Café com Anime – Yagate Kimi ni Naru, episódio 6


Nossa conversa semanal sobre os animes da temporada.


E começa aqui mais um Café com Anime! Como de costume, a mim aqui se juntam o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, em mais uma conversa sobre esse anime que vem se provando uma das maiores surpresas da temporada, Yagate Kimi ni Naru (ou Bloom into You).

Mas antes de irmos para a discussão, sempre bom lembrar a todos para que não deixem de conferir também as outras conversas do Café nos demais blogs! No Anime 21 nós continuamos com Banana Fish, da temporada passada. No Finisgeekis, o leitor pode conferir nossas conversas sobre Irozuku Sekai no Ashita Kara. E no Dissidência Pop temos Zombieland Saga. Fiquem de olho e não percam!

E sem mais delongas, vamos então à discussão! Uma boa leitura para todos.


Diego:

Que algo havia mudado na vida da Nanami a gente sabia desde o episódio 3. Eu só não esperava que fosse o que esse episódio 6 nos mostrou.

Esse episódio foi bem interessante, e não só por aprofundar um pouco mais a personagem da Nanami. Nós passamos a última conversa quase que inteira discutindo o que, afinal, a Yuu sente, e se o que tínhamos era ou não apenas uma questão semântica, dela amar sem chamar de amor. Aqui, porém, nós temos uma perspectiva talvez bem curiosa: ela quer se apaixonar, mas não consegue, e decidiu ficar junto da Nanami para tentar entender mais sobre o amor.

Sinceramente, eu diria que essas duas estão demonstrando uma co-dependência uma da outra que eu não realmente sei se considero ou não saudável. Fora que seus objetivos são bem distintos, e nada mostra isso melhor do que o final do episódio. A última cena se repete duas vezes, primeiro onde vemos o lado da Yuu, que pensa querer se apaixonar pela Nanami, e depois, após os créditos, pelo lado desta, que pensa preferir que a Yuu siga como está.

É uma situação complicada, até, e que eu estou achando bem interessante. Ah, mas vamos lá, falem vocês um pouco agora. Que acharam do episódio?


Fábio “Mexicano”:

É a primeira vez que o anime mostra o ponto de vista da Nanami. Bom, a primeira vez que mostra o ponto de vista de qualquer pessoa que não seja a Yuu.

Para a Nanami, “amor” é algo necessariamente superficial. Você se apaixona por um instantâneo da pessoa. Se ela mudar, o amor acaba. Faz e não faz sentido, acho que faz sentido especialmente para paixões adolescentes. Mas o importante não é se faz ou não sentido, e sim que, uma vez que ela acredita nisso, por que, mesmo sendo tão solitária, ainda assim teme tanto o amor a ponto de ter rejeitado tantos pretendentes?

A resposta deve ter a ver com o fato de que ela está agudamente ciente do fato de que está vivendo o tempo todo um personagem que não é ela mesma. E mesmo depois de sete anos aperfeiçoando a sua atuação, ainda se sente insegura no papel. Ela deve sentir que pode desmoronar a qualquer momento.

Mas a Yuu quer amar. Acho que de alguma forma ela já gosta da Nanami, e não é apenas como amiga. Só não é da mesma forma arrebatadora que a Nanami a ama, e que ela lê em histórias. Não só isso, mas ela também se sente solitária. Então ela quer alguém, e escolheu que esse alguém vai ser a Nanami, que a ama, que é especial para ela, e de quem ela não quer sair do lado.

Ela parece ter percebido o que talvez a Sayaka já tenha percebido antes e talvez seja a fonte de seu amargor, que a Nanami não quer alguém que a ame. Por isso ela mentiu sobre não querer mudar, não querer se apaixonar. E daí, sim, a relação delas começa a se tornar terrivelmente tóxica. A Nanami em primeiro lugar já deveria ter ido para um psicólogo porque claramente não lidou bem com a morte da irmã, mas sua família parece ter grande parte da responsabilidade por isso então sugiro uma terapia familiar. E a Yuu está se deixando arrastar, achando que talvez isso é melhor do que nada.

Outro excelente episódio, mas logo depois do anterior, praticamente um slice of life no ritmo e nas interações entre os personagens, esse episódio sim pareceu um tratado sobre formas de amar e de abordar o amor.

