Café com Anime – Yagate Kimi ni Naru, episódio 5


Nossa conversa semanal sobre os animes da temporada.


E começa aqui mais um Café com Anime! Como de costume, a mim aqui se juntam o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, em mais uma conversa sobre esse anime que vem se provando uma das maiores surpresas da temporada, Yagate Kimi ni Naru (ou Bloom into You).

Mas antes de irmos para a discussão, sempre bom lembrar a todos para que não deixem de conferir também as outras conversas do Café nos demais blogs! No Anime 21 nós continuamos com Banana Fish, da temporada passada. No Finisgeekis, o leitor pode conferir nossas conversas sobre Irozuku Sekai no Ashita Kara. E no Dissidência Pop temos Zombieland Saga. Fiquem de olho e não percam!

E sem mais delongas, vamos então à discussão! Uma boa leitura para todos.


Diego:

Acho que esse foi o episódio mais fofo até aqui :smile: Começamos então mais um Café com Anime de Yagate Kimi ni Naru, e vou dizer que o anime segue sendo bem gostoso de acompanhar – bom, ao menos pra mim, sintam-se a vontade para discordar :stuck_out_tongue:

Esse episódio teve vários pontos bem interessantes. Vimos um pouco do desenrolar do episódio passado, com o Maki conversando mais com a Yuu. Aprendemos um pouco mais sobre a família da Yuu. E claro, temos um bom tanto de desenvolvimento por parte da própria Yuu, que se até o episódio passado parecia apenas confusa quando aos seus sentimentos, neste ela quase parece em negação sobre eles.

Mas não nos adiantemos demais, e comecemos pelo começo! Digam então: quais as impressões mais gerais que vocês tiveram desse episódio?


Vinicius Marino:

A caracterização da Yuu de fato foi primorosa. Finalmente temos uma protagonista de carne e osso, que existe para além de seu interesse romântico (ou, no caso dela, ausência de interesse).

Foi interessante também aquele vislumbre da vida amorosa da irmã. Pouco a pouco, começamos a construir uma imagem de como essa família lida com relações amorosas.

Ninguém parece sequer conceber um romance lésbico. Por outro lado, eles parecem incrivelmente sossegados para com os cônjuges das filhas. O fato da irmã ter ficado caidinha na Nanami sem dúvida ajuda.


Fábio “Mexicano”:

Posso começar comentando a ironia que é ver a Yuu conscientemente se esforçando para não demonstrar nenhuma reação, quando todo o conflito dela é exatamente acreditar ser incapaz de sentir nada?

Claro que estou sendo chato. Como o episódio mostrou mais tarde, ela parece realmente não sentir nada. E tenho certeza que eu mesmo reagiria como a Yuu nessa situação, mesmo sem gostar nem nada da pessoa. Isso se chama “pensar demais”. Mas é divertido.


Gato de Ulthar:

Eu vou ser o do contra nesse episódio, a constante negação da Yuu já está me enchendo um pouco o saco. Quantos episódios ela vai fichar repetindo constantemente para sim mesma que não sente nada? Já deu para entender que ela não sabe direito o que sentir, mas vamos lá Yagate! Avance com o trem! Fora isso, foi fofo acompanhar a Namami, que está claramente e verdadeiramente apaixonada pela Yuu.


Fábio “Mexicano”:

O mangá ainda está em andamento e parece que elas ainda não são um casal. Melhor abaixar as expectativas e aproveitar o que tem pra hoje.


Diego:

Will they, won’t they é um dos tropes mais frustrantes que existem, sinceramente. Mas eu sinto que Yagate sabe como utilizá-lo. Não é que o universo conspira para manter as duas separadas, é que a Yuu legitimamente não entende os próprios sentimentos. E pior: ver os da Nanami parece só deixar a garota ainda mais confusa, já que ela vê a colega sentindo o que ela acredita que deveria sentir, mas não sente.

