Estupro nos animes: alguns comentários.


Comentando a discussão.


Foi em março de 2018 que eu publiquei meu artigo Precisamos mudar a forma como discutimos pirataria, e o motivo pelo qual eu o menciono aqui é que conforme me sento para escrever a introdução deste texto eu não consigo deixar de pensar na que escrevi para aquele. Por diferentes que sejam essas duas discussões em termos do seu objeto de debate, elas são bastante semelhantes em espírito. Como escrevi, este é um assunto que desperta as paixões das pessoas, um sobre o qual a maioria já tem opiniões bem fortes a respeito, e um para o qual já vão com certa antipatia. Tenho certeza que muitos reviraram os olhos só de ler o título deste artigo, e outros provavelmente ainda o farão ao longo da leitura.

Como acontece com bastante frequência, esta é uma discussão que desde o começo foi cooptada por extremos, cada lado muito mais preocupado em falar do que em ouvir. Como resultado, o que poderia ser uma produtiva conversa sobre a mídia e a nossa relação para com ela se tornou a mais nova desculpa para lados opostos do espectro político gritarem uns com os outros. E como sempre me incomoda quando temáticas promissoras rendem discussões tão infrutíferas, decidi colocar em pauta algumas opiniões no tema. Ainda que nada tão organizado quanto eu gostaria, diga-se de passagem, mas apenas alguns pensamentos soltos.

Ao longo deste texto, eu quero comentar – e mesmo criticar – alguns dos argumentos mais utilizados por ambos os lados dessa discussão, além de tentar trazer para a conversa outros argumentos que poderiam render maior debate. Há muito ainda que se discutir no tema, só não da forma que ele vem sendo discutido.

Vamos lá então.

 

A tale as old as time…

Primeiro, um pouco de contexto. A mais recente discussão sobre como certos animes retratam e se utilizam do estupro em suas narrativas teve início com o primeiro episódio de Goblin Slayer, em outubro de 2018. Mais recente ainda, o décimo episódio da terceira temporada de Sword Art Online,  agora em dezembro, trouxe também uma sequência onde duas personagens são vítimas de abuso sexual, o que reacendeu ainda outra vez a chama do debate. Mas seria impreciso assumir que esta é uma discussão recente.

Talvez alguns se lembrem, mas em 2016 circulou na internet brasileira (sobretudo pelo facebook) um artigo crítico de uma cena de estupro no popular mangá Berserk. Dois anos antes, em 2014, o anime de Nanatsu no Taizai atraiu para a franquia uma série de críticas a respeito da forma como o protagonista, Meliodas, constante assediava uma das personagens femininas, a Elizabeth. Em 2012, o próprio Sword Art Online foi alvo de críticas a respeito de como o vilão principal do segundo arco constantemente assediava sexualmente a main girl da franquia, Asuna. A verdade é que estamos tendo essa conversa há já quase uma década, e isso pensando apenas na discussão sobre o estupro em específico.

Em seu livro Otaku: os Filhos do Virtual, de 1999, o jornalista francês residindo no Japão Étienne Barral comenta sobre como a onipresença do erotismo nos mangás gerava discussões bastante acaloradas (para não dizer inflamadas). Na época, Barral identificava dois grupos opostos no debate: aqueles mais conservadores, que viam a esse erotismo com preocupação e desconfiança, e os mais progressistas, que defendiam que esse mesmo erotismo não causava nenhum mal ao desenvolvimento sexual dos leitores. E dá pra ir ainda mais pra trás: Harenchi Gakuen, mangá de autoria de Go Nagai, publicado na revista Shounen JUMP entre 1968 e 1972, foi duramente criticado pelo seu uso do erótico.

Lembram quando Nanatsu no Taizai levantou quase que a exata mesma polêmica?

Não, esta não é uma discussão recente. E não, ela não é exclusiva do ocidente. Agir como se ela tivesse surgido nos últimos três meses é se provar desinformado na melhor das hipóteses e dissimulado na pior. Então para todo mundo perguntando porque ninguém reclamou quando de algum OVA obscuro dos anos 1980, saiba que provavelmente reclamaram sim. Você só não tinha a internet para ver a reclamação. Perdoem a grosseria, mas: as coisas não passam a existir apenas quando você toma ciência delas.