Quero dizer, a cena no rio, chave do episódio, foi tão óbvia em cada simbolismo que exagerou, o que só é perdoável justamente porque o anime está transmitindo conteúdo através da forma. Cada passo, afasta, aproxima, vira, volta, tropeça, sombra, luz, é tudo tão metodicamente simbólico que é anti-natural. Aquela é uma cena inimaginável, e, no entanto, aconteceu no anime – e ele não quer que a aceitemos, ele quer que a interpretemos. A cena delas andando de mãos dadas é a mesma coisa, inclusive sua repetição.


Vinicius Marino:

Eu diria que não apenas isso foi óbvio demais. O próprio diálogo, a despeito do impacto emocional, é o tipo de coisa que jamais sairia da boca de pessoas reais. Ninguém começa uma DR acusando uma peguete de fazer isso ou aquilo por conta da irmã morta. Poxa, ela está escondendo essa morta a sete chaves! Se voce desenterra um segredo desses o mínimo que pode fazer é não jogar isso na cara da pessoa na primeira oportunidade.

O fato da Nanami não ter cortado relações (depois de lhe dar um sopapo merecido) é prova que ela só está lá para ser a “antítese” do diálogo. É, sim, um tratado sobre o amor, mas não digo isso no bom sentido. O desconforto que senti no episódio passado voltou aqui com força. O que deixa até sem graça, pois foi um episódio obviamente poderoso e indisputavelmente lindo.


Gato de Ulthar:

O Vinicius mencionou certo desconforto que sentiu, eu também me senti bastante desconfortável com esse episódio, e não foi no bom sentido! É válido a tentativa do anime em mostrar diversas formas de sentimentos e facetas do amor, mas vá lá! O bagulho não está nenhum pouco verossímil. Se eu vou ver um slice-of-life com pegada shoujo ai, eu procuro ver relacionamentos reais com pessoas que agem naturalmente. Tanto a Yuu parecia forçada em sua indecisão até o último episódio, como a Nanami se mostrou uma marionete das estrepolias do autor, ou autora, não sei quem escreveu isso.

Eu simplesmente não vejo naturalidade nas ações, se o anime não melhorar nesse sentido vou ficar bastante descontente.

Isso sem mencionar o “se você me amar eu não vou te amar mais”, isso é uma amostra de um amor platônico, onde uma pessoa ama a forma e não o objeto real. Não diferente das definições mais corriqueiras de paixão, onde o amante ama a forma ideal da pessoa amada, a superfície dela, e por isso a paixão é algo passageiro e diferente do amor.

Por isso a paixão tem um tempo de duração. A Nanami ama ou é apaixonada pela Yuu? Se for isso, o sentimento da Yuu por ela é muito mais forte. Isso faz sentido até certo ponto, mas é difícil conceber um cenário onde a pessoa que ama não quer que a pessoa amada a ame de volta. Não digo que não possa existir, mas é algo super doentio e que não me convenceu como elemento do enredo.


Vinicius Marino:

Acho que o X da questão é que há um motivo para algumas formas de amor serem “incomuns” : pessoas raramente agem assim. :stuck_out_tongue_closed_eyes: É difícil (claro, não impossível) fazer uma história crivel quando se tem pouco referencial humano.


Fábio “Mexicano”:

Ah, um romance lésbico, com uma das garotas assexual ou demissexual é bastante incomum mesmo, mas duvido que as existentes agiriam assim, mesmo havendo traumas de infância envolvidos :stuck_out_tongue:

Eu acho que o equivalente àquela cena no rio em uma história de ação seria quando o vilão para para explicar todo o seu plano, ou quando qualquer personagem começa a explicar como funcionam seus poderes. Em uma história esportiva, seria quando alguém no banco de reservas começa a explicar as regras do jogo.

A artista explicou, usando a boca (e a mente) das próprias personagens, como elas se sentem e o que elas esperam de si e uma da outra.


Vinicius Marino:

O problema é que histórias de ação ou de esporte não dependem tanto do elemento humano. Com amor, você está falando estritamente de sentimentos. Se isso não aparece, ou é substituído por palavrório, toda a casa cai.


