Café com Anime – Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online, episódio 1

E cá estamos nós, em mais uma edição do Café com Anime: nossa conversa semanal sobre alguns dos animes da temporada. Aqui você confere nossa discussão sobre o primeiro episódio de Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online, com presença do Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, o Fábio “Mexicano”, do Anime21, e do Vinicius Marino, do Finisgeekis, além, é lógico, de mim mesmo [rs]. Sirvam-se então de uma xícara do seu líquido predileto e venham então conferir o que achamos desse primeiro episódio :D

E claro, sempre bom lembrar: aqui no É Só Um Desenho você também confere nossas conversas sobe Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These, às segundas, enquanto que no Dissidência Pop estarão nossas conversas sobre Mahou Shoujo Site, no Anime 21 aquelas referentes à Hisone to Maso-tan, e no Finisgeekis continuamos com as conversas sobre Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen, que entrou agora em seu segundo cour.


Diego:

E começou então um dos títulos mais esperados da temporada: o spin off de Sword Art Online. E com a sua estreia, começa também o nosso Café com Anime sobre ele :D E vou dizer, eu curti esse primeiro episódio. Foi exatamente o que eu esperava desse anime: uma divertida história de ação. A dinâmica da dupla principal foi também interessante de se ver, e a protagonista tem pelo menos algumas reações divertidas :P Mas e vocês, o que acharam dessa estreia?


Gato de Ulthar:

Sinceramente? Eu achei tudo um tanto quanto bobo. Claro que é pedir demais táticas militares reais e verossimilhança em um jogo online, mas mesmo assim. Foi totalmente brochante a protagonista ter vencido a batalha final utilizando-se de super velocidade! O time dos mercenários estava jogando sério para caramba e vem a menina e usa um baita de um hack pra ganhar o jogo…

E aquele time das metralhadoras? Foi uma vergonha alheia tremenda, ok que é um jogo ficcional onde ninguém morre de verdade, mas é ridícula a tática deles de simplesmente ficarem atirando sem para até acabar as balas. Qual o sentido disso? É completamente ridículo até para quem joga jogos online.

Tirando tudo isso, até que é divertidinho, mas é um pão com ovo. Diverte, alimenta, mas é isso, não é um filé mignon.


Diego:

Sobre a velocidade da menina, é sempre bom lembrar que aquilo é um jogo online. Com toda certeza isso é alguma habilidade especial que ela possui, provavelmente por conta do corpo mais baixo.

E sobre o time com metralhadoras… Bom, a apresentadora do começo do episódio bem disse que qualquer um poderia se candidatar ao torneio. O time era ruim, e justamente por isso morreu rápido.


Gato de Ulthar:

Sim, é uma habilidade dela, mas ela ter feito uso da super velocidade simplesmente tirou, para mim, todo o mérito da vitória, uma vez que o inimigo se limitava a simular um combate real. Ela trapaceou? Não, mas sei lá, me soou anticlimático.


Fábio “Mexicano”:

Tédio, tédio, tédio … alguém acha legal assistir o grandão explicando tudo o tempo todo, sem ação nenhuma? A protagonista é tão … sei lá, boba? Ela não sabe nada, não entende nada, mas parece muito orgulhosa de sua submetralhadora rosa. E de toda a sua roupa rosa. E de ser pequena o bastante para caber em uma mala. Sério, a parte final, quando enfim teve ação, foi pior ainda. Ah, corpos não podem ser perfurados! Que informação útil revelada no momento mais conveniente possível! Que ação sem graça. Ela derrotou todos eles porque tem uma habilidade sobre-humana – parece que ninguém tem habilidades sobre-humanas no jogo, embora elas obviamente existam, só ela. Que saco de episódio.

