Café com Anime – Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These, episódios 10 e 11

E cá estamos nós, em mais uma edição do Café com Anime: nossa conversa semanal sobre alguns dos animes da temporada. E desta vez você confere nossa discussão sobre o nono episódio de Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These, com presença do Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, o Fábio “Mexicano”, do Anime21, e do Vinicius Marino, do Finisgeekis, além, é lógico, de mim mesmo [rs]. Sirvam-se então de uma xícara do seu líquido predileto e venham então conferir o que achamos desse primeiro episódio :D

E claro, sempre bom lembrar: aqui no É Só Um Desenho você também confere nossas conversas sobe Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online, às se0xtas, enquanto que no Dissidência Pop estarão nossas conversas sobre Mahou Shoujo Site, no Anime 21 aquelas referentes à Hisone to Maso-tan, e no Finisgeekis continuamos com as conversas sobre Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen, que entrou agora em seu segundo cour.


Diego:

E eis que temos um singelo episódio de transição: um interlúdio, como o título sugere. Olá a todos e bem vindos ao nosso décimo Café com Anime de Ginga Eiyuu Densetsu!

Foi um episódio bem interessante. Começamos com o Rubinsky informando o Império dos planos da Aliança, deixando claro para sua amante que não deseja um lado vitorioso – pelo menos ainda. Disso mais uma vez nos focamos na Aliança, em particular numa reunião sobre o plano de invasão, que só faz Yang refletir o quão irresponsável é toda essa empreitada. E finalmente terminamos com um retorno ao Império, onde o Rein deixa clara suas intenções: não apenas expulsar, como dizimar a frota invasora.

Digam ai: que acharam do episódio?


Gato de Ulthar:

Acho que esse foi o episódio de que mais gostei! Senti uma mescla de emoções assistindo ele. Fiquei realmente com raiva do comodoro Folk com toda aquela prepotência e falatório vazio na reunião da Aliança, mostrando bem o tipinho que é, apenas um puxa-saco buscando sucesso a todo custo, sendo que os pontos negativos da invasão saltam aos olhos, como bem foi informado pelo líder do exército, além disso, eu ri da falácia de que os habitantes imperiais estariam esperando os invasores de braços abertos como libertadores, tirando um ou outro contingente dissidente dentro do Império, o mesmo ocorre na Aliança, e mesmo assim, o grosso da população não nutre desejos de serem libertos de nada e por ninguém. E vibrei com a sinceridade do Reinhardt, eu gosto de sua atitude realista perante a situação, sem floreios nem rodeios, não vejo a hora dele esmagar a frota da Aliança!


Vinicius Marino:

O alto comando da Aliança de fato usou uns alucinógenos. “Ah, pra que se preocupar com logística? O povo ocupado vai nos prover com suprimentos!”. Aha. Vocês querem invadir meia galáxia, roubar comida da população e ainda esperam que ela os acuda de braços abertos? Nem precisa do Reinhard para obliterar a frota. Esta campanha já é uma tragédia anunciada.


Diego:

Seria engraçado se não fosse trágico :D  De fato, essa conversa de “nos acolherão como libertadores” foi um contínuo facepalm, e o Yang bem percebeu. Inclusive, gosto do monólogo interno dele, de que é bobagem acreditar que as pessoas prefeririam a ilusão de liberdade a uma paz concreta.


Vinicius Marino:

É o tipo de coisa que já foi tentado tantas vezes na nossa história, com resultados tão trágicos, que eu me admiro ainda ser feita no futuro. Certo estava Fallout: “War never changes”.

Mesmo que preferissem, que tipo de liberdade a Aliança daria a eles? “Você está livre, camarada! Dê todo o seu sustento porque nossos soldados precisam comer e logística é para noobs!”

“Aliança, vocês destruíram o governo. Quem policiará as ruas agora que o Império foi derrotado? Quem cuidará da justiça? Da política?” “Vocês que sabem, camaradas! Estão livres! Façam o que quiserem!”


Diego:

Esse é um ideal que poderia funcionar se a vida no Império fosse um completo pesadelo, a tal ponto que se aliar a um invasor externo fosse mesmo uma alternativa mais tentadora do que continuar levando a vida que se leva. O problema é que nada no anime passa se quer perto de indicar que esse possa ser o caso, o que no fim só demonstra que a própria Aliança conhece muito pouco de seu inimigo.


