Café com Anime – Yagate Kimi ni Naru, episódio 12


Nossa conversa semanal sobre os animes da temporada.


E começa aqui mais um Café com Anime! Como de costume, a mim aqui se juntam o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, em mais uma conversa sobre esse anime que vem se provando uma das maiores surpresas da temporada, Yagate Kimi ni Naru (ou Bloom into You).

Mas antes de irmos para a discussão, sempre bom lembrar a todos para que não deixem de conferir também as outras conversas do Café nos demais blogs! No Anime 21 nós continuamos com Banana Fish, da temporada passada. No Finisgeekis, o leitor pode conferir nossas conversas sobre Irozuku Sekai no Ashita Kara. E no Dissidência Pop temos Zombieland Saga. Fiquem de olho e não percam!

E sem mais delongas, vamos então à discussão! Uma boa leitura para todos.


Diego:

Que episódio! E ao que tudo indica o anime pretende mesmo finalizar com a peça. Que, diga-se de passagem, tem tudo para ser uma excelente finalização. Todo esse episódio foi uma preparação para o que está por vir, e a promessa é certamente grande. Só espero que o anime consiga entregar.

Mas antes de pensarmos no que vem pela frente, voltando ao episódio em questão. Pudemos ver como o roteiro original termina. Tivemos uma Yuu bem mais ativa, inclusive convidando a Nanami para sua casa. Somos martelados mais uma vez com o complexo de inferioridade (agora agravado por uma crise de identidade) da Nanami. E terminamos com a Yuu correndo para mudar o final da peça.

É tanta coisa pra se comentar que é até difícil de saber por onde começar. Então vamos primeiro com as impressões mais gerais. Digam, que acharam do episódio?


Fábio “Mexicano”:

O Contra-Ataque da Yuu ™

Ela foi vocal sobre seus sentimentos como nunca havia sido antes. Se a Nanami não estivesse em depressão, talvez tivesse percebido e a rejeitado. Ou talvez ela tenha percebido, mas porque a Yuu não ultrapassou nenhuma fronteira sem volta e porque ela precisava muito se aliviar, esquecer um pouco de tudo aquilo, ela não se importou. Mas no final fez questão de lembrar, e foi mais incisiva do que antes: a Yuu não pode se apaixonar por ela porque ela se odeia.


Gato de Ulthar:

O final do anime já está bem delineado, a Yuu vai utilizar da peça par atentar fazer a Nanami cair na real e passar a se gostar um pouco. E olha, pode até funcionar no anime, mas eu não gostaria disso, pois ninguém cura um transtorno tão sério como o da Nanami apenas com o que a Yuu se propôs a fazer. É mais sensato ver um vislumbre de libertação da Nanami e se tivéssemos mais anime, uma gradual e lenta melhoria, e como sei que o mangá continua, não seria interessante um final completamente feliz nesse ponto. Algo agridoce como uma mera previsão de melhora será bem mais recebido positivamente.


Fábio “Mexicano”:

Curar-se de problemas psicológicos graves com o poder do amor é um clichê universal super estabelecido, reclamar disso é quase injusto :stuck_out_tongue:

Ainda assim, mesmo que modifiquem a história um pouco, não acredito que terá um final fechado, então deve ser um meio termo de todo modo.


Gato de Ulthar:

Como eu disse, se a Nanami esboçar uma vontade de mudar (para melhor) depois do esforço da Yuu, já me dou por satisfeito.


Vinicius Marino:

Eu preciso dizer. Não imaginei que essa peça traria uma lição de storytelling tão pertinente.

Isso que a Yuu disse à roteirista é a pura verdade. E é um erro que muitos escritores cometem. Às vezes, ficam tão absorvidos na backstory de uma personagem que se esquecem de agregar isso na ação real da narrativa.

Como resultado, a história fica parecendo a citação de ideias que foram articuladas em outro lugar.

Escutar isso de um anime sem muito conteúdo foi uma surpresa agradabilíssima. Mas devo mencionar também o primor visual desse episódio. De toda a série até agora, acredito que ele só perca para o capítulo do campeonato esportivo.

A montagem da Yuu na linha do trem foi uma das melhores tomadas até aqui.


