Café com Anime – Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These, episódio 3

E cá estamos nós, em mais uma edição do Café com Anime: nossa conversa semanal sobre alguns dos animes da temporada. E desta vez você confere nossa discussão sobre o terceiro episódio de Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These, com presença do Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, o Fábio “Mexicano”, do Anime21, e do Vinicius Marino, do Finisgeekis, além, é lógico, de mim mesmo [rs]. Sirvam-se então de uma xícara do seu líquido predileto e venham então conferir o que achamos desse primeiro episódio :D

E claro, sempre bom lembrar: aqui no É Só Um Desenho você também confere nossas conversas sobe Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online, às sextas, enquanto que no Dissidência Pop estarão nossas conversas sobre Mahou Shoujo Site, no Anime 21 aquelas referentes à Hisone to Maso-tan, e no Finisgeekis continuamos com as conversas sobre Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen, que entrou agora em seu segundo cour.


Diego:

Quando primeiro anunciaram o formato desse reboot – 12 episódios e 3 filmes – a minha preocupação inicial, assim como a de muitos, era a de que o anime seria corrido demais, mesmo que não adaptassem tudo. E com 3 episódios passados, eu posso dizer que a preocupação era totalmente infundada: Die Neue These está claramente tomando todo o tempo de que precisa.

Olá a todos e vamos então a mais um Café com Anime de Ginga Eiyuu Densetsu \o/ E para quem queria mais do Reinhard, eis que temos um episódio focado nele! Vimos um pouco da situação do Império e também bastante do passado do Rein e do Sieg. E claro, temos aqui o objetivo último do Rein: tornar-se imperador! Ah, e eu não poderia deixar de mencionar o Oberstein, que fez uma pequena aparição aqui: um personagem que ainda será bastante relevante no futuro.

Mas vamos ouvir vocês um pouco :D Digam ai: o que acharam deste terceiro episódio?


Fábio “Mexicano”:

Ok, evolução do Reinaldo: 1) Furioso quando criança porque o Imperador roubou sua irmã mais velha, 2) Perturbado com certa parte da nobreza que só sabe abusar de seus privilégios de classe (colateralmente talvez ele tenha percebido um pouco da desigualdade para além da nobreza), 3) Decide derrubar a dinastia reinante e se tornar o novo imperador. Parece bom.

O Siegfried, coitado, tem nome de um herói mitológico dos mais relevantes, mas ninguém gosta de falar o nome dele. Ainda criança, ele se deslumbrou com seus vizinhos nobres, e algo no Reinaldo o cativou de verdade e segue cativando até hoje. Bastante compreensível. Pouco compreensível foi ele ter chorado quando a Ana foi levada… não pareceu uma reação de uma criança, ainda mais uma que conhecia ela há tão pouco tempo. O Reinaldo chorar ali fez sentido. Não sei se fez sentido a Ana chorar também, é o sistema em voga há séculos, afinal, a não ser que o atual Imperador seja famoso por maltratar suas concubinas (o que não parece ser o caso), não deveria ser considerado uma sentença de morte. A não ser que mais coisa estivesse rolando aí que o anime não contou (ela poderia estar apaixonada por alguém, por exemplo).

O final foi interessante. Ana pediu para o Sieg ser a voz da razão do Reinaldo, mas pouco sabe ela que ele é tão porra-louca quanto. Derrubar o Imperador? Tá pouco, domina logo o universo! Acho que é a determinação do amigo que cativa o Siegfried, e acho que entendo. Se o Siegfried não tem a menor intenção de impedir o Reinaldo de ir longe demais, com certeza ele tem o perfil perfeito de escudeiro leal. Como esse não parece ser um anime em que tudo acaba bem (e como poderia? há dois lados em guerra e nenhum é retratado como o vilão), vi subir aí uma death flag em cima da cabeça dele.


Gato de Ulthar:

Sobrou alguma coisa para dizer depois desse textão do Fábio? :P

Gostei desse episódio. Ao contrário do Fábio, eu achei a questão da irmã do Reinhard bastante séria.