Achei bem besta também ele forçar a barra no começo do episódio para falar oh! Realidade virtuaaal!!! Sendo que na prática isso não tem importância nenhuma. VR ou não, é só um MMO. Ok, fez diferença na hora que os mercenários puderam usar suas habilidades reais, mas como a rosinha disse, isso parece mais cheat do que feature. No SAO original o VR tinha a função de tornar verossímil a ideia de alguém ficar preso em um jogo e até poder morrer nele (como .hack fez antes, aliás).


Gato de Ulthar:

Meu problema nem foi tanto com o grandão ficar explicando tudo, mas com a protagonista em si, ela é super habilidosa pelo que parece, mas não entende praticamente nada de combate, quem dá todas as coordenadas é o grandão.

A luta final foi sofrível mesmo. Está bem chamar de cheater os mercenários, pois eles realmente possuem treinamento profissional, mas ao meu ver, a menina foi muito pior com a super habilidade dela.


Fábio “Mexicano”:

Ela não pareceu super habilidosa. Pareceu ter habilidade apenas ok, o diferencial é a super velocidade.


Gato de Ulthar:

Sim, ou não? O fato é que a super habilidade dela provém da super velocidade. Achei digna a ação dos mercenários restantes em se deslogarem depois que a rosinha avacalhou a seriedade do jogo deles.


Fábio “Mexicano”:

Mas é meio idiota também da parte deles querer treinar “normalmente” em um mundo com super-habilidades. A não ser que por alguma razão realmente obtusa poucos jogadores costumem ter super-habilidades, ou por alguma razão ainda mais obtusa apenas nessa partida, e do que vimos até agora, poucos terem super-habilidades.


Gato de Ulthar:

Depende, mas pelo visto eles conseguem bons resultados. Eles derrotaram algumas equipes antes de se depararem com uma habilidade especial, então, cada vez que há super poderes envolvidos eles vão embora.

Acho que é bastante efetivo para eles.

De qualquer forma, para um episódio que foi só ação, pois praticamente não teve desenvolvimento fora do jogo, as cenas de batalha foram muito fracas.


Fábio “Mexicano”:

Sim, o que eu estou dizendo é: super-habilidades existem. Se elas são raras, isso é tosco, justifica eles estarem lá mas no fundo serve só pra destacar a protagonista (como se ser uma loli pink não fosse destaque suficiente). Se super-habilidades por outro lado forem comuns, então eles não tinham muito o que fazer lá, e foi realmente “conveniente” que tenham demorado tanto a encontrar alguém com super-habilidades.

Ação? Teve ação no final do episódio. Tudo o que teve antes eu não conto como ação.


Gato de Ulthar:

É complicado… Aqueles retardados das metralhadoras…


Fábio “Mexicano”:

Até compro o que o Diego disse: existem retardados em games online. Mas quando todo mundo é retardado, exceto, lógico, a protagonista…

Destaco ainda como esse jogo é absolutamente fake: todo mundo sabe que na internet tá cheio de homem com avatar de mulher. Mas nesse Gun Gale Online, onde você pode ser até uma loli pink, parece que a maioria escolha uma aparência realista, masculina. Tá bom.


Diego:

Sobre esse seu último comentário, Fábio, entra ai o fato desse anime ser um spin off do SAO original. Acontece que na segunda temporada do anime é explicado como o avatar em GGO é randomico: no momento em que você entra, o jogo atribui um para você, respeitando apenas o seu gênero.

Quanto ao restante, deu pra ver que a sua boa vontade para com esse anime será a mesma que a minha para com Mahou Shoujo Site, que estaremos discutindo no Dissidência Pop :D kkkkk Em todo caso, eu não vejo problema na maior parte do episódio ter sido explicação: serve para mostrar como o M é experiente, se mais nada.

O que eu achei mais ou menos mesmo foi a protagonista ser, aparentemente, apenas ok, e mesmo assim ao final do episódio temos aquele grupo de garotas falando da LLENN como se ela fosse algum tipo de estrela. Ok, pode ser exagero delas, mas quero ver como vão trabalhar isso ai… Se ela realmente for famosa, vai ser meio incompatível com a aparente pouca habilidade que ela possui, boa em combate direto, mas bem ruim em bolar estratégias.


