Uma Rápida Review – Mononoke Hime

Texto originalmente publicado na página do blog no facebook, em 26/03/17

Quando eu decidi procurar assistir mais filmes do estúdio Ghibli, dois nomes me foram os mais recomendados: A Viagem de Chihiro e Princesa Mononoke. Dito isso, dada a minha reação a Chihiro, eu devo dizer que não estava com altas expectativas para Mononoke. Eu estava curioso, sim, mas não exatamente animado.

Depois de assistir, eu devo dizer que este sem dúvida é um BOM filme, em vários sentidos. Visualmente ele é lindo, e é impossível não apreciar o trabalho que certamente foi posto em cada detalhe dessa obra. Sua trilha sonora é, também, muito bem utilizada, variando do puro silencio até sons bem mais grandiosos, dando sempre o tom da cena.

Sua história e temáticas são ambos algo que a maioria provavelmente já ouviu antes, mas nem de longe isso é um defeito quando você considera que se trata de uma obra de 1997. E no final do dia, o velho discurso de como o homem deveria aprender a conviver em paz com a natureza é um bastante atemporal. Ah sim, e claro, seus personagens são também bem interessantes de se acompanhar, com o filme não colocando ninguém como um “vilão” de fato, tornando a todos bastante fáceis de simpatizar com.

Mas… Hum, como dizer isso… Eu costumo medir o meu aproveitamento de uma obra com base no quanto ela consegue me prender. Se todo um filme passa sem eu ter se quer vontade de dar pause no player e ir fazer outra coisa, então é porque o filme conseguiu a minha atenção. Mononoke não fez isso. Mais de uma vez eu tive de pausar o player, basicamente porque, para ser bem sincero, eu estava entediado.

Não sei REALMENTE explicar porque, nem tem uma crítica que eu queira fazer em especial. Talvez eu só esteja cansado de mensagens ambientalistas, por mais bem trabalhadas e apresentadas que sejam. É um tema sobre o qual, para ser bem sincero, eu sou bastante cínico: é fácil defender a natureza dentro de uma casa, em uma cidade com acesso a hospitais, supermercados, etc. Não dizendo que a natureza deva ser destruída, mas qualquer discurso que a coloque como esse símbolo da vida, da felicidade e de tudo o que é bom meio que me faz pensar que esse povo deveria tentar viver em alguma tribo isolada no meio da amazônia pra ver o quão bonitinha a floresta realmente é. Boa sorte sobrevivendo a toda sorte de doenças.

Seja como for, por melhor que o filme seja em seus aspectos técnicos, é uma obra que talvez tenha vindo no momento errado para mim. Se recomendo? É, acho que sim. Se é o tipo de discurso que lhe interessa, talvez ache esse filme excelente. De minha parte, saciei minha curiosidade e digo que não devo tocar nesse filme novamente, ou ao menos não tão cedo.

Ficha Técnica:

Nome: Mononoke Hime
Ano: 1997
Estúdio: Ghibli
Adaptação: Obra original
Diretor: Hayao Miyazaki

2 comentários sobre “Uma Rápida Review – Mononoke Hime

  1. Colega, com todo o respeito, é possível sim fazer alguma coisa pela natureza mesmo estando na cidade. Para citar algumas: fazer coleta seletiva, consumo consciente de alimentos e produtos, usar aquecimento solar, compostagem caseira, falar não para a obsolescência programada que nada mais é que não trocar de aparelho a cada nova geração de hardware e votar em candidatos que apoiem medidas ambientais sérias. Fico triste que você tenha simplificado a questão mandando a pessoa “morar na floresta”, no estilo que me lembrou o clichê bobo “vai para Cuba”.
    Esse assunto não é brincadeira e o filme, que já tive o prazer de ver e rever, trata disso com maestria.
    Abraços
    Ricardo.

    Curtido por 1 pessoa

    • Como eu disse no texto, não é também como se eu não desse a mínima para a natureza. Ela definitivamente tem a sua importância e deve absolutamente ser preservada. Meu problema não é com a realidade dos fatos, mas sim com o discurso de todo um gênero de ficção que tenta colocar a natureza como moralmente superior – ainda que moralidade por si só seja uma invenção surgida das sociedades humanas. Mononoke Hime certamente aborda a questão de forma muito melhor do que outros títulos de mesma temática, mas continua mantendo uma dicotomia problemática entre natureza e progresso.

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