Fábio “Mexicano”:

Em compensação, a cena foi construída para ter grande impacto emocional. Fazendo sentido ou não, foi uma cena bonita. Mais bonita do que qualquer explicação de regra de jogo jamais poderá ser.

Agora estou rindo tentando imaginar um anime esportivo qualquer tentando usar essa técnica em uma cena dessas :smile:


Vinicius Marino:

E só um adendo: não encontro razão nenhuma para supor, com base nesses seis episódios, que a Yuu seja assexual. Não estou dizendo que isso não possa aparecer lá na frente, mas até agora é apenas uma jovem que não descobriu ainda o amor. (ou só uma personagem mal escrita, mas enfim. Beneficio da dúvida).


Fábio “Mexicano”:

Bom, como você mesmo disse sobre episódio anterior, beijaram ela e a Yuu pareceu não reagir, nem durante nem depois. Isso é um indício.


Vinicius Marino:

O impacto emocional da cena foi de fato tremendo. Em termos de produção cinematográfica, foi um verdadeiro miojo fervido em uma cozinha industrial. Não sei se isso é bom ou ruim.

O carcereiro de À Espera de um Milagre também não reagiu ao cara sendo fritado na cadeira elétrica. Isso significa que ele é um sociopata? Ou só uma personagem mal escrita? Posto que a Nanami tampouco age de forma verossímil, aposto na segunda opção.


Fábio “Mexicano”:

Eu sempre achei que ele fosse um sociopata :stuck_out_tongue:

Mas bem, a história já tem muito o que lidar, se você me perguntar, acho que a autora construiu a Yuu assim de propósito “porque era o que a Nanami queria”. Mas estou falando sobre o que eu vejo, não tentando ler a mente da autora.

Acho que eu poderia dizer isso de outra forma. Às vezes, “mal escrito” implica em um personagem passar a ter características diferentes das pretendidas pelo autor, e mesmo assim a história fazer sentido.


Vinicius Marino:

Não nesse caso. Ela me parece mal escrita porque suas ações e sentimentos são inverossímeis. Se o autor quis fazer uma personagem que propositalmente não parece humana, problema dele. Eu sou humano. Tenho dificuldade em sentir empatia por personagens que não agem com humanidade.

(Menos cachorros. E quadrúpedes no geral. Ah, você entendeu :stuck_out_tongue_closed_eyes:)


Fábio “Mexicano”:

Eu acho que algumas cenas no geral são inverossímeis, e como ela é a protagonista, ela acaba sendo “culpada” na maioria das vezes. Mas não acho que a personagem em si seja inverossímil. Ela me parece humana, de verdade.


Diego:

Eu sinceramente não vejo como a Yuu seria inverossímil. Ela me soa bem humana, francamente falando. Se mais nada, a Nanami é que me soa a mais inverossímil, mas ai é porque eu tenho certo asco com o trope do personagem que muda completamente a própria pessoa após um determinado evento. Soa bem mais artificial do que uma menina que não entende o amor :stuck_out_tongue:

Mas eu vou além: mesmo que ela fosse inverossímil, eu não me importaria. Se o que o anime quer fazer é discutir a natureza do amor, o que ele decidir usar para isso eu aceito. Desde que, claro, a discussão em si seja interessante. E pelo menos para mim ela vem sendo.


Fábio “Mexicano”:

É um ponto de vista válido também. E tampouco acho a Nanami inverossímil. Acredito que a forma como a personalidade dela (garota que perdeu a irmã mais velha e passou a se esforçar para ser como ela) foi apresentada é semelhante à do Maki: dá a entender algo estranho, bizarro, mas que não é difícil de sublimar em algo mais normal, que faz mais sentido. Ela está se esforçando honestamente, de sua própria escolha, como bem disse à Sayaka, e sua insegurança não vem de achar que está vivendo outra vida, mas de ter medo de não ser tão boa quanto a irmã era.


Gato de Ulthar:

Eu preciso concordar com o Vinícius, e consequentemente discordar o Diego. Não acho que mesmo se a Yuu ou a Namami forem inverossímeis isso seja plenamente aceitável se for usado para discutir a natureza do amor. Não estou vendo um estudo, muito menos um anime autoral, no sentido de ter uma comunicação inovadora fora dos padrões, mas sim um anime de romance escolar lésbico. Necessito reações humanas em um ambiente humano verossímil para o anime fazer sentido. Se eu estivesse assistindo Serial Experiments Lain aí tudo bem, ou Mahou Shoujo Site, por exemplo, onde tudo era tão exagerado que fugia do verossímil, mas neste caso era um anime de fantasia/sci-fi escrachado desde o começo.