Dito isso, é verdade que a discussão mais recente (e por “recente” entenda “da última década”) é ligeiramente diferente daquela que vemos no milênio passado. Houve ai uma clara mudança ideológica, e se Barral fala sobre como eram os conservadores aqueles que mais criticavam o erotismo nos mangás, pelo menos no ocidente moderno a crítica tende a vir muito mais dos setores progressistas da sociedade. E enquanto este seria um momento propício para trazer à discussão a velha teoria da ferradura, segundo a qual extremos em um debate estão bem mais próximos do que gostariam de admitir, eu acho importante lembrarmos que uma ferradura não é um círculo fechado.

A visão geral que os conservadores têm do sexo, ou no mínimo da promiscuidade, é a de que se trata de algo… errado. Ou no mínimo algo do qual não se deve abusar. Na visão cristã trata-se de um pecado, e imagino que para a visão budista seja um dos prazeres terrenos que nos mantém presos à carne e, por extensão, ao ciclo das reencarnações. Já a visão progressista é bem menos metafísica. O sexo aqui é visto como algo a-moral, ou mesmo como uma ferramenta de empoderamento. Porém, a sua retratação fica sujeita a muito mais escrutínio, já que uma representação problemática poderia passar mensagens igualmente problemáticas.

Ponto em caso, não é uma discussão recente.

 

Crítica pela metade

Logo que explodiu a discussão sobre como Goblin Slayer tratou da questão do estupro, eu percebi uma tendência da crítica de não realmente explicar onde estava o problema. Todo mundo dizia que Goblin Slayer sexualizou a sua cena de estupro, mas ninguém parecia lá muito preocupado em dizer como exatamente ele fazia isso. Por conta disso, antes mesmo que se pudesse discutir se a sexualização de uma cena do tipo era algo ruim (e eu acho que é, mas mais nisso em breve), a conversa ficou por um bom tempo estagnada na questão de se a cena era ou não sexualizada. Muitas pessoas inclusive defenderam que ela era apenas grotesca, como deveria ser, e que enxergar ali algum tipo de sexualização era muito mais um problema com quem assistia do que com o anime em si.

Os setores mais progressistas da nossa sociedade possuem essa mania de não se explicar, de apenas apontar que algo seria machista, ou racista, ou homofóbico, ou sexualizado, sem realmente explicar de onde vêm essas conclusões. Um modo de agir que eu imagino vir de uma dentre duas mentalidades, a depender da pessoa. Alguns simplesmente não têm a paciência para se explicar, nem acham que devem ter. Apenas ficaram irritados com algo e querem desabafar, e diria que para essas pessoas não há realmente a vontade de convencer alguém da posição deles. Já outros eu imagino que seja mesmo certa ingenuidade, de esquecer que nem todos veem o mundo da forma que eles veem, e portanto acreditam que não precisam explicar algo que pra eles é óbvio.

Só que é como eu já disse em outras ocasiões: algumas vezes, vale a pena falar o óbvio. Possivelmente a melhor crítica que eu vi ao primeiro episódio de Goblin Slayer veio do canal no YouTube Mother’s Basement, em seu vídeo So, about Goblin Slayer…onde o apresentador optou por dissecar a cena quase que quadro a quadro, abordando questões como o composição de cena e iluminação a fim de tentar provar que a cena de estupro foi propositadamente sexualizada. E francamente, convence, e eu adoraria ver mais desse tipo de abordagem quando lidando com esse tipo de questão.

A cena de estupro foi sexualizada, mas é importante dizer como ela o foi.

Numa linha similar, eu vi também não poucas pessoas acusando o anime de ser preguiçoso ou edgy. Criticas talvez menos ideológicas, mas nem por isso menos imprecisas.

