Café com Anime – Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These, episódio 5

E cá estamos nós, em mais uma edição do Café com Anime: nossa conversa semanal sobre alguns dos animes da temporada. E desta vez você confere nossa discussão sobre o quinto episódio de Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These, com presença do Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, o Fábio “Mexicano”, do Anime21, e do Vinicius Marino, do Finisgeekis, além, é lógico, de mim mesmo [rs]. Sirvam-se então de uma xícara do seu líquido predileto e venham então conferir o que achamos desse primeiro episódio :D

E claro, sempre bom lembrar: aqui no É Só Um Desenho você também confere nossas conversas sobe Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online, às sextas, enquanto que no Dissidência Pop estarão nossas conversas sobre Mahou Shoujo Site, no Anime 21 aquelas referentes à Hisone to Maso-tan, e no Finisgeekis continuamos com as conversas sobre Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen, que entrou agora em seu segundo cour.


Diego:

Exatamente como esperava, mais um episódio focado no Yang. Olá a todos e bem vindos a mais um Café com Anime de Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These \o/ E eis que temos mais um ótimo episódio, agora sim de fato mais focado no presente da Aliança. Pudemos ver um pouco mais do Yang, um pouquinho mais da Jessica, e conhecemos afinal a babá, digo, enteado do Yang: o Julian :D

O final foi bem legal, mas infelizmente eu sinto que ao não dar muitos detalhes sobre a fortaleza o anime meio que diminuiu um pouco a importância da primeira missão da 13ª Frota. Então aqui alguns detalhes extras:

Existe uma “zona” do espaço que serve de fronteira não oficial entre a Aliança e o Império. É uma zona imensa onde a navegação é muito difícil, excetuando-se dois “corredores”. De um lado, o corredor de Phezan, onde fica o planeta neutro habitado majoritariamente por mercadores. E do outro, o corredor de Iserlohn, protegido por uma imensa fortaleza imperial que a Aliança vem tentando há décadas tomar – sempre sem sucesso. É verdadeiramente uma missão impossível, mas que seria uma imensa vitória para a Aliança se atingida com sucesso.

Mas eu paro de falar por aqui. Agora é com vocês: o que acharam do episódio da semana?


Gato de Ulthar:

Lembram que comentamos sobre o que seriam os podres da Aliança? Voilà! Tivemos um prato cheio!

Afinal das contas, tudo é uma questão de realpolitik né? A retórica belicista da Aliança muito bem poderia ter sido dita pelo Império. Líderes utilizando-se da comoção popular gerada por uma guerra para manter o país em constante estado de emergência, permitindo a tomada de medidas impopulares sem maiores contestações. É justamente o que vemos na chamada “Guerra ao Terror”, perpetuada pelos EUA desde os ataques terroristas de 11 de setembro.

E a Aliança é rápida, mal o Yang sai da Assembleia e já tentaram matá-lo!

A única diferença entre a Aliança e o Império, é que no Império Yang seria executado em praça pública para servir de exemplo, enquanto na Aliança, seguindo a praxis dos países democráticos, o dissidente seria executado em silêncio. Há liberdade apenas no papel na Aliança.

Uma guerra eterna, onde é muito difícil ter uma resolução, apenas uma ou outra vitória esporádica de cada lado, é bastante conveniente para os dirigentes das duas potências, já que seus líderes conseguem se manter no poder utilizando a guerra como muleta, assim como eu já disse lá em cima.

Uma paz, como levantou Yang, seria muito interessante para todos. O universo é gigante, há capacidade de expansão para todos os lados.

Nem me importei com a Jessica e com o Julian, o contexto político me prendeu muito mais.

E caramba, o rapaz é uma “maid” perfeita, só falta virar trap :P


Fábio “Mexicano”:

Ainda estou assistindo, mas vejam só:

Palavras bonitas. Mas ele é um militar em uma nação em estado de guerra. É muito conveniente que até mesmo militares em serviço tenham tamanha liberdade, livres de qualquer protocolo, só para o Ian poder falar isso e manchar um pouco a imagem do próprio governo perante a audiência.

