Café com Anime – Yagate Kimi ni Naru, episódio 13


Nossa conversa semanal sobre os animes da temporada.


E começa aqui mais um Café com Anime! Como de costume, a mim aqui se juntam o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, agora para nossa última conversa sobre esse anime que se provou uma das maiores surpresas da temporada, Yagate Kimi ni Naru (ou Bloom into You).

Mas antes de irmos para a discussão, sempre bom lembrar a todos para que não deixem de conferir também as outras conversas do Café nos demais blogs! No Anime 21 nós finalizamos Banana Fish, da temporada passada. No Finisgeekis, o leitor pode conferir nossas conversas sobre o final de Irozuku Sekai no Ashita Kara. E no Dissidência Pop tivemos Zombieland Saga. Fiquem de olho e não percam! E claro, fiquem também no aguardo do que vem pela frente para o Café!

E sem mais delongas, vamos então à discussão! Uma boa leitura para todos.


Diego:

Termina então Yagate Kimi ni Naru, e vou já de cara dizer que estou em conflito quanto a esse episódio. De um lado, ele foi um péssimo final. Não seria exagero dizer que praticamente nada foi concluído aqui. E enquanto já sabíamos que isso era uma possibilidade desde que começamos essas conversa, não deixa de ser um pouquinho decepcionante mesmo assim.

Por outro lado, o episódio em si, como episódio, foi sensacional. Talvez um dos mais fortes da série. Direção, roteiro, composição de cena, foi um episódio maravilhoso do começo ao final. E ainda concluímos com um divertido passeio da Yuu e a Nanami ao aquário, de certa forma recontextualizando o simbolismo da água de algo que as isolava em algo que as une.

Como eu gostaria desse anime ter uma segunda temporada! Mas poderia dizer o mesmo pra tantos bons animes que nem vou alimentar esperanças :stuck_out_tongue: Passo então a bola para vocês. E ai: que acharam desse último episódio?


Fábio “Mexicano”:

Não foi o final que esperávamos no sentido de não ter sido a peça. Mas entendemos para onde a peça vai, ou não? O que eu depreendi desse episódio, a moral, é que nunca há mesmo um final. Se a peça tivesse um final, se as várias pontas soltas fossem amarradas, então a Nanami teria feito uma escolha. E ela não precisa fazer escolha. Ter que escolher é o que a angustia em primeiro lugar.

Claro que o mangá um dia quase certamente terá um final. Mas o anime pôde se dar ao luxo de encerrar dessa forma, e eu certamente assistiria uma nova temporada, mas não acho que seja necessária. A Yuu conseguiu fazer a Nanami entender a sua mensagem. Nós entendemos a sua mensagem. E como cumprir as metas específicas de vida aí é com elas, um pouquinho de cada vez, tudo a seu tempo.


Vinicius Marino:

Acho que toda boa história precisa de alguma conclusão. E esta foi… bem largada, para ser honesto.

O que mais me incomodou foi a falta de um payoff emocional. Ok, vê-las em uma date final, tendo aparentemente superado seus maiores problemas, foi muito fofo. Mas os últimos episódios indicavam que está história ia para algum lugar, e acabou não saindo muito da mesmice.

Em balanço, ele reforça minha impressão no início do anime de que essa seria uma história morna, sem grandes arroubos de emoção ou sabedoria. O que.. não tem nada de errado, na verdade. Mas, em todo o oceano de romances escolares (desculpe, Yagate, quem trouxe as metáforas marítimas foi você) não acho que lembrarei deste por muito tempo.

Obviamente, também faltou grana na reta final. Tivemos vários minutos de metragem não animada.


Fábio “Mexicano”:

E essa cena teria ficado tão legal animada. Não acho que tornaria o episódio melhor ou pior, mas seria mais legal e sem dúvida mais bonito.


Gato de Ulthar:

Vou falar primeiro da minha impressão geral sobre o anime, como o Vinicius disse, ele foi morno do começo ao fim, mesmo quando eu pensava que ele ia esquentar um pouco, nada acontecia de realmente “quente.”

E o anime não foi ruim, nenhum um pouco ruim, mas não me desperta nenhuma vontade de ver uma possível segunda temporada.

E infelizmente penso que ele entrará no esquecimento para mim.