Diego:

A título de desabafo, essa quinta parte de JoJo vem fazendo muito o que o Vinicius disse, intrometendo flashbacks no meio das lutas sem ter realmente nenhum bom motivo pra tanto. Na maioria das vezes nós saímos desses flashbacks com essencialmente o mesmo entendimento dos personagens do que quando entramos neles, terminado com toda uma sequência que serve à lore e olhe lá.

Mas voltando a Yagate, eu imagino que o final da peça será só um primeiro passo para a Nanami, um primeiro momento para ela considerar que talvez possa ser a si própria. Ou, mesmo, que não existe um “si próprio” para se ser. O que pode ser a nossa próxima pauta de discussão :stuck_out_tongue: Yagate parece querer rejeitar qualquer essencialismo em torna da ideia do ser. Agimos de forma circunstancial, assumindo diferentes papeis em diferentes momentos, então a ideia de que sejamos ou devamos nos tornar “algo” (no sentido de algo único) parece ser uma que o anime procura criticar. Ou discordam dessa leitura?


Fábio “Mexicano”:

Hmm, se não for só um romance bastante complicado, aliás, se removermos o romance da equação, de fato resta essa ideia.

É parecido com a minha interpretação até agora (e ainda; não a mudei), ninguém consegue ser outra pessoa porque não temos acesso ao íntimo de outros que não nós mesmos. Podemos imitar, interpretar papeis, mas não é a mesma coisa. No fundo, sempre somos nós, mesmo que estejamos com trauma, precisando de apoio psicológico inexistente em animes, e realmente acreditemos que somos outra pessoa.


Vinicius Marino:

É uma pista que já está no opening, com Nanami e Yuu vestindo máscaras para encarar uma e outra. E , depois, mostrando a ambas juntas, reduzidas às máscaras, no meio das flores.


Fábio “Mexicano”:

Não sei se vocês notaram, eu levei vários episódios para perceber, mas o rosto que aparece nas máscaras é um o da outra. Tipo, elas aparecem de pé, colocam a máscara, e daí um rosto aparece: é o da outra.


Vinicius Marino:

Eu reparei, mas não foi de primeira. Levei uns episódios.


Fábio “Mexicano”:

Aquelas “máscaras” são na verdade espelhos (com um monte de vinhas desenhadas pra gente não perceber isso fácil). E eu tenho certeza que isso quer dizer alguma coisa :smile:


Gato de Ulthar:

Tem um trecho de um poema de Fernando Pessoa que por acaso é meu poema preferido deste poeta que ilustra a situação da Nanami com extrema precisão. Lá vai um trecho de tabacaria:

“Fiz de mim o que não soube,

E o que podia fazer de mim não o fiz.

O dominó que vesti era errado.

Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,

Estava pegada à cara.

Quando a tirei e me vi ao espelho,

Já tinha envelhecido. “

E é isso, mesmo que a Nanami queira recuperar uma personalidade própria, a máscara que ela criou para ela com a visão deturpada que tinha da irmã está firmemente “pregada” na sua cara, e não é com qualquer martelo que a Yuu vai despregá-la.


Fábio “Mexicano”:

O caso dela é piorado pela fase da vida, né? Ela era uma criança e cresceu assim. Enquanto ela devia formar a própria personalidade, ela se esforçou para formar uma personalidade que nunca acreditou que fosse dela.


Diego:

E agora que descobriu que também não é a personalidade da irmã, entrou em uma crise de identidade ferrada :stuck_out_tongue: Bom, ao menos a Yuu está lá para mimar um pouquinho a Nanami. E aproveitando… que dizer da Yuu? Essa foi mesmo a primeira vez em que ela se mostrou mais ativa, talvez até ativa demais se pretende manter a fachada de não ter se apaixonado.


Fábio “Mexicano”:

Foi demais mesmo, já disse isso, né? A Nanami provavelmente percebeu e aceitou só porque estava realmente deprimida, mas não deixou de reforçar no final que a Yuu não deve se apaixonar por ela, e pela primeira revelou por quê.

Eu fiquei feliz da Yuu não ter tido um momento de eureka clichê, “oh, então eu a amo, isso que é amor!”. Ela só aceitou e já está agindo de acordo. Talvez nem tenha certeza absoluta disso ainda (mas eu tenho!), só que a situação não permite que ela fique perdendo tempo nas próprias dúvidas e indecisões.


