Café com Anime – Shoujo Kageki Revue Starlight, episódio 3

E aqui começa mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada, agora para comentarmos o terceiro episódio de Shoujo Kageki Revue Starlight, essa estreia que já de cara muito promete. E como de costume, a mim aqui se juntam o Vinicius Marino, do Finisgeekis, o Fábio “Mexicano”, do Anime21, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, para discutirmos nossas impressões e opiniões sobre o título.

Fica aqui a dica para irem também conferir os demais blogs participantes, pois cada um servirá de host à discussão de um anime. No Finisgeekis, vocês conferem nossas conversas sobre Happy Sugar Life; no Anime21 aquelas de Banana Fish, e no Dissidência Pop teremos aquelas referentes à Hanebado. E dados os avisos de sempre, vamos então à conversa. Peguem uma xícara do seu líquido favorito, sentem-se confortavelmente, e vamos em frente.


Diego:

Esse foi certamente um episódio interessante. Olá a todos, e bem vindos ao nosso terceiro Café com Anime de Shoujo Kageki Revue Starlight. Num episódio que, pelo menos para mim, soou muito como um ponto de virada na história.

Na primeira parte vemos um pouco mais das nove garotas, e é impressionante o tanto sobre elas que o anime conseguiu enfiar em apenas um episódio. Pareando personagens que não tinham sido pareadas até então, aprendemos bastante sobre cada garota e sobre as relações delas umas com as outras – fora diversas inseguranças e demônios interiores que algumas possuem. O triste é que eu sinto que o episódio cimenta de vez a Karen como a personagem menos interessante do elenco – algo que acredito que o Vinicius já havia previsto que ocorreria no nosso primeiro Café de Starlight.

Mas quem sabe, talvez isso mude. O final foi certamente inesperado: Karen foi posta para lutar contra aquela que é a atual melhor prodígio da classe. E a Karen perde. Aliás: perde muito: a Maya comandou o combate do começo ao fim. A Karen literalmente não conseguia nem alcançá-la. E ao final ainda leva um tapa da Hikari – que bem podia começar a tagarelar e explicar porque ela quer tanto assim impedir a Karen de participar nessas audições, né?

Mas bom, digam ai: o que acharam do episódio?


Gato de Ulthar:

Este anime está sendo uma surpresa para mim, é realmente muito difícil saber o que pensar dele. E é como você mesmo disse, todas as personagens tiveram sua ponta de destaque. Começando pela Banana-Chan, ela ainda é a personagem mais intrigante ao meu ver, ela foi selecionada para ser a roteirista, mas levou tudo numa boa, mesmo sabendo que não cantaria nem dançaria no festival escolar, acho isso importante se levarmos em conta sua personalidade.

Ainda sobre a Banana-Chan, mas outra questão, sabem aquele ranking no final do episódio? A Banana-Chan está na terceira colocação, ela está muito bem cotada, tirando as duas principais, a Maya e sua rival Claudine. Então, do “povão”, a Banana é a mais talentosa, incrível que ainda não tivemos uma amostra do seu talento, ela é do tipo que “come quieta”. E aqueles muffins de banana, ela ainda não para de forçar Banana para todo mundo, isso me faz pensar que ela possui o tipo de personalidade que tenta se dar bem com todo mundo.

E continuando, usando o ranking como parâmetro, na quarta e quinta colocação temos respectivamente Kaoruko e a Futaba, o que mostra bem a supremacia da primeira sobre a segunda, que não consegue ter sua individualidade. Bem como, o relacionamento das duas se mostrou claramente romântico, acho que não há nenhuma dúvida quanto a isso, mas o que mais surpreendeu é que a Kaoruko não é apenas uma sonolenta despretensiosa, mas possui a língua e o pensamento mais afiado que a maioria, sabendo alfinetar a amiga da Karen no ponto certo, além de saber dominar a Futaba muito bem.