Diego:

Vou dizer que verossimilhança é um argumento bem complicado de sustentar, já que nossas visões de o que constitui um personagem verossímil ou não irão depender muito da nossa experiência com outras pessoas e conosco mesmos, algo obviamente bastante subjetivo. Considerando que existem 7 bilhões de pessoas no planeta, acho que a proposição “eu não conheço pessoas que ajam assim, portanto elas não existem” é uma bem problemática.

Eu entendo o argumento quando se trata de personagem excessivamente unidimensionais, aqueles personagens caracterizados por apenas uma “coisa” (como os arquétipos femininos comuns, tsundere, yandere, etc.). Mas tanto a Yuu quanto a Nanami são personagens bem mais multifacetadas do que isso, capazes de expressar todo um espectro de emoções, expressões, crenças, pensamentos…


Fábio “Mexicano”:

Como dizer que esse anime não se propõe a ser um estudo ou um ensaio depois daquela cena no rio?


Gato de Ulthar:

Olha, a cena do rio ficou bem legal, mas eu não sei se poderia chamá-la de ensaio ou estudo. Foi algo muito bem colocado que tem um simbolismo muito forte na questão do afastamento e da separação, e nesse aspecto o anime está de parabéns, tiro meu chapéu. Estou realmente gostando do anime, mas minha única ressalva é que não consigo sentir empatia pela Yuu e pela Nanami, estou gostando mais do Maki, da Vice-Presidente e da menina que escreve livros e que vai escrever o roteiro da peça. Pode ser que seja só questão de gosto, mas que eu sinto uma falta de naturalidade eu sinto. E outra coisa, não é questão delas serem complexas ou não, pois elas são personagens bastante detalhadas e com muitas características, mas o que se faz com todo esse arcabouço, uma alegoria ao amor ou um romance factual? Eu adoro animes alegóricos, mas sinto que Yagate precisa colocar o pé no chão e mostrar como o amor funciona de verdade, nu e cru.


Fábio “Mexicano”:

Eu acho que YagaKimi não quer ser cru. Temos um problema de expectativa aí.


Gato de Ulthar:

Pode ser.

Se bem que cru não seria exatamente o termo, mas natural. Sinto que o drama das dua sé bastante longínquo para mim e não me atrai, como se fosse uma brisa suave, sem forças para me chamar a atenção.

(estou poético hoje) :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

Vou arriscar um vislumbre na mente da autora então, ok. Ela queria criar uma história sobre uma garota que não sente, ela quer sentir mas não consegue. Não importa se isso é ou não verossímil, era a personagem que ela queria. Daí nasceu a Yuu. Ela pareou a Yuu com a Nanami, mas para complicar as coisas (porque talvez fosse muito fácil a Yuu apenas ceder à pressão), ela fez da Nanami um personagem que não quer ser amado. De novo, não importa a verossimilhança, era só isso que a autora queria. Que a Yuu aprendesse a sentir sozinha, sem ajuda sequer da pessoa que a ama. Será possível buscar essa capacidade de amar, um sentimento que nasce necessariamente da relação com outros, exclusivamente dentro de nós mesmos?


Vinicius Marino:

Bom, dois argumentos pipocando aqui (vou ignorar a divagação sobre a “mente da autora” pois isso é problema dela. Se chegamos no ponto que precisamos ler a mente do autor é porque a obra fracassou).


Fábio “Mexicano”:

(Eu poderia dizer que é a minha interpretação também, muda pouca coisa)


Vinicius Marino:

O primeiro diz respeito à obra ser um “estudo” conceitual do amor. Nisso, eu concordo com o Gato em espírito, mas acho que o problema é mais profundo. “Amor ” não são átomos ou a lei da gravidade. Não é uma coisa que existe objetivamente fora das pessoas. Falar de amor implica em falar de pessoas. Se você ignora pessoas já errou de cara. Esse “estudo” não passa de masturbação intelectual.