Fábio “Mexicano”:

Me desculpa, Diego, por cortar sua pergunta, mas eu estava revendo o episódio (para escrever sobre ele para meu blog) e na cena do quarto fiquei em dúvida: até onde elas foram? Claro, elas ainda estão de roupa. Mas são saias. E elas podem ter se vestido ou arrumado em algum momento – a diferença de iluminação após o corte dá a entender que se passou um tempo razoável. Mais relevante: a coberta da cama antes ia até o travesseiro, e agora está na metade da cama. Isso não é algo que “escorregue” desse jeito. Vejam:

Antes (foco na coberta):

Depois:

Ainda assim, elas estão completamente vestidas. Até mesmo com os laços amarrados e a Yuu com os cabelos presos.

Busquei o mangá para descobrir se ele tinha algum detalhe que me ajudasse a decifrar essa cena, mas eis que:

O cobertor estava da metade para baixo o tempo todo! Será que foi só um erro de adaptação? Será que foi intencional? Se for intencional, qual a intenção? Só a sugestão (fanservice) de que pode ter havido algo mais do que beijos? Notem que há mudanças intencionais no quarto: a mesinha do lado da cama no mangá não tem nada, no anime tem o relógio, que nos mostra as horas (16:20 quando a Nanami está sozinha no quarto, bem antes do crepúsculo, se estão no verão) e mostra o abajur planetário que a Nanami deu de presente à Yuu. E tem ainda outra coisa no chão, normalmente associada à sexo, que não tem no mangá:

Uma caixa de lenços, embaixo da mesa, entre a cama e a estante. Não tem no mangá, podem conferir na página que colei.


Gato de Ulthar:

Não acho que a produção do anime pensou em criar todo esse cenário sugestivo de sexo, mas o seu esforço é genuíno Fábio, e merece um parabéns.


Diego:

É, acho que as duas estão arrumadinhas demais se foram mais longe do que uns beijos, então também não penso que foi a intenção. Fora que mesmo com a coberta pela metade da cama, ambas ainda estão por cima dela. Além disso: se você reparar, quando a coberta vai até em cima ela cobre parte do travesseiro, enquanto que na imagem seguinte ambas estão deitadas com a cabeça no travesseiro, então acho que a Yuu deve só ter puxado a coberta pras duas poderem deitar mesmo.


Fábio “Mexicano”:

Na minha hipótese, o fato delas estarem de roupa e por cima da coberta serve de prova positiva: elas se levantaram, se vestiram, e se jogaram em cima da cama de volta. É algo que faz sentido exceto pelo fato de estarem muito bem arrumadas: como eu disse, até os laços estão impecáveis e a Yuu continua com o cabelo preso em dois pontos (embora em alguns enquadramentos ela pareça estar com um dos lados soltos). O que debelou minha dúvida foi o mangá. Mas então notei que a produção do anime fez diferente de propósito, então será que aconteceu algo diferente? Será que quiseram sugerir isso? Ou foi só uma inconsistência?

Quando a gente fala de relacionamentos entre adolescentes de sangue quente, isso me parece algo importante a se considerar.


Vinicius Marino:

Não vejo inconsistência nenhuma. Para início de conversa: cobertores escorregam sim. Sempre que estou assistindo TV na cama com minha esposa (sobretudo em dias quentes) o edredom acaba caindo. Se a cama estivesse fora de esquadro eu até daria o benefício da dúvida, mas não me parece o caso.


Fábio “Mexicano”:

É que os meus só escorreram para o lado, mas ok :smile:


Vinicius Marino:

Se você empurra eles para baixo (comum em dias quentes, quando você está deitado por cima) é normal caírem nessa direção.


Fábio “Mexicano”:

Eu tenho dormido sobre as minhas cobertas nesse calor infernal da última semana e ele tem escorregado só para o lado :stuck_out_tongue: É uma cama de solteiro encostada na parede, e puxo o cobertor até por cima do travesseiro e com uma dobrinha no final, igualzinho a Yuu.