Não é porque é um costume social de séculos que é fácil de aceitar para quem é “escolhida”.

E provavelmente há muitos motivos para chorar. Há inúmeros casos na história e na literatura de moças que são levadas como concubinas, e tirando alguns casos, nenhuma parece ficar muito feliz com a situação, por isso, vejo que é normal o choro. O Sieg ter chorado por ela também me pareceu crível, deu para perceber que ela era uma espécie de “primeiro amor”, sendo um objeto de sua admiração. Esse é um dos motivos dele ser tão solícito em ajudar o Reinhard em seus planos.

E gostei das motivações do Reinhard, tomara que ele consiga chutar a bunda de todo o universo, estou sinceramente torcendo por ele.


Fábio “Mexicano”:

Como é Siegfried em português? Sezefredo? Ninguém chama ele pelo próprio nome, estou começando a considerar essa opção… :D


Gato de Ulthar:

É Zigfrido.

Pelo menos vejo que assim se chamam os brasileiros de origem alemã que adotam esse nome aportuguesado.


Fábio “Mexicano”:

Esses são alemães imigrantes e filhos de imigrantes, transliteração recente do século 19 ou 20. Penso na tradução mais antiga, mais “correta”, na linha de Odoacro e Canuto.


Gato de Ulthar:

Tem o nórdico que é Sigurd.

E puxando por essa linha há em português o nome Sigurdo.


Fábio “Mexicano”:

Sim, Siegfried é o germânico de Sigurd

(Sim, Diego, estamos debatendo um assunto de suma importância)


Gato de Ulthar:

Sigurdo eu acho interessante.


Diego:

Sabe, você pode também só chamar os personagens pelos nomes originais… evitaríamos discutir a etimologia de nomes alemães no Brasil :P

Mas só pra constar: eu concordo com o Gato com relação a fazer sentido a Anerose e o Sieg chorarem. Para a Anerose, a situação é a dela sendo tirada da família – e de perto do irmão – para ir sabe-se lá pra onde. Ela ganhou status com isso, sim, mas não deixa de ser sofrido. E quanto ao Sieg, como o Gato apontou, a Anerose foi uma espécie de primeiro amor dele, então é natural que ele se sinta triste com a partida dela.


Fábio “Mexicano”:

Eu posso concordar com a Ana, mas com o Sezefredo vocês não vão me convencer não… :P


Gato de Ulthar:

Com o Sigurdo você quis dizer.


Fábio “Mexicano”:

Com a Suzette :P


Gato de Ulthar:

Se eu fosse levar em consideração o clima dos dois no primeiro episódio, Suzette veria bem a calhar, se é que você me entende Fábio :)


Fábio “Mexicano”:

Te entendo perfeitamente. Mas nesse segundo episódio tudo fez mais sentido, entre eles é tudo na brotheragem mesmo. E se o Sezefredo ainda gosta da Ana, é mais porque ficou todos esses anos ao lado do Reinaldo do que por causa da paixonite de infância.


Vinicius Marino:

Sobre a tradução dos nomes: a esmagadora maioria dos nomes medievais aportuguesados vem do latim, que era a língua franca no período.

E não existia padrão, então um mesmo nome não latino podia receber várias traduções. Às vezes, no curso de um mesmo texto.

A própria ideia de uma ortografia regular é moderna. Então a birra do Fábio é puro pedantismo :)

De resto, quer dizer que o Império não é um império de verdade? Mas uma eutopia reacionária construída nas ruínas de uma civilização avançada?

Eu não vi esse twist chegando!


Gato de Ulthar:

Geralmente em space operas, Impérios são formados desta forma, com algum governante que centraliza o poder e insere um governo dinástico. Isso é entendível, pois como vivemos atualmente onde a democracia é a forma de governo mais comum, nos primeiros estágios da exploração espacial, é normal ainda haver “federações” democráticas e coisas do gênero.

