Uma Rápida Review – Metropolis


Texto originalmente publicado na página do blog no facebook, em 18/06/17


Pequena curiosidade: até bem pouco tempo atrás, eu não havia lido absolutamente nada do Tezuka. Assim, quando há alguns meses eu vi numa loja de mangás um exemplar de “Metropolis”, eu decidi pegar para dar uma conferida. Era um só volume, afinal, devia ser fácil de ler.

Sendo bem sincero, eu não gostei do mangá. Os diálogos são forçados e beiram o sem sentido. As cenas mudam tão bruscamente que podem facilmente deixar o leitor confuso. E o mangá tenta enfiar coisa demais em um espaço de tempo muito curto. Podemos relevar os defeitos por ser uma obra dos anos 50, mas para os padrões modernos ele definitivamente não se sustenta.

Mas justamente por isso eu estava curioso para com o filme. Eu sabia que ele era radicalmente diferente do mangá, sendo apenas baseado naquele, e o trailer acabou por me convencer a vê-lo. E devo dizer: no mínimo, ele é uma experiência fascinante do ponto de vista técnico. Para uma obra de 2001, ele tem um visual excepcional e uma animação tal e qual que sempre existe algo em movimento na cena.

Basta verem a imagem acima e verão o nível de detalhe que aparece em cada frame desse filme (er, bom, ao menos quando o filme não decide ter cenas no mais absoluto breu…). É espetacular e, bem francamente, já valeria por isso. E acompanhando um visual excelente, temos uma ótima trilha sonora, sempre usada para dar o tom da cena.

Roteiro e personagens são, porém, onde o filme se mostra menos que excepcional, para usar de um eufemismo. Mesmo com mais de uma hora e meia, eu ainda sinto que o roteiro tentou colocar coisas demais para o tempo de que dispunha, e o resultado foi que muita coisa ficou apressada e muitos personagens, sobretudo secundários, soaram como subaproveitados ou pouco desenvolvidos.

Mesmo os protagonistas não são nenhum poço de complexidade. Rock e o duke Red são talvez os personagens mais bem explorados (e são os vilões!), e o Kenichi e seu tio são pelo menos aceitáveis, mas o filme certamente poderia ter desenvolvido melhor a Tima. Inclusive, sua decisão final vem tão absurdamente do nada que só faz sentido se você entender como uma referência ao mangá original do Tezuka (sendo que a decisão faz bem pouco sentido ali também, para começo de conversa).

Mas apesar dos apesares, acho que o saldo final dele ainda é positivo. É um que poderia ter sido mais curto, sim, ou ao menos ter usado melhor o seu tempo para desenvolver melhor seus personagens e seu roteiro, mas ainda uma experiência interessante. E é como eu disse, é uma obra que já vale só pelo fantástico visual.

Se você estiver sem o que assistir e tiver pouco mais de uma hora e meia para matar, dê uma chance a esse filme. No mínimo, provavelmente vai ser diferente do que você está acostumado.

Ficha técnica:

Nome: Metropolis
Ano: 2001
Estúdio: Madhouse
Adaptação: mangá homônimo
Direção: Rintaro
Roteiro: Katsuhiro Otomo

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