Aliás, vamos falar um pouco mais desse ponto: o que vocês acham que a Yuu de fato sente? Nada? Alguma coisa? Amor? É meio complicado de responder isso porque nós temos a meta-informação de que esse anime é um romance, então nós já esperamos que as duas ficarão juntas (se não aqui, ao menos no mangá um dia). Mas pensando apenas pela história que foi contada até agora, o que vocês entendem da Yuu e o seu conflito?


Fábio “Mexicano”:

Depois daquela cena na no quarto, acho que tenho certeza que ela não sente nenhuma atração física. Não por enquanto pelo menos, talvez. Mas a Nanami é alguém especial para a Yuu e ela só não sabe dizer o que isso significa, de que forma ela é especial.


Vinicius Marino:

Para mim essa ladainha do “ela não sente nada” morreu no momento do beijo. Sim, contrário ao que dizem os mangás românticos, há gente que se beija sem a menor atração afetiva ou sexual (sobretudo na vida adulta quando o valor do beijo é “barateado”). Mas tenho dificuldade em ver alguém da idade, contexto e personalidade da Yuu agindo dessa forma.

Consigo pensar em vários cenários em que essa atração que vai-não-vai poderia ser explicada. Ela encarou aquilo como um “experimento” da Nanami (Azul é a Cor Mais Quente tem uma subtrama parecida). Ela sentiu tesão, mas reage com culpa/negação (IMO mais provável). Ela se sente pressionada pela Nanami e decidiu “ir na dela” para não fragilizar a amizade.

Kuzu no Honkai tem um exemplo contundente das duas últimas: a protagonista é coagida a perder a virgindade com uma amiga, muito embora não tenha a mínima atração por ela – nem por mulheres de uma forma geral. A cena é doída de se ver. Ao final, a garota está em prantos:

Yagate não mostra nada do tipo, e isso me deixa confuso. Ainda não sei se a Yuu nos ensinará alguma coisa muito íntima sobre a natureza humana ou se é apenas uma personagem mal escrita. Por enquanto, aposto na primeira. É por isso que estou mais otimista que o Gato.


Fábio “Mexicano”:

Eu entendo que a Yuu beijou por curiosidade mesmo, porque queria saber se sentiria alguma coisa. E elas não são personagens perturbadas, mas há algo em comum com Kuzu no Honkai: ela sente que deve algo para a Nanami. A presidente se abriu para ela como nunca antes para ninguém, e isso é ao mesmo tempo algo especial e que torna a Yuu algo responsável.


Gato de Ulthar:

Eu entendo que Yuu sente sim algo pela Nanami, mas simplesmente não quer aceitar os seus verdadeiros sentimentos. Se ela realmente não sentisse nada, não ficaria 4 episódios tentando forçar a ideia na sua cabeça de que não sente nada pela veterana.


Vinicius Marino:

Gato acertou na mosca. :smile: Você não se preocupa em negar algo que sabe que não é verdade.


Fábio “Mexicano”:

Eu acho que adolescentes são complicados pra caramba, não tenho certeza de nada disso ainda não :stuck_out_tongue: Digo, acho que ela gosta, é algo especial, mas é mais um afeto, um carinho, do que desejo. No campo do desejo ela ainda está só experimentando mesmo, por isso mesmo já tendo “lido muitos mangás” nem se tocou da pressão da sessão de estudos em seu quarto. Depois que a Nanami admitiu ela provocou um pouco, o que também é algo muito adolescente de se fazer :stuck_out_tongue:

Na verdade acho que a essa altura eu queria ter um vislumbre maior sobre as motivações e desejos da Nanami. Por que ela sempre recusou todo mundo e de repente foi tomada de assalto pela Yuu? Não estou dizendo que é impossível, bem pelo contrário, existem várias explicações possíveis. E eu queria justamente saber qual a dela. Mas o anime parece ser do ponto de vista da Yuu então vai demorar para descobrirmos isso, e mesmo quando escutarmos da boca da Nanami não poderemos confiar 100%.


Vinicius Marino:

A motivação dela é a mais verossímil de todas: tesão. Vamos lá, Fábio. Nós somos primatas com hormônios. É assim que a gente funciona.