Vinicius Marino:

Mesmo se fosse um pesadelo e eles se aliassem, a sociedade cedo ou tarde penderia à anarquia. A Aliança não tem vontade nem recursos para uma ocupação a longo prazo. Nesse tipo de situação um regime ruim invariavelmente dá origem a um pior. O Oriente Médio está cheio de casos do tipo, “libertados” pelos EUA ou pelos rebeldes da Primavera Árabe. Foi assim que o Estado Islâmico surgiu: iraquianos desmobilizados após terem sido “libertados” do horror do regime do Saddam.


Gato de Ulthar:

Sabemos muito pouco de como é a vida da população em geral do Império, muito menos sabemos se há diferença entre os planetas mais abastados e perto da capital em relação aos mais afastados. Não podemos presumir, por ser uma espécie de ditadura, que a vida do povo seja ruim, muito pelo contrário, pode ser muito boa. Um dos altos executivos do Império até menciona que há um espírito dissidente surgindo no seio do Império em virtude da tomada da fortaleza, mas mesmo assim, seria o mesmo tipo de oposição que a Aliança enfrenta pelos partidários anti-belicistas, e não diz respeito a bem estar da população. Lembrando que uma intervenção estrangeira, como é o caso do que a Aliança quer fazer com o Império, na maioria das vezes só prejudica ainda mais a população local, tomamos por exemplo da Líbia, no governo do ditador Gaddafi, possuía uma das economias mais fortes da África, bons serviços públicos, mas depois da morte do governante e intervenção estrangeira, ficou muito pior, o país ainda está a beira de um colapso, dinamitado por interesses diversos, com toda a infraestrutura fortemente prejudicada, e quem mais perde com isso? O povo.

O Vinicius se antecipou à minha ideia do que tange a Primavera Árabe, ainda mantemos uma boa sincronia


Fábio “Mexicano”:

O “povo” não sabe previamente que vai se lascar. Depende muito da qualidade de vida que as pessoas possuem e da percepção que elas têm do invasor. Os alemães foram recebidos como libertadores nos países bálticos e na Ucrânia na Segunda Guerra. Depois do Holodomor, os ucranianos compreensivamente os enxergaram como heróis. Por isso até hoje sentimentos anti-Rússia no país às vezes vêm associados ao neonazismo.

Isso dito, é claro que contar com isso é ridículo. A Aliança não possui inteligência suficiente para ter certeza de que há uma insatisfação popular grande o suficiente da qual eles possam se aproveitar. E “se aproveitar” é a expressão correta aqui: não querem apenas ser bem recebidos, querem ser alimentados, abastecidos, abrigados.

O motivo do ataque é espúrio, e o ataque em si é insano: ganhando ou perdendo, estão brincando com as vidas de bilhões de pessoas (não vale ignorar a população da região invadida! mas mesmo se fosse “só” os milhões de soldados já seria imoral o suficiente). Não existe um plano de invasão. Como aquele cara ainda está lá dando ordens? Ele não explicou nada. Quando questionado, não respondeu nada. Ele não tem um plano. O problema não é ele ser presunçoso, já que até pessoas presunçosas podem ter talento. Ele não tem nenhum. Eu aprendi mais sobre táticas de guerra jogando War do que ele demonstrou saber nesse episódio. Em outros episódios já reclamei, e alguns de vocês concordaram comigo, que o anime está rebaixando demais o nível dos personagens secundários para fazer o Yang e o Reinhard parecerem mais inteligentes por contraste, mas dessa vez bateram todos os recordes. E olha a posição que esse sujeito chegou!

Por curiosidade, só para termos em mente a escala da batalha que se avizinha: na Operação Overlord (que inclui o Dia D) ao longo de dois meses cerca de 2 milhões de soldados aliados desembarcaram na França. A Operação Barbarossa, a invasão da Alemanha Nazista contra a União Soviética, chegou a mobilizar quase 4 milhões de homens em frontes da Lapônia até o Mar Negro. Até onde eu sei, é a maior tropa invasora organizada da história. Em resposta, a União Soviética enviou pouco mais de 6 milhões de soldados – maior em número, mas tem aquele detalhe do “organizado” ali que eu mencionei antes, sem contar que começou como uma ação defensiva. Tudo isso empalidece diante dos números da Aliança: 30 milhões de homens enviados de uma só vez. E de um jeito bem burro, fazendo fila, e sem garantia de que terão suprimentos.