A culpa nem é do anime, é minha, esse tipo de anime não me agrada penso eu, vi poucos assim e é isso… :smiley:


Fábio “Mexicano”:

Eu gosto de histórias incompletas. Provavelmente foi o anime, como mídia mesmo, que me fez aprender a gostar disso. Nem toda história precisa, para ser boa, ter um começo, meio e fim. É preciso dar uma sensação de completude, mas não necessariamente para a história em si. YagaKimi é uma história sobre um começo. E achei um começo fantástico. Como duas pessoas com experiências muito diferentes de vida podem se conhecer e aprender um sentimento novo uma com a outra. Como isso não significa que elas se tornarão pessoas melhores ou que ficarão juntas para sempre ou sei lá, irão lamber as feridas uma da outra até curar, mas elas vão mudar. Uma por causa da outra, elas vão mudar porque estão dispostas a mudar – porque conheceram aquela pessoa especial. A história da Yuu e da Nanami continua, é claro, mas eu confesso que teria achado esse um bom final mesmo se não fosse pelo motivo prático de que o mangá continua. A gente não sabe o que vai ser delas. Mas a gente sabe que elas mudaram pra valer a vida uma da outra, e elas querem continuar nesse caminho, mudando.


Gato de Ulthar:

E tem isso também, como não foi uma história marcante para mim, se tiver uma segunda temporada daqui alguns anos, vou te que rever toda a primeira antes :smiley: E o final incompleto reforça o meu sentimento de “ok”, foi um anime “ok”.


Vinicius Marino:

“Conclusão” não é sinônimo de “fim”. A epopeia clássica tradicionalmente não tem “fim”. Isto não significa que não passem a sensação de uma história concluída.

Meu problema com Yagate foi que sua conclusão foi insatisfatória. Eu realmente não me importo em saber de tudo o que aconteceu com essas meninas até o dia em que morrerem. Não é disso que se trata. É sentir que suas peripécias não foram grandes o suficiente para justificar o tempo que passei assistindo a sua história.

Mas é como o Gato disse: próprio do gênero. Eu não curto romances água-com-açúcar porque eles geralmente enveredam por esse rumo. São histórias feel good, dedicadas a “emocionar” com cenas de namoro mais do que com profundidade dramática. E talvez eu esteja só velho, mas revisitar cenas de namoro escolar não me comove hoje como me comovia no passado.


Diego:

Eu acho interessante comparar o final de Yagate com o final de outro anime da temporada, Beelzebub-jou no Okinimesu mama. O segundo é uma comédia romântica bem mais tradicional (só que no inferno… é…), completa com seu eterno cenário will they won’t they. O casal principal aqui é a Beelzebub e seu assistente Mullin, que começam relativamente indiferentes um ao outro. Mas o tempo passa e… bom, meio óbvio: um desenvolve sentimentos pelo outro, mas não entende os próprios sentimento, nem sabe que o outro também sente assim, bla bla bla. E como o mangá ainda está em lançamento, as chances de um beijo final eram praticamente nulas.

O que o anime faz então é recontextualizar o seu ponto. Ao invés de ser uma história sobre um romance que se desenvolve, ele se coloca como a de um que se inicia. E a fala final do anime vem da narradora, que diz que aquela era a história de como a Beelzebub aprendeu a nomear aquilo que sentia. E foi um bom sinal, muito mais satisfatório do que eu esperaria para uma série do tipo.

Yagate meio que faz algo semelhante. Como disseram, de certa forma esta é a história de um começo. De como a Nanami começou a considerar que não precisa ser a irmã, e de como a Yuu começou a compreender o que significa estar apaixonada. As duas ainda tem um longo caminho pela frente, mas o anime soube passar muito bem essa sensação de “primeiros passos”. A fala final aqui, da Yuu dizendo que ambas precisam “mudar de trem”, pode muito bem ser lida de formas bem menos literais, se referindo à relação entre as duas ou a ambas como pessoas mesmo.

O que não me tira um certo gosto amargo que ficou com esse final, mas pensar assim ao menos me faz apreciá-lo um pouquinho mais.


Fábio “Mexicano”:

Oh, eu totalmente interpretei esse “trocar de trem” de forma metafórica no instante em que a fala foi proferida!


Diego:

Eu interpreto toda fala em Yagate de forma metafórica :stuck_out_tongue: Ok, hiperbólico, eu sei, mas há de se admirar o trabalho da obra de tentar ter sentidos implícitos em quase tudo: diálogos, composição da cena, fotografia… É uma dessas obras onde nada parece estar ali por acaso. Inclusive, desde o começo o que mais me atraiu em Yagate foi muito mais a forma do que o conteúdo, e termino o anime mantendo o pensamento. Concordam?