Estranho é uma garota que não tem (aparentes) conflitos amorosos, não tem nóia com sua sexualidade, não nem namorados ou namoradas inventar mil desculpas para dizer que não sente nada pela amiga que está beijando a torto e à direita.


Fábio “Mexicano”:

E nunca antes? Daí uma menina qualquer pegou na mão dela e BUM? Não é impossível, certamente. É um pouco entediante, mas possível. Ainda assim, queria saber mais sobre ela.


Vinicius Marino:

Talvez porque ela seja lésbica? E, por um motivo ou outro, nunca se permitiu cruzar a cerca?


Fábio “Mexicano”:

A paranoia da Yuu é não se sentir como nos mangás. É a diferença entre expectativa e realidade mesmo. Se ela já gosta da Nanami, e eu acho que gosta, não foi por “tesão”, como aparentemente foi que a Nanami passou a gostar dela. E agora ela nem precisa mais de mangás, ela está constantemente vendo como a Nanami age e como se sente, e o que quer que ela sente não deve ser nada parecido.


Vinicius Marino:

É justamente isso que eu não compro (e, imagino, o Gato também não). Esse é um dilema puramente intelectual. Beijo é algo que provoca tesão. O seu corpo reage àquilo de uma maneira inequívoca. Mesmo que você não tenha sentido o que esperava, alguma coisa você sentiu.

Posto que beijo consiste em enviar a língua na boca do outro e revirar saliva, o mais provável é que ela sentisse nojo. É o que muita gente sente ao começar a beijar. Mas olha pra cara dela e me diz se ela sentiu isso.


Fábio “Mexicano”:

Bom, ela fica agitada quando a Nanami se aproxima demais. Ela ficou algo incomodada quando a presidente a abraçou no corredor e depois pediu para que ela evitasse se aproximar demais. Pode ter sentido que o beijo foi só isso também.

E se for para falar de pessoas reais e reações reais, tem gente que separa completamente a atração física da romântica. Ela pode sentir algo enquanto beija. Mas não sente um “aquilo especial” que ela esperava sentir, quase em nível intelectual.

Justamente porque é inevitável que interações físicas provoquem sensações.


Vinicius Marino:

Equiparar o beijo a alguém “se aproximando demais” é o que espero ouvir de alguém que nunca beijou :stuck_out_tongue_closed_eyes: O que é um dos problemas da Yuu: ela não parece reagir de forma verossímil a essas experiências. Ela não diz “curto te beijar, mas não quero nada contigo”, o que seria super comum. Ela age com pathos demais para quem está só experimentando, e pathos de menos para quem está, supostamente, sendo coagida a um romance.

É como eu disse: ou ela está escondendo algo ou falta um conflito para colocar tudo no lugar. O barato é que o anime já deu esse conflito, mas por algum motivo não quis voltar a ele: ela tem medo de que a carreira “política” da Nanami seja prejudicada:


Fábio “Mexicano”:

Eu não sou a pessoa com mais sucesso na vida romântica, mas olha, já beijei sim :stuck_out_tongue:

E beijos bem mais quentes que aquele selinho glorificado entre as duas na sala do Conselho Estudantil.


Vinicius Marino:

Estou falando da Yuu, não de você :stuck_out_tongue: Ela que age como se a colega se aproximar dela fosse a mesma coisa que o beijo.

Já vi que a discussão está levantando fantasmas pessoais :joy: Melhor a gente se cuidar, do contrário começaremos a compartilhar histórias.


Fábio “Mexicano”:

Ah sim. Mas isso acho que é normal porque japoneses.


Vinicius Marino:

Latinos discutindo etiqueta amorosa de uma história japonesa realmente não combina. :joy:


Fábio “Mexicano”:

Pois é, para começo de conversa temos uma enorme dificuldade de entender essas coisas, e não entendemos o quanto é cultural, o quanto é pessoal, o quanto é só clichê de anime.


Diego:

Questões de beijo de lado ( :smile: ), e retomando aqui o que se levantou sobre as motivações da Nanami, na verdade o anime já respondeu isso, lá no episódio 3. O problema é que a legenda do Hidive pra esse título em específico está um completo horror, então a cena ficou confusa pacas.