Se entendi o episódio, porém, a população universal da humanidade está pouco acima de 60 bilhões, é isso mesmo? Nesse caso, relativamente, a Barbarossa ganha: estima-se que a população mundial na década de 1940 era de cerca de 2 bilhões e 300 milhões, portanto 4 milhões representam 0,0017% disso. Já 30 milhões de 60 bilhões são “apenas” 0,0005%. Mas se formos seguir por essa linha grandes invasões antes da Era Contemporânea talvez tenham sido bem maiores, vai saber.


Vinicius Marino:

Acho que em termos relativos as invasões mongóis do século XIII batem todos os recordes. Claro, isso é muito especulativo, pois não temos cifras precisas da população medieval.


Diego:

Bom, pegando o que o Fábio falou sobre fazer os demais personagens burros demais, eu meio que concordo e discordo nesse ponto. Todo mundo ali estava achando o plano daquele cara um tanto quanto mal pensado, então não é que todo mundo seja um bando de imbecis. Porém isso só faz perguntar porque eles acatariam esse plano em primeiro lugar, e pra mim e´ai que temos o problema. Se esse povo não é imbecil, não deveriam aceitar um plano de um claro imbecil.


Fábio “Mexicano”:

Eu disse que ele é MAIS imbecil que a média, normal que outros tenham notado. Por que ninguém se insurgiu? Sei lá. Explicações possíveis, boas e ruins, não faltam, mas o anime nem deu pista.


Gato de Ulthar:

O mais provável que é que seja pressão política mesmo, o cara lá deve ser um queridinho do primeiro ministro ou coisa que o valha…

E o resto do alto comando das forças armadas deve ter o rabo preso.

Como ficou claro quando o próprio superior do Yang, que esqueci o nome, afirmou que o plano era ridículo e mais valia perderem rápido sem mutias baixas.


Diego:

Eu lembro que havia alguma explicação sobre o porque desse cara ter tanto poder no anime antigo, mas eu não lembro qual era :P


Fábio “Mexicano”:

Favores sexuais, só pode ser, é peguete daquela militarista do conselho lá.


Diego:

Mudando um pouco o enfoque, tivemos algumas rápidas cenas no Império também: dois homens do escalão mais alto discutindo sobre como usar do Rein e depois o dito cujo explanando seus planos para os demais. Que vocês acharam desses momentos?


Vinicius Marino:

Eu acho que casa um pouco com a questão do elenco ser uma trupe de burros. A Aliança é regida por burros porque insiste em um plano de ataque que não tem a mais remota chance de funcionar. E o Império é igual porque a) acabou de perder seu maior asset, b) tem apenas um almirante, em toda sua marinha, que sabe atirar para frente e c) está mais preocupada em ferrá-lo do que em ganhar a guerra.

Não vou dizer que idiotices coletivas como essa não existam no mundo real. A Guerra Civil Americana, que já citei aqui um montão de vezes, é um exemplo de uma sequência de tragédias provocadas por arrogância, burrice e teimosia. Mas eu de fato ficaria mais confortável se visse alguém além dos dois meninos de ouro mostrando como se faz.

Será que o “clube dos oficiais” do Reinhard fará isso? Veremos.


Gato de Ulthar:

Nada mais natural, o Reinhardt está contestando o poder de várias pessoas influentes dentro do Império, depende de quem achar que ele vai ser melhor para os seus interesses ou pior. O problema deles é que estão brincando com fogo, ao pensarem que podem acabar o Reinhardt a qualquer momento. Várias vezes a prepotência é paga de maneira cara.


Fábio “Mexicano”:

O ruivo lá já demonstrou que é competente, no evento da rebelião. Aliás, outro caso em que ele pareceu muito mais esperto do que é porque o adversário é inacreditavelmente estúpido. O dissidente que trabalha pra Aliança e liderou a infiltração em Iserlohn também pareceu bem inteligente (e também no caso dele a burrice do adversário ajudou um bocado). Mas nos dois casos, enxergo os personagens como “apêndices”, respectivamente, do Reinhard e do Yang. Eles são bons e espertos e inteligentes porque seus líderes também são, e líderes inteligentes se cercam de pessoas inteligentes, não é? Daí, na falta de maior motivação própria, fica difícil enxergá-los como personagens com vida própria. Acho que isso se aplica a todos os escolhidos pelo Reinhard, exceto o Oberstein.