A questão da preguiça é curiosa na sua especificidade. O argumento aqui é o de que colocar um vilão como um estuprador é uma forma muito fácil de fazer a audiência odiá-lo e, por extensão, simpatizar com o protagonista. Porém, o estranho é que o argumento não se estende para outras formas de violência. Tortura, assassinato, genocídio, são todos crimes que cumprem uma função bastante semelhante, mas ninguém diz que estes recursos são sinal de preguiça por parte do autor. Para ser franco, isso me soa muito mais uma racionalização posterior, como se alguém estivesse buscando entender porque não gostou de uma determinada cena do tipo, mas não realmente se preocupou em elaborar melhor o argumento ou em pensar em todas as suas implicações e aplicações.

Edgy, por outro lado, cai exatamente naquilo que discuti no meu artigo Sobre argumentos vaziosÉ um desses termos que as pessoas usam de forma acrítica, sem se preocuparem em defini-lo ou em explicar o porque de ser algo ruim. Praticamente qualquer demonstração de violência, mas também qualquer atmosfera um pouco mais sombria, pode ser chamada de “edgy” por alguém que não tenha gostado. Os defensores do termos dirão que ele é reservado para obras que usem da violência como puro shock factor, mas a realidade concreta demonstra que mesmo que uma obra tenha uma motivação temática por trás ainda assim irá aparecer alguém para chamar de “edgy“. Honestamente, se há algo de preguiçoso nessa discussão toda é esse tipo de argumento.

“Edgy” não é argumento. Parem.

 

Realidade, ficção, e realidade vs. ficção

Vamos concordar, por um momento, que a cena de estupro do primeiro episódio de Goblin Slayer foi sexualizada. O passo seguinte é perguntar: e daí? Assumindo que ela o tenha sido de fato, onde está o problema?

Eu sinto que existem duas respostas mais comuns para essa pergunta, mas antes de abordá-las é preciso entender que nenhuma delas diz respeito a um título em específico. Explicando, ambas as respostas consideram a obra dentro de seu contexto social, onde uma história pode agir como reprodutora ou como indício de um problema maior. Ninguém está dizendo que assistir Goblin Slayer vai fazer de você um estuprador, e argumentar contra isso é argumentar contra um espantalho e nada mais. Mantenha isso em mente conforme exploramos ambas as respostas.

Em primeiro lugar, existe a preocupação do efeito que esse tipo de história pode ter em quem assiste. Chave aqui é o conceito de dessensibilização, algo que inclusive podemos observar em outras áreas. Por exemplo, é difícil de contrariar o argumento de que estamos dessensibilizados para a violência. A vemos em praticamente todo lugar: nos jornais, nos filmes, nos quadrinhos, no rádio… Como resultado, ela já não realmente nos choca tanto. Inclusive, quando a polêmica sobre a cena de estupro em Goblin Slayer veio à tona, não poucas pessoas tentaram argumentar dizendo que ela era leve perto do que já haviam visto antes em outras obras, inadvertidamente demonstrando exatamente como a dessensibilização funciona.

O outro lado da questão é o da obra enquanto espelho da sua sociedade. Que um crime tão hediondo quanto o estupro possa ser sexualizado seria, segundo essa interpretação, o sintoma de uma sociedade profundamente machista. E enquanto eu imagino que muitos pensem imediatamente em como o Japão, país de origem do anime em questão, é bastante conhecido pela sua baixa criminalidade e alto índice de condenações, permitam-me lembrar que ele também é bastante conhecido por uma cultura ainda bastante misógina – traços da qual podemos inclusive ver satirizado em outro anime de 2018, Aggressive Retsuko.

O Japão não é exatamente conhecido pelo seu progressismo…

Sublinhando ambas as respostas está a relação entre realidade e ficção, o que abre margem para algumas considerações. Em seu livro Beautiful Fighting Girl, de 2000, Saito Tamaki oferece uma curiosa explicação para o fenômeno titular, a tão comum figura da adolescente que luta contra os mais variados inimigos. Recusando vê-la como um espelho da realidade – seja como signo do empoderamento feminino, seja como resquício do machismo -, Saito propõe que, pelo menos no que tange ao anime e mangá, a ficção japonesa cria uma outra realidade. Em oposição, vale dizer, ao modelo platônico ocidental, onde a arte é sempre um simulacro da realidade, e a realidade um simulacro do mundo das ideias.