Apenas mais tarde, aparece um maluco com ares de grandeza.


Vinicius Marino:

Acho que fui enganado pela pompa. O Império me pareceu estilosos demais para ser algo tão “recente”. Mas sim, é algo típico de space operas.


Gato de Ulthar:

Até que o Império de LOGH está duradouro, em Star Wars o Império não durou muito, se bem que não era dinástico. Isso pelo menos no universo dos filmes, no expandido deve ter havido muitos outros impérios.


Vinicius Marino:

No antigo Universo Expandido é revelado que houve muita resistência ao fim do Império. Para o bem ou para o mal, ele era a cola que unia a galáxia. Mas repare que esse Império é diretamente baseado na Alemanha Nazista, que foi de fato uma ditadura populista feita por gente sem nenhum apreço pela nobreza. O ditador de LOGH, por outro lado, se deu ao trabalho de recriar títulos de nobreza, bigodes prussianos e até derrubar arranha-céus para construir castelos!

Preciso admitir. O cara é esforçado!


Gato de Ulthar:

Sim, admiro o esforço dele em criar toda uma identidade prussiano ao Império! Os Impérios sempre são mais estilosos que democracias, isso é fato!

Gosto da bastante do Império Galáctico criado por Asimov na sua obra, ele durou dezenas de milhares de anos, e foi inspirado fortemente no Império Romano, com seus períodos de ascensão e queda.


Fábio “Mexicano”:

Eu achei o governo absoluto um pouco difícil de engolir. Claro que o primeiro imperador foi aclamado, mas como os demais imperadores se sustentaram desde então? Certamente não foi destruindo famílias nobres sequestrando suas filhas para concubinas. O imperador romano se equilibrava no poder tentando manter os apoios do Senado e da Guarda Pretoriana, e à rigor qualquer general com mais sucesso poderia desafiar sua autoridade. Ser imperador provavelmente era uma das profissões mais perigosas de Roma :D Esse episódio teve chance de dar um vislumbre de como o Imperador se mantém no poder, mas nem esboçou uma tentativa. Agora vai cortar de volta para a Aliança e minha esperança de que faça isso depois diminui bastante.


Vinicius Marino:

Tem isso também. Governos personalistas são muito instáveis. Raramente um ditador consegue passar sua autoridade para o próximo. Mesmo a doutrina do Poder Absoluto que vigorou na Europa no Antigo Regime precisou de séculos de teoria política e construção institucional para se manter.

Outra coisa: O Reinhard, por acaso, é um cara que detesta o Império e resolveu canalizar seu ódio se tornando o melhor almirante do Império. Ok, acontece, mas é um em 100 mil.

Quantos outros oficiais de alta patente não transformariam esse ódio em sedição aberta? Ou, no mínimo, em negligência?

Eu entendo até antagonizar o populacho. Mas antagonizar a nobreza? Todos os reis que fizeram isso se ferraram.


Diego:

Mas em nenhum momento o imperador, mesmo o atual, antagonizou a nobreza. Pelo menos, não a que importa. A família do Rein era uma nobreza apenas em título: basicamente caindo aos pedaços. E olhando por uma ótica mais “fria”, é, o Imperador comprou a Anerose para si, mas deu a ela um título de condensa e um espaço bastante luxuoso para morar. Não é difícil imaginar como muitos veriam isso muito mais como gentileza do que como antagonismo – o Rein apenas não é um desses.

Agora, vale apontar que o anime nos deu apenas um vislumbre da história humana até aquele ponto, e fez isso em… o que, menos de cinco minutos? Para terem uma ideia, no anime original dois episódios foram feitos em formato mockumentary detalhando desde a expansão humana pela galáxia até a criação do Império e posterior criação da Aliança. Infelizmente, o anime antigo teve 110 episódios para contar sua história, enquanto que este tem 12 e mais 3 filmes. Simplificações serão inevitáveis, infelizmente. O que é uma pena, porque a história é um tema importante na obra – não a toa o próprio Yang é formado em história.