Vinicius Marino:

O “traidor” é competente, mas está muito abaixo da hierarquia para ser relevante. Ele é um bom líder no nível tático, mas LOGH não é um anime sobre guerra tática. Quem puxa as cordinhas do universo são os generais, que bem poderiam prestar concurso aos três patetas.

E o Kircheis ser bom ou ruim não faz diferença, pois ele é só um lacaio do Reinhard. Qualquer expurgo que visasse a ele decerto mataria o Kircheis também. E qualquer plano maluco que o Rein apronte terá a participação do ruivo.

Idealmente, seria legal se tivéssemos outro Reinhard com uma ideologia oposta. Um jovem talentoso que quisesse puxar o Império para outra direção. Um filho do Kaiser, talvez, com apreço pela continuidade dinástica.

Ou então um almirante condecorado da velha guarda, que compensasse em prudência o que o jovem tem em agressividade. Um Omar Bradley para o Patton do Reinhard.


Diego:

LOGH não parece ver com lá muito bons olhos o status quo – ou seus defensores. Há outros personagens talentosos e habilidosos, mas eles quase sempre acabam ao lado de um dos protagonistas: o Rein ou o Yang.


Sem título


Diego:

Mas bom, que tal avançarmos? O episódio 10 não realmente nos deu muito material para comentar, então neste Café eu decidi incluir também o episódio 11: o início da invasão do Império pela Aliança. Digam, que acharam deste “começo do fim”?


Gato de Ulthar:

Meu deus, sinceramente, nunca senti tanta vergonha alheia assistindo algo, esse episódio foi o ápice.

Não que ele tenha sido ruim, bem longe disse, mas ver o Comodoro Folk tendo um colapso nervoso quando contrariado, e o líder da frota não podendo ser acordado enquanto dormia, foram o ápice da mais completa e abjeta ignomínia que fui obrigado a ver.

Além disse, quando ouvi que eles deviam aceitar os comandos do Folk para que ele não passasse mal e tivesse das suas crises, foi a pá de cal para enterrar qualquer moral que a Aliança podia ter.

Me parece que para ganhar da Aliança, basta o Império comparecer na luta, pois a própria Aliança é mais do que suficiente para dar cabo dela mesma.

Pena que tivemos tão pouco do Império novamente.

Glorifico a audácia e tino militar do Reinhardt, mesmo prejudicando um tempo o próprio povo, ao cortar o suprimento de alimentos habitual, permitiu que a própria ação das “forças de libertação” se voltassem contra elas mesmas, e ainda de quebra, fará o Rein e companhia posar de heróis.


Vinicius Marino:

Eu tenho uma “ansiedade Durarara” assistindo a esse anime. Fico pensando quando é que saberei o nome de todas as personagens do ending ;P

Felizmente, graças à convocatória do Reinhard nesse episódio 11, acho que estou bem próximo.

Ajudaria mais se os character designs fossem mais distintivos, mas não se pode ter tudo.


Fábio “Mexicano”:

Não tem ninguém à beira da morte nesse episódio ainda, o título me deixou frustrado :(

Mas bem, acho que essa é a versão espacial de tática de terra arrasada, né? Não há como realmente evacuar planetas inteiros, e destruir toda a sua infraestrutura com seu povo ainda lá seria insano demais até para um estado ditatorial opressor. Então apenas levam embora os recursos. É horrível, mas funciona. Moralmente falando eu não sei o que dizer. Quero dizer, sei, é imediatamente errado, mas o que mais se poderia fazer? A força de invasão é esmagadora, afinal de contas.

E a tática da Aliança é ainda mais estúpida do que eu imaginava. Achei que fossem apenas marchar direto para Odin e alguns outros planetas principais para esmagá-los com seus números e vencer logo a guerra, mas não, parece que a tática é ocupar todo o território. Para quê? Não vou dizer que não vejo mérito na ocupação, mas você não pode ter as duas coisas ao mesmo tempo – ou você ataca rapidamente o centro de comando para derrotá-lo, ou você toma seu território para negar-lhe recursos e vencê-lo por inanição. Se a ideia era ser insano e tentar fazer ambos simultaneamente, pelo menos já deveriam ter vindo preparados com mais suprimentos. Eu sei que eles não tinham como prever que o Império iria deixar seu povo esfaimar, mas em primeiro lugar essa era uma possibilidade desde sempre, e em segundo lugar eles na verdade partiram para a guerra com menos suprimentos do que o necessário, contando que se reabasteceriam nos planetas pelos quais passassem. Está tudo errado.

