Review – Princess Tutu (Anime)


Sobre aqueles que desafiaram o destino.


Era uma vez um autor, que morreu antes de terminar a sua obra. Ele escrevia sobre a luta entre um príncipe que a tudo amava e um corvo que a tudo queria destruir, e quando seu criador se foi ambos os personagens saltaram das páginas da história em direção ao mundo real. Querendo por um fim naquele confronto, o príncipe decidiu então selar o corvo, ao custo de ter o próprio coração despedaçado. O plano deu certo, mas o príncipe terminou como uma mera casca vazia, incapaz de sentir qualquer emoção.

Uma produção original do estúdio Hal Film Maker, a história de Princess Tutu começa quando a menina Ahiru (“pato”, em japonês) recebe do misterioso Drosselmeyer um pingente que a permite se transformar na Princesa Tutu. Sua missão agora será a de recuperar os fragmentos do coração do príncipe, cuja atual identidade é a do menino Mytho, por quem Ahiro nutre uma forte paixão. Drosselmeyer, porém, não faz isso por pura bondade, seu real objetivo sendo escrever a mais bela tragédia. E assim sendo, ele proclama: se Ahiro confessar o seu amor pelo príncipe, ela desaparecerá.

Criação de Ikuko Itoh, a série teve um total de 26 episódios [1], lançados entre 2002 e 2003, com direção de Junichi Satou e Shogo Koumoto, além de roteiro por Michiko Yokote. Inspirada no balé de Tchaikovsky, esta é uma história sobre histórias, que toca ainda em temas como o amor e o destino, sendo ainda outra prova de que mesmo obras para crianças ainda podem ser surpreendentemente densas e profundas. Quem ainda não viu o anime, fica aqui a minha recomendação. Mesmo porque, vale o aviso de sempre: spoilers a partir daqui.

Ahiru, nossa protagonista.

Sendo bastante honesto, os primeiros episódios de Princess Tutu não realmente me impressionaram – ou se quer me prenderam. Claro, já nesse começo temos alguns dos pontos mais fortes do anime. O seu formato episódico entregava ainda algumas histórias isoladas legais de acompanhar, o surrealismo que permeia o anime já estava presente, e toda aparição do Drosselmeyer era absolutamente fenomenal em sua execução. Mesmo assim, o anime tinha seus pontos mais baixos, sobretudo na forma do seu elenco secundários.

Eu não gosto das duas amigas da Ahiru, e passei boa parte do anime me perguntando porque ela era amiga das duas para começo de conversa (continuo sem resposta, diga-se de passagem). E a piada do Neko-sensei sempre querendo casar com alguém passou voando pela minha cabeça (essa ao menos eu vim a entender, graças a uma entrevista de 2006 com Itoh, na Ushicon, onde ela explica que foi uma ideia do diretor em referência a um mangá de Akatsuko Fujio, onde há um gato que deseja se casar). São detalhes, eu sei, mas que me tiravam bastante da vontade de continuar seguindo com o anime.

Acho que pra mim o “ponto de virada” da obra, por assim dizer, foi quando a Ahiru entende que devolver os fragmentos do coração ao príncipe estava lhe trazendo dor, o que traz consigo todo um dilema sobre se aquilo era o certo de fato e, mais importante, para quem ela realmente estava fazendo aquilo, se pelo Mytho ou se por ela mesma. É algo que eu já vinha pensando nos episódios anteriores, mas ter o anime realmente explorando essas ideias de verdade foi onde ele realmente conseguiu capturar minha atenção. E claro, muito ajuda que dai em diante a história de fundo do anime foi ganhando mais atenção, e com ela vários mistérios vão surgindo.

Devolver os fragmentos do coração era mesmo a coisa certa a se fazer? É interessante que o anime levante a questão no seu começo.

Princess Tutu é o tipo de história onde nada é o que parece. Reviravoltas no roteiro são constantes, mas é verdade que ao final a obra consegue responder de forma bastante satisfatória praticamente todas as perguntas que levanta. Fora que tais reviravoltas nunca são gratuitas, com indícios delas sempre vindo pelo menos alguns episódios antes. Talvez a única que vem como uma total e completa surpresa seja a revelação de que o fragmento do Amor, que Ahiru devolvera ao príncipe ao final da primeira metade da série, fora na verdade embebido no sangue do Corvo, e estava agora mudando a personalidade do Mytho. E mesmo aqui temos a fala do Drosselmeyer, ao final da primeira metade do anime, de que aquela historia ainda não havia acabado.