Woa, parece que uma das inovações tecnológicas civis do futuro é usar mangueiras de incêndio como irrigadores. Bom, estava na hora de aparecer algo diferente, né? Nem parece que eles estão, o quê, um milênio e alguns séculos a nossa frente?

Acho que a minha empolgação com o aspecto político desse episódio é inversa à do Gato. Eu esperava ver corrupção de verdade, vendedores de armas, alguma coisa assim que a gente vê e tem certeza que se trata de mesquinharia e dinheiro no bolso, não tem nada de patriótico. Aliás, eu não sou muito fã de nenhum tipo de “patriotismo”, mas isso não vem ao caso. O fato é que há uma guerra.

Há uma guerra e não é contra guerrilheiros transnacionais que dependem de armas compradas no mercado negro, como é o caso da Guerra ao Terror. O inimigo é no mínimo tão poderoso quanto eles, mais antigo, e muito mais instável, pois é uma ditadura. Há uma facção pacifista no Império com quem negociar em primeiro lugar? Há uma guerra, e por tudo que eu sei ela é inclemente e inevitável. Os jogos midiáticos para mover a opinião das multidões não são bonitos, mas de que outra forma conseguiriam continuar combatendo? Não acredito que a Aliança possa simplesmente se retirar unilateralmente, como os EUA fizeram no caso do Vietnã, por exemplo.

Nesse contexto, alguém tem que fazer o trabalho sujo. Normalmente ele é melhor feito, e cai no colo, de quem gosta de fazer trabalho sujo. Eis o presidente que eles têm.

Mas veja bem, mesmo que fosse a república democrática mais podre que você consegue imaginar, com corrupção, desigualdade, manipulação, etc. Qual seria o ponto? Dizer que “democracia pode ser ruim”? Pode mesmo. Como eu disse no Café anterior, qual a sua sugestão então?

Eu acho que quando uma obra quer criticar os defeitos de uma democracia, ela deve retratar apenas a democracia a ser criticada e apontar no caminho certo. Quando quer criticar uma ditadura, caracterize a ditadura e demonstre porque é ruim (isso costuma ser mais fácil). Mas quando se justapõe uma democracia e uma ditadura, é inevitável que cada um fique de um lado da balança, e aí talvez alguém ache que ditadura é sim uma boa ideia.

Se eu ignorar que esse tema está se arriscando a entrar em território doutrinário (e em parte enxergo isso por causa das expectativas que eu tinha considerando tudo o que já ouvi falar, bem como o que vocês estão falando aqui), e entender apenas como, digamos, um thriller político, amoral, aí posso começar a achar mais interessante. E muito mais adequado a uma space opera. Não tanto quanto batalhas ainda assim, mas acho que no próximo episódio voltaremos a ter batalhas né? Estou ansioso!


Gato de Ulthar:

O Fábio não entendeu meu exemplo da “Guerra ao Terror”, não vem ao caso compará-la com uma guerra interplanetária, isso pouco importa. O que eu quis afirmar é que justamente o “modus operandi” é o mesmo que vimos na Guerra Fria, na Guerra do Vietnã e na própria 2ª Guerra Mundial. Só usei o exemplo mais moderno que temos, onde uma nação democrática viola sistematicamente direitos da população em virtude da liberdade de ação que um estado de guerra perpétuo permite fazer, vide prisões arbitrárias, interrogatórios ilegais, tribunais de exceção, quebre de sigilo, etc. Assim, como eu disse antes, é conveniente que sempre se tenha uma guerra a ser travada, já que este estado de exceção pode perpetuar-se indefinidamente, para o deleite dos governantes, os quais não sujam suas mãos de sangue e estão no conforto de seus lares, como o chefe de Defesa da Aliança que discursou neste episódio.

É como eu disse, Realpolitik, os políticos de ontem querem ficar no poder, e utilizam de todos os meios práticos para isso. Video o grupo “nacionalista” financiado pelos próprios membros do governo. Citando Weber em A Política como Vocação: “Na política, a tomada de decisões não significa escolher entre o que é verdadeiro e o que é falso. Significa escolher entre as possíveis opções práticas.”