O segundo é o argumento do Diego de que “enquanto você não conhecer as 7 bilhões de pessoas da Terra não pode dizer que a personagem é inverossímil”. Ao que creio que só haja uma resposta possível: BULL-FUCKING-SHIT.

Sim, se você for o Pequeno Príncipe de fato não saberá como um ser humano funciona. Mas qualquer um que já tenha amado, sido amado, conversado com um número de pessoas sabe que há um fundo de igualdade no nosso comportamento. Nós somos todos Homo sapiens sapiens e há coisas em comum na nossa psiquê. Certos intelectuais de Humanas adoram insistir no contrário, mas o fato deles pensarem igual, agirem igual, se vestirem igual e se relacionarem com pessoais iguais só prova o ponto.

Lembro-me de algo que ouvi da mãe de uma amiga, psicóloga, quando tinha ainda 16 anos: “as pessoas acham que são únicas, mas depois de tantas sessões, eu me surpreendo em ver quão parecidas elas são”. Eu não tenho nem de longe a experiência dela, mas já vivi, chorei, amei, dei o ombro a pessoas chorosas e ouvi desabafos o suficiente para saber que esse stand-off bizarro desse fim de episódio, vomitando esse diálogo que parece escrito por uma máquina, não é verossímil.


Fábio “Mexicano”:

Eu entendo o seu argumento e o do Gato, Vinicius. Resumidamente, é: pessoas de verdade não são assim. E em diversos momentos eu concordei. Continuo concordando.

Mas essa é a história da Yuu, não de uma “pessoa de verdade”. Ela é um personagem “ruim”? Eu acho que personagens são ruins se lhes falta consistência interna, não se não parecem “pessoas de verdade”. O que ela propõe, como personagem, é algo que provavelmente não existe no mundo real mesmo. No entanto, em YagaKimi existe: ela.

E ela é esse personagem, esse homúnculo que, ao contrário de pessoas normais em seu ou nosso mundo, não sabe o que é amor de forma instintiva. Ela parece ter nascido com isso faltando. Mas ela quer aprender, o que não vai ser fácil, porque ela encontrou e gostou de outro homúnculo que provavelmente não tem paralelo no mundo real: a Nanami, uma pessoa que quer amar mas não quer ser amada porque desconfia que o amor seja necessariamente superficial. Bom, colocado dessa forma a Nanami até parece possível, mas não pensei muito sobre ela ainda, enfim.


Vinicius Marino:

Então teremos de concordar em discordar. Eu me interesso por pessoas, sentimentos e ideias (desde que ancoradas em pessoas e sentimentos). Não me interesso por “homúnculos”. Você se incomoda em eu chamar isso de “ruim”. Preconceito meu? Pode ser, mas o que respondo é isso: A Crítica da Razão Pura de Kant tem consistência interna e nem por isso é uma boa obra de ficção.


Fábio “Mexicano”:

Nada contra você não gostar de personagens inumanos. Só estou tentando justamente encerrar essa discussão que já dura alguns episódios. Acho que a cena do rio é um momento definidor sobre o que se trata o anime. Até então havia aquela estranheza, agora não mais. Claro que se a história der outro cavalo de pau mais adiante até eu vou ficar irritado, mas por enquanto o que temos é isso.

Quero dizer, lembram-se como esquecemos de uma cena vital no episódio anterior, porque ficamos basicamente falando só sobre a “humanidade” da Yuu? No final do episódio a Yuu teve um momento com sua família, em casa, e observando casais para todos os lados ela começou a pensar se ela não se sentia solitária. Se ela não se sentisse solitária ela não teria a motivação suficiente para se dedicar a uma tarefa desse tamanho: aprender a amar a Nanami sem a perder no processo. Parte do que aconteceu nesse episódio já era previsível por causa de uma cena curta e importante no episódio anterior, mas por causa dessa discussão sem fim a perdemos de vista. Vamos sim concordar em discordar, e passar para os próximos assuntos. Discutir o que está acontecendo no anime, não se conseguimos imaginar uma pessoa real agindo daquela forma ou não.