Fábio “Mexicano”:

O M explicou tudo, menos o que realmente teria feito diferença explicar, pelo visto.

Claro que seria idiota ele explicar essas coisas, mas é porque são coisas idiotas mesmo, umas conveniências bem bestas que não se encontram em jogo online nenhum, e por boas razões.


Diego:

Sinceramente, foi o primeiro episódio. Não acho justo falar em “conveniência”, o ponto é justamente estabelecer aquele universo aos poucos. Então demoraram pra nos dar uma informação – grande coisa. Não é como se estivéssemos introduzindo algo no último episódio no meio da luta final :P


Fábio “Mexicano”:

Então, o episódio foi chato. Eu não achei divertido ficar assistindo o M explicando tudo pra Loli Pink, nem um pouco. O resto é resto, já estou no clima de reclamar vou reclamar.


Vinicius Marino:

Eu tentei entender o apelo desse anime. Muito. E acho que cheguei numa resposta.

Ele é o equivalente beligerante daqueles gourmet anime que consistem apenas de pessoas comendo. Tipo Isekai Shokudou. É ótimo para quem gosta de ouvir que a P90 não tem alcance além de X distância. Ou para ver um marmanjão descrevendo o calibre das metralhadoras. E só.

Eu, particularmente, não tenho nenhum interesse em especial por armas modernas. E passei 30 minutos coçando a cabeça atrás de outra coisa. Onde está o conflito? Onde está o worldbuilding? Onde está o motivo para eu me preocupar com tudo isso?

Gente, é uma partida online. Perdeu, joga outra. Quando eu curtia jogar online, às vezes jogava 4-5 seguidas, tendo tempo. O que exatamente está em jogo aqui?


Fábio “Mexicano”:

Era um campeonato oficial … que é, não sabíamos o que tinha de importante.


Gato de Ulthar:

Talvez explorem algum conflito pessoal da protagonista nos próximos episódios. Provavelmente essa foi uma tentativa, um tanto capenga, de mostrar do que se trata o jogo.

Mas realmente, ficou um tanto vazio…


Fábio “Mexicano”:

Eu consigo imaginar esse anime tendo pelo menos ação divertida, empolgante até, mas não foi o que eu vi no primeiro episódio. Para quem curte jogos online tem a graça adicional de observar os diferentes tipos de jogadores em seu “habitat natural”, suponho. O que também não é o meu caso.


Vinicius Marino:

Ah, então é tipo anime de esporte? Ok, foi um péssimo anime de esporte

A personagem não é uma underdog carismática. É só uma cheater.


Fábio “Mexicano”:

Para o japonês esse tipo de garota frágil meio abobada e desastrada deve ter algum apelo carismático, suponho. Pra mim é só uma chatice a mais.


Gato de Ulthar:

Vou dizer o que eu esperava. Eu imaginava que a menina seria uma loli cor-de-rosa badass.


Fábio “Mexicano”:

Talvez esse anime acabe tendo o mesmo defeito de Kino no Tabi, e não é à toa que seja escrito pela mesma pessoa: ele prega para os convertidos.

Ela não é badass. Ela é uma desastrada meio tímida com uma habilidade de super-velocidade.


Vinicius Marino:

O fato de ela ser desastrada só prova quão mais desprezível ela é. Ela é o típico noob de FPS que não consegui nem mirar, mas compensa pagando por habilidades poderosas e skins ridículas.

Sério, eu não jogo FPS para não ter de conviver com gente como essa. E agora vou dedicar 30 minutos da minha semana a ver uma estrupícia dessa brilhar. Que bosta, Diego!


