Por que eu (ainda) consumo anime via pirataria?


Uma honesta e necessária reflexão.


No momento em que escrevo este texto, ressurgiu ainda outra vez (com o perdão do pleonasmo intencional) a discussão sobre a pirataria nesse meio do anime. Não vou me dedicar a detalhar o contexto: quem estiver lendo enquanto o assunto ainda é recente sabe a que me refiro, e quem por ventura venha a ler quando o assunto há muito esfriou não precisa saber para entender este artigo. Vou apenas me limitar a dizer que é a exata mesma discussão com os exatos mesmos argumentos que já detalhei no meu texto Precisamos mudar a forma como discutimos pirataria.

Em certo sentido, este artigo é muito mais uma continuação daquele do que necessariamente um comentário na discussão atual. Deixemos primeiro uma coisa bem clara: eu não sou exatamente a favor da pirataria, ainda que também não seja exatamente contra. Eu reconheço a necessidade de um produto gerar lucro a fim de que possa continuar existindo: essa é toda a base do nosso sistema econômico atual. E diante de uma noção do tipo, seria de se esperar que eu aceitasse de bom grado o consumo por meios legais sempre que possível. Ainda assim, a pirataria ainda é a forma pela qual eu mais consumo anime. Por quê?

Naquele meu artigo, eu disse que parte importante de se mudar a discussão em uma direção mais produtiva era o de tentarmos ser mais honestos com o porquê de ainda nos utilizarmos da pirataria. Aqui eu busco fazer exatamente isso: uma (talvez um pouco longa) reflexão sobre os motivos que ainda me levam a evitar os serviços oficiais de distribuição. Antes, porém, serão necessárias algumas ressalvas…

Senta que isso vai longe.

 

“São apenas desculpas”

Sempre que alguém tenta explicar o porquê de ainda usar da pirataria, é bastante comum surgir o contra-argumento de que a explicação dada não passa de “desculpas”. Um pensamento que eu vejo como bastante problemático, e isso por dois motivos.

Em primeiro lugar, porque esse é um daqueles argumentos que só existem a fim de descreditar o outro lado do debate. Ele não avança a discussão: ele a corta abruptamente. Ao tratar toda e qualquer explicação como sendo insincera por princípio, impede-se de haver aqui uma discussão sobre como, então, atender às demandas daqueles que criticam. No extremo, implícita aqui está a noção de que é você quem deve se adequar a um serviço, e não o contrário.

Mas para além disso, fica também no ar uma pergunta: se todas as explicações dadas são apenas “desculpas”, qual é, então, o “verdadeiro” motivo pelo qual as pessoas consomem pirataria? Se explicações econômicas, ideológicas ou semelhantes “não valem”, o que então “vale”? É uma pergunta que não pode ser respondida, o que apenas reforça como esse argumento serve tão somente para evitar o debate.

Não, não são apenas “desculpas”.

 

Uma questão de perspectiva

A segunda e última ressalva que precisa ser feita aqui é uma sobre perspectivas.

Dentre aqueles mais firmemente contra a pirataria, eu noto que a questão é vista e tratada sobretudo de uma ótica moral (a pirataria sendo tida como algo errado), com um ímpeto (vamos dizer assim) “pra fora”. A preocupação maior é com a indústria, algo que notamos já no tão comum argumento “você deve ajudar o mercado”. A minha visão, por outro lado, é um pouco diferente.

Em primeiro lugar, ela é sobretudo pragmática: “certo” e “errado” me interessam menos do que efeitos práticos na realidade concreta. Na minha visão, moralidade é relativa, e portanto ela é uma base fraca demais para argumentação. Além disso, o meu ímpeto é “interno”. Minha preocupação maior é comigo, não com o mercado. É egoísta, mesmo egocêntrico, mas entre o benefício de empresas multinacionais e multimilionárias e o benefício meu próprio, eu coloco a mim em primeiro lugar.

Eu acredito que boa parte de toda essa discussão só existe por conta de um conflito entre essas duas visões de mundo. E é por isso também que a conversa não avança. Sendo antitéticas, os argumentos de cada lado não conseguem ressoar com o outro. Não adiante você me dizer que eu preciso ajudar o mercado quando a minha preocupação maior não é com o mercado. Igualmente, o argumento do relativismo moral tem bem pouco efeito se você acredita numa moralidade objetiva.