Fábio “Mexicano”:

Eu só estou preocupado com o Império. A expansão humana pela galáxia soou verossímil e o surgimento da Aliança é ok, mais detalhes devem vir nos episódios da Aliança.

Eu entendo que só mostrou a família do Reinaldo e que ela era decadente, isso ficou claro. Mas mostrou só isso. Quero saber como o Imperador se mantém no trono. Como ele divide o poder de forma a garantir sua base de sustentação e evitar rebeliões – não do gentio, mas de nobres e generais poderosos mesmo. O que impede que um almirante mire seus canhões em Odin, exigindo a renúncia do Imperador? É isso o que eu quero saber.

E esse é o tipo de coisa que nem precisava narração. Se tivesse ficado claro que essa divisão de poder existe de alguma forma visual eu já me sentiria menos incomodado. Ao invés, o Imperador está completamente isolado em seu trono enquanto toda nobreza e liderança militar está do outro lado, e muito abaixo.


Diego:

Calma lá também: era um momento solene de promoção do Rein, é natural que o imperador seja o único em um nível mais alto nessa instância. Fora isso, patentes e diferentes títulos de nobreza ainda existem – tanto é que outros militares mais velhos ficam irritados com a promoção do Rein justamente por ele ganhar um título hierarquicamente muito alto quando ainda é muito novo. Acho que o anime deixou sim bem claro que existe uma divisão de poder ai.


Fábio “Mexicano”:

Eu não falei “divisão de poder” nesse sentido, o de existir uma hierarquia, mas de o Imperador dividir habilmente o poder que possui para garantir sustentação política.

Se houve reclamações e se elas são indicativo de algo, é que o Imperador foi inábil :D Mas eu sei, até agora, essa foi apenas a história do Reinaldo. Poderia ter sido melhor, poderia ter começado a esclarecer melhor como o Império e o Imperador se sustentam – até porque se o Reinaldo quer derrubá-los, se é uma intriga política, isso é assunto de primeira importância -, mas o anime ainda tem tempo pra fazer isso. Por enquanto é só um sinal de alerta, algo para se ficar atento.


Vinicius Marino:

Eu diria que há uma diferença sensível entre sequestrar uma concubina e arranjar um casamento político. No primeiro caso é uma relação predatória. No segundo, a família da noiva também sai ganhando. (Estou simplificando, evidentemente. Há várias sociedades em que o concubinato e a poligamia são práticas aceitas e institucionalizadas). Eu não senti essa nuance no episódio. Está certo que estamos vendo tudo pelos olhos do Reinhard, mas me parece mais um entre tantos animes que conjuram um bicho papão de um “Império” e o populam com a síntese da antimodernidade.

Enfim, geralmente eu nem me preocuparia com isso. Mas LOGH tem a fama de ser uma série forte em geopolítica. Então o mínimo que eu espero é que nos traga alguma teoria política que vá além do “Sou poderoso porque sim”.


Fábio “Mexicano”:

Curiosamente, segundo um comentarista frequente do Anime21, no anime anterior ficou bem clara qual a vantagem para a família da concubina. E o esclarecimento dessa nuance só o deixou ainda mais revoltado.


Vinicius Marino:

Mais revoltado por saber qual foi a vantagem ou revoltado por isso ter sido podada dessa versão?


Fábio “Mexicano”:

Por saber qual foi.


Vinicius Marino:

Agora fiquei curioso. Por um lado, é verdade que há lores tão zoadas que poderiam inexistir. Por outro, há também sistemas políticos tão vis que fazem da depravação um caminho legítimo ao poder.


Fábio “Mexicano”:

Não é grande coisa, e dá para inferir por esse anime também, se não se importar com o “spoiler” eu conto.


Vinicius Marino:

Eu não me importo, mas ouçamos também o Gato.