Diga-se de passagem, o próprio Drosselmeyer é um excelente recurso de roteiro. As ações da Rue nessa primeira metade – lutando contra a Tutu, tentando impedir que o coração do príncipe fosse restaurado, roubando o fragmento do amor – não realmente parecem condizer com aquelas da segunda metade – onde ela recebe instruções do pai para fazer essencialmente o oposto de tudo o que vinha fazendo. Isso poderia soar como uma inconsistência da história (embora mais adiante é explicado que sua memória foi voltando bem aos poucos), mas a figura do Drosselmeyer explica isso por si só. Se a história não está indo como ele quer, ele tem o poder de mudar o que desejar. Afinal, aquele mundo é seu.

Mas mistérios de lado, talvez o segundo maior atrativo – e o efetivo maior mérito – do anime seja o seu trato para com seus personagens. De relativamente unidimensionais no início, os quatro protagonistas (Ahiru, Mytho, Fakir e Rue) se desenvolvem bastante com o passar da história, de uma forma que soa sempre bastante natural. Até o Neko-sensei tem os seus bons momentos, onde ele demonstra ser um professor realmente preocupado com seus alunos.

O desenvolvimento dos personagens, bem como das suas relações, é talvez o ponto mais forte do anime.

E para além dos personagens como indivíduos, o relacionamento entre eles também evolui de forma considerável ao longo do anime. Inclusive entregando um dos romances mais bem desenvolvidos que eu já vi num anime do tipo: aquele entre Ahiru e Fakir. Ambos começam praticamente como inimigos, mas acabam se unindo pelo desejo de ajudar ao Mytho. Aprendem mais um sobre o outro, suas forças e fraquezas, seus momentos mais frágeis… Não demora muito até que o espectador esteja torcendo por ambos muito mais do que por qualquer outro par.

Finalizando essas impressões mais iniciais, vale a pena falar um pouco do final. Um que é ligeiramente agridoce, mas ainda assim feliz. Ahiru em sua forma de pata emanando uma luz de esperança que afeta a todos pode soar como um deus ex machina, mas querem saber: funciona. E muito. Drosselmeyer queria escrever a tragédia perfeita, uma na qual seus personagens se esforçam ao máximo possível somente para no final não atingirem nada. Constantemente Ahiru supera os desafios impostos pelo autor, e o final do anime não deixa de ser o culminar da sua posição, de seguir tentando independente do quão pequenas sejam as chances.

Que ela tenha voltado a ser um pato é talvez triste (embora ela mesma pareça satisfeita em ficar nadando perto do Fakir ao final do anime), mas ei: o Fakir ainda tem os seus poderes. Quem sabe, com o tempo, ele não os desenvolve ao ponto de, como seu ancestral, poder realmente alterar a realidade, devolvendo à Ahiru a sua forma humana? A possibilidade ao menos está aberta, o que não deixa de ser reconfortante

“Vamos dar a esta história um final feliz”.

Todos esse fatores, aliados ainda ao cenário surreal do anime (onde animais tem forma humana e as batalhas se dão com passos de balé), fazem de Princess Tutu uma obra que, embora talvez afaste alguns durante seus momentos mais episódicos, consegue capturar a atenção e a imaginação do espectador. E no desenvolver de seus mistérios e personagens, o anime se revela ainda uma experiência bastante recompensadora. Mas dito tudo isso, falemos um pouco dos temas desta história, que me fazem apreciá-la em todo um outro nível.

Em retrospecto, é interessante como Princess Tutu apresenta uma série de pares de opostos que são borrados durante o correr da história. O mais óbvio destes pares é a tradicional dicotomia entre o bem e o mal, cujas nuances são apresentadas conforme personagens que assumíamos malignos (o Fakir e a Rue, essencialmente) vão sendo desenvolvidos de forma a ultrapassar essa divisão mais simples. Mas há outros: a distinção entre humano e animal, entre vivo e não vivo (em figuras como a Eden e, em certo nível, o próprio Mytho), entre realidade e ficção… Mas o par mais importante do anime seria, sem dúvida nenhuma, a distinção entre o amar e o ser amado.