De minha parte, não sei como estabelecer um diálogo entre esses dois lados, então o melhor que posso fazer é reconhecer a existência dessa divisão. E pedir ao leitor que a tenha em mente na hora de colocar os próprios argumentos. E com essas considerações feitas, vamos então começar a responder a pergunta título.

Diferentes visões de mundo engendram diferentes perspectivas e atitudes.

 

Eu não tenho dinheiro

Se eu fosse listar os meus motivos em ordem de importância, este certamente teria de vir em primeiro lugar. Fato é que eu não tenho dinheiro, literalmente.

Estou desempregado há já quase um ano, e o restante da minha família não está numa situação tão melhor assim. As pessoas gostam de dizer que os serviços de streaming são baratos, e numa visão mais neutra isso é mesmo verdade. Em torno de 20 a 30 reais por bibliotecas que passam das centenas de títulos não é um mal negócio, concordo plenamente. Mas para aqueles cuja conta bancária não chega aos 3 dígitos, esse dinheiro ainda é muito.

Agora, é verdade que a Crunchyroll possui um plano gratuito, onde você pode assistir os animes da plataforma uma semana depois deles estrearem. Mas e os demais serviços? E se eu quiser ver um anime que está na Netflix? No Hidive? Na Amazon? Ou em algum outro serviço menos conhecido?

É nesse ponto que muitos responderiam com um “então você não vê”. Não pode pagar, não pode consumir: é um argumento que eu vi aparecer aqui e ali. O problema desse argumento é que ele não consegue cruzar aquela divisão que eu mencionei acima. Digo, subjacente a ele está a noção de que o certo é consumir apenas se pagar. Se não pode pagar, então você não deveria consumir. É um argumento moral.

Mas de um ponto de vista pragmático, consumir via pirataria ou não consumir dá exatamente no mesmo, ao menos para as empresas. Você ver pirata ou não ver dá o exato mesmo lucro aos produtores: nenhum. Do seu lado, porém, o efeito é bem mais óbvio: você pode ver (pirata), ou não ver. Quando apenas essas duas opções estão postas, você é o único que pode sair perdendo de fato.

Eu, quando olho minha conta bancária.

 

Que efeito tenho eu?

Em 2017, a indústria dos animes bateu os 17 bilhões de dólares. Que falta faz, para ela, os meus 20 ou 30 reais?

Agora, isso não é bem um argumento, é mais uma constatação. Eu acredito que boa parte do motivo pelo qual as pessoas pirateiam é porque essa é uma atitude aparentemente sem consequência. Os efeitos da prática não são realmente perceptíveis, ou pelo menos não no nível micro.

Fato é que quando estamos falando de algo tão grande e tão multifacetado quanto essa indústria (e aqui vale a pena lembrar dos primeiros parágrafos de meu texto anterior, sobre como “A Indústria” dos animes é em fato toda uma teia de indústrias das mais diversas), é fácil pensar que não temos qualquer efeito sobre ela. Que nossas atitudes individuais não tem importância nenhuma.

Claro, se pensarmos em todo mundo que pirateia animes e assumirmos, como cenário puramente hipotético, que todas essas pessoas passariam de imediato a consumir apenas por meios legais, a soma final em dinheiro disso resultante talvez fosse significativa. Mas isso pensando no melhor dos cenários possíveis.

E mesmo que tenhamos esse cenário em mente, que entendamos racionalmente que as nossas atitudes são parte de um todo muito maior que, ele sim, tem efeitos concretos, ainda é muito difícil para nós de nos identificarmos com esse todo. De onde vem a minha pergunta inicial: que falta faz os meus 20 reais? Não os 20 reais de todos os que consomem pirataria. Ou os de todos os brasileiros que o fazem. Apenas os meus.

Essa dissociação entre o consumidor como indivíduo e o mercado como um todo é uma bem difícil de superar. E inclusive eu diria que é ainda outro motivo pelo qual a noção de “ajudar o mercado” não realmente “cola” comigo. Digo, não me parece que “o mercado” precisa da minha ajuda, afinal.

Diante de tamanha complexidade, é fácil sentir que suas atitudes não importam.

 

Antipatia pelo streaming

A forma mais prática – pra não dizer a única – de se consumir animes aqui no Brasil é através das plataformas de streaming. Crunchyroll, Netflix, Hidive, Amazon… Só tem um problema: eu odeio esse modelo.