Fábio “Mexicano”:

Na temporada retrasada teve Net-juu no Susume, que foi um anime sobre MMO também, e a questão dos personagens serem fracos ou se tornarem poderosos com a habilidade dinheiro do mundo real aparece, mas não era um anime sobre suas aventuras no MMO, e sim sobre os jogadores de carne e osso, fora do jogo. Uma abordagem totalmente diferente. Eu gostei muito do anime.


Vinicius Marino:

Esse é outro problema de histórias sobre “games”. É preciso ter alguma stake no mundo real. Porque jogo é jogo, e pra ver alguém jogar prefiro jogar eu.


Fábio “Mexicano”:

O primeiro SAO resolve isso transformando o jogo em um conflito de vida ou morte, literalmente.


Vinicius Marino:

Essa é uma crítica justíssima lançada a Jogador No 1, livro do Ernest Cline que acaba de virar filme. Felizmente, a adaptação do Spielberg melhorou muito as coisas.

Mas já que você citou SAO, deixe eu pistolar uma coisa aqui: eu só aceitei assistir a essa joça porque me foi prometido que não teria nenhuma continuidade com SAO. Então eu não vou aceitar nenhum argumento que resmunge “Ah…. mas em SAO era assim”, “Ah… mas em SAO explicava”. “Ah…. você diz isso porque não viu SAO”.


Fábio “Mexicano”:

Eu não acho que SAO foi um bom anime. Só dei um exemplo como mesmo SAO já se preocupou, em algum momento, com esse elo importante com a vida real.


Diego:

Acho que a fala do Vinicius foi mais para o meu comentário, Fábio :P Ainda que eu acredite que esse anime também explicará sim a mecânica de criação de personagens de GGO, eu só adiantei um pouco a coisa.

Dito isso, volto a dizer que esse foi apenas o primeiro episódio, e um que se preocupou em estabelecer o universo, a protagonista (in game) e um pouco da ação que provavelmente virá pela frente. Francamente, ele não precisava de mais do que isso. Stakes vêm com o tempo, conforme formos aprendendo mais sobre os personagens.

E eu vou dizer que não entendi a crítica do Vinicius aos FPS’s x_x. Habilidades poderosas e skins são parte do jogo. Estão lá pra quem quiser usar. Ter um bom equipamento e uma boa árvore de habilidades faz parte da condição de vitória em qualquer jogo do tipo ^^’ Sei lá, só me fez lembrar do meu irmão menor, que quando vai jogar um FPS fica xingando o oponente de “hacker” cada vez que toma um tiro :P


Fábio “Mexicano”:

Nos dois cours do primeiro SAO sabemos desde o começo o que está em jogo, e o mesmo se pode dizer de Net-juu no Susume, .hack//Sign e .hack//Roots, e um outro MMO que é comédia romântica escolar cujo nome me escapa agora. Esse SAO Alternative GGO é que é o ponto fora da curva em seu gênero, e para a pior, se me perguntar.


Diego:

É, mas SAO é um anime muito mais plot driven. É natural que ali o “end goal” seja dado logo. SAO Alternative pelo visto será bem mais focado em seus personagens, então acho que não dá pra comparar os dois nesse sentido (mas não vi Net-Juuu).


Fábio “Mexicano”:

Tanto Net-juu quanto Netoge são character-driven.

Acabo de ver isso e achei que merecia ser compartilhado. Obviamente não sei se é o caso, mas parece, principalmente quando ela é a única que se destaca e conseguiu inclusive derrubar quatro jogadores que são profissionais na vida real sozinha porque é a única pessoa que apareceu no anime a ter uma habilidade especial. Se a questão do “free vs premium” é algo que já nos irrita em jogos reais, por que alguém ficaria feliz vendo isso em um anime executado da forma direta que foi?


Diego:

Certeza que não foi nada do tipo. A velocidade dela deve ser alguma skill que veio junto do avatar, algo que ela treinou colocando muitos pontos em agilidade, ou mesmo uma skill que veio com a arma. Mas uma skill comprada? Duvido muito.


Fábio “Mexicano”:

A sensação de que foi “roubado” é a mesma. Ela é definitivamente a única criatura ali que se destaca.