A amiga da Karen, Mahiru, está na sexta posição, sendo logo seguida pela Juuna dos óculos. A Hikari, mesmo sendo bem talentosa, ainda era a lanterninha, até a Karen ser oficialmente colocada no ranking, como última colocada. O que me deixou curioso é que havia mais um espaço para outro nome, será que a girafa mentiu quando disse que a Karen era uma espécie de penetra na competição?


Fábio “Mexicano”:

Essa imagem resume tanto a disputa do episódio quanto a posição atual da Karen, que ela vai precisar se esforçar muito para superar se quiser ser a Top Star:

Starlight consegue ter um grande elenco e dar personalidade a todas as suas garotas. Como isso é possível? É um enredo bem amarrado. Uma história de superação, de esforço, tudo isso, mas principalmente de maturação (coming of age). Cada uma delas é muito boa, senão nem estariam ali, então não é à toa que a mais insuspeita de todas, a Banana, seja impressionantemente boa. Mas cada uma delas possue uma falha fundamental. Uma só. A Tendou é orgulhosa, a Junna é insegura, etc, algo assim. Exceto a Karen, a protagonista, e talvez por isso “menos interessante”: seu desleixo, seu desinteresse em querer chegar ao topo até a Hikari aparecer, a fez ficar para trás de todas.

Ela compensa com atitude positiva e esforço, mas ela ainda tem um longo caminho. Ela vai aprender em sua jornada, e provavelmente ver alguém subir meteoricamente da última posição para o topo irá ajudar as demais a perceberem seus próprios defeitos e melhorarem como pessoas. Dessa forma eu vejo, pela primeira vez, o caminho pelo qual a Karen pode ser Top Star “junto com todo mundo”. Reconhecer as próprias falhas nunca é fácil, mas é mais difícil ainda quando você tem poucas falhas e é no geral muito bom. A Tendou, com seu talento sem par, não pode ser derrotada por ninguém. Conseguem imaginar ela melhorando em sua atual situação? Mas e quando a Karen a derrotar? A protagonista está muito longe disso ainda, mas essa derrota foi um passo mais importante do que sua vitória anterior.


Vinicius Marino:

Acho que alguém errou de anime essa semana, né? Isso não é Happy Sugar Life, Hikari. Larga esse pé de cabra e vista logo seu figurino!

Aliás, falando em pé de cabra, acho que ninguém ensinou para ela como usar um, né? Bater na porta para ela abrir? Jura? Há um motivo para esse instrumento ser em L, Hikari. Chama-se fazer uma alavanca. Tente enfiar a ponta na fresta da próxima vez. XP

Aham… é picuinha minha, eu sei. E que fique registrado que isso não traduz nenhum problema com o anime da minha parte. Starlight Revue teve outro episódio fortíssimo, que continua construindo sua trama peça por peça. E não é que as coisas ficaram interessantes mesmo?

Vocês falaram do que o episódio trouxe, mas o que mais me intrigou foi o que ele ficou por trazer. Vocês firam que uma das meninas está pesquisando girafas? Será que teremos uma revelação sobre a natureza do árbitro em breve? Ou será que ela usará seu conhecimento para pender a competição ao seu favor?


Fábio “Mexicano”:

Não sei se essa girafa aí significa alguma coisa. Pode significar o mesmo que a girafa lá: é só qualquer coisa que elas não entendem direito e que o anime acha que não precisa explicar porque não vem ao caso, então ao invés de professores de teatro tomem essa girafa.

Me parece sim que a Junna está perdida, tentando descobrir o que é que falta nela.


Gato de Ulthar:

Curiosamente a girafa não apareceu neste episódio.


Fábio “Mexicano”:

Apareceu sim hein? Ou estou ficando louco? Pera aí.

Uma girafa para o Gato:


Gato de Ulthar:

Mas ela não falou nada né? Ou falou?


Fábio “Mexicano”:

Vai me fazer ver vasculhar o episódio de novo? Acho que não falou, e acho que no fundo é bem pouco importante o que a girafa diz.


