[Vídeo] Sobre a Dificuldade de se Indicar um Anime


Divagando sobre revistas de anime e o que elas nos ensinam


Roteiro:

De vez em quando eu acabo pegando em mãos uma dessas revistas Neo Tokyo que eu tenho guardada no fundo de alguma prateleira. E quando eu faço isso, eu vez ou outra acabo pensando um pouco sobre esse formato que é A Revista, e tão inevitável quanto é acabar refletindo em como ele se compara com A Internet.

Recentemente, eu me peguei pensando em como revistas são antológicas, sempre compilados de várias matérias em uma única edição. Óbvio, eu sei, mas às vezes vale a pena pensar um pouco sobre o óbvio.

Foi essa linha de pensamento que me levou até a própria ideia de indicar um anime. Digo, pegue qualquer uma dessas revistas e poderão notar algo bem curioso. A capa quase sempre traz nela um personagem bastante conhecido: Goku, Seya, Naruto, Usagi, Sakura… Mas dentro da revista, você não raras vezes tinha uma review ou análise de algum anime que muito provavelmente você nem tinha ouvido falar ainda.

E foi me dando conta disso que eu pensei: bom, está ai uma coisa que a internet NÃO consegue fazer.

E de fato não consegue. É muito difícil de “vender” para o público um título desconhecidos. Um post num blog ou um vídeo no youtube sobre algum anime menos popular nunca vai ter a mesma quantia de acessos e visualizações do que o falar sobre a última moda. Uma revista contornar esse problema usando da última moda para atrair o leitor, e então colocando ali no meio algo menos conhecido. Mas como fazer algo assim na internet?

A saída mais comum são as listas, onde você atrai a atenção das pessoas com promessas como “os melhores animes de romance”, ou “os animes que fazem chorar”, ou “top 10 animes ecchi”, e coloca ali no meio o que achar mais interessante. Mas isso não é a mesma coisa que as revistas faziam, não acham?

Fora a questão da profundidade, de como uma entrada em uma lista que precisa ainda falar de outros quatro, nove, ou mais títulos simplesmente não consegue ser tão minuciosa quanto uma review daquele título, há também a questão do que as pessoas buscam em listas algo bem diferente. Porque uma coisa que eu sinto, e talvez seja só eu, é que as pessoas não vão para listas procurando indicações, mas sim para validar as próprias opiniões. Para verem se o seu anime favorito entrou ou não no top – e ai reclamar nos comentários que faltou este ou aquele título, ou que o anime X deveria estar na frente do Y.

E se você chegou até aqui no vídeo e está se perguntando “bom, e daí?”, o ponto ao qual eu quero chegar é sobre como esse nosso meio se tornou um tanto quanto fechado, no que diz respeito a quais animes falar a respeito.

Como cada artigo ou vídeo precisa se sustentar sozinho, produtores de conteúdo são implicitamente incentivados a constantemente falar do que é mais popular. Isso atrai público, o público pede mais disso, e temos um looping bem complicado de se quebrar.

Nisso a conversa se fecha em títulos bastante específicos. Uma meia dúzia de “grandes clássicos”, mais os três ou quatro títulos da temporada que forem mais populares. E pode PARECER que sempre foi assim, mas é justamente quando eu pego uma dessas antigas Neo Tokyo que eu questiono um pouco esse “sempre”.

Agora, não entendam mal, eu sei o que isso parece. Um canal pequeno reclamando que seus vídeos de algum anime obscuro não tiveram um milhão de views, quanta bobagem. Mas não, não é esse o ponto, até porque eu não vejo demérito em falar do que é popular. 

O que eu quero aqui é mais pensar um pouco sobre qual o papel do criador de conteúdo, e sobre como esse papel mudou ao longo do tempo.

No meu ideal, o criador de conteúdo deveria ser um apresentador, no sentido de apresentar algo novo à sua audiência. De chegar para as pessoas e dizer “olha isso aqui, isso aqui é legal”. Mas cada vez mais o que vemos é o caminho inverso. É o público dizendo “olhe isso aqui, e opine a respeito”.

Existe uma espécie de zeitgeist que desencoraja falar do diferente. E isso vale até para fora de plataformas como o Youtube. Quantas vezes você não pensou em falar no facebook sobre aquele anime desconhecido que você viu ontem, mas desistiu porque achou que ninguém ia se importar? Que ninguém ia ler ou curtir a postagem? E podem trocar ai o facebook pela rede que lhe for mais agradável. Twitter, instagram, tumblr… Nós odiamos nos sentir ignorados. Sentir que estamos falando com ninguém. Então guardamos nossos comentários para o que estiver em voga. Para aquilo que as pessoas vão de fato ver.

E não me entendam mal, eu não sou de forma nenhuma a exceção aqui, nem de longe. Eu consumo muito mais conteúdo relativo a um anime que já assisti do que sobre um título que nunca ouvi falar. O familiar é muito mais atrativo, eu sei muito bem disso.

Mas… Pensem, por exemplo, no começo de temporada. Quando todo mundo começa a falar das suas expectativas e apostas. E ai quando ela começa, e temos aquela enchurrada de 40 a 60 novos animes, logo surgem discussões sobre o que está valendo a pena ou não, ou postagens de como “esse anime aqui devia ser mais visto”, ou “quem mais está vendo esse anime”, e por ai vai. Como o que é popular ainda não está completamente definido, exceto talvez pelos títulos continuando obras populares, há um maior incentivo para se discutir, que vai meio que se diluindo e se apagando conforme as semanas passam.

Por que não aplicar essa lógica também a títulos finalizados? É uma pergunta retórica, eu sei o porque. É porque, como eu disse, não existe um ambiente que incentive esse comportamento. Mas ambientes são criações humanas. E se o que eu disse parece interessante, o melhor a fazer é aplicá-lo. E se estiver vendo algum anime pouco conhecido, mas muito bom, fale a respeito. É o que eu tento fazer, e mesmo assim provavelmente devia tentar bem mais…

Claro, você pode dizer que nada disso importa. Que você está satisfeito com as coisas como estão, que só assisti mesmo o que for mais popular e gosta assim. Ao que eu não realmente tenho uma resposta a dar, exceto: que bom pra você. Mas de minha parte eu gostaria de ver um pouco mais de variedade na conversa.

Vamos sim falar sobre Saint Seya, sobre Dragon Ball, sobre One Punch Man, sobre Boku no Hero Academia. Mas, mesmo que só de vez em quando, vamos falar um pouquinho sobre outros animes também. Pode ser legal.

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