Plataformas de streaming não te oferecem um produto, elas são o produto. Você paga uma mensalidade para ter acesso à biblioteca de cada uma. Implícito nisso, portanto, está que você não controla o que permanece ou não ali. Toda e qualquer obra que você goste está sempre sujeita a sair de catálogo a qualquer momento, sem que você tenha qualquer influência sobre isso.

Eu entendo que para a maioria das pessoas não há qualquer problema aqui. Até porquê, quando foi a última vez que você reviu o seu filme ou anime favorito? Eu, porém, não consigo me sentir confortável com essa situação. Me chamem de velho, mas não consigo realmente aceitar um consumo descolado da posse. Eu quero ter. É por isso que mesmo em se tratando da pirataria o meu método de consumo é o torrent, e não os sites de streaming ilegais.

Essa é uma situação que até poderia ser solucionada se tivéssemos aqui no Brasil um mercado forte de animes em mídia física. Gostou muito de um anime no Crunchyroll? Bom, pode comprar o box de DVDs ou BDs aqui ou ali. É como funciona no Japão, e mesmo nos Estados Unidos. Alternativamente, os sites de streaming bem podiam ter um botão de download

Ademais, me incomoda a direção que o mercado de streaming está tomando. Era um mercado convidativo, se mais nada ao menos pela sua praticidade, quando havia umas duas ou três plataformas. Mas com uma fragmentação cada vez maior, onde cada produtora começa a criar seus próprios serviços, logo você terá de pagar uma pequena fortuna para ter acesso a tudo. Uma realidade que já está afastando alguns usuários e os fazendo voltar à pirataria.

Não consigo descolar “consumo” de “posse”.

Fora que eu também tenho minhas críticas aos serviços existentes hoje.

Por exemplo, acho ridícula a política da Netflix de só lançar seus animes quando estão completos. Por conta disso, títulos como Littel Witch Academia ou Hisone to Masotan, que saíram semanalmente nas TVs japonesas, só chegaram para nós meses depois. Num meio tão imediatista quanto o meio otaku, tal atitude beira o incompreensível.

Hidive e Amazon Prime são serviços que eu talvez ao menos experimentasse se tivesse dinheiro, mas não me parecem animadores pelo que escuto de seus usuários. São comuns críticas às legendas do Hidive (em Yagate Kimi ni Naru, há uma cena nos primeiros episódios cuja legenda beira o incompreensível), e a Amazon aparentemente tem uma mania nada agradável de lançar seus episódios com alguns dias de atraso ou mesmo sem legenda nenhuma.

E ai temos o Crunchyroll… Sendo justo, esse é um serviço que melhorou bastante. Finalmente o player mudou para HTML 5, ao invés do Flash, ainda que a demora (e o fato de só o terem feito porque o Flash seria descontinuado) foi vergonhosa. Mas vou dizer que é a atitude da empresa o que mais me afasta dela. A ênfase propagandista de que são um meio de “apoiar a indústria”, parece que querem te convencer pela culpa mais do que pela qualidade, e isso realmente me irrita.

Agora, nesta seção vale comentar o argumento de que quem não consome não pode reclamar. Se você não paga uma assinatura da Netflix, você não tem moral para criticar a Netflix, por exemplo. Um argumento que não fez o menor sentido que seja.

Eu sou do pensamento de que não devemos incentivar más práticas empresariais. E que incentivo maior do que o dinheiro? Se você reclama de uma empresa, mas continua dando seu dinheiro a ela, que motivos teria a empesa para mudar? A ideia de que você deve continuar pagando um serviço que não te atende apenas para poder criticar esse serviço é uma dessas aberrações que só poderiam surgir na lógica capitalista atual.

Quando perguntam da qualidade dos serviços de streaming atuais.

 

Vou continuar precisando da pirataria

Vamos supor, por um momento, que todos os problemas mencionados acima desaparecessem. Que eu tenho dinheiro, que eu aceito esse dever cívico de “ajudar o mercado”, que os sites de streaming fossem do meu agrado… Permanece o fato de que eu continuaria precisando da pirataria.

Não dá: mesmo juntando todos os streaming legais disponíveis, ainda assim haverá um alto número de obras que não estarão disponíveis em lugar nenhum. Menos no que diz respeito às atuais, é verdade: quase todos os animes da temporada estão disponíveis em algum lugar (a palavra chave aqui sendo “quase”, mas que seja). Mas e quanto aos animes mais antigos?