Basicamente, vem quando a Nanami apoia a cabeça na Yuu, no lado de fora da quadra. A Yuu não vê ninguém como especial, e essa sua característica foi o que atraiu a Nanami, que passou os últimos anos da sua vida se esforçando para parecer especial. É por sentir que pode baixar a guarda e ser a si mesma com a Yuu que a Nanami se apaixonou por ela e não por qualquer outra pessoa antes, que sempre a via ainda com essa aura especial que ela criou em torno de si.

Quanto à Yuu e o seu dilema, o problema parece mesmo ser o de expectativas. Por um lado, em diversas cenas é como se ela estivesse tentando convencer a si mesma que não sente nada, enquanto que a cena final, dela abraçando o presente da Nanami, demonstra que ela quer se apaixonar, quer retribuir os sentimentos da Nanami. Então me parece mesmo um caso de expectativa vs. realidade: ela acha que enquanto seu coração não disparar só de olhar para a Nanami então não é amor de verdade.


Fábio “Mexicano”:

Me ocorreu que podemos interpretar de outra forma, que não sei se vai ajudar quem está ansioso para descobrir se Yuu e Nanami ficarão ou não juntas: elas já estão juntas. A relação entre elas já é diferente de uma amizade normal. Não é o que chamaríamos de um namoro normal, mas sem dúvida é especial. A Yuu pode não ter certeza sobre o que ela sente, mas ela própria reconhece a excepcionalidade da relação que ela tem com a Nanami: está com a Nanami porque, segundo seu julgamento, ela precisa da Yuu mais do que ninguém. A forma como ela declara isso deixa implícito que não é algo que ela poderia fazer por qualquer um, nem que poderia fazer por várias pessoas simultaneamente. Então, nesse aspecto, elas já estão juntas. É só que o “juntas” delas é diferente de um relacionamento romântico conforme estamos acostumados a ver – e como a Yuu está acostumada a ler em mangás e ouvir em músicas.

Não sei se isso ajuda o Vinicius ou quem mais tenha a impressão que as personagens não estão satisfatoriamente bem construídas, porém. Quero dizer, o que estou fazendo é praticamente uma trapaça semântica :stuck_out_tongue:


Vinicius Marino:

Se for, é uma trapaça muito boa, pois eu não entendi lhufas :stuck_out_tongue:

Enfim, parece-me um argumento circular. Eu pessoalmente não vejo nada de excepcional na amizade delas. Amizade é um treco bem amplo. Dependência emocional incondicional está bem dentro dos seus limites.

E sobre o romance ser “diferente”… Sim, ele é, mas dizer que ele é diferente não explica porque ele é diferente. Porque uma menina que beija sua peguete pelos cantos não quer admitir que a menina em questão é sua peguete escapa ao meu entendimento.


Diego:

Talvez porque a Yuu não queira uma “peguete”, mas sim um namoro como o que ela vê nos mangás shoujo.


Gato de Ulthar:

Também há a possibilidade da Namami ser lésbica, mas a Yuu não, seria um conflito interessante! Se a Yuu não for homossexual, isso não impede dela ficar profundamente abalada com as investidas da Namami, ainda mais por ambas serem adolescentes., e pelo fato da Yuu nunca ter se relacionado com um garoto antes. O conflito na cabeça dela pode ser bem complicado. E mesmo se ela for lésbica, creio que ela não tem nem certeza disso.


Vinicius Marino:

Esse é um conflito que eu pagaria para ver. Viu ? Não é muito que eu peço. Só um motivo verossímil para que a relação fique assim estacionada.


Diego:

Mas por que ela não entender os próprios sentimentos não seria verossímil o bastante? Porque essa é a desculpa até aqui, afinal.


Fábio “Mexicano”:

Acho que pode ter a ver com o momento e o estado mental em que ela se encontrava. Convenhamos que a Yuu é um pouco exagerada, né? Um cara se declarou para ela, ela não sentiu nada, logo a conclusão lógica é que ela é incapaz de sentir!

