” para o Hyakkimaru.

E por hoje nós ficamos por aqui! Vejo a todos na próxima semana /o/

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