Ao longo do anime, vemos aqui diversas formas de amor. A paixão platônica de Ahiru pelo Mytho – que também aparece naquela de Mytho pela Tutu. O amor possessivo de Rue por Mytho. A lealdade cavaleiresca que Fakir demonstra pelo amigo. O desejo de ser amado que Mytho expressa quando dominado pelo sangue do Corvo. A disposição ao auto-sacrifício que primeiro a Ahiru, e mais ao final da obra a Rue, irá expressar. E claro, aquele que é o relacionamento mais saudável do anime, entre Ahiru e Fakir.

O amor, em suas mais variadas facetas, é talvez o tema mais central ao anime.

Obviamente, Princess Tutu não é neutro em sua retratação dessas diferentes formas de amor, e a conclusão à qual a obra chega é uma tão evidente quanto verdadeira. Toda forma de amor unilateral, seja este o amor possessivo, o amor egocêntrico, ou o amor platônico (ainda que este em muito menor escala), tende apenas a ferir aqueles envolvidos. Amar e ser amado: é a reciprocidade no sentimento que de fato sustenta os casais que acabam se consolidando.

Não duvido que para alguns essa noção soe como óbvia até demais, mas é aqui que vale a pena lembrar do público alvo do anime. Originalmente exibido pela NHK e pelo canal Kids StationPrincess Tutu foi claramente voltado para o público infantil, e para este público em específico uma mensagem do tipo é uma bastante positiva. E diga-se de passagem: há um bom número de adultos que embora digam entender esse conceito, no final acabam agindo com seus parceiros muito como a Rue e o Fakir agiam com o Mytho no começo do anime.

Diga-se de passagem, esse começo ensina muito bem o que é um relacionamento abusivo, conforme ambos buscavam isolar e controlar o Mytho. Conforme a história avança suas motivações vão ficando mais claras: Fakir age assim pelo medo de que a história do Príncipe e o Corvo seja novamente posta em movimento, o que inevitavelmente levaria à sua morte; ao passo que Rue age como age por desejar o Mytho para si, sendo a única pessoa fora o seu pai adotivo que demonstrou amor por ela.

A relação que tanto Fakir quanto Rue têm com o Mytho no começo do anime bem poderia ser descrita como abusiva.

Ainda assim, motivos não são desculpas, e o anime reconhece isso. Tanto é que a redenção de ambos se dá pelo aceitar da decisão do Mytho de recuperar seu coração, bem como pelo auto-sacrifício para protegê-lo: Fakir quando, no lago subterrâneo, quebra a espada do Príncipe para que esta não possa mais lhe partir o coração; e Rue quando acaba por oferecer a si própria ao Corvo, no lugar do Mytho, assim trazendo o Príncipe de volta ao normal. Claro, nenhum dos dois morre de fato, mas ao menos havia a compreensão de seus erros e o desejo por fazer melhor. Tanto que ao final o Mytho decide tomar a Rue como sua princesa, com ambos agora estabelecendo um relacionamento que, suponho, será bem mais saudável do que aquele que possuíam até então.

Claro, só para que isso não fique sem menção, Ahiru também demonstra, ao longo do anime, uma predisposição ao auto-sacrifício pelo Mytho, e o caso dela obviamente nada tem a ver com a necessidade de redenção de um relacionamento abusivo. No seu caso, sua predisposição vem de seu amor platônico pelo Mytho, um que a história irá constantemente questionar. Primeiro quando ela percebe que devolver os fragmentos estava causando sofrimento ao Príncipe, e depois quando ela começa a questionar o quanto ela realmente conhece o Mytho e quem ela realmente ama. Nesse sentido, de certa forma o seu caminho é inverso, aprendendo a questionar sua devoção, mesmo que ao final ainda fazendo aquilo que acredita certo por aquele que ela ainda tem como uma pessoa querida, mesmo que não mais como um interesse romântico.

Feitas essas considerações, vamos então mudar um pouco de tópico. Afinal, o anime não trata apenas do amor. Falemos um pouco sobre destino. E sobre pós-modernismo.

Drosselmeyer: encarnação do destino.

Conforme a trama de Princess Tutu avança, aprendemos que a real situação daquele universo é muito mais complicada do que apenas dois personagens de um livro infantil que escaparam para o mundo real. A verdade é que toda a cidade onde a história se passa estava sob o efeito dos poderes de Drosselmeyer, que se revela um autor capaz de tornar tudo o que escreve em realidade. Gerações antes ele havia sido morto por aqueles que temiam seu poder, mas antes de perecer por completo ele deixou um mecanismo que seguiria escrevendo sua obra prima, até que chegamos ao estado em que as coisas se encontravam no começo do anime.