Fábio “Mexicano”:

É um conteúdo provocante, mas de fato, é como diz o Vinicius: não foi suficientemente explorado. E como alguém que procurou o mangá em algumas ocasiões, deixo claro que isso não é um defeito do curto tempo do anime: esse é o ritmo do mangá mesmo. Não há muita perda de conteúdo. Se qualquer coisa, a produção do anime acrescentou em ambientação e melhorou o original, ainda que tudo já estivesse lá.

Talvez em filme ficaria mais interessante?


Gato de Ulthar:

Não sei se um filme seria mais interessante, falando francamente. E elogio o esforço do Diego em interpretar toda a fala do anime como metafórica. Claro que muita coisa possui um significado oculto, mas não tive essa impressão de “metáfora” total.


Fábio “Mexicano”:

Eu é que não sei como você consegue não ficar vendo significado oculto em tudo. Estou revendo para escrever um artigo agora e estou aqui pensando se a Sayaka pedir café e a Nanami pedir chá significa alguma coisa … não consigo evitar depois de tanta coisa óbvia que esse anime fez :stuck_out_tongue:


Diego:

“Café” costuma ser uma bebida bastante associada com a vida adulta nos animes – tanto que quando a professora chega, ela também pede uma xícara de café. No contexto de Yagate, pode significa maturidade, ou mesmo o quanto cada uma entende a si própria, aqui denotando que a Sayaka entende melhor a si própria do que a Nanami.

Ou eu to só superinterpretando porque o anime abre muita margem pra isso sim :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

Estou contigo, Diego :smile:

Tem outra. A Koyomi é, segundo muitos dizem, self-insert da autora do mangá. Nesse sentido a Yuu ajudando ela a escrever o final da peça equivale a ela assumir que, como autora, “deixa” seus personagens “decidirem” o rumo da história.


Vinicius Marino:

Vocês aí filosofando sobre o sentido do café e eu só pensando: “nossa, essa cena ficaria muito melhor se elas estivessem bebendo álcool.” :grin:

A conversa depressiva no bar. Isso sim tem o pedigree da vida adulta.


Fábio “Mexicano”:

Bom, mas elas não são adultas e são japonesas de anime, só vão começar a beber aos 21 anos :stuck_out_tongue:

Mas eu totalmente conversaria sobre YagaKimi no bar, bebendo :joy:


Diego:

Eu também, e eu nem bebo :stuck_out_tongue: Bom, mas já que tocamos no café, que falar da linguagem visual desse anime? É interessante que Yagate tem uma série de elementos visuais que se repetem ao longo da obra: o próprio café, a questão da água (e do estar envolto pela água), a presença quase constante de trens… Algo a dizer nesse sentido?


Fábio “Mexicano”:

Trens são um elemento comum em animes. Japoneses gostam de trens e os trens são onipresentes. Podem ser tanto algo que conecta quanto, mais comum, algo que divide: Makoto Shinkai usa muito trens, das duas formas. No final do anime, ainda vimos outro significado para trens: mudança, implicada pela troca de estação.

Dá água eu não entendo nada nem consegui entender ao longo do anime inteiro, se alguém puder me esclarecer, ficarei feliz que nem pinto no lixo :joy:


Vinicius Marino:

Eu acrescentaria que trens são um dispositivo narrativo muito util. Eles separam personagens, facilitavam fugas, forçam pessoas a esperar e alcançar os outros. Yagate fez um uso farto desse tipo de recurso, a começar pelo beijo roubado da Nanami num dos primeiros episódios.


Gato de Ulthar:

A água representa geralmente reflexão, ou imersão, dependendo do contexto, mas geralmente momentos reflexivos são contrapostos com o símbolo da água.

O mergulho no mar também representa o reencontro consigo, como se mergulhasse dentro de sua própria mente.

Em 3-gatsu no Lion, o anime representa a solidão do protagonista Kiriyama Rei utilizando o simbolismo dele mergulhando em águas tumultuosas. A água nesse anime serve como uma metáfora para a ansiedade e temores do rapaz, principalmente quando ele mergulha fundo nela e é vítima da pressão água e da sensação de sufocamento. A água nesse anime não é real, mas isso não tira a validade de sua comparação.

Em suma, água é melancólica, tanto pelo seu próprio simbolismo como pelo símbolo da sua cor, azul, que é a cor da melancolia por excelência.

E tudo isso, penso eu, combina com o anime não é? Todas as personagens vez ou outra se afundavam em reflexões tumultuosas.


Fábio “Mexicano”:

Acho que é o mesmo caso de Sangatsu então. Curioso, nesse contexto, que o anime tenha acabado com Yuu e Nanami passeando em um aquário, culminando com a Yuu pensando que quer que aquele momento dure para sempre justamente enquanto as duas estão saindo de lá, passando por baixo de um túnel sob a água.