A gente pode tentar especular porque ela é assim. Talvez ela tenha se sentido realmente culpada por não ter conseguido retribuir o sentimento, então se convencer de que é incapaz de ter qualquer sentimento seja uma forma de diminuir essa culpa?


Vinicius Marino:

Mas ela não age como se não entendesse os próprios sentimentos! Ela age como alguém que não entende as próprias ideais sobre o amor. O que é completamente diferente, a não ser que você seja uma criatura de nanquim sobre papel que não tenha sentimentos!

Eis aqui alguém que não entende os próprios sentimentos contemplando a possibilidade de que ele porventura goste de uma pessoa. Olhe a linguagem corporal, a idealização contraposta à realidade, o “monólogo” que ele repete a si mesmo:

O Fábio fala de “lógica”, mas amor não é um problema de lógica! Não é saber se a conclusão de um silogismo respeita a premissa maior. Não é saber se uma árvore que cai na floresta faz barulho se não tem ninguém para ouvi-lo. É um treco que mexe contigo, nas vísceras. E, se não mexe, você se desdobra atrás de um jeito para mexer.

Se eu fosse a Yuu, estaria revirando cada um daqueles mangás shoujo tentando descobrir o que estava errado. Faria toda a “cartilha shoujo” do romance: confissões, passeios no parque de diversões, sexo. E a partir dos desencontros, das decepções, das dates estragadas (ou não) ela progressivamente entenderia a si mesma.

Gente, não é como se eu tivesse pedindo o impossível! After the Rain fez isso prodigiosamente, “desconstruindo” a suposta paixão da protagonista pelo chefe. Kimi no Na Wa fez isso igualmente bem em uma subtrama.

Eu assisto a essas personagens e vejo jovens verossímeis em conflito com seus sentimentos. Eu olho para a Yuu e vejo uma autora de mangá usando uma personagem para discutir ideias sobre o amor. Ou isso ou ela esconde um conflito real, como uma nóia com sua sexualidade, peer pressure, etc. Torço para que isso venha à tona – e chegue ao primeiro plano.


Fábio “Mexicano”:

Talvez ela tenha deficiência hormonal, sei lá :stuck_out_tongue:

Não acho que o amor seja necessariamente isso ou aquilo. Não sou romântico o bastante para descartar a hipótese da razão sobrepujar a emoção.


Diego:

Eu sinto que o ponto do anime é justamente que o amor não é isso ou aquilo. E que acreditar que só é amor se um coro de anjos bater à sua porta com um memorando a respeito cada vez que você vê a pessoa amada é uma falha na percepção de amor que a ficção propaga. Ou ao menos é essa a mensagem que eu tiro da história até aqui. A Yuu parece apaixonada, mas como a paixonite dela não tem a intensidade que ela espera, ela não a reconhece, e nisso pensa que não sente nada.


Fábio “Mexicano”:

Não tem nem a intensidade nem a forma que ela espera, sim, entendo dessa forma também.

As demais circunstâncias apenas colaboraram para ela entrar em negação.


Diego:

Talvez, aliás, ela até tenha percebido seus sentimentos, mas não quer um amor que não aquele que ela leu nos mangás shoujo. Por isso ela diz pra si mesma que tudo aquilo é normal, que ela está só sendo boazinha, que não tem nada demais… Porque o tipo de amor que ela sente não é o tipo que ela esperava.


Fábio “Mexicano”:

Acho que não. A forma como ela tenta “negociar” no final do episódio, pedindo ao coração dela que “se decida”, me faz crer que ela não acha ainda que aquilo é (uma forma de) amor.

Ou talvez isso seja só uma forma de dizer exatamente o que você já disse, e estou ficando realmente preocupado com quanto os conflitos desse anime parecem mais semânticos do que reais :stuck_out_tongue:


Diego:

Acho que sou o único aqui que até gosta da ideia do conflito ser mais semântico do que real :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

É que isso faz o anime parecer masturbação sobre ideais, o que é ok quando estamos discutindo, mas quando estou assistindo não parece de forma alguma que é isso que estou vendo.