E a opção mais prática da Aliança para manter seu regime é ajudar da manutenção de um estado de emergência perpétuo. Não sei quem leu 1984, de George Orwell, mas há uma situação semelhante. O governo do “Grande Irmão” estava em guerra eterna contra os inimigos, dissidente dos governo, haviam bombardeios, trocas de tiro e de reféns, etc. Acontece que nunca ouve um inimigo de verdade, era tudo uma armação do próprio governo para manter a população continuamente mobilizado, afinal de contas, em tempos de guerra é onde mais se expressa o patriotismo e a mobilização nacional, os outros problemas sociais são esquecidos. Quem se importa com saúde, educação, saneamento básico, enquanto há uma guerra acontecendo?

Claro que em LOGH a guerra é real, mas os benefícios dela auferidos são os mesmos em todos os tempos e em todos os lugares. Quanto será que custa cada nave da Aliança? No último ataque dos EUA à Síria, mês passado, cada míssil lançado custou a bagatela de 800 mil dólares. É suposição, mas deve ter muita gente lucrando horrores com a guerra galáctica, sem falar naquela outra nação que se mantém neutra, mas isso é outra história.


Diego:

Então, pra fazer algumas considerações sobre o comentário do Fábio:

Em primeiro lugar, eu quero apontar que o Trunicht nada tem de patriota. Ele usa do discurso patriótico, sem dúvida nenhuma, mas o que ele de fato quer é poder. Ele é a representação do político parasita, cujo único propósito é manter o próprio status – não muito diferente do que temos aqui mesmo no Brasil. E justamente por isso ele é um bom antagonista para o Yang. Trunicht é um hipócrita que, como a Jessica apontou, louva a bravura dos soldados que morrem por uma causa enquanto está seguro na própria casa: exatamente o tipo de pessoa que o Yang mais despreza.

Agora, eu vou ter de discordar muito da sua fala de que uma obra deve se focar em criticar um ou outro lado, ao invés de os dois. Porque essencialmente o que você está defendendo é a propaganda ideológica. O que torna Legend of The Galactic Heroes, ou pelo menos o anime antigo, tão interessante é justamente ser uma obra capaz de reconhecer as nuances que existem em cada lado, como cada um dos dois sistemas apresentados possuem problemas e méritos. E sim, ele convida a comparação: e cada um que chegue às suas próprias conclusões. Honestamente, é o completo oposto de doutrinário. E ele não fornece uma solução porque ele não é ingênuo o bastante para acreditar que exista uma solução. Porque ele reconhece que o problema não são os sistemas políticos, mas as pessoas. E que a menos que você descubra como mudar a própria natureza humana, essa história irá se repetir de novo e de novo – não a toa a História, como disciplina, é frequentemente trazida à tona.


Vinicius Marino:

Jamais pensei que diria isso, mas concordo em gênero, número e grau com o que o Diego acabou de dizer. Comparar regimes diferentes, sem medo de se passar por um apologista de um ou outro, é um dos recursos mais celebrados da ficção. Isto existe virtualmente desde que existe literatura sobre política (vide só Viagens de Gulliver).

A ideia de que uma guerra total interplanetária impede comparações com a Guerra ao Terror também não procede. Embora isso não seja muito divulgado, mesmo as guerras mundiais contaram com movimentos opostos ao conflito. Em alguns casos, motivado pelo julgamento de que a ferocidade dos Aliados podia desvirtuar seu próprio pedestal moral.

Um excelente livro sobre isso é Os Vestígios do Dia, do escritor inglês Kazuo Ishiguro. O romance é uma alegoria sobre a Inglaterra dos anos 1930 e 1940, contada por meio da relação de um mordomo com seu padrão.