Suponho que as duas estejam presas em seus “aquários”, sufocadas, mas agora estão juntas e podem encontrar uma saída sozinhas.


Diego:

A água realmente me passa uma ideia de sufocamento, sobretudo considerando que, como eu apontei, a Yuu se vê muito dentro da água. Mas não tenho certeza de como isso se liga com a visita ao aquário. Talvez uma ideia de que elas ainda se sentem sufocadas, mas ao menos estão juntas? Acho que o anime realmente tentou fazer essa inversão da água como denotando solidão para ela como símbolo da união das duas, só não tenho total certeza de como isso se opera.

Mas bom, mudando um pouco de assunto, que falar dessas personagens agora que o anime acabou? Para mim, a Yuu foi a que teve o desenvolvimento mais pronunciado, enquanto que da Nanami tivemos muito mais vislumbres do caminho que ela ainda irá percorrer. E vocês, o que acharam?


Fábio “Mexicano”:

A Yuu teve desenvolvimento ao longo do anime, talvez em alguns momentos mais rápido, em outros menos, conforme a necessidade, já a Nanami esteve basicamente parada no tempo até o final, quando descobriu que ela não se parecia em nada com a irmã e perdeu o chão. A Yuu buscou mudar, enquanto a Nanami foi forçada a começar a mudar pelas circunstâncias.


Gato de Ulthar:

As duas ficaram a deriva até o final do anime, a Yuu ficou mais ativa nos seus sentimentos e vontades (e menos cu doce), enquanto o chão da Nanami foi destruído, a obrigando a sair da zona de conforto.


Vinicius Marino:

Foi um desenvolvimento meio desequilibrado, mas sinto que no final ambas caminharam de onde estavam. O ponto forte da Yuu foi aquele piegas (mas incrivelmente eficiente) episódio do torneio de esportes, em que teve a epifanía sobre seus verdadeiros sentimentos. Já para a Nanami creio que o turning point tenha sido sua belíssima conversa com o professor/colega da irmã.


Diego:

É, acho que nesse ponto todos concordamos então :smile: Bom, acham que podemos então ir encerrando a conversa? Claro, ficou bastante que poderíamos falar, mas acho que cobrimos o essencial. Que últimas palavras gostariam de deixar para este anime?


Gato de Ulthar:

Bye bye, não foi de todo mal, na realidade foi até bem razoável, mas me caiu como um café frio.

Não é o tipo de anime que me agrada, mas foi muito interessante de acompanhar, nunca tinha assistido um anime do gênero.


Fábio “Mexicano”:

Eu gosto de café gelado, então foi perfeito! Romance do ano. Ok que o ano foi fraco em romances, mas…

Em uma nota mais séria, jovens, não achem que o romance é como vocês vêm em filmes, mangás, séries, livros, qualquer coisa do tipo, ok?


Gato de Ulthar:

Bom conselho.


Fábio “Mexicano”:

Não me pergunte como o romance real é, porém, porque eu não sei. Só sei por tentativa e erro que definitivamente não é como na ficção. Boa sorte, pombinhos :heart:


Vinicius Marino:

A vida é muito curta para se preocupar com rejeições. Não tenham medo de receberem um não, ou se não se parecerem com sua irmã, ou com não corresponderem àquele mangá shoujo zoado que vocês sequer leram até o fim. Apenas vivam. Beijem, curtem e transem, pois um dia a vida fica difícil. Carpe diem.


Diego:

Bom, e é isso ai então. De minha parte, vou menos no conteúdo e mais na forma: todo mundo devia ver esse anime menos para aprender mais sobre amor e relacionamentos e mais para aprender o que “boa direção” significa :stuck_out_tongue: Mas com isso nós vamos ficando por aqui, nos despedindo de Yagate e, afinal, de 2018. Nos vemos no próximo Café! Não percam o/

E você, leitor, que achou desse último episódio? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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2 comentários sobre “Café com Anime – Yagate Kimi ni Naru, episódio 13

  1. Não acho que tenha sido “morno”, teve uns beijão bem bonito pra ñ deixar tudo morno.
    Eu pensava q ia terminar com a Koito assumindo q gostava dela, mas nem ao menos teve a MALDITA PEÇA tão comentada, isso me deixou um pouco pra baixo mas fazer o que né, vou ler o mangá a partir de agora, acho que a temporada inteira serviu basicamente pra Nanami superar a questão de querer ser a irmã.

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