Lista – 5 Filmes em Anime que Valem a Pena Assistir (Parte 2)

Em 30 de Junho de 2017 eu lancei uma lista recomendando 5 filmes em anime, algo que já vinha pensando em fazer há algum tempo. E nela eu disse que pretendia fazer disso algo regular. Bom… anual ainda conta como uma regularidade, né?

Ok, mas em toda seriedade, eis aqui finalmente a continuação daquela lista (e espero que não seja mais um ano até eu fazer a parte 3…). Desta vez com uma variedade um pouco maior de títulos: alguns até que bem conhecidos (sobretudo se você já vê animes há um tempo), mas também outros que mesmo muitos otakus deixam passar.

Vale, porém, o mesmo aviso que eu faço em toda lista: isto não é um top. Estes não são os 5 melhores filmes em anime nem nada do tipo, são apenas 5 títulos que eu gosto e que acho que vale a pena recomendar por um motivo ou outro. E sendo assim, vamos começar:

5) Hi no Tori 2772: Ai no CosmoZone

Hi no Tori 2772: Ai no CosmoZone

“O Pássaro de Fogo”. Esta seria a tradução literal do título Hi no Tori, um dos mais importantes trabalhos de Osamu Tezuka: uma história que salta do distante passado ao distante futuro, conforme diferentes pessoas se veem obcecadas com a ideia de encontrar o “pássaro de fogo” titular, a Fênix, cujas lendas dizem ser capaz de conceder a imortalidade. Infelizmente, esse é também um trabalho que Tezuka nunca pode concluir: tendo iniciado a publicação em 1967, o mangá teve de ser cancelado após a morte de seu autor, em 1989. Apesar disso, não poucas foram as adaptações para as telas que o mangá recebeu: uma série para TV, diversos OVAs, filmes, mesmo uma adaptação em live action.

Hi no Tori 2772: Ai no CosmoZone é uma destas adaptações, um filme lançado em março de 1980 com roteiro do próprio Tezuka e direção de Taku Sugiyama: uma produção do estúdio Tezuka Production com aproximadamente duas horas de duração. Uma história ambientada num futuro distópico, onde os recursos naturai da Terra estão por se esgotar, com nosso protagonista, Godo, sendo enviado em direção ao espaço para tentar encontrar a Fênix, sob a premissa de que o sangue da criatura poderia ser usado para restaurar o planeta. É importante apontar, contudo, que o filme leva um tempo bastante considerável para chegar até essa parte, preferindo antes estabelecer bem os personagens e conflitos que guiarão a trama.

Hi no Tori 2772: Ai no CosmoZone

Eu quero apontar que este não é um filme sem seus problemas. Acima de tudo, ele por vezes parece sofrer de uma certa crise de identidade, que se manifesta sobretudo nos mascotes animais da história: alívios cômicos que bastante destoam dos temas mais sérios que a história nos apresenta. Fora que é bem fácil de ver como alguém hoje talvez ache o filme demasiado lento. É uma história que toma seu tempo, e se por um lado há de se admirar essa sua faceta – que inclusive demonstra não pouca fé no espectador, de que ele não perderia o interesse rapidamente – é também preciso reconhecer que os tempos hoje são outros, com o ritmo de algumas obras mais antigas não ressoando bem com algumas audiências modernas.

Ainda assim, é uma obra interessante, inclusive por um aspecto bem curioso: é bem mais “cinematográfica” do que estamos acostumados a ver no anime, sobretudo no seu uso da câmera, que se movimenta muito mais como num filme live action do que como numa animação japonesa. Osamu Tezuka é bastante conhecido por ter aplicado aos seus mangás algumas técnicas mais comuns ao cinema de então, assim revolucionando toda a mídia, e é no mínimo agradável ver como o filme se mantém fiel a esse ideal. É uma experiência bastante única, nesse sentido, e justamente por isso uma que eu recomendo. Não é pra todo mundo, mas até ai nada o é, não acham?

4) Arete Hime

Arete Hime

Arete” é uma palavra de origem grega que pode ser traduzida por “excelência”, mas uma excelência diretamente ligada à noção de cumprir com o seu propósito. Sabendo disso, Arete se torna um nome bastante curioso para a protagonista desta história: uma princesinha que, protegida do mundo exterior, se vê sem qualquer agência sobre si própria. Incapaz de agir, de criar, de produzir, a princesinha olha com inveja para o artesão, e com melancolia para as próprias mãos.

A história de Arete-hime começa justamente quando o rei, pai da princesa titular, decide realizar uma competição pela mão de sua filha, exigindo que seus pretendentes trouxessem para o reino o melhor tesouro que pudessem encontrar. A própria princesa, no entanto, se revela insatisfeita com sua situação, e mesmo tenta fugir do castelo. Infelizmente, para ela, Arete é capturada pelo bruxo Boax, que pede ao rei a mão da princesa em casamento, sob pretexto de que apenas ele seria capaz de controlá-la. Levada para o decadente castelo do bruxo, Arete é então colocada num quarto isolado, e caberá à princesa salvar a si própria daquela situação.