Gato de Ulthar:

Aparentemente só os personagens principais terão poderes, tirando o M. Aposto que a loli loirinha e a moça de cabelos negros que parece a vilã também deverão ter sua dose de poderes.


Fábio “Mexicano”:

Acho que super-poderes estão reservados aos avatares femininos. Que se funciona como o Diego disse, estão reservados às jogadoras mulheres.


Vinicius Marino:

Comprado, não Comprado, dá na mesma. Todo jogo possui habilidades overpowered feitas para noobs pegarem o jeito. Estas habilidades costumam ser informalmente banidas em alguns servidores por questão de fair play. Ou isso ou você verá todo mundo usando a mesma build.

O fato dos soldados explicitamente falarem que ela não estava jogando nas “regras” do mundo real sugere o primeiro caso.

E se poderes forem mesmo restritos às mulheres, gostaria que alguém me explicasse a surpresa das meninas quando a amiga ganhou. Bem fácil ganhar quando você leva uma pistola a uma briga de facas.


Diego:

Mas essa não é a própria definição de meta game? Uma bild, personagem, skill, ou o que for que todo mundo usa justamente por ser mais forte? Sei lá, pra mim isso é parte intrínseca do jogo. E se parcece injusto… bom, é como dizem, quer um jogo justo vai jogar xadrez, porque o resto… x_x

E não, habilidades especiais não estão reservadas a jogadoras mulheres ou a avatares femininos. Se eu fosse chutar mesmo, eu diria que a LLENN provavelmente colocou tudo que é ponto possível em agilidade.


Fábio “Mexicano”:

Existem as coisas que são e existem as coisas que parecem ser. Supostamente, segundo o Diego, a LLENN não é assim tão especial. Mas nada muda que nesse episódio todos os jogadores tinham cara de gente, habilidades humanas e eram todos homens, exceto a LLENN, que parecia aquele gnomo pink super-veloz. Eu quero acreditar e espero que os próximos episódios mostrem que ela é razoavelmente ordinária, mas nesse primeiro episódio ela totalmente pareceu tão diferente, tão especial, que em um torneio passa por cheater mesmo.


Vinicius Marino:

Não é essa a definição do metagame? Sim e não. A coisa é mais complicada.

Como lembra o designer Jesper Juul no livro A Arte do Fracasso, noções de fair play estão relacionadas a tipos de desafio diferentes.

Na Fórmula 1, por exemplo, há limites a inovações que as equipes podem fazer nos carros. Do contrário, as scuderias mais ricas levariam todos os prêmios. O que está em jogo? Um desafio baseado na perícia do piloto versus um desafio baseado na criatividade de engenheiros.

FPS tradicionalmente são jogos baseados na perícia. Isto é, para acertar seus oponentes, você, jogador, precisa saber atirar. Se você tiver algum problema motor, por exemplo, é muito difícil que se dê bem nesse tipo de jogo.

RPGs, por outro lado, possuem uma dificuldade baseada no esforço. Você não precisa ser bom em nada, apenas ter paciência para upar suas personagens e a sagacidade de ler sistemas. Como o Juul lembra, essa é exatamente a mesma estrutura dos jogos mobile casuais viciantes.

O problema é que FPSs começaram a se apropriar de mecânicas de RPG. O fã de tiro precisou começar a se preocupar com builds. E o RPGista teve de aprender a atirar. Mas acontece que essas filosofias não são inteiramente compatíveis.

Para o RPGista isso não foi grande problema. Sempre é possível fazer mais grinding e tornar o desafio irrisório (Embora alguns dos primeiros híbridos, como o TPS/RPG Mass Effect, foram muito criticados). Para o fã de tiro, no entanto, isto significou que perícia, antes algo que você precisava treinar para adquirir, agora se tornou algo comprável.