O ponto aqui é que a cultura japonesa, ou no mínimo o otaku japonês, parece enxergar uma divisão bastante rígida entre a realidade e a ficção. Sentimento que inclusive vemos reaparecer no livro Japanamerica, de Roland Kelts, publicado em 2006. No sexto capítulo de seu livro, Kelts descreve um passeio que fez com um conhecido durante uma estada sua no Japão, onde ambos foram a algumas lojas nas quais venda de material erótico era bastante explícita. Em uma havia mesmo um jogo que permitia ao jogador experimentar uma cena de estupro em primeira pessoa, enquanto que em outra mangás com temática semelhante eram expostos para venda. Como o jovem coloca, os japoneses não sentem vergonha da própria imaginação – enquanto siga sendo apenas imaginação.

Claro, ainda que proposições interessantes a seu modo, eu mesmo sou bastante cético da ideia de que a ficção que consumimos em nada nos afeta, como já detalhei no meu artigo É só um desenho? E mesmo que esse fosse de fato o caso japonês, não significa que o mesmo se aplique em todo o mundo. Se nós aqui no ocidente somos de fato mais propícios a ver a ficção como um reflexo da realidade (e esse é um enorme “se”, mas vamos com ele), então todas as críticas ainda se mantém, mesmo que a obra em si tenha origem em outra cultura.

Sou meio cético da ideia de uma divisão rígida entre realidade e ficção.

 

Uma indústria cheia de otaku

Eu acho curioso que tanta gente tenha comparado a cena de estupro do primeiro episódio de Goblin Slayer com uma cena de hentai. Parassem para ler a cena no mangá, veriam que a comparação é ainda mais acertada.

Quando o episódio 10 da terceira temporada de Sword Art Online foi ao ar, o autor da light novel original, Reki Kawahara, chegou a vir a público em seu twitter para agradecer e se desculpar com as dubladoras das personagens Ronye e Tiese. Kawahara chegou a comentar que ele de fato usava muito do estupro (ou tentativas de) como um meio de fazer seus vilões mais cruéis, e que isto seria um reflexo do tipo de histórias que ele lia na adolescência, onde o recurso era bastante presente.

Pondo de lado a questão desse tipo de cena como um reflexo do machismo na sociedade japonesa, é possível que elas reflitam ainda outro problema, mais específico a essas indústrias do anime, mangá e light novel? É já bastante famosa a afirmação de Hayao Miyazaki de que a indústria da animação japonesa está tomada por otaku, cujo único referencial são histórias criadas por outros otaku, em um ciclo vicioso onde as histórias ficam cada vez mais e mais distantes da realidade.

Se toda cena de estupro que você conhece vem de outros animes e mangás, talvez mesmo de anime e mangás eróticos, que tipo de cena você irá desenhar? O que eu quero dizer aqui é que é possível que o problema de muitos desses autores seja um de referencial, e é curioso que ninguém tenha articulado esse argumento ainda que muitos o tenham tangenciado de uma forma ou de outra.

Seria parte do problema um de referencial?

 

Dissonância que leva à hipocrisia

Estamos nos aproximando do final deste artigo, e nesse ponto eu gostaria de trazer um problema que tenho com qualquer crítica que pressuponha que determinada obra é o reflexo de um problema maior. Não para dizer que elas estão erradas, basta ler os últimos parágrafos, mas para dizer que elas me parecem insuficientes enquanto críticas a obras em específico. Então Goblin SlayerSword Art Online e outros títulos sexualizam as suas cenas de abuso sexual, mas há nisso algum problema narrativo?

A meu ver: sim, há. Quando uma obra faz algo do tipo ela cria na cena uma dissonância. O que a história nos diz é que o estupro é um crime terrível e atroz, pelo qual ninguém deveria passar e cujo perpetrador é o mais vil dos monstros. Por outro, o que ela de fato nos mostra é uma cena que visa excitar sexualmente a quem assiste. Nesse ponto, é quase como se o espectador fosse convidado a se identificar com o agressor, gerando nisso uma cena que eu só consigo descrever como hipócrita.