Não é surpresa que este cenário convide a alguma reflexão sobre o destino. Uma das frases mais icônicas do anime inclusive o referencia diretamente: “Que aqueles que aceitam seu destino recebam a felicidade. Que aqueles que desafiam seu destino recebam a glória”. O universo que Drosselmeyer criou pode ser bastante cruel. Seu objetivo era, afinal, criar uma tragédia. Mas ele ainda era um universo dotado de sentido. Todo o sofrimento que ali havia tinha um propósito, mesmo que este propósito fosse o puro entretenimento daquele que era essencialmente o deus daquele mundo. Reverter a magia de Drosselmeyer é mais do que apenas devolver tudo ao normal: é também aceitar um universo desprovido de sentido.

Essa é talvez a maior distinção entre ficção e realidade. Em uma história, tudo tem um propósito, e quando algo nela não tem isso é geralmente apontado como um defeito. Em comparação, o mundo real é caótico, o que pode ser bastante assustador para alguns, de onde surge toda sorte de narrativas que tentam atribuir algum sentido a um universo desprovido deste. Religiões, por exemplo, mas nem de longe só elas.

Por cruel que possa ser a tragédia de Drosselmeyer, como toda ficção ao menos há sentido nela.

Quando eu primeiro terminei o anime, cheguei a comentar no Twitter que não pude deixar de lembrar de um quadrinho já antigo, que inclusive veio a se tornar um meme internet afora. Trata-se do Conflict in Literature, do site Incidental Comics, um quadrinho de uma página que apresenta alguns dos principais conflitos que encontramos na literatura de três períodos distintos: o clássico, o moderno e o pós moderno. No caso deste último, os três conflitos apresentados são “Homem vs. Tecnologia”, “Homem vs. Realidade” e “Homem vs. Autor”.

Que fique bem claro, não é minha intenção partir deste um quadrinho neste um site em específico para argumentar que Princess Tutu é, de alguma forma, uma obra pós moderna. Foi apenas uma pequena conexão que me surgiu de forma praticamente involuntária após assistir o anime, mas refletindo a respeito eu diria que enquanto o anime apresenta um tema bastante central ao pós modernismo, ele acaba por ser também, de certa forma, uma resposta a esse tema. Permitam-me explicar.

Talvez um dos pontos mais centrais à filosofia pós moderna é a ideia do fim das grandes narrativas, essas grandes teorias políticas e ideológicas que certa vez serviram de norteadoras para grandes grupos de pessoas. Isso é particularmente verdade no caso do comunismo, que de uma força teórica que um dia rivalizou com o status quo capitalista foi hoje renegado a pequenos círculos acadêmicos. Mas em (muito) menor grau podemos dizer que algo semelhante ocorreu até com a religião, conforme formas de pensamento seculares vão se tornando mais e mais preponderantes.

Uma realidade desprovida de sentido pode ser aterradora… ou libertadora.

A ideia aqui é que não existe mais um norte ao qual seguir. Um ponto de chegada pelo qual podemos ansiar. Um propósito que dê sentido às nossas ações. O que pode ser bastante assustador! Porém: Princess Tutu não parece pensar assim. Por um fim à grande narrativa que é a história escrita por Drosselmeyer pode soar aterrador a princípio, e Ahiru bem encarna esse medo antes de ser convencida do contrário por Fakir, mas em fato é também libertador. Se não há um destino a nos comandar, podemos então escrever o nosso próprio futuro, e a história inclusive termina com Fakir escrevendo sentado num pier. Chega a ser reconfortante, até.

Diga-se de passagem, associar de alguma forma Princess Tutu ao pós-modernismo não chega a ser uma interpretação tão fora da realidade quanto pode parecer. Em Otaku: Japan’s Database Animals [resumo], o crítico cultural Azuma Hiroki comenta como a teoria pós moderna atingiu o arquipélago com força durante os anos 1980, e considerando que seu livro saiu em 2001 ela pelo visto não havia desaparecido por completo (ainda que Azuma escreva justamente como uma forma de novamente chamar atenção à ela). Não querendo insinuar que os responsáveis por Princess Tutu leram os teóricos do movimento, mas só dizendo que pode ter havido ai inspiração num zeitgeist mais geral. Mas mesmo que não, as considerações que o anime tece sobre o conceito de destino ainda são bem interessantes em si mesmas.