E aquele comando não faz o menor sentido, sinto muito. Está demorando demais para alguém ali começar a desobedecer, porque é impossível seguir idiotas que te mandam morrer. Na Segunda Guerra os soviéticos fizeram isso com uma arma apontada na cabeça das linhas de frente: se recuassem, morreriam. Os japoneses também fizeram, mas eles já tinham uma cultura de honra e sacrifício que vinha de muito tempo. Não parece que a Aliança tenha nem uma coisa nem outra.


Diego:

Bom, a Aliança parece que vem tentando ter uma cultura do tipo, vide o discurso do Trunicht alguns episódios atrás – que não convenceu lá muito a Jessica, mas que ao menos mostra que existe essa narrativa do sacrifício em prol da grande causa que é vencer o Império.

Mas sim, a presença do Fork no anime é uma das coisas mais idiotas em LOGH – pra ser sincero, eu nem lembrava do personagem de tão besta que ele é. Eu nem vou tentar defender esse, embora o cara dormindo me parece bem mais verossímil, por estúdio que ainda seja. Nesse ponto acho que está bem claro que LOGH não vê com bons olhos o status quo, com ambos os lados sendo comandados por completos inúteis. O que me faz pensar se não seria aqui uma mensagem um tanto quanto pessimista: dê tempo suficiente e tudo eventualmente irá degringolar.


Fábio “Mexicano”:

Eu imagino generais dormindo e seu entorno sendo petulante contra todo o bom senso quando eu penso em guerras antigas e medievais. Em guerras hoje eu já acho que isso é impossível de acontecer (pelo menos nessa grande escala; comandantes locais ainda podem ser metidos assim, suponho, embora seja um risco), que dirá séculos no futuro. Como a humanidade conseguiu evoluir sem nenhuma mudança de mentalidade? Ok, ok, isso é space opera, não é hard sci-fi, mas bom, se fosse só o sujeito dormindo acho que eu teria ficado com raiva mas é isso aí. O Folk é absolutamente inaceitável e sua mera presença puxa o anime para baixo.


Gato de Ulthar:

Eu ia dizer isso, o Folk levou toda a credibilidade do anime para o buraco. Mesmo com uma licença poética, um personagem do tipo em um anime que aparenta ser sério é bastante degradante. Fiquei realmente chateado com a cena do cara desmaiando.


Fábio “Mexicano”:

E o outro sujeito depois tentando convencer o Almirante (ou sei lá qual a patente dele) que invadir o Império era o tratamento psiquiátrico recomendado para o Folk foi quase tão ruim quanto.


Gato de Ulthar:

Essa foi a pá de cal. Toda a Aliança teria que obedecer o doido para que não tivesse outra crise. Mesmo uma space-opera, ou no pastiche de comédia mais banal isso soa completamente ridículo.


Fábio “Mexicano”:

Em um pastiche de comédia isso ficaria sensacional! Eu muito imagino isso em Spaceballs, por exemplo :D


Gato de Ulthar:

Sim! :P

Ridículo no sentido de completamente engraçado.


Fábio “Mexicano”:

Mas bem, esse tipo de comédia funciona porque é ridículo.


Gato de Ulthar:

Justamente.

Não consigo admitir algo do gênero em uma obra pretensamente séria.


Fábio “Mexicano”:

Como eu disse, não é hard sci-fi, eu entendo isso. Mas nesse episódio efetivamente o anime foi baixo demais.


Gato de Ulthar:

Discordo quanto ao ponto do fato de ser ou não uma obra “hard sci-fi” ser algo relevante. Coerência das ações humanas tem que existir em space-operas ou em ficção científica “dura”, que apenas pede coerência do ponto de vista científico.


Diego:

Eu quero acreditar que simplesmente não sabiam da doença dele, talvez por ele mesmo manter escondida.


Fábio “Mexicano”:

É relevante para outras coisas, como a questão da mentalidade que eu falei mais cedo.