Diego:

Mas é como você mesmo disse, Vinicius, estamos vendo a coisa pelos olhos do Rein, então é claro que isso irá afetar como a situação é percebida. E sobre nuances geopolíticas… Bom, todo o ponto de LOGH é muito mais uma discussão sobre sistemas de governo. Sim, o Império é podre, gerido por um imperador passivo e uma aristocracia que não se importa com o povo – na sua maioria. A Aliança, porém, não se sai muito melhor, sendo governada por incompetentes e corruptos. O anime anterior é sobretudo a história de como os dois sistema irão ruir e se transformar ao longo da trama, mas infelizmente essa é uma história que estes 12 episódios simplesmente não podem contar: o tempo não permite. O que, agora que eu digitei tudo isso, me faz pensar que história esse anime pode de fato contar…


Fábio “Mexicano”:

Essa tal aristocracia, que serve de sustentáculo para o poder imperial, sequer apareceu. Nem de longe. Ok, eu sei que eles estão ali no meio daquele monte de gente que foi assistir a promoção do Reinaldo, mas e daí? Não são todos eles. É uma parte deles. Que parte? Como se organiza? É disso que estou reclamando.

Democracias tendem a ser muito lentas para responder a problemas novos e são razoavelmente permeáveis à corrupção. Consigo imaginar que tenha sido isso o que abriu espaço para o nascimento do Império em primeiro lugar. A Aliança, agora, consegue se sustentar mesmo com esses defeitos por contraste: como os EUA, sempre podem sacar o discurso da “liberdade” ou coisa parecida.


Diego:

Acho que o motivo disso é estarmos acompanhando as coisas pelo olhar do Rein. Mesmo no anime antigo, a aristocracia não militar só passa a ser minimamente relevante para a história bem pra frente, e até lá só ficamos sabendo sobre aqueles de mais alta patente no exército.


Fábio “Mexicano”:

Isso não é problema para um bom space opera. Pode ser problema para uma história que se queira “genial” em política, como muitos (a maioria?) de seus fãs parece afirmar ser o caso.


Diego:

Sinceramente, com o devido esforço dá pra apontar falhas, lacunas e contradições até na maior das obras primas. O importante é o que a história tem a dizer, o como ela o diz é secundário. Além disso, é sempre bom lembrar que todo mundo elogia muito bem o anime dos anos 80. Esse remake não é e nem pode ser o que aquele foi, e aparentemente o próprio remake sabe disso, focando muito mais nas batalhas e nos protagonistas do que no grande cenários geopolítico – cenário este que o anime antigo já vinha construindo mesmo em seus primeiros episódios.


Fábio “Mexicano”:

Eu sei. Mas você acabou de dizer que isso, que me parece importante, é secundário mesmo no anime anterior. Só muito adiante ganha alguma relevância. E me permita discordar de você: como contar é tão importante quanto o quê contar.


Diego:

É tão importante quanto até certo limite. O nível de detalhamento que você pede é um que simplesmente não é necessário para a história que LOGH quer contar.


Fábio “Mexicano”:

Não pedi detalhamento. Só pedi saber. Inclusive disse que há maneiras apenas visuais de contar isso – talvez ao fundo, enquanto a história principal se passa por meio de ações e diálogos.

Isso é como contar.


Gato de Ulthar:

Esqueceram de mim :(

Bem, vou fazer meu textão, ou nem tanto.

Não creio que para Legend of Galactic Heroes ser um anime bom deva ter uma abordagem social perfeita, isso é exigir demais, mas o que está sendo mostrado está me agradando bastante. O Império tem suas vantagens, mas também muitos defeitos. Comentaram sobre a aristocracia não militar do Império, acho que ela é muito irrelevante no atual sistema social. Levando em consideração as semelhanças clássicas do Império com uma identidade inteiramente prussiana, só a aristocracia militar é importante, o resto seria considerado lixo pelos militares. E provavelmente toda família nobre deve ter pelo menos um único militar de carreira, afinal de contas, é uma sociedade militarizada. Mesmo que esses sejam militares de fachada, que ocupem cargos executivos, como foi bem mostrado nesse episódio, com aqueles moleques mimados que enojaram o Reinhard. O problema desse tipo de situação é que muitos nobres inexperientes e incompetentes podem ganhar cargos importantes dentro da hierarquia militar, o que prejudicaria o próprio Império. mas na aliança não seria totalmente diferente, já que não seria muito mais difícil oficiais idiotas conseguirem altas patentes por meio de influência política, como foi mostrado no próprio anime, com alguns exemplos de oficiais completamente ineficientes.