Diego:

Vale apontar que um dos livros da Junna é sobre UMA (Unidentified Mysterious Animal). É um detalhe legal, mas ao mesmo tempo me faz lembrar porque exatamente essas garotas estão aceitando participar de um battle royale gerido por uma girafa falante :P Seria bom aprendermos um pouco mais sobre a natureza desses combates, e como exatamente a Girafa convenceu as garotas a participar. Pior que a fala dela sobre ser estranho a Karen não ter sido escolhida desde o início até parece indicar que ela não está agindo sozinha. Seria todo um grupo de girafas circenses realizando batalhas entre garotas mundo afora? :P

Mas bom, em todo caso… Vou aproveitar pra discordar do Fábio. Não acho que as palavras da Girafa sejam sem importância. Ela foi estabelecida essencialmente como a representação do status quo atual, então acho sim relevante ter atenção ao que ela diz. Dito isso: faço nem ideia se ela disse alguma coisa nesse episódio ou não :P


Fábio “Mexicano”:

Ela falou umas platitudes interessantes no primeiro episódio. Depois acho que não falou mais nada útil. Quero dizer, se esse anime se tornar um mistério sobre girafas eu acho que vai ser uma grande porcaria, não?

E por enquanto eu meio que estou escolhendo ignorar isso, mas que o anime dá sinais de que deseja revelar “a verdade”, dá sim. Tem isso aí da Junna. E teve a Hikari invadindo o lugar lá, quando ela fala algo como “ah, então o elevador só vem se você for chamada”, como se tivesse tentando entender alguma coisa.

Eu quero saber das garotas, não das girafas, por favor.


Gato de Ulthar:

Mais do que um personagem a ser revelado, vejo a girafa como um símbolo, um símbolo que exerce um papel dentro do “revue”. Não que ele seja o elemento mais importante do anime, mas é algo que faz parte e é importante, como uma sombra onipresente.


Vinicius Marino:

Olha, considerando o tipo de anime que Starlight Revue é, não me surpreenderia que a girafa só esteja aí para ser red herring. Fisgando nossa atenção para uma esquisitice para que não vejamos o twist em elaboração.

Aliás, quão mais maluca vocês acham que a série ficará? Eu confesso que já a estava achando normal em comparação à Penguindrum e aos outros animes com o que nós o comparamos. Mas sei lá. As bananices da Banana, e outras coisas mais, estão me fazendo repensar o caso :P


Diego:

Penguindrum é até que bem normal durante praticamente toda sua primeira metade, com a loucura visual ficando contida às aparições da entidade que possui a Himari. É só com a introdução do Sanetoshi que a coisa fica um pouco mais pesada na alegoria, que só toma controle total da série lá pelos episódios finais. Dito isso, resta saber o quão influenciado pelo Ikuhara foi o diretor aqui em Starlight. É possível que a psicodelia fique contida às audições, como é também possível uma sequência final de completa abstração. O que eu pessoalmente acharia mais interessante, claro :P

Dito isso, um pouco da audição está “saindo” para o mundo real: repararam como há pontos de luz roxa em praticamente toda cena? Geralmente numa área um pouco acima da cabeça de uma das garotas. A mesma cor que o brilho da tiara. Vou dizer, eu só percebi isso porque apontaram no reddit no episódio passado, e uma vez que você sabe o que procurar percebe que está de fato em todo canto.


Vinicius Marino:

É, eu não tinha reparado. Bom saber :P


Diego:

Não se preocupa que no próximo episódio você repara :P É impossível desver.

Por sinal, era este artigo sobre o episódio 2 que o pessoal no reddit estava comentando.


Fábio “Mexicano”:

Sobre o surrealismo das audições vazar para o mundo real, a cena final do episódio é bastante óbvia: observem as sombras da Karen e da Hikari:

Acho que isso quer dizer simplesmente que elas são atrizes o tempo todo. Não existe um botão liga-desliga. Quanto mais elas se esforçam para chegar ao topo, mais a própria vida real delas se aproxima da arte que perseguem. Mas isso é só uma hipótese minha que precisará ser testada nos próximos episódios.