Não saberem é possível, apenas um pouco difícil de engolir que ele tenha conseguido chegar tão longe sem nunca enfrentar oposição e estresse ao mesmo tempo – ou tenha conseguido ocultar muito bem todas as suas crises (ainda assim, nesse caso provavelmente haveriam pelo menos rumores sobre ele). Eu quero crer que ele tem costas quentes e alguém realmente importante está apoiando ele, e isso explicaria bem, mas o anime não deu nenhum sinal disso.


Vinicius Marino:

Eu também senti minha suspensão de descrença ir para o espaço (com o perdão do trocadilho). Mas não só pela histeria do Folk.

Vamos começar: a famigerada “terra arrasada.” É óbvio que uma guerra total enfrentaria escassez. Toda guerra de grande proporção na história da humanidade provocou carestia nos países envolvidos. Mesmo os Estados Unidos na Segunda Guerra, que eram a maior economia do mundo e não foram front de nenhum teatro sofreram com esses efeitos. É óbvio, portanto, que tanto o Império quanto a Aliança devem estar sofrendo de escassez em vários de seus sistemas. E o fato da Aliança tratar isso como uma surpresa, sendo que seus próprios cidadãos devem estar passando pelo mesmo, é um facepalm digno do capitão Picard.

E nem me deixem começar sobre o “comando militar”, que parece idiótico demais até para o Spaceballs! Vocês mencionaram uma cultura de sacrifício em alguns momentos da história, mas eu só quero frisar que doutrinas do tipo são super ineficientes . O Shigeru Mizuki (que ele próprio recebeu “ordens para morrer” e escreveu a respeito) relata em seus mangás como isto levava comandantes a mataram seus soldados de propósito para ficar bem na fita e jogaram a responsabilidade para baixo.

Nem vou entrar na questão moral: um império galático que persista nessa mentalidade vai acabar com seus aparelhos e manpower mais rápido que um ralo aberto. O Gato disse tudo: o Império não precisa nem aparecer! Vai ganhar de WO.


Diego:

A situação não foi das melhores, mas… hum… er… ta, não tem “mas”, foi um horror mesmo :P Eu só não acho que um personagem e um momento ruim seja um baque assim tão grande na qualidade do anime. Embora um momento péssimo no episódio 11 de 12 é provavelmente bem pior do que um momento do tipo quando ainda se tem 100 episódios pela frente. E como inevitavelmente eu acabo lembrando do anime antigo, não fico assim tão afetado.


Gato de Ulthar:

Sim, ainda estou entusiasmado em ver o Reinhardt esmagar a frota da Aliança! Vida longa ao Império! Mas claro, não espero uma vitória esmagadora, já que temos o Yang, e provavelmente ela vai fazer uma boa estratégia para uma retirada como minimização de perdas.

Mas que o Folk foi pesado, isso foi :P


Fábio “Mexicano”:

Então, é coisa para se pensar: era necessário? Não era. A guerra poderia ser naturalmente difícil, porque é esperado que ela seja difícil. A invasão em si já era uma loucura. Não precisava de um louco fazendo planos ainda mais loucos para fazer parecer ainda mais insano. Na verdade, ao fazer isso, nos leva a pensar que talvez um bom plano de invasão pudesse dar certo, o que nos faz questionar se a facção militarista do governo da Aliança não estava, afinal, correta. E eu acho que essa com certeza não é a mensagem que o anime queria passar, e por mim eu posso dizer que com certeza não é o que eu queria estar assistindo.

Uma invasão competente que ainda assim desse com os burros nágua porque era desde o começo uma ideia ruim teria sido muito melhor para colocar a culpa em quem merece ser culpado.


Gato de Ulthar:

Concordo com o ponto do Fábio, se tivéssemos algo ao estilo Operação Barbarossa, quando os alemães investiram massivamente contra a União Soviética na Segunda Grande Guerra, teria sido diferente. Claro que a operação estava fadada ao fracasso da Alemanha, conforme estudiosos apontam analisando os pormenores logísticos, mas mesmo assim foi uma operação bem planejada, e a União Soviética penou para contê-la.


Vinicius Marino:

Uma ideia que poderia dar certo seria uma invasão no estilo da “Sherman Raid” que acabou com a Guerra Civil Americana. Próximo ao final do conflito, o general da União William Sherman invadiu a Confederação e iniciou uma política de terra arrasada contra o sul. Destruía linhas férreas, queimava plantações, libertava escravos onde quer que passava.