O último é um grande crítico do Tratado de Versalhes, que condenou a Alemanha à miséria depois da Primeira Guerra. Ele acredita que ele é uma obra de revanchismo e que não responde aos princípios democráticos que os Aliados deveriam representar.

Com o tempo, sua revolta com o tratado se transforma em empatia pelos pobres alemães esfaimados e destituídos. Sobretudo quando um de seus amigos germânicos opta pelo suicídio. Desta empatia brota a confiança no homem que prometia resolver tudo isso (Adolf Hitler). E desta simpatia, a apologia ao nazismo e ao anti-semitismo.

Das melhores intenções, calcadas fortemente em espírito democrático, nasceu um inimigo da liberdade.

Mesmo esse conflito, no entanto, é só pano de fundo para um debate maior: a oposição entre uma mentalidade aristocrática, calcada no serviço e no imperativo de deixar as decisões importantes a “quem entende” (representada pelo mordomo e pelo patrão) e um novo ideal democrático de sufrágio universal e participação política popular (representado pelo mundo à sua volta, que cada vez mais os ostraciza).

Se questões como essa são simplistas e usar a ficção para comparar democracia e ditaduras é “raso”, alguém avise o comitê do Nobel. Ishiguro ganhou o prêmio, e Os Vestígios do Dia é tido como um dos seus melhores romances.


Fábio “Mexicano”:

Bom, movido por experiências e impressões pessoais que precedem esse anime, além da minha forte crença de que não há mais espaço para formas de governo autoritárias nas sociedades contemporâneas avançadas, eu realmente achava não ser possível ficção tratar esse tema de forma segura caso opusesse ditadura e democracia. Fora desse Café, mas motivado por ele, cheguei a pedir, meio provocando, meio curioso buscando ser desmentido, por contra-exemplos a isso.

Aí estão alguns desses tais contra-exemplos. Quedo, pois, desmentido. Confesso que não os conhecia e nem pesquisei sobre mesmo agora, mas confio no Vinicius o bastante para aceitar sua palavra pelo valor de face.

Mais do que isso, fui lembrado de que a arte é uma forma particular de comunicação, de discurso, e se é possível discursar honestamente, sem apologias ou doutrinação, tem que ser possível também criar arte da mesma natureza.

De todo modo, não vi até agora em Legend of The Galactic Heroes uma história que carregue em si uma crítica política de qualquer natureza. Talvez o andamento do anime me faça pensar diferente, mas por enquanto a política, como os temas militares, me parecem ser apenas o pano de fundo das histórias pessoais dos personagens que estamos acompanhando. E desde o primeiro episódio venho achando essas histórias boas histórias.

Se a política parece carregada nas tintas, aposto que seja para destacar seus personagens, não para dizer algo especialmente político. É exatamente o tratamento que o anime está dando ao aspecto militar também: nossos protagonistas são gênios muito mais porque estão cercados de incompetentes do que por feitos extraordinários próprios. Isso não é ruim, pode ser um pouco constrangedor em algumas cenas sim, mas no geral funciona bem o bastante.


Diego:

Então, só que os dois gênios estarem cercados de incompetentes é justamente um das críticas que o anime faz a ambos os sistemas políticos, por exemplo :P Sistemas de favores, onde se chega a altos cargos de poder por conta de quem você conhece – o caso da Aliança – ou por conta da sua família de nascimento – o caso do Império -, em ambos os casos gerando um terreno fértil justamente para que incompetentes cheguem a postos onde, racionalmente falando, jamais deveriam chegar. Um cenário não exatamente irreal, eu acrescentaria.


Fábio “Mexicano”:

Eu acho que é contraste, para destacá-los, não crítica, mas enfim, não assisti o anime antigo, vai quê. Até agora tem funcionado para isso pelo menos. Quero dizer, todo mundo sempre foi tão incapaz assim antes deles dois? Talvez a guerra tenha durado tanto por causa disso, hein? Ninguém nunca ganha porque é apenas incompetente mesmo.