Diego:

Uma cena que – muita gente apontou – é bastante reminiscente da cena de dança entre Utena e Anthy no filme Adolescence Mokushiroku, outro dos trabalhos do Ikuhara (e um ótimo filme, fica a recomendação para todos que estiverem lendo :D )


Fábio “Mexicano”:

Assisti Utena inteiro, mas não o filme, por achar que era só compilação do anime para TV.


Diego:

Nem de longe, é uma completa reimaginação da premissa da série original, e vale muito a pena.


Fábio “Mexicano”:

Fiquei sabendo disso anos depois, e está na minha lista de filmes anime para assistir.


Vinicius Marino:

Esse surrealismo me faz pensar que Starlight Revue é de fato surrealista, e não apenas fantástico. E por isso quero dizer que não é um anime sobre a realidade e fantasia se misturando, mas uma história que se vale do irreal como metáfora do realismo mais nu e cru.


Gato de Ulthar:

A distinção de Revue no que tange a realidade e o irreal é muito tênue, o que é fantasia e o que não é? Não dá para saber ao certo, penso algo como o Vinicius disse, o irreal do anime são alegorias personificadas dentro do mundo das garotas. No final não importa se aquele outro mundo exista ou não, ou que seja apenas um “bad trip” a Karen depois de usar LSD, mas o que os seus símbolos querem reproduzir.


Diego:

São alegorias, e algumas bem óbvias, diga-se de passagem. A Gifara representando o status quo atual, a ideologia que leva essas garotas a lutarem. As próprias lutas representando a competitividade tanto no teatro Takarazuka como na indústria do entretenimento como um todo. A tiara representando o ideal da estrela cuja imagem nunca se apaga. Todas relações que já fizemos, inclusive. Mas eu vou jogar aqui a questão: vocês acham que tudo o que vemos acontece de fato no universo da trama? Eu sei que no fim do dia a resposta é meio que irrelevante, e que a Karen mencionando a Girafa meio que parece confirmar que sim, tudo aquilo é real, mas ainda acho que vale a pena fazer a pergunta.


Fábio “Mexicano”:

Girafas são alegorias comuns para status quo?

Enfim, está tudo acontecendo sim. É tudo verdade – real ou surreal. Após o comentário do Vinicius eu não pude evitar pensar na trinca de animes do Ikuhara e sua relação entre real e surreal: Utena, Mawaru Penguindrum e Yurikuma Arashi.

Yurikuma é um mundo em si surreal desde o começo. Ursos humanoides coexistem com humanos, que ergueram um muro para impedir que eles entrem em sua cidadela e os devorem. E na verdade mude o gênero de todas as palavras aí para o feminino, porque ursos e humanos, só existem mulheres. Aparece um ou outro homem ou urso macho em flashbacks mas são só parte do cenário. Utena começa com uma narração bastante surreal quando se considera que aquilo aconteceu de forma literal. A personagem-título então entra em uma escola que parece normal, mas apenas por ser um lugar novo, mesmo a escola já é algo que atiça a imaginação. E logo descobrimos que nada ali é muito normal. Penguindrum, eu acho, é o que se passa no mais realista dos mundos, e os cortes entre real e surreal são bem marcados e perceptíveis durante a história – até que à partir de dado ponto tudo começa a se misturar de forma maluca.

Starlight se parece com Penguindrum, nesse aspecto. O mundo é absolutamente normal, as garotas estudam lá há um ano, estão familiarizadas com aquele ambiente escolar ordinário, e a mudança entre real e surreal é bastante notável.

Se está tudo acontecendo de verdade? Eu já disse, mas repito: está sim. Qual a alternativa, uma alucinação febril?


Diego:

Bom, símbolos e alegorias não precisam ser universais – apenas compreensíveis. Eu não faço nem ideia de quais os simbolismos comumente associados às girafas (e olha que eu pesquei… não muito, mas pesquisei), mas me parece clara a função que ela exerce aqui em Starlight.

Quanto a qual a alternativa, existe a opção de ser uma alegoria para o expectador apenas. Por exemplo, pegando aqui Mawaru Penguindrum, o picotador de crianças é mesmo um lugar que existe naquele mundo – e que faz o que o seu nome diz – ou talvez fosse apenas um orfanato que é passado ao expectador como algo pior? Entendem o que digo?


