Uma Rápida Review – Ginga Tetsudou no Yoru


Uma noite no expresso galático


Esse é um filme que eu já queria assistir há algum tempo. Lançado em 1985, ele adapta ao livro infantil homônimo, escrito por Kenji Miyazawa e publicado originalmente em 1934. Acontece que o livro parece ter se tornado bastante influente na cultura japonesa, com referências a ele aparecendo em diversos animes.

Ginga Tetsudou 999, de Leiji Matsumoto, é talvez o exemplo mais óbvio. Mas o conceito de um trem que viaja pela galáxia aparece mesmo em séries como Aria the NaturalDigimon Xross Wars Hunters. Fora, não poderia deixar de mencionar, Mawaru Penguindrum, que embora não possuindo um trem voador, faz algumas referências ao livro e ao filme de 1985.

E o que achei do filme agora que o assisti? Bom, é complicado, em grande medida porque, e sendo bastante sincero aqui, eu não tenho certeza se entendi o que eu acabei de assistir.

Nossa história começa com Giovanni, um garoto que precisa trabalhar para sustentar a mãe doente e que sofre bullying na escola por ter o pai ausente, dado que seu trabalho parece ser a pesca em alto mar. O único na sala que nunca se junta ao bullying é o menino Campanella, de quem Giovanni já foi bem mais próximo, ainda que no momento que a história começa os dois não parecem se falar muito.

Durante uma noite de festival, o Expresso Galático se revela para Giovanni, que embarca nele junto de, para sua surpresa, Campanella. E assim começa uma viagem pela Via Láctea, com destinos tão misteriosos quanto o trem que agora leva a ambos os garotos.

O arco maior do filme é até que bastante direto e fácil de entender. Não demora muito até o espectador entender que este é um trem em direção ao pós-vida, e que um destes garotos não voltará dessa viagem. Mas as paradas que o trem faz é que o tornam tão difícil de entender. Somos mostrados a cenários e acontecimentos tão fora de qualquer realidade que quase soam como uma inocente provocação, desafiando o espectador a entender o que há por debaixo daquela camada de símbolos e alegorias.

A primeira parada leva os protagonistas a descerem por uma longa escadaria que termina num sítio paleontológico que está, ele próprio, num gigantesco esqueleto fossilizado de algum animal. O que isso significa? Eu não tenho a mais vaga noção, e o filme só fica mais estranho daqui pra frente.

Literatura infantil possui certa tendência a ser injustamente críptica, sendo difícil distinguir o que é alegoria de uma mensagem maior que o autor busca passar daquilo que está ali só porque iria atiçar a imaginação das crianças. Não nego que é parte do charme do gênero, mas como adulto essa faceta pode ser um pouquinho frustrante (o que talvez diga mais sobre mim do que sobre as obras em si).

Dito isso, eu tenho alguns efetivos problemas com a obra. A começar pela amizade entre Giovanni e Campanella, que é muito mais falada do que mostrada. Na escola mesmo os dois mal se comunicam, e o próprio Campanella faz bem pouco em termos de ir contra o bullying feito contra Giovanni, mesmo que não tomando parte nele. E claro, essa falta de interação no começo tira muito do peso da despedida dos dois ao final.

A questão do pai do Giovanni é outra que me incomodou. É dito que o pai deveria estar voltando logo, mas nunca vemos esse retorno. Fica mesmo ambíguo onde ele estaria, o que estaria fazendo, ou mesmo se ele ao menos ainda estava vivo ou não. Acaba como um elemento jogado que não realmente se conecta a nada.

Finalmente, precisamos falar sobre a animação. Vamos lá: Ginga Tetsudou no Yoru é um filme lento, ponto. Em parte por conta do seu roteiro: para que o leitor tenha uma ideia, leva-se cerca e 20 minutos (em um filme de 1h45) para a locomotiva titular aparecer. Mas em parte também por conta da sua animação, que é bastante fluida, não me entendam mal, mas é como se os personagens se movessem em câmera lenta (ou no mínimo em 0,75).

Ah sim, e também não ajuda a eterna cara de paisagem dos protagonistas. Chega mesmo a dar um ar um tanto quanto assustador ao olhar deles.

Mas apesar dessas reclamações, ainda é um filme que eu recomendaria. Mesmo que você não se interesse pela dimensão mais “meta” dessa história, com o quão referenciada ela já foi, o filme ainda é uma experiência bastante única em si mesmo. Há uma aura em seu entorno que você só consegue encontrar nesse tipo de história.

Ficha Técnica:

Título: Ginga Tetsudou no Yoru
Ano: 1985
Estúdio: Grupo TAC
Adaptação de: Livro infantil
Direção: Gisaburo Sugii
Roteiro: Minoru Betsuyaku

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