Em pouco tempo, isso destruiu a economia da Confederação e sua capacidade de repor perdas. Claro, tudo a um altíssimo custo humano, o que tornou Sherman uma figura polêmica (e também o nome de um tanque, porque why not).

A Aliança podia aproveitar o impulso de Isenlorn para conduzir algo parecido contra o Império. Esqueça alimentar civis. Bote fogo em tudo. Bombardeios orbitais. Destruição de infra-estrutura. Pulverização de aparatos de comunicação.

Essa é uma tática que podia ser efetivada como um “hit and run” com relativamente pouco risco à frota. Assim que o front começasse a se esticar ou os suprimentos acabarem, bastaria voltar.

Aliás, com Isenlorn em suas mãos, eles podiam realizar razias desse tipo com alguma frequência. Invada, destrua tudo e, se o pior acontecer, recue a Isenlorn. O Império vai fazer o quê? Se colocar na linha de fogo do Martelo de Thor? Boa sorte!


Fábio “Mexicano”:

Suponho que isso vá contra a ideologia do governo da Aliança. Mas a ideia de que nações em guerra se deixariam impedir por ideologia é na melhor das hipóteses romântica. A Coreia do Norte com certeza considera que os sul-coreanos são seus compatriotas, e não há motivo nenhum para alguém duvidar de que eles destruiriam o sul, danem-se as vidas inocentes, se fosse necessário. O mesmo se pode dizer da China sobre Taiwan. Guerras são feias, são sujas.

A não ser que o autor queira justamente expor essa contradição aparente da guerra, como fazem hoje todos os que, por exemplo, criticam as intervenções americanas. “Mas eles não estavam levando a paz?”

Dado que existe um movimento pacifista forte no Japão, essa suposição faz sentido, mas não sei se é o caso.


Vinicius Marino:

Certamente não hesitariam. É o que levou Chester Nimitz, líder da frota americana do Pacífico, a se manifestar a favor de Karl Donitz, almirante alemão e último líder da Alemanha Nazista, nos julgamentos de Nuremberg. Donitz foi acusado de praticar guerra submarina irrestrita contra navios aliados. Os americanos, segundo Nimitz, fizeram a mesma coisa contra os japoneses.


Diego:

Bom, vamos mudar um pouco o assunto? E o plano do Império, o que acharam? Sim, é o plano da terra arrasada, mas um detalhe que talvez valha apontar é que o plano foi uma sugestão do Oberstein.


Fábio “Mexicano”:

É? Não entendi dessa forma, me pareceu coisa da cabeça do Reinhard mesmo. Mas acho que tanto faz. É um plano padrão para se defender de invasões. Não estão sendo especialmente espertos, a Aliança é que está sendo notavelmente estúpida – o que já se tornou comum no anime.

Que se note, é sim muito mais fácil implementar tática desse tipo quando o Estado não presta contas aos seus cidadãos, como é o caso do Império. Fazer algo equivalente na Aliança seria muito mais difícil – não à toa, o primeiro ato de “heroísmo” do Yang foi justamente evacuar a população de um planeta.


Diego:

Foi um plano do Oberstein, e isso fica mais ou menos implícito quando no episódio passado o Rein havia convidado ele para discursar o plano na frente dos demais. E eu trago isso mais pela questão de como isso começa a melhor apresentar o próprio Obserstein como alguém que segue a máxima de que os fins justificam os meios.


Gato de Ulthar:

Achei um plano eficiente, não tenho do que me opor. Sim, o povo sofre com ele, mas vida que segue né? Estou mais interessado em ver a investida do Rein!


Vinicius Marino:

De fato, dentro da ideologia militarista imperial, o plano me pareceu business as usual. E com o risco de digredir, preciso dizer que a mobilização da frota ao final do episódio foi a cena mais impressionante do anime até aqui. E olha que já havíamos visto uma partida similar no primeiro episódio!

Mal vejo a hora de ver a atenção de volta ao Reinhart que a merece. E, se possível, ver o Oberstein brilhar um pouco, pois sinto que ele é importante demais para o tempo de tela que estão lhe dando.


Diego:

Acho que infelizmente não vamos ter tempo de ver o Oberstein agindo mais. Mas quem sabe, vamos esperar para ver o que o próximo episódio nos trás. Vejo a todos na próxima semana. Até o/

E você, leitor, que achou destes dois episódios? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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