Vinicius Marino:

De resto, caixa de lenços insinua sexo mesmo, mas 1) lenços não servem só pra isso, 2) podem estar aí para o uso pessoal da Yuu (ex. depois de se masturbar) e 3) eles não estão usados. Não duvido que esse objeto tenha sido colocado de propósito, para indicar que o clima está esquentando. Mas seria a mesma coisa que colocar uma cartela de camisinhas fechadas. O “ato”, até onde sabemos, não ocorreu.


Fábio “Mexicano”:

O ventilador foi colocado de propósito para isso: mostrar que o clima está quente. Não tem no mangá também. E pode ter outros significados ainda, se quiser forçar, enfim.

Eu não acho que possam ter ido “até o fim” também, mas assistindo e reassistindo fiquei com a impressão que pudesse ter sido um pouco mais do que só beijos. Mas o mangá diz o contrário.


Vinicius Marino:

Meu “gold standard” para sexo em animes não-hentai é Kuzu no Konkai. Aquele anime mostra muito pouco, mas você não tem a menor dúvida que o sexo está acontecendo. Aqui… parece só sugestão mesmo.

Mas concordo com o Gato: seus esforços foram dignos :stuck_out_tongue_closed_eyes:


Fábio “Mexicano”:

Se o estúdio não tivesse modificado a cena propositalmente eu nem teria falado nada, mas ok, desculpem por desviar do assunto.


Diego:

É sempre legal teorizar, então não se preocupe :stuck_out_tongue: Mas bom, depois desse parênteses, voltemos então à última pergunta :smile: Vinicius e Gato, vocês ainda não falaram nada sobre o que acharam da Yuu no episódio da vez.


Gato de Ulthar:

Acho que a Yuu está indo pelo caminho certo agora, a Nanami tem que ser ajudada, e o método dela, mesmo que não seja o mais eficaz, é pelo menos bastante sincero!


Vinicius Marino:

A Yuu está sendo a personagem que eu pedi desde o início do anime.

De fato, não importa funcionar ou não. Ela está fazendo alguma coisa, ativamente. Está segura de si, tomando as rédeas da própria vida.

E mais importante: ela parece estar sentindo tudo isso na pele.

Eis uma personagem que faz as coisas porque quer fazê-las, não porque a cordinha do roteiro a puxa.


Fábio “Mexicano”:

E deve ser doloroso não poder fazer nada diretamente (falar com a Nanami, demonstrar para a Nanami), porque não vai funcionar. É preciso um pouco de sangue frio nessas horas, coisa que eu não costumo ter, por exemplo.


Diego:

A própria Yuu parece estar chegando ao limite desse sangue frio. Vide a cena dela gritando para a estação de trem após a Nanami ir embora.

Bom, considerações finais? Próximo episódio está batendo às portas, então fica a pergunta: o que vocês esperam do final desse anime? Ansiosos? Preocupados? Indiferentes? Vamos especular enquanto há tempo para tanto :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

Eu queria ver a peça, mas o anime teria que socar muita coisa em um episódio só para isso. Bom, não parece impossível?


Diego:

Nós meio que “já vimos” a peça, nesse episódio mesmo. Imagino que no próximo veremos apenas o final.


Fábio “Mexicano”:

Então, estou pensando justamente em tudo o que é “pulável”, e daí me parece possível, mas não tenho certeza.


Diego:

De minha parte, a peça não é nem “pulável”, é dispensável mesmo. Já sabemos como ela toca, seus temas, seus personagens… A única parte relevante, no presente momento, é o final, e só porque ele foi alterado.


Gato de Ulthar:

Eu acho a peça super importante, é um daqueles marcos para se encerrar algo, tirando ela de cena fica tudo mais vazio por assim dizer.

A peça provavelmente vai ser resumida, o que já dá para o gasto.


Vinicius Marino:

Seja como for, estou super seguro com o final do anime. Quem está acompanhando nossa conversa deve achar isso estranho. Fui muito crítico com Yagate nos primeiros episódios, mas sinto que o anime se redimiu de seus defeitos.

Os dados estão todos lançados. A não ser que Yagate apronte um twist pecuária como Rakugo Shinjuu (ou algo igualmente revoltante) acho que já garantimos um final digno


Diego:

Nem me lembre, ainda estou traumatizado com o final de Rakugo :cry: Mas vamos torcer pelo melhor. Também confio em Yagate, e estou ansioso pelo último episódio!

E você, leitor, que achou desse episódio? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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