Uma Rápida Review – Liz to Aoi Tori


O conto de duas garotas.


Eis aqui um título complicado. Não em trama, diga-se de passagem, mas sim em… Bom, logo mais vão entender.

Liz to Aoi Tori (ou Liz and the Blue Bird) é um spin off da série Hibike! Euphonium, e já de cara eu aprecio que ele se venda como um projeto independente. Não tendo assistido Euphonium, eu posso assegurar que Liz to Aoi Tori se sustenta muito bem sozinho, ainda que imagino que algum conhecimento prévio da franquia talvez eleve o aproveitamento da obra.

A história se foca no que eu imagino terem sido duas personagens secundárias na série animada: Mizore e Nozomi. Aqui, acompanhamos o desenrolar da relação das duas, intercalada pelo conto infantil “Liz e o Pássaro Azul”: a história de uma garota solitária que descobre a amizade ao lado de uma garota que, eventualmente, se revela ser um pássaro azul, com o conto terminando em separação.

Já de início o filme apresenta um grave problema. Yamada Naoko, a diretora do filme (e uma das mais proeminantes na Kyoto Animation), é conhecida por um estilo de direção que dá bastante ênfase à expressão corporal: em suas obras, pequenos gestos, como tiques e modos de andar, costumam dizer muito sobre suas personagens. E enquanto isso não é ruim em si mesmo, bem pelo contrário, eu sinto que em Liz to Aoi Tori ela exagera um pouco.

Enquanto uma história atmosférica, o filme é também terrivelmente parado. Dizer que “nada acontece” em sua primeira hora, enquanto não uma crítica justa, ainda reflete a sensação que tive com os primeiros dois terços dessa história. Um belíssimo show off em termos de animação, que dá ênfase a coisas tão pequenas quando o movimento do cabelo ou da saia das garotas, mas que simplesmente não consegue prender a atenção.

Só que então temos a meia hora final, e aqui não apenas a história começa a realmente andar, nos entregando um excelente desenvolvimento para suas personagens e suas relações, como ainda novas informações permitem recontextualizar muito do que veio antes no filme. Diria até que muitas das decisões mais questionáveis do começo acabam por se justificar, no mínimo narrativamente, ao final.

E é por isso que eu digo que é um filme complicado. Sendo bastante direto, durante uma hora o filme é um tédio, mas em seu terço final ele entrega uma ótima história. O que leva à inevitável pergunta: vale a pena? É um filme que eu recomendaria? Acho que não, mas talvez sim. Se você for fã de Hibike! Euphonium. Se não se incomoda com histórias mais lentas e paradas. Se aprecia o estilo de direção da Yamada Naoko. Ou se acredita que o trade off de uma hora mediana por meia excelente é uma troca justa.

Liz to Aoi Tori não é um filme ruim. Sua parte técnica é ótima: uma animação fluida característica das obras da Kyoto Animation. A música aqui também é excelente, e é incrível como a obra de fato consegue transmitir muito dos sentimentos e da personalidade de suas personagens através do tocar de seus instrumentos. E claro, o terço final é ótimo. Mas não é um filme que irá agradar a todos. Talvez se tivesse apenas uma hora, ao invés de uma hora e meia…

É uma pena: eu fui para esse filme com pelo menos alguma esperança dele me animar a assistir Hibike! Euphonium, mas ao final eu digo que devo continuar protelando mais um pouquinho. Enquanto eu não realmente me arrependo de ter assistido Liz to Aoi Tori, não é um universo ao qual eu sinta qualquer vontade de retornar agora.

Ficha Técnica:

Título: Liz to Aoi Tori
Ano: 2018
Estúdio: Kyoto Animation
Adaptação de: Livro
Direção: Yamada Naoko

3 comentários sobre “Uma Rápida Review – Liz to Aoi Tori

  1. Gostei da review e não possuo muito o que comentar sobre, pois mesmo não tendo achado o filme tedioso, você foi claro em explicar o que o fez ser assim, em sua experiência.

    Então vou aproveitar pra ser aquele cara chato que colocará um pouco de “hype” em Hibike! Euphonium, para que você se anime um pouco a vê-lo. A obra não tem nem de perto a mesma pegada desse filme. Ela trabalha com muito mais emoção, então duvido que você ficaria minimamente entediado.