Vinicius Marino:

Até esse ponto no reboot, eu tive a mesma impressão do Fábio. O cenário parece mostrar que, independente do sistema, gênios sofrem para se fazer ouvidos. Ou, mais precisamente, que sistemas sempre são meio engessados, independente da sua natureza específica.


Fábio “Mexicano”:

Quanto a incompetentes em altos cargos, isso é absolutamente normal. Tem uma teoria em administração que diz que, em instituições normais, que promovem com base no mérito e na competência, as pessoas sobem na hierarquia até seu nível de incompetência (Princípio da incompetência de Peter). Enquanto você é competente, você continua sendo promovido. Quando você não é mais competente para o cargo que ocupa, você vai estagnar, e bem … o prospecto não é legal para a empresa e para aqueles abaixo de você.


Vinicius Marino:

Talvez eu esteja “sociologizando” demais a série, mas não tenho como não pensar na própria cultura hierárquica japonesa, que inibe o individualismo de seus funcionários e promove critérios bem rígidos de senioridade. Ao longo da história, vários autores japoneses já encontraram uma ou outra forma de refletir sobre isso em seus trabalhos.

Ok, não é algo exclusivo do Japão, muito menos do tipo de história que LOGH quer contar. Mass Effect, outra space opera épica (só que ocidental), é basicamente a jornada de um comandante visionário para ser ouvido por cabeças-duras.


Fábio “Mexicano”:

Pois é. Eu aqui lançando teorias administrativas ao mesmo tempo em que tenho quase certeza que o autor nunca ouviu falar dela. Bom, foi só um exemplo, mas mesmo assim. Realmente acho que tudo isso é plano de fundo da história e será muito mais produtivo e interessante nos focarmos nos personagens.


Diego:

Bom, de fato eu imagino esse reboot focando mais nos personagens (ou melhor, numa pequena parte do elenco, nomeadamente o Rain e o Yang). O que em si dá um contraste curioso com o anime original, que tinha quase que uma ânsia para se expandir cada vez mais, sempre introduzindo personagens, eventos, situações e informações que só viriam a ser relevantes muito depois. Foi uma obra bem mais comprometida com o seu universo, enquanto que essa parece se contentar em ser algo menor – e não realmente poderia ser diferente, com apenas 12 episódios e 3 filmes. Só falo isso porque me lembra um ponto que Azuma Hiroki levanta no seu livro Otaku: Japan’s Database Animals, de como os animes do passado (lá pelos anos 70-80) eram mais comprometidos com o desenvolvimento dos seus universo, enquanto que aqueles dos anos 90 em diante eram mais focados nos seus personagens (e hoje talvez tenhamos atingido o ápice disso, com a quantia de slice of life que sai a cada temporada).


Fábio “Mexicano”:

Que boa época para estar vivo!


Gato de Ulthar:

Sempre perco o melhor da discussão, o que dizer depois de tudo isso?

Bem, sei que é difícil retratar profundamente as nuances da política e dos sistemas de governo, mas creio que não é impossível, por isso sempre gosto de citar a saga Fundação, de Isaac Asimov, umas das mais ousadas space operas já feitas. Neste caso específico, Asimov é feliz em retratar um épico espacial que dura séculos, reinventando todo os ciclo de ascensão e queda do Império Romano, e posteriormente de todos os ciclos políticos e sociais até a modernidade, como o feudalismo, o absolutismo, a era dos Impérios, etc.

Mas creio que no caso de LOGH, seja mesmo como o Fábio disse, o arcabouço político é apenas pano de fundo para os personagens.


Diego:

Bom, vamos então falar um pouquinho desses personagens? O episódio introduziu alguns novos – sobretudo o Julian e o Trunicht – ao passo que nos mostrou o presente de alguns conhecidos – o Yang e a Jessica. O que acharam? Alguém se destacou pra vocês? Ou ainda não?


Fábio “Mexicano”:

A Jessica está suicida ou está tão furiosa que nem consegue pensar antes de agir. Talvez o seu noivo falecido tenha contado coisas ruins sobre a vida militar? Bom, ela era uma pacifista desde o começo, então não me parece difícil entender que ela tenha passado rapidamente para a fase da raiva do luto.


