Uma Rápida Review – Kaze no Tani no Nausicaä


Texto originalmente publicado na página do blog no facebook, em 03/09/17


Review de filme da semana /o/ Desta vez, outro clássico de Hayao Miyazaki: Nausicaä do Vale do Vento.

No futuro, o contínuo desenvolvimento tecnológico levou à criação dos Guerreiros Gigantes, armas de destruição em massa que, durante os Sete Dias de Fogo, trouxeram o caos e a destruição ao mundo. Mil anos após esse período, o mundo está agora sendo tomado por uma floresta venenosa, e a humanidade vive em pequenas populações à mercê dessa floresta, sempre temendo a sua aproximação.

O Vale do Vento é uma região que, por conta da sua geografia, tem conseguido se manter longe da floresta venenosa. Aqui vive Nausicaä, a princesa do vale que pesquisa sobre a perigosa floresta. Os dias passam calmos, até que em um deles cai sobre o vale uma aeronave de uma nação bélica, o que traz consigo toda sorte de problemas e perigos.

Eu fui para esse filme já com algumas ideias do que encontraria ali, e meio que recebi bem o que esperava. O que não chega a ser ruim, ao menos nesse caso. O filme tem praticamente todas as marcas do começo da carreira de filmes solo do Miyazaki, o que implica sobretudo em bons personagens, um roteiro de ritmo fluido, e uma mensagem sobre os perigos do avanço tecnológico em detrimento da natureza.

É uma mensagem batida, sim, mas dá-se um desconto pelo filme ser de meados dos anos 80. E em todo caso, se tem um autor que sabe fazer esse tipo de história este é o Miyazaki. Suas histórias nunca são sobre uma natureza 100% boa e uma tecnologia 100% má, o que se reflete mesmo em seus vilões, quase sempre personagens bastante carismáticos e bem trabalhados.

Mas Nausicaä talvez seja cinza demais para o seu próprio bem. Os antagonistas têm um ponto: deve a humanidade simplesmente deixar a floresta a engolir e então perecer? Por outro lado, seus métodos certamente estão errados, dado que só fazem piorar tudo. O problema é que o filme não realmente oferece uma resposta a esse dilema. Ele quer propor uma coexistência entre homem e natureza, mas a torna praticamente impossível sem que ambos fiquem rigidamente separados (bom, ao menos no caso da floresta venenosa).

É um problema que não tem realmente uma solução, e talvez justamente por isso tantas obras prefiram seguir o caminho mais politicamente correto e fazer vilões unidimensionais representando a industrialização a ferro e fogo destruindo a natureza inocente e boazinha. Nesse sentido, Nausicaä é mais complexo, mas também menos… esperançoso, eu diria. Meio que à humanidade só cabe sentar, esperar, e torcer para que um dia a floresta desapareça.

Em termos técnicos, Nausicaä é um filme que envelheceu muito bem. Sua animação impressiona ainda hoje, mesmo que dê para perceber nela as limitações da época. Sua trilha sonora é também bastante digna de nota, e muito bem complementa as cenas. Como filme Nausicaä é bem divertido e bem interessante, e mesmo ainda bastante relevante.

Dito isso, eu tenho UM grande problema com o filme, mas para isso eu vou ter de falar sobre o seu final. Então estejam avisados: SPOILERS DO FIM DO FILME. Pulem o próximo parágrafo se não quiserem ser spoilados.

Ao final do filme, Nausicaä morre… e é revivida pelos tentáculos dourados mágicos dos insetos gigantes da floresta venenosa. É… Tipo, até aquele momento da história não havia nenhum indício que os insetos tivessem qualquer poder de cura, o que faz esse final soar MUITO “deus ex machina”. Por mim Nausicaä ficava morta, mas ai ia ser complicado de vender o filme pra criancinhas, e nisso temos esse final totalmente aleatório e bem difícil de engolir, sinceramente.

Mas, tirando isso, foi ao menos uma experiência bem legal. Não chega a ser incrível ou fenomenal, mas entretém e diverte. Quem não viu ainda, vale dar uma chance.

Ficha técnica:

Nome: Kaze no Tani no Nausicaä
Ano: 1984
Estúdio: Ghibli
Adaptação: mangá homônimo
Direção: Hayao Miyazaki

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