Mas indo além dos temas de amor e destino, há um terceiro em Princess Tutu que me chamou particularmente a atenção. Um que eu já expressei quando mencionei, no começo deste texto, que esta é uma história sobre histórias. Permitam-me perguntar: qual o poder de um livro?

A existência daqueles dispostos a eliminar livros e autores não seria já um forte indício do impacto que eles podem ter?

O poder de Drosselmeyer parece bastante indicativo da visão do anime para com narrativas de maneira geral. A arte, aqui, é literalmente transformadora: nas mãos de um autor habilidoso, caneta e papel podem mudar drasticamente a realidade. Porém, isto se revela uma benção tanto quanto uma maldição, já que foi o seu poder que atraiu sobre Drosselmeyer o medo daqueles que o mataram. Talvez, até, para o bem: instável como o personagem se apresenta, se recusando a usar seu poder de forma responsável, seus escritos poderiam mesmo causar muito mais mal do que bem. Especialmente quando seu objetivo era escrever uma tragédia.

Fakir, que a história revela ser um descendente de Drosselmeyer, dotado dos mesmos poderes, vem como um contra-ponto ao seu ancestral. Por um lado, ele é jovem e inexperiente. Seu poder ainda é fraco, e como tal ele só consegue replicar a realidade, e não mudá-la. Fakir é, porém, muito mais responsável com o seu poder, decidido a não usá-lo para o mal. A mensagem final sendo a de que o artista não pode se pretender apartado da sociedade. Sua obra tem um impacto, e é portanto sua contribuição e sua responsabilidade.

Se especificamente uma obra de ficção pode de fato ter todo esse poder é algo que fica para da um considerar. Pessoalmente falando, eu mesmo já me expressei cético quanto a isso, especificamente no meu vídeo ensaio Histórias que Ficam. Mas ainda é algo interessante de se considerar.

Em Princess Tutu, a escrita é tanto um dom quanto uma responsabilidade.

Claro, é possível ler em Princess Tutu também o argumento de que uma obra pode em muito ultrapassar as intenções de seu autor. Ao final, a história de Drosselmeyer não sai como ele gostaria, pois seus personagens se tornaram maiores do que a narrativa que os prendia. Mas com essa nota acho que já posso ir caminhando em direção ao final desta review.

Há muito em Princess Tutu que eu ainda poderia elogiar, e não muito mais que eu sinta vontade de criticar. No primeiro campo, a série tem diversos conceitos que eu absolutamente adoro, como a ideia de usar a dança como uma forma de combate ou como Drosselmeyer é retratado literalmente manipulando as engrenagens do destino que regem aquele mundo. E no segundo eu diria que a cronologia dessa história é um tanto quanto confusa. Aparentemente passaram-se muitas gerações entre Drosselmeyer e Fakir. Devo assumir que a cidade estava sob o feitiço do primeiro durante todo esse tempo? Mytho estava vivo durante todo esse tempo? E como fica a Rue?

Mas tudo bem. Ao final, a experiência que Princess Tutu entrega ainda é absolutamente positiva. Uma obra fascinante tanto quanto instigante, que bem merece seu status como uma dessas jóias por vezes esquecidas da animação japonesa.

Notas:

1 – A depender de onde o leitor olhe, o número de episódios de Princess Tutu varia entre 26 e 38. O motivo disso é simples: a série tem mesmo 26 episódios de tamanho regular (isto é, com duração de pouco mais de 20 minutos), e é este o número de episódios que você encontrará nos DVDs da obra. Porém, durante a sua exibição na televisão, a segunda metade da série teve seus episódios cortados ao meio, de forma que melhor se encaixasse no horário que a emissora tinha disponível. Isso aumentou substancialmente o número de episódios, de onde vem os 38 listados em sites como My Anime List e Anime News Network.

E você, leitor, que achou de Princess Tutu? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Princess Tutu, episódio 1.

2 – Princess Tutu, episódio 1.

3 – Princess Tutu, episódio 6.

4 – Princess Tutu, episódio 10.

5 – Princess Tutu, episódio 26.

6 – Princess Tutu, episódio 13.

7 – Princess Tutu, episódio 5.

8 – Princess Tutu, episódio 25.

9 – Princess Tutu, episódio 9.

10 – Princess Tutu, episódio 25.

11 – Princess Tutu, episódio 22.

12 – Princess Tutu, episódio 26.

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