Vinicius Marino:

Alegorias são precisam ser calcadas em nenhum simbolismo externo. Pode ser apenas uma metáfora dentro do repertório da obra. No caso do picotador de Penguindrum, especificamente, eu considero algo até muito mais abstrato que um orfanato. É uma conjuntura, um “sistema”, se quiserem, que transforma indivíduos em membros indistintos da turba.

Coisa que o anime reforça ao mostrar todas as outras personagens que não são as principais como bonecos de palito.

A caixa do supermercado, o passeador de cachorros, o motorista de taxi não tem identidade no universo de Penguindrum. Isto reflete a ideologia deturpada da própria Aum Shinrikyo – e, especificamente, seu retrato negativo da sociedade que o cercava.


Fábio “Mexicano”:

O que significa dentro da obra, o que é verdade dentro da obra, é diferente do que é simbólico para o espectador ou não. Aquilo tudo tá acontecendo? Acho a pergunta um pouco tautológica. Quero dizer, está ali, estamos vendo os personagens passarem por isso, eles tratam aquilo como algo que está acontecendo, então está acontecendo, é verdade no mundo da história.

Se a intenção no entanto era saber se aquilo é simbólico, bom, sim, aquilo é simbólico. E tirando pistas visuais que não interferem em nada (como os reflexos que eu mandei a imagem aqui), todo o resto tem que ser verdade dentro da obra. Os reflexos talvez sejam só uma pista para nós, e se as personagens olhassem, veriam reflexos normais. Mas a girafa é uma girafa, sem dúvida.


Vinicius Marino:

Saber o que está acontecendo pode ser importante, mas na ficção pós-moderna geralmente não é. O surreal passa a ser um recurso narrativo para enfatizar um ponto, passar uma impressão, confundir o espectador. É um jeito da obra dizer “não me interprete literalmente.”

Claro, eu, como espectador, quero saber o que aquilo está fazendo lá. Por exemplo, se aparecesse uma banana gigante falando com as meninas, eu saberia de cara que tem a ver com a Daiba Nana. Se aparecer, sei lá, uma estrela brilhante, eu saberei que é a Hikari (porque o nome dela tem a ver com luz e ela usa uma presilha de estrela). Se não aparecer nada, eu sei que é ruído branco.

Na verdade, eu preciso confessar uma coisa: estou gostando muito de Starlight até agora, mas ainda não estou convencido de que ele realmente mereça ser comparado com a obra do Ikuhara. O Ikuhara de fato tem coisas para falar e usa o surrealismo para isso. Seus animes não são apenas estilo, têm também conteúdo – e muito conteúdo. Starlight, até agora, é só um comentário interno sobre um tipo de teatro de que eu nunca ouvi falar e para o qual eu não dou a mínima. Se parar por aí, eu ficarei bastante desapontado.


Fábio “Mexicano”:

Ah sim, concordo. Mas a gente compara com o que é parecido, né, mesmo que de um nível diferente.


Diego:

Bom, acho que aqui contexto é importante. Para nós é um comentário sobre uma forma de arte que não nos interessa, mas o teatro Takarazuka tem grande prestígio no Japão, e mesmo possui certo vínculo com a indústria do anime, adaptando diversas obras ao longo dos anos, fora ter sido uma das grandes inspirações de Osamu Tezuka.

Dito isso, eu vou concordar que até aqui Starlight ainda não realmente mostrou a que veio. Seu simbolismo até agora serve muito mais ao desenvolvimento de suas personagens do que ao de seus temas – e enquanto eu estarei perfeitamente ok se parar por ai, vou ser forçado a concordar que isso o deixa um tanto quanto distante dos trabalhos do Ikuhara. Ao mesmo tempo, isso talvez seja bom: chega a ser desconfortável como o nome do Ikuhara surge com tão mais frequência do que o nome do real diretor desse anime – que eu nem sei de cabeça e teria de pesquisar para descobrir. Enquanto é legal vermos mais obras na mesma “veia” que as do Ikuhara, se esse diretor não encontrar uma “voz” própria seu trabalho vai soar muito derivativo.