Vinicius Marino:

Esse é justamente meu ponto. Bom saber que estamos discordando, mas, no fundo, concordando :stuck_out_tongue_closed_eyes:


Diego:

Mas deixa eu mudar um pouco o foco, então. A gente fala tanto da Yuu – natural, dado que o anime é inteiro do ponto de vista dela -, mas alguém tem algo a dizer sobre a Nanami? Ou acham que por só termos a visão da Yuu, aquela que deveria ser nossa deuteragonista fica um pouco apagada em termos de personalidade, caracterização e desenvolvimento?


Fábio “Mexicano”:

A Nanami que se apaixonou quando a Yuu segurou a mão dela e a Nanami que não conseguiu conter a excitação quando recebeu uma foto da Yuu dormindo e expressou isso fisicamente balançando as pernas são razoavelmente diferentes. A evolução dela – em termos de confiança na Yuu, auto-confiança, e intensidade de sentimento – é visível. Praticamente o oposto da Yuu.


Gato de Ulthar:

A Nanami é frenética, o seu sentimento, ou desejo, é bastante intenso. Não consigo dizer se ela ama a Yuu, muitas vezes tudo se resume em uma “atração fatal”, um desejo enlouquecido. Penso que nos próximos episódios talvez a paixão sedimente, mostrando se ela realmente quer ficar com a Yuu ou é somente um lance.


Vinicius Marino:

Ela me parece uma personagem muito mais cativante que a Yuu, para ser sincero. Como o Fábio bem disse, ela demonstra bem seus sentimentos. Você olha pra ela, vê ela agindo, e sabe que o que se passa na sua cabeça é real.

Ela também é uma combinação interessante de qualidades pessoais. É alta e bonita (de cair o queixo, aparentemente, posto que até a irmã da Yuu comenta sua beleza). Tem uma pose de perfeitinha, mas é insegura – talvez justamente por conta disso. Ao mesmo tempo, é ousada quando precisa ser, a ponto de roubar um beijo da Yuu sem cerimônia.

Vejo essa personagem indo para vários caminhos, e todos me agradam.


Fábio “Mexicano”:

Bom, essas características todas eu acho (não especialista em Yuri aqui) que são clichês do gênero, são o que fazem dela o lado “masculino” da relação.


Diego:

Na verdade, a Nanami me soa muito mais o lado feminino, se formos pensar em estereótipos. Mais aberta com seus sentimentos, cabelo longo, etc. A Yuu, em contra-medida, fica como bem mais estereotipicamente feminina, dado o cabelo curto e a postura mais estoica. Aliás, me ocorreu agora que esse seu “não sentir nada” pode muito bem ser inspirado por esse lado mais estoico das personagens mais “masculinas” num par yuri, ainda que talvez seja só coincidência.


Fábio “Mexicano”:

Ela é mais alta e é quem toma iniciativa. Mas sim, a coisa é um pouco fluída entre as duas, esse anime não é tão amarrado em clichês, como já discutimos em episódio anterior.


Diego:

Ainda bem, né? :smile: Sempre bom quando o anime sabe brincar com o próprio gênero. Mas é isso ai, acho que podemos ir ficando por aqui esta semana. Ficamos então no aguardo do que vem pela frente. Até uma próxima o/

E você, leitor, que achou desse episódio? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

2 comentários sobre “Café com Anime – Yagate Kimi ni Naru, episódio 5

  1. Olá! Gosto muito de acompanhar as discussões de vocês.
    Uma coisa que eu acredito que pode ajudar a entender melhor a yuu é uma antiga teoria da galera que lê o mangá de que ela possa ser assexual ou arromantica ( mais especificamente demissexual/demiromantica). Como existe pouca representação de assexuais ou arromanticos na mídia eu particularmente gosto desse tópico.

    Curtido por 1 pessoa

    • Foi uma das primeiras coisas que eu pensei vendo o anime, e acho que comentei a possibilidade em alguma das discussões anteriores. É uma bem interessante, sem dúvida XD Mas resta saber se o anime/mangá seguirá por esse caminho. O que eu sou meio cético, pra ser franco, justamente pelo quão raro é esse tipo de personagem (eu mesmo não lembro de nenhum nos animes).

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