Forma e conteúdo devem estar em consonância. Do contrário, você acaba com uma cena hipócrita.

 

Considerações finais

Eu quero reiterar aqui que eu vejo bastante valor nesse tipo de debate. É importante sermos críticos das histórias que consumimos e das mensagens que elas passam, intencionais ou não. E vale a pena parar para refletirmos sobre a nossa própria relação com essas histórias: o que gostamos ou desgostamos nelas, como elas nos afetam, o que dizem sobre a sociedade em que foram produzidas, além de outras questões. O problema não é a crítica, mas sim como ela é feita. Agressividade é bem pouco útil na hora de se ter uma discussão produtiva.

A verdade é que muitas pessoas verão uma crítica a algo que elas gostam como uma crítica a elas próprias, e eu acho que seria mesmo ingênuo esperar o contrário. Aquilo de que gostamos faz parte de quem somos, da nossa identidade. E quanto algo que você gosta é agressivamente atacado, é óbvio que a primeira reação será a defesa, não a compreensão. Justamente por isso eu defendo que é responsabilidade de quem critica tomar cuidado com as próprias palavras, a fim de não incitar uma reação negativa na sua audiência. E eu entendo que isso nem sempre é possível, mas convenhamos, tem gente que nem tenta.

Como eu disse na introdução, este é um tema que ainda pode render uma boa conversa, desde que se trate de uma efetiva conversa, e não de uma briga.

E você, leitor, que acha da questão? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar a sua – calma e centrada – opinião.

Imagens (na ordem em que aparecem):

01 – Goblin Slayer, episódio 1

02 – Goblin Slayer, episódio 1

03 – Nanatsu no Taizai, episódio 1

04 – Nanatsu no Taizai, episódio 1

05 – Goblin Slayer, episódio 1

06 – Goblin Slayer, episódio 1

07 – Aggressive Retsuko, episódio 1

08 – Aggressive Retsuko, episódio 1

09 – Sword Art Online: Alicization, episódio 10

10 – Sword Art Online: Alicization, episódio 10

12 comentários sobre “Estupro nos animes: alguns comentários.

  1. A questão é que o estupro é quase único no que tange à violência gráfica.

    Por exemplo, quantas pessoas ainda chamariam o Capitão Nascimento de herói se ele estuprasse alguém?

    O maluco é um assassino frio (mata prisioneiros desarmados) e torturador, mas acho que para o a mentalidade coletiva: 1 estupro > X assassinatos.

    Nesse mesmo sentido, em eventos de cosplay e afins, vejo muita gente vestida de psicopatas como o Khal Drogo e o Darth Vader, mas ninguém se veste de Ramsey ou o Alex de “Laranja Mecânica” (deve até ter, mas nunca vi).

    Acho que o grande problema não a violência exagerada em si, mas o estupro, que por alguma razão foi meio que colocado como o pior crime (e que pode até ser realmente o pior).

    Curtido por 2 pessoas

    • “O que a história nos diz é que o estupro é um crime terrível e atroz, pelo qual ninguém deveria passar e cujo perpetrador é o mais vil dos monstros. Por outro, o que ela de fato nos mostra é uma cena que visa excitar sexualmente a quem assiste. ”
      Esse foi o problema