Gato de Ulthar:

O Julian é tutelado pela Yang, é isso? O que será que levou o Yang a ter de sustentar o menino? Só sei que veio bem a calhar, o menino cuida muito bem dele e da casa.

A Jéssica peitar o chefão lá ficou bem legal, ela não teve medo das consequências, ela provavelmente já tinha chegado no limite!


Fábio “Mexicano”:

Foi explicado como funciona esse sistema no episódio anterior, quando o outro cara lá que eu nem faço ideia de qual seja o nome disse que ele deveria adotar um órfão de militares porque daí ele pode pedir empréstimo por criá-lo, e se ele entrar nas forças armadas depois o empréstimo é perdoado. Enfim, é vida boa.


Vinicius Marino:

Gostei bastante do sistema. Como disse no episódio passado, parece um pouco as benesses militares que os EUA até hoje oferecem para tentar jovens a se unir as forças armadas. Interessante, no entanto, que ele combina isto com uma lógica meio nipônica de aprendizado. O Julian, para todos os fins, é o criado do Yang, trabalhando para ele mesmo em funções domésticas.

Quanto ao Trunicht, eu esperarei mais para colocar a mão no fogo. Mas a Jessica promete. Ela tem o potencial de ser uma daquelas ativistas anti-Vietnam que tanto barulho fizeram nos anos 1970. E um excelente lembrete de que, ao contrário de ditaduras, democracias precisam de muito mais esforço para convencer seu povo a apoiar guerras. Mesmo que com táticas escusas, como aquela brigada proto-fascista.


Diego:

No anime anterior, o desenvolvimento da Jessica foi um dos melhores nesse começo da história, e só posso esperar que esse anime a faça justiça – ela certamente merece. Mas só uma coisa sobre o Julian: ele é o “criado” do Yang, mas única e exclusivamente porque o Yang é um folgado do caramba :P  “Care free” 24 horas por dia.


Vinicius Marino:

Bom, ele se sujeita a isso, né? Podia reclamar com o Yang, com o governo, com sei lá que agência intermedia isso. Ele parece muito feliz fazendo stew irlandês para o patrão.

Aliás, stew irlandês!

Ia dizer que o Yang parecia refinado demais para um prato tão “pedreiro”, mas aí lembrei que ele trabalhava numa nave de carga.


Fábio “Mexicano”:

Para alguém que se tornou órfão de guerra eu acho até um pouco estranho, se quer saber. Ele até está super motivado (para não deixar dívidas, não por patriotismo, mas mesmo assim) a entrar para as forças armadas! Mas acho que ainda não conhecemos nada dele para sequer tentar começar a entender direito


Diego:

Não conhecemos e provavelmente nem iremos conhecer, na real :P No original o Julian tem um arco de personagem fantástico, mas que dura literalmente o anime inteiro. Aqui acho que só vamos ver ele como a maid do Yang mesmo, com eventuais discussões dos dois entre o desejo do Julian de ser um militar e o Yang tentando convencer o menino do contrário.


Fábio “Mexicano”:

Se tiver só um vislumbre do passado dele para eu entender suas atuais motivações, já é o bastante. Não que eu faça questão, mas daí eu tiraria ele da lista de “objetos que se movem e falam” e colocaria na de “personagens”, ou algo assim :D


Diego:

O passado dele seria interessante de ver. No anime original nunca ficamos sabendo muito do seu passado, mas esse reboot já mostrou que gosta de apresentar o passado dos personagens :P Quem sabe, seria legal darem um pouco de atenção ao Julian rs.


Gato de Ulthar:

Também gostaria de ver um pouco do passado do Julian, não me oporia a isso :)


Diego:

Vamos torcer então :D Bom, acho que podemos ir ficando por aqui. Não falamos tanto, mas porque realmente não tem tanto assim o que falar desse episódio. E vamos então ficar no aguardo do que o próximo nos trará.

E você, leitor, que achou deste quinto episódio? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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