Diego:

Nesse ponto nós realmente chegamos a uma questão de gosto mais do que qualquer outra coisa. Todos nós concordamos que essas personagens são bastante artificiais em diversos aspectos, mas se isso é algo positivo, negativo, ou mesmo neutro, vai de cada um. Dito isso, eu não sei se é um assunto que vamos conseguir deixar pra trás tão facilmente, considerando que ele se refere a algo tão central à qualquer história como a sua protagonista.

Dito isso, podemos ao menos tentar! :smile: Mudando o assunto então, o que falar da relação que a Yuu e a Nanami estão construindo? Porque é como eu mencionei: me parece um relacionamento bem pouco saudável.


Gato de Ulthar:

Querem saber de uma coisa? Quero ver as duas se pegando loucamente.

Ignorem o que eu disse acima, foi meu lado tarado em ação.

Falando sério, se continuar assim as duas vão simplesmente se “travar” em determinado ponto. A yuu vai continuar querendo mas não conseguindo se apaixonar pela Nanami, e esta vai só cozinhando a amada em banho maria, torcendo para esta não se apaixonar. Em resumo, nenhuma vai se abrir para outra. Mas como eu sou otimista e nãos penso em um final triste, ambas podem ver como são idiotas e cair na real.


Fábio “Mexicano”:

O que eu sinceramente quero é que o relacionamento dê errado. Porque começou errado, e está tomando cada vez mais feições de um relacionamento abusivo. Não importa qual o objetivo da autora, romantizar essas coisas não é legal. Eu sei que existem relacionamentos reais que podem começar bem errado e no final dar certo, mas esses não são exemplos, são as exceções que provam a regra. Quem é que desejaria sofrimento para os outros?

Mas isso é o que eu quero. Entre o que eu quero e o que o anime vai fazer provavelmente há um fosso. Acho que nunca vi um mangá ou anime em que um romance acaba no final e cada um segue sua vida, talvez até continuem amigos, e boa. Acho que isso não vende? Então só restam duas alternativas: o final trágico e o final feliz. A não ser que o anime dê uma guinada inesperada, espero pelo final feliz. Mas quem sabe não vemos um suicídio duplo, né? No final do mangá, digo. No do anime, porque o mangá está em andamento, isso é realmente impossível. Elas vão terminar juntas e felizes – talvez em uma relação ainda ambígua, mas felizes.


Vinicius Marino:

Posto que a alternativa do Gato dificilmente acontecerá, fico com a do Fábio. Ok, comprando por um instante que o anime queira nos lecionar sobre o “amor” (independente do mérito da lição) há muito a se aprender com relações que dão errado. Algumas das melhores reflexões sobre o amor em memória recente vieram justamente de histórias como essas.

Por algum motivo só consigo me lembrar de exemplos do cinema agora, mas aqui vão: Blue Valentine, 500 Dias com Ela. Ambas histórias de “não-romance” que cortam mais fundo que navalha.


Fábio “Mexicano”:

Como eu disse, simplesmente não conheço nenhum anime ou mangá que trate disso.

Deve ter algum drama assim, mas essas são geralmente histórias que já começam pesadas. Não é o caso de YagaKimi, mesmo o mangá sendo tecnicamente um seinen.


Vinicius Marino:

Anime (e mangá) tendem a colocar “almas gêmeas” em romances feito ketchup na comida. Vai em tudo, é incrível! Você imaginaria que pelo menos no hentai relacionamentos casuais seriam a regra, mas nem lá isso acontece!

E sim, os contra-exemplos (pelo menos que eu consigo pensar agora) são todas histórias barra pesadas desde o início. Às vezes, abertamente misantrópicas.


Fábio “Mexicano”:

Aposto que você pensou em Inio Asano.


Vinicius Marino:

Sou tão óbvio assim?:stuck_out_tongue_closed_eyes:


Fábio “Mexicano”:

O Inio Asano é mais :smile:


Diego:

O mangá é um shounen, na verdade :stuck_out_tongue: Você mesmo disse isso alguns Café atrás, Fábio :smile:

Bom, respondendo a minha própria pergunta, eu espero um final feliz, mas depois que cada uma se abra mais com a outra, revelando os verdadeiros medos e intenções. Mas não sei se o anime chegará a esse ponto num espaço de tempo tão curto quanto uma temporada. É uma questão de esperar para ver. E com isso vamos ficando por aqui: até a próxima semana a todos o/

E você, leitor, que achou desse episódio? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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