Mas, em todo caso, ainda estamos vendo a coisa se desenrolar. E se o anime tem ou não algo mais a dizer do que apenas um comentário sobre a competitividade no teatro Takarazuka é algo que só vamos ver mais adiante.


Vinicius Marino:

O teatro Takarazuka pode ser a maior maravilha da história da civilização. Se Starlight ficar só na homenagem interna, continuará uma série pequena, ensimesmada, indigna até da própria arte.

Quer um exemplo? Imaginem se Showa Genroku Rakugo Shinjuu fosse só uma série sobre Rakugo. Não digo que seria ruim, mas quão interessante é conhecer esse teatro perto de um drama geracional envolvendo amor, traições, ambições e luto? Eu provavelmente droparia no primeiro cour.

A boa arte dificilmente se limita ao seu objeto. E aqui cabe uma frase do Roger Ebert sobre o filme Brokeback Mountain que me agrada muito:

Estranho, mas verdadeiro: quanto mais específico for um filme, mais universal ele será, pois quanto mais ele entende personagens individuais, mais ele se aplica a todo mundo. Eu consigo imaginar alguém chorando com esse filme, identificando-se com ele, porque ele sempre quis ser um fuzileiro naval, ou um artista ou um marceneiro.

Enfim, estou sendo cri-cri porque Starlight começou muito bem. Jamais faria a mesma crítica a Animegataris, por exemplo, que nunca teve grandes pretensões. Mas esse é o problema de dar à sua personagem a jaqueta da Utena. As expectativas aumentam de acordo :)


Gato de Ulthar:

Tanta coisa foi comentada em tão pouco tempo. Bom, vejamos, falar em realidade e surrealidade é desnecessário em Revue, pois a surrealidade é a realidade ali, afinal de contas o que define o rela e o irreal em uma obra de ficção desse gênero?

Fora isso, também acho que a série precisa ainda mostrar para que veio, mas não nego que estou super feliz com a maneira que o anime vem se mostrando.


Diego:

Mudando um pouco o assunto: falamos, falamos e falamos, mas mal tocamos na personagem que foi o foco do episódio. E então: o que acharam da Maya? :D


Gato de Ulthar:

A Maya personifica o orgulho, acho que isso é até mencionado expressamente né? Ela é altiva e possui o ego lá em cima, mas a Maya não fica somente se achando, ela é de fato a mais talentosa até o momento e faz questão de se portar como uma rainha perante as demais. A Karen se deu completamente mal quando a enfrentou e recebeu uma amostra do que a Maya era capaz. Não sei onde o anime quer chegar com ela, talvez fazê-la ser mais humilde quando eventualmente for derrotada por alguma das meninas?

E outra coisa interessante sobre ela, a Maya é uma aristocrata perfeita, educada e com classe, além disso não tenta se sobressair sobre as outras meninas nem menosprezá-las, ela é o que é, a melhor de todas (até o momento).


Fábio “Mexicano”:

Ela é quem a Karen precisa superar, no fim das contas. Era impossível isso acontecer agora então a função dela nesse episódio era derrotar a protagonista, o que ela fez de forma implacável.

Sobre ela em si, acredito, como o Gato, que seu orgulho eventualmente será sua ruína. Não ter alguém acima dela a quem perseguir deve prejudicar seu crescimento como atriz também.


Vinicius Marino:

Estar no topo é uma posição muito perigosa. A mais perigosa de todas, na verdade. Pois, de lá, você só pode ir para baixo.


Diego:

Eu fiquei com a impressão de que a Maya até gostaria de se enturmar melhor, mas a rejeição da Claudine no passado a fez levar a ferro e fogo a mentalidade de que apenas uma pode se manter no topo. Posição de destaque, mas um tanto quanto solitária, e o completo oposto da Karen. Bom, vamos ver como as coisas se desenrolam. Por agora, porém, vamos ficando por aqui. Até a próxima semana a todos o/

E você, leitor, que achou deste terceiro de Shoujo Kageki Revue Starlight? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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