Atualmente, está em lançamento Boogiepop wa Warawanai, mais nova adaptação da série de light novels Boogiepop. Meu primeiro instinto foi de querer então conhecer a adaptação anterior, Boogiepop Phantom. Adivinhem: não está disponível legalmente em lugar nenhum. Dororo é um caso semelhante: com o novo anime, eu quis ir atrás e assistir a primeira adaptação, Dororo to Hyakkimaru, de 1969. Podem imaginar como isso terminou, né?

Por que não, então, assistir legalmente o que está disponível legalmente, e deixar a pirataria somente para as obras que não estão? Bom, é aqui que entra uma outra questão: conforto e costume.

Eu acho engraçado o quão comum é o argumento de que assinar o Crunchyroll ou a Netflix te deixa “preguiçoso” para com a pirataria. Sem querer entrar no mérito do quão honesta é a colocação, fato é que o exato mesmo pode ocorrer com serviços pirata. Quando está tudo disponível em um lugar, da preguiça de ficar mudando de aba ou de aplicativo sempre que quiser assistir alguma coisa.

Eu reconheço que esse é um argumento injusto: é simplesmente impossível que tudo esteja disponível em um só lugar. Isso não acontece nem com a pirataria, que dirá então com os serviços que precisam pagar direitos autorais. Mas seria insincero deixar de mencionar esse fator.

Por sinal, Dororo to Hyakkimaru é bem legalzinho.

 

Um convite à discussão

Normalmente, eu finalizo meus ensaios com uma pequena conclusão. Neste, porém, eu quero fazer algo diferente.

Como disse no começo do texto, o propósito deste é o de avançar a discussão. Por conta disso, não creio que caiba aqui uma conclusão: o assunto está em aberto, e provavelmente sempre estará. Vou terminar, então, com um convite.

Dê a sua opinião no assunto, e faça-o onde achar melhor. Na seção de comentários deste texto. No Twitter. No Facebook. Contra-argumente os meus pontos se quiser, ou nem mencione que este texto existe. Fique a vontade. Apenas tenha esses meus argumentos em mente, e tentemos ter uma discussão um pouco mais nuançada do que aquela que tivemos até então.

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Dororo to Hyakkimaru, episódio 1

2 – Haibane Renmei, episódio 1

3 – Aria the Animation, episódio 2

4 – Fushigi no Umi no Nadia, episódio 3

5 – Sakura Quest, episódio 1

6 – Ginga Eiyuu Densetsu, episódio 1

7 – Animegataris, episódio 1

8 – Endro~, episódio 3

9 – Dororo to Hyakkimaru, episódio 1

6 comentários sobre “Por que eu (ainda) consumo anime via pirataria?

  1. Post muito interessante, traz uma visão diferente do que via sendo comentado pela maioria dos influenciadores digitais de animes. Na minha opinião, a pirataria é necessária, precisamos dela para ver animes antigos e animes que não estão licenciados por aqui, ela também ajuda quem não tem condições de pagar para ver animes, que é muito importante, pois, aumenta o fandom. Sou daqueles em que acredita que se tem condição de pagar ajude, se não tem é melhor assistir e contribuir divulgando o que gostou. Concordo sobre o lance da posse, de ter os animes, os animes abandonarem o catalogo dos serviços de streaming depois de um tempo é um dos pontos negativos deles, sempre vamos precisar da pirataria, pois, quando os animes abandonarem o catalogo dos serviços de streaming, aonde vamos assistir animes? E os animes antigos, aonde vamos assistir?

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  2. Mais do que um excelente ensaio; uma lição de como se DEVERIA buscar refletir e analisar um assunto tão importante.

    Vou comentar pelos tópicos abordados, com breves (ou nem tão breves) comentários!

    “SÃO APENAS DESCULPAS”:
    Este foi, talvez, o tópico que mais se relacionou com meu pensamento. Odeio quando as pessoas usam-se de argumentos tão rasos para atacarem as pessoas, querendo torná-las em vilões, em vez de abrirem espaço para um maior debate. Mas, infelizmente, isso se aplica para muitas coisas e, no Twitter, por exemplo, onde o espaço de comentários é limitado, foi onde mais vi esse tipo de coisa.

    UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA:
    Não nego que concordo em certo nível, já que odeio quando as pessoas querem impor sobre outros seus conceitos de “certo” e “errado”, mas, como bem apontado, é algo de difícil conclusão, já que enxergo que esse sentimento egoísta é, num geral, prejudicial à indústria ao qual eu gostaria de ver crescer. Eu gostaria de “ajudar a indústria” por saber que terei um retorno à altura, gerando satisfação pessoal; um crescimento positivo de ambos os lados, e não porque, do contrário, ela nada fará para merecer meu apoio.

    EU NÃO TENHO DINHEIRO:
    Eu tenho um plano da Crunchyroll, mas não me sinto super satisfeito com o serviço, tendo-o por uma questão de comodidade para animes de temporada. De toda forma, os animes licenciados por outros serviços eu consumo de forma ilegal sem o menor pesar, já que tenho a consciência de que não estou diretamente afetando negativamente ninguém, como bem descrito nesse ponto. A análise que usam é uma muito artificial, acreditando que TODOS QUE CONSOMEM TAL PRODUTO ILEGAL SÃO PESSOAS QUE O CONSUMIRIAM LEGALMENTE, e isso é simplesmente idiota. Eu, a bem da verdade, prefiro não assistir “X” anime, se ele estivesse disponível APENAS de forma legal, se for por uma plataforma de streaming que sinto não valer meu investimento (como a Amazon Prime). Acho burrice acreditar que todos os, digamos, 100 mil que assistem pirata, irão migrar para o legal, caso os sites ilegais venham a fechar. Muitos simplesmente não irão mais assistir, buscando outros meios de entretenimento.

    QUE EFEITO TENHO EU?

    Este é outro que se relaciona muito bem comigo, mesmo em certas coisas mais complicadas. Por exemplo, eu sei que se eu jogar um papel de bala no chão, fará praticamente nenhuma diferença para o mundo. Porém, sei que se todos seguirem meu exemplo, teremos um grande problema. Mas eu também sei que as pessoas não irão seguir meu exemplo, porque simplesmente não é assim que as coisas funcionam. Eu sei que muitos irão cuidar da cidade, então mesmo se eu e mais alguns jogarmos o papel no chão, não fará muita diferença e, nesse caso, eu nem estou pensando nos outros. Pode ser um exemplo um pouco esdrúxulo, e não sou de jogar coisas no chão (ainda que já o tenha feito), mas é um tipo de pensamento que não se relaciona verdadeiramente comigo. Eu sei que minha cidade não ficará super limpa só porque eu não jogo papel no chão, ou o contrário. Eu, de passagem por esta vida, com minhas preocupações e sentimentos, não estou realmente me importando com os demais. Então, no caso do CR, eu sei que meus 20-30 reais não irão sustentar a indústria. Nem se ficar pagando por 50 anos. Então não o faço para sentir que estou ajudando ou porque acredito que fará muita diferença. O faço para meu conforto pessoal de assistir mais facilmente na TV da sala.

    ANTIPATIA PELO STREAMING:

    “Toda e qualquer obra que você goste está sempre sujeita a sair de catálogo a qualquer momento, sem que você tenha qualquer influência sobre isso.” Essa sentença simplesmente resume o que eu mais odeio nessas plataformas. Várias vezes já pensei em assistir tal coisa na Netflix, mas decidi deixar para um momento mais conveniente. Aí, quando fui realmente começar a ver, o negócio já tinha saído do catálogo. Ou mesmo já assisti algo que gosto muito, mas este foi retirado um tempo depois e não poderei revê-lo por meios legais, fazendo parecer que meu investimento monetário não tem valor, já que tiraram algo de que gostava muito.

    Eu realmente odeio isso! Acho muito legal que a Netflix tenha a primeira temporada de Pokémon com uma qualidade que não se encontra por meios ilegais, mas sempre mantenho o medo de um dia simplesmente retirarem a obra de seu catálogo e eu nunca mais conseguir encontrar toda a primeira temporada com aquela qualidade novamente.