Fábio “Mexicano”:

O Império não foi formado em um contexto militar – nem havia contra quem lutar. Tenho certeza que a aristocracia original era eminentemente civil, ou pelo menos é o que faria sentido nesse contexto. A guerra contra a Aliança começou séculos depois, e isso deve ter aumentado o poder dos militares. As forças armadas, contudo, provavelmente cresceram e sempre foram controladas pela aristocracia tradicional. Não sei como o autor explica isso, mas eu imagino que o caminho natural tenha sido o surgimento das forças armadas controladas pelos civis e, com o tempo e a guerra prolongada, algumas famílias aristocráticas se tornaram mais militares do que qualquer coisa. Mas entre essas podem haver tanto as que subiram de baixo e se tornaram poderosas apenas por seus feitos militares quanto as que já eram poderosas em contexto civil. Não imagino os civis tão subordinados assim. Mas o anime ainda não explicou nada, então isso tudo é só especulação.


Diego:

Bom, o anime ainda está no seu começo, afinal (ainda que eu duvide muito que ele trará esse grau de detalhamento: ele é simplesmente pequeno demais em tamanho para isso). Mas vamos então mudar de assunto e passar para uma última pergunta :D O próximo episódio muito provavelmente será focado na Aliança, então vou aproveitar para perguntar quais as expectativas de vocês para ele. O que gostariam de ver no episódio 4?


Fábio “Mexicano”:

Um espelho do três, tramoias políticas na Aliança, história do Ian, etc. Convenhamos que esse formato torna fácil saber o que esperar dos episódios pares.


Gato de Ulthar:

Fico com o Fábio, é hora de conhecer o Yang e a Aliança.


Vinicius Marino:

Confesso que, ao contrário do Império, que meio que diz logo de cara a que veio, a Aliança é um mistério.

O episódio 3 deixou bem claro que o Império não é flor que se cheire. Mas a Aliança? Precisarão de algo bem sério para manter uma certa ambiguidade moral. Estou curioso para ver quais serão os podres deles.


Gato de Ulthar:

Só para completar o que o Vinicius disse. Penso que os podres prováveis da Aliança são os podres que existem em democracias, como corrupção institucional, desigualdade social, etc…


Vinicius Marino:

Eu também acho. Mas esse é um ponto difícil de defender, e é por isso que estou animado para ver como será feito. Difícil porque ele passa muito rente da apologia das ditaduras. É muito comum entre ideólogos de autoritarismos frisar os defeitos das democracias como justificativa para terrorismo de estado ou suspensão de direitos humanos.

Se LOGH abordar isso sem medo de pisar em cascas de ovo será bem interessante.


Gato de Ulthar:

Sim, de fato. mas penso que LOGH apenas dará uma pincelada em tudo isso.


Diego:

Eu diria que o anime original conseguiu andar muito bem nessa linha. Em mais de um momento ele quase soa como uma apologia à ditadura de fato, mas ai vem outros tantos momentos em que a democracia é praticamente colocada como moralmente superior. É uma ambiguidade que consegue jogar a “decisão final” sobre qual o melhor para o espectador. Agora, esse novo anime vai conseguir seguir esse mesmo caminhar? Acho bem difícil, mas vamos esperar pra ver, né? :P E com isso, então, vamos ficando por aqui. Até a semana que vem a todos o/

E você, leitor, que achou destes terceiro episódio? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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