    Não vou dizer que é a coisa mais fantástica do mundo, mas acredito que você acabaria por curtir bastante a história, principalmente a primeira temporada, que é bem redondinha e facilmente uma das melhores produções da KyoAni.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Se tem algo que concordo em seu review é com a parte que você menciona que o filme é melhor apreciado se tiver assistido Hibike! Euphonium. Ele certamente funciona como uma produção standalone, mas eu considero imprescindível ter assistido Hibike antes por ser uma série que trabalha de forma magnífica seu elenco enorme de personagens, ao ponto de ser possível descrever perfis detalhados acerca de pelo menos 15 deles, desde suas personalidades até seus anseios e sentimentos. É um trabalho inspirador cujos personagens acabam por ser vistos como pessoais reais e próximas de você ao invés de meros desenhos, tanto que eu comecei a tocar teclado e estudar música por conta de Hibike.

    Liz to Aoi Tori é uma obra idiossincrática que explora o âmago de algumas dessas personagens. Mostra momentos de suas vidas, muitos deles pequenos, que aparentam ser banais para quem não está familiarizado às suas histórias, mas que são de uma importância imensurável para a situação atual de suas vidas, tudo isso regido com a delicadeza e singeleza da diretora Naoko Yamada em lidar com sentimentos e emoções de forma com que você possa senti-los na pele. É tudo muito palpável.

    Algo que discordo com veemência é do seu comentário sobre a Naoko Yamada. Show off pra mim é quando só mostram técnica e visuais exuberantes sem substância, como na maior parte dos trabalhos do Makoto Shinkai. A KyoAni e a Yamada realçam suas histórias cheias de elementos pessoais e fáceis de se relacionar por meio do seu louvável trabalho visual de animação e direção. Nos trabalhos da Yamada, cada trejeito, por mais minucioso que seja, revela mais sobre os personagens e seus sentimentos do que qualquer diálogo, assim como mostram os minutos iniciais de Liz. O filme anterior dela, Koe no Katachi, poderia ser apreciado mudo que ainda seria possível absorver todos os sentimentos expressados. É possivelmente a diretora de animações mais humana que existe.

    O fato de você não ter comentado nada sobre o trabalho sonoro sublime da obra, cheio de trechos que sincronizam as ações das personagens às peças minimalistas de sua trilha sonora, também me faz pensar que você não deu a atenção devida a obra.

    Curtido por 1 pessoa

    • Eu chamo de “show off” por considerar excessivo mesmo. Mantendo a comparação com o Shinkai, há de se reconhecer que pelo menos a história de seus filmes está sempre em andamento. Ela nunca realmente “para” pra mostrar o cenário. Em Liz to Aoi Tori, muitos dos momentos de animação de personagem eu senti que paravam a história só pra dizer “olha só como conseguimos fazer esse movimento sutil aqui”.

      O começo do filme é um excelente exemplo, onde temos todo um tempo da Mizore chegando na escola, sentando, ai temos uma outra garota chegando, ai a Nozomi chega e temos uma sequência delas subindo as escadas até a sala… É humano? É, eu admito, mas é também um *tédio*. Há um motivo pelo qual normalmente não se faz isso: mostrar cada detalhe torna a história arrastada.

      E dá pra mostrar sutilezas de movimento enquanto avançando a história. O terço final inteiro faz isso. É um problema do começo mesmo, e por isso eu digo que o filme peca pelo exagero, não pelo elemento em si.

      Mas talvez seja um problema meu com o estilo de direção da Naoko mesmo. Parando pra pensar, eu não consegui terminar de ver o filme de Koe. Imaginei que fosse por já ter lido o mangá, e por mais que adore a história não era uma que eu tinha grande ânimo de rever. Mas talvez parte do problema (meu, claro) fosse com a direção… tentar rever o filme um dia desses pra tirar a prova rs.

      E poxa, eu comentei sobre a música no penúltimo parágrafo! Tudo bem que foi uma nota breve, mas é uma review rápida, afinal XD Ainda assim, e sendo bastante sincero, é meio difícil dar a devida atenção quando se está com sono. Eu faço o meu melhor, mas a obra também tem que colaborar.

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