    Já o ponto sobre o mercado de produtos físicos licenciados que nunca foi bem estabelecido aqui, é um que sustenta uma ideia minha de que é simplesmente IMPOSSÍVEL você mudar a visão de MILHARES de pessoas sobre o consumo de pirataria, quando o consumo dessas obras cresceu ilegalmente junto às pessoas. E a internet só funciona até hoje porque exista uma liberdade imensa na forma como nos entretemos. A maioria dos sites de entretenimento é gratuito. Você já paga a internet, então não quer pagar para consumir o que HÁ ANOS você consegue de graça, bastando dar uma melhor pesquisada caso não encontre aqui ou ali. A menos que exista todo um trabalho de diversas empresas para que tudo na internet seja legal, eu DUVIDO que teremos uma mudança brusca na forma com que enxergamos a pirataria aqui no Brasil. Conseguimos isso MAIS OU MENOS com os jogos (porque ainda existem muitos piratas para download na net), mas com o mercado de streaming é algo realmente mais complicado.

    Sobre o ponto da Netflix lançar obras já completas, mas apenas tempos depois, entra na questão do imediatismo. Eu, por exemplo, decidi pela primeira vez assinar o CR para assistir logo ao último episódio de Dragon Ball Super na época, por prezar não tomar spoilers, tendo um acesso mais rápido ao conteúdo e com uma melhor tradução (fansubs de DBS são uma bela porcaria). Então, durante o mês do primeiro pagamento, testei o site para ver se valia a pena continuar investindo e o achei prático, tendo os lançamentos sempre mais rápidos que nos sites ilegais. Se o CR demorasse mais de 1 dia para lançar oficialmente, eu muito provavelmente não continuaria com minha assinatura. E acredito que esta seja a visão de muitos. Sempre queremos as coisas mais rapidamente, ainda mais nesse mundo de interação onde gostamos de conversar sobre o que vemos (o que nos leva também a fugir de eventuais spoilers). Então, nesse ponto, eu que não vou esperar 1 semana pra ver legalmente o episódio de Dororo na Amazon Prime, se bem posso assisti-lo facilmente por um site ilegal. Ou, pior ainda, esperar todo o Little Witch Academia terminar, para só então poder vê-lo. Para alguém que sempre frequenta a comunidade de animes, isso seria muito complicado.

    VOU CONTINUAR PRECISANDO DA PIRATARIA:

    Bom, me conhecendo, acho que não preciso dizer muito sobre este tópico, né? Sem a pirataria, não teria participado dos Clubes de Animes onde vim a conhecer obras fantásticas que estão longe de serem licenciadas. Mesmo se eu pagasse por todos os sites de streaming legais que existem, ainda continuaria a consumir os ilegais, já que, diferente do que muitos acreditam, não acho que sou um bandido por fazer tal coisa.

    Para finalizar, digo que nós, aqui do Brasil, já possuímos diversas limitações por conta de nossa economia, política e língua. Basicamente, tudo que rege o país e nos torna atrasados em diversos sentidos. Querer tirar-nos o livre acesso ao que temos, sem oferecer algo equivalente em troca, é algo que vem se mostrando inaceitável para muitos. Existe todo um contexto mais do que relevante que explica como estamos neste ponto, e querer agir de maneira semelhante a outros países, é simplesmente contraproducente.

    PS: Eu bem queria uma lista sobre animes licenciados no Crunchyroll americano, que não estão disponíveis para nós, só pra ter uma melhor ideia do que até está sendo licenciado, mas não chega até aqui.

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  3. Excelente texto, em um mega resumo consumir deforma pirata ou não depende da vontade/consciência da pessoa, eu no geral opto pelo mais prático e rápido, se eu pudesse assinava CR, Netflix assino ainda por causa dos cartões pré-pagos, eu gosto de ver pelo online e não baixar, mas se precisar eu ter que fazer mil coisas pra ver um anime/mangá, eu farei se gostar muito do anime, fora que sites piratas online podem dar vírus, malwares, até mineirar criptomoedas! mas nos sites gringos que uso (aliás, saber ler em inglês ou outra língua EXPANDE E MUITO o que tu pode ver,ler, aprender) não te^m esses problemas, só tenho que apelar pros sites iratas BRs em animes dublados como DBSuper por exemplo, no geral não acho errado a pirataria, eu assino tal serviço de streaming por ser mais rápido e fortalece a indústria local minha (no caso Brasil, olha por exemplo a CR e Netflix dublando em português brasileiro animes), mas agora fiquei com uma dúvida sobre o download da Netflix (eu raramente baixo algo) se eu baixar X filme ou episódio, quando sair do catálogo meu download desaparece ou fica ainda pra mim?

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