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  2. Muito bom texto, novamente sensato Diego, parabéns.
    Sobre a cena ser sexualizada é interessante que ela demonstra que as pessoas estavam tão bitoladas que sequer se derem conta do que significa sexualizar, eu incluso. Estava tão cucado com os cretinos falaciosos que nem dei bola para esse video do MB. Cheguei a assistir um video resposta, mas que dropei porque o cara argumentava que GS era bom e eu sinceramente discordo e só queria ver alguém batendo em sjw. Ok,interessante esse ponto do MB, mas sinceramente acho perigoso esse tipo de análise, me lembra nego que faz teoria como em Boruto(mangá; Jiraya vivo),Naruto talvez e recentemente Gridman e se a guria de cabelo preto estava grávida. Basicamente nego pega uma cena como o da guria de Gridman ou como uma youtuber pegou um trope, o de toque acidental e overthinkingca isso ao extremo, e no último acusando de ser assédio sexual. Sabe, o último não faz sentido, isso é problematizar algo que não deveria, esse caso não é como o de Nanatsu. Sei lá, toda a dinâmica que constitui esse trope é puramente comédia, eu não consigo ver assédio sexual, o que ocorre em Nanatsu que mesmo sobre o ”argumento cômico”, ele em sua dinâmica é um assédio sexual. Acho que nego filha da puta ou um simples cara ”cucado” pode vir a só gerar desinformação e/ou argumentos falaciosos de natureza categórica e indutiva que o público possivelmente adepto ao culto de personalidade assuma como como verdade(Kitsune,Alexandre Esteves,Vitor Verde talvez etc.) Esse tipo de análise acho perigoso tbm porque simplismente, como a guria do trope, o cara pode pegar casos como Urusei Yatsura ou Wolf Children e meter a sua ideologia parcial, tendenciosa e fazer considerações sobre como o Ataru é um assedior sexual e Urusei Yatsura relega a mulher o papel da passividade diante de tal atos horrendos ou em Wolf Children é displicente e que a zoofilia é romantizada e nego pode ser filho da puta o suficiente e fazer análise de como crianças criadas por mães solteiras tem tendência a crimes, Tdedrogas, ter filhos sem pai presente e etc; a grosso modo retardados direitistas e esquerdistas  poderiam simplismente pegar algo q não deve ser problematizado e overthinkingcar isso. Apareceu uma guria no Twitter falando de pedofilia em Violet Evergarden, tipo what???
    Admito que isso é uma peocupação minha nessa comunidade e talvez tenha exagerado bastante, mas fazer o que, os retardados como o Kitsune são os primeiros a meterem politica sem definir e embasar nada de forma displicente e depois se demonstra como se fosse o cara correto q deve mostrar aos otakus o certo e o errado. E se discordar esta passando pano e é complacente as merda da mídia e irão fazer espantalho de vc. Eu sinceramente odeio essa comunidade.

    Curtido por 1 pessoa

    • Toda análise é válida – conquanto que bem embasada. Em boa parte esse é todo o problema: as pessoas tiram interpretações do vento, sem conseguirem embasar bem as próprias convicções. Análise como a que o Mother’s Basement faz vão justamente na contra-mão dessa situação toda, explicando em detalhes, com argumentos bem embasados, de onde vem a conclusão.

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  3. Eu queria ver o redator daqui, que é um cara bem sensato e não bitolado ideologicamente, tratando do assunto de “representatividade nos animes“. Por mais que seja um assunto muito abrangente e discutível, está também relacionado a toda essa polêmica de estupro nos animes, já que muito do argumento da galera progressista é de que “vocês tem que sentir empatia pelas mulheres“ou sempre empoderar as mulheres, quando eu acho isso um argumento muito furado(porque é só quando envolve mulher que se preocupam com isso, né?).

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  4. Texto perfeito
    “O que a história nos diz é que o estupro é um crime terrível e atroz, pelo qual ninguém deveria passar e cujo perpetrador é o mais vil dos monstros. Por outro, o que ela de fato nos mostra é uma cena que visa excitar sexualmente a quem assiste. ”
    Exatamente o que penso!
    Vou mandar essa matéria para todos que eu conheço que veem esse anime.

    Curtido por 1 pessoa

  5. Texto bem feito, só discordo da parte que diz que a cena de estupro no anime de Goblin Slayer foi sexualizada, no mangá é outros 500 e na Light Novel só narraram. O canal Jumentossauro provavelmente fez o vídeo mais sério da história do canal dele comentando sobre esse estupro no anime de GS, ele fala que viu o tal vídeo do MOther’s basement, e discordou e muito bem, recomendo ver o vídeo do Jumentossauro sobre isso e ver o outro lado, ah e politicamente o Alê (dono do canal) é progressista.

    Curtido por 1 pessoa

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