Arete Hime

O filme de pouco mais de uma hora e meia de duração foi dirigido por Sunao Katabuchi, sendo baseado no livro de 1983 The Clever Princess, de Diana Coles. Uma produção de 2001 do estúdio 4ºC, o filme se insere numa já longa tradição de histórias que, de alguma maneira, subvertem os clichês mais comuns dos contos de fada – no caso, o da princesa indefesa esperando pelo príncipe que virá salvá-la. Onde Arete-hime de fato brilha, porém, é em fazer essa subversão enquanto ainda sendo um excelente filme para todas as idades, demonstrando grande respeito pela sua audiência enquanto também trazendo uma bonita temática sobre o potencial humano para criar.

Talvez seu maior defeito seja o seu ritmo, embora, a bem da verdade, eu provavelmente deveria colocar “defeito” entre aspas. Eu não chamaria Arete-hime de lento, mas certamente o chamaria de calmo. Um filme que se presta muito mais a explorar e desenvolver seus personagens e seu tema, e que é inclusive bastante silencioso. Mesmo a coloração do filme reflete esse seu aspecto mais calmo. É uma história que espera, mesmo pressupõe, certa paciência e investimento por parte do espectador, mas eu pelo menos sou da opinião de que o filme faz por merecer. Uma bonita história que muito vale o tempo investido. E caso já o tenha assistido, não deixe de conferir também a review do filme aqui no blog.

3) Stranger: Mukou Hadan

Stranger: Mukou Hadan

A história aqui começa no período Sengoku, com o órfão Kotaro sendo instruindo pelo monge que cuidava dele a fugir e procurar abrigo em outro templo, numa província distante. Logo, o menino se vê perseguido por enviados da dinastia Ming, e por um momento decide se abrigar em um templo abandonado. Ali ele encontra o ronin Nanashi, e após trocarem algumas palavras Kotaro eventualmente o convence a proteger a ele e seu cão de estimação até que ambos chegassem ao seu destino. Assim começa a jornada de ambos, uma que será recheada de lutas, sangue, e ocasional alquimia em superestruturas de madeira.

Um forte contraste em relação às duas entradas anteriores nessa lista (e mesmo às duas posteriores, francamente falando), Stranger: Muho Hadan é uma produção original do estúdio Bones, lançada em 2007 e com direção de Masahiro Ando, cujo maior atrativo está na ação que o longa oferece. Em fato, o filme meio que se tornou uma espécie de “clássico moderno” em seu gênero (se 2007 pode ser chamado de “moderno”), com o combate final entre Nanashi e o antagonista Luo-Lang, frequentemente aparecendo em tops e listas de melhores lutas dentre os animes, sobretudo por conta da sua animação fluida e coreografia bem executada.

Stranger: Mukou Hadan

Infelizmente, sua maior força também é, em certo sentido, sua maior fraqueza. Fora a ação, a verdade é que o filme não realmente oferece muito mais. Os protagonistas são interessantes e a química entre eles torna suas interações gostosas de assistir, mas não é nada de excepcional. O roteiro, enquanto eu certamente não chamaria de “genérico”, está assentado em bases bastante comuns: a criança perseguida, o ronin de bom coração, a dupla protagonista que alterna entre amor e ódio, e por ia vai. O filme tem a seu favor um elenco um pouco maior do que eu esperaria pra esse tipo de história, e um curioso vai e vem entre uns três núcleos diferentes de personagens que pelo menos faz a história soar bem maior.

Dito isso, no fim do dia este ainda é apenas um filme de ação. Um bom filme de ação, não me entendam mal: Stranger: Muho Hadan é divertidíssimo, o tipo de história que sabe muito o que quer ser e como quer ser. Em nenhum momento o longa promete mais do que pode entrar, e até onde vai é um filme que muito vale o tempo investido. Para quem estiver procurando uma obra mais descompromissada para matar pouco mais de uma hora e meia num final de semana, esse filme é definitivamente uma boa pedida.

2) Doukyuusei

Doukyuusei

E agora, um romance. Lançado em 2016, Doukyuusei é uma produção do estúdio A-1 Pictures que adapta ao mangá homônimo de Asumiko Nakamura. Com cerca de uma hora de duração, o longa foi dirigido por Shouko Nakamura, e conta a história do romance que floresce entre os dois protagonistas, Sajou e Kusakabe, dois garotos ao final do ensino médio. Um filme que, se não é exatamente inovador, é definitivamente competente, entregando em apenas uma hora um desenvolvimento dos personagens e do romance entre eles que muitos animes de 12, 24 ou mais episódios falham em entregar em toda a sua duração.

Em muitos aspectos, os problemas desse filme são os mesmos de qualquer obra de seu gênero. Enquanto ele evita de cair em muitos dos aspectos menos apreciados do BL por certa parcela dos consumidores ocidentais, como uma exagerada fetichização do romance gay, o mesmo não realmente pode ser dito com relação aos aspectos menos apreciados de romances num geral: mal entendidos, triângulos amorosos, will they won’t they, são todos clichês que podemos encontrar aqui, embora a curta duração do longa torne todos esses problemas muito mais suportáveis do que eles seriam em uma série de tamanho padrão.

Doukyuusei

Dito isso, seus elementos mais positivos são, também, exatamente aqueles que se esperaria desse gênero. Como eu disse no primeiro parágrafo, é uma história que brilha no desenvolvimento de seus personagens e do relacionamento de ambos, de forma que em apenas uma hora conseguimos entender muito bem quem são esses jovens, quais as suas aspirações, o que um significa para o outro, e mesmo podemos genuinamente torcer para que fiquem juntos. De certa forma, aqui vale muito do que falei para Stranger: Muho Hadan: é uma história que entende muito bem o que é, e que entrega exatamente isso.

Talvez valha também apontar que, pelo menos para mim, o filme veio como uma lufada de ar fresco, evitando tanto o fetichismo normalmente associado com o BL quanto o yaoi-bait onde a história nunca tem coragem de dar o passo definitivo. Nada contra quem gosta, mas foi interessante encontrar um romance gay normal para variar. Não é nenhuma obra prima, de fato, mas para o que é ainda diria que vale a pena o tempo investido, sobretudo se você gosta de BL, romance, ou ambos (e se não gosta de nenhum… bom, eu não tenho enorme interesse em nenhuma das duas categorias e ainda assim gostei – faça o que quiser com essa informação).

1) Kono Sekai no Katasumi ni

Kono Sekai no Katasumi ni

Finalizando a lista, temos aqui um filme que bem merece bem mais atenção. Lançado em 2017, Kono Sekai no Katasumi ni é uma produção do estúdio MAPPA com direção de Sunao Katabuchi, adaptando ao mangá seinen homônimo escrito e ilustrado por Fumiyo Kono. Um legítimo slice of life, durante suas pouco mais de duas horas de duração acompanhamos aqui momentos na vida da nossa protagonista, a dona de casa recém casada Urano Suzu, durante um dos períodos mais conturbados da história recente: a Segunda Guerra Mundial.

É um filme pequeno em escopo, e é ai que está o seu charme. Vemos uma família em uma cidade relativamente afastada (ainda que com uma base naval próxima), e vamos observado como a guerra afeta a vida diária dessas pessoas. Racionamento e escassez de alimentos, constantes bombardeios aéreos, em dado momento nossa protagonista é mesmo alvo de certa paranoia do exército local, colocando-a numa situação difícil que, felizmente, não traz maiores consequências. É um interessante e trágico retrato daquele período, sem, contudo, ser demasiado visceral em sua apresentação.

Kono Sekai no Katasumi ni

O desenvolvimento da protagonista é outra grande força do filme, com a Suzu mudando consideravelmente ao longo da obra, de uma personalidade mais distraída e ingênua em uma bem mais consciente da tragédia ao seu redor. Dito isso, o tom do filme, enquanto certamente melancólico, nunca é de desespero. A mensagem final que Kono Sekai no Katasumi ni tenta passar é uma de perseverança e esperança, um reconhecimento de que tempos melhores se sucederão à tragédia que foi aquele período.

É preciso dizer, contudo, que vale para esse filme o mesmo que falei sobre Arete Hime: enquanto eu não o consideraria um filme lento, ele é certamente calmo, e toma seu tempo em bem estabelecer seus personagens. É o que se chama de uma história character driven, afinal, então vão para ele com isso em mente. De minha parte, porém, devo dizer que muito apreciei a obra. Personagens carismático, ótimos valores de produção, e uma excelente trilha sonora fazem do longa uma experiência engajante tanto quanto agridoce. Para quem gosta desse tipo de história, essa é uma que definitivamente vale a pena dar uma chance.

E você, leitor, que achou destas recomendações? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar a sua opinião.

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Kono Sekai no Katasumi ni

2 – Hi no Tori 2772: Ai no CosmoZone

3 – Hi no Tori 2772: Ai no CosmoZone

4 – Arete Hime

5 – Arete Hime

6 – Stranger: Mukou Hadan

7 – Stranger: Mukou Hadan

8 – Doukyuusei

9 – Doukyuusei

10 – Kono Sekai no Katasumi ni

11 – Kono Sekai no Katasumi ni

3 comentários sobre “Lista – 5 Filmes em Anime que Valem a Pena Assistir (Parte 2)

  1. Não tinha conhecimento que esse “Kono Sekai” era sucessor do mangázinho (3cap) “Yunagi no Machi”, que havia lido e jurava que acabava por ali. Ainda possui um outro mangá de 48 cap. Wow! Esse filme terá prioridade comigo.

    Curtido por 1 pessoa

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