Isso piorou com as microtransacões. Tal como os jogos mobile, estúdios inseriram mecânicas de RPG em seus jogos para depois cobrar de seus jogadores para “acelerar” sua obtenção. Alguns jogos, como Star Wars: Battlefront II, ganharam sistemas tão sacanas que obrigam o jogador a gastar dinheiro. Quando se chega a esse ponto, entramos no dilema fórmula 1. O jogo deixa de ser uma disputa entre pilotos e vira uma disputa de engenheiros. Ou, nesse caso, entre adolescentes viciados que passam 20 horas por dia upando seu personagem e torrando o dinheiro do papai com upgrades.

Para o moleque mimado que só se importa em ganhar, não há nada de errado. Mas para uma liga esportiva manter competitividade, isso é o beijo da morte.

É por isso que todos os esportes têm regulações. É por isso que doping é proibido nas Olimpíadas. É por isso que aquelas peles de tubarão foram banidas na natação. É por isso que jogos como Magic The Gathering possuem listas quilométricas de cartas restritas e banidas.

Uma coisa só entra no “metagame” se ela for uma manobra válida dentro daquela comunidade. O fato da loli rosa ter o que ninguém têm significa ou que ela é trapaceira ou que ela é a única pessoa sapiente no meio de centenas de marmanjões acéfalos. Nenhuma das opções me dá a menor vontade de assistir a essa bagaça.


Fábio “Mexicano”:

E ela literalmente só correu de um lado pro outro, o episódio destacou que ela ganhou porque foi mais veloz do que os adversários – homens treinados em combate armado – conseguiram acompanhar. Se tivesse mostrado um pouco de esforço, um pouco de dificuldade, ou um pouco de estratégia que tivesse saído da cabeça dela ao invés da cabeça do M e que fosse um pouco mais engajante do que se esconder dentro de uma mala e atrás de cadáveres convenientemente indestrutíveis, já começaria a fazer diferença. Ao invés, SAO Alternative GGO esteve muito perto de fazer o pior possível, e só não digo que fez o pior porque dou de barato que sempre possa ser pior, não porque eu consiga imaginar algo pior nesse aspecto.


Vinicius Marino:

Eu consigo. Ela podia ter usado essa skin aqui XP


Fábio “Mexicano”:

:D


Diego:

Eu sei que essa é a última coisa que o Vinicius quer ouvir, mas… No SAO original, o que permitiu ao Kirito se destacar pra caramba em GGO foi a sua velocidade. Seus status de agilidade era alto, bem como o seu tempo de reação (não a toa ele é o segundo personagem mais forte da franquia). É em novels futuras que os jogadores de GGO até passaram a dar mais valor à agilidade depois de verem o desempenho dele, mas ninguém havia conseguido repetir a performance que ele possuía.

Tudo isso pra dizer: talvez seja só o caso de a agilidade não ser vista como uma habilidade particularmente útil, ou que valha a pena o esforço necessário para upar e dominar. E sim, eu sei, é informação do anime original e das novels, mas ainda estamos no primeiro episódio. Com toda certeza essa super velocidade da LLENN ainda será melhor explicada. E no fim, nós nem podemos realmente dizer que ela é a única com uma skill dessas. A gente só viu três times! Um deles sendo um bando de idiotas, o segundo propositadamente buscando se manter dentro dos limites humanos, e o tima da LLENN.


Fábio “Mexicano”:

O SAO original é um RPG. Todo mundo tinha habilidades fantásticas lá. E ele tinha algumas a mais, por ter participado do beta. Foi tudo muito bem explicado no começo. Pena que só o começo de SAO foi decente.


Diego:

Na verdade, ele só tinha conhecimento do beta. A única habilidade especial dele era a dual blade, que ele recebeu justamente por ser o jogador com melhor tempo de reação.


Fábio “Mexicano”:

Eu não sei o que dizem as novels, mas se ainda me lembro do anime, é dito explicitamente que ele participou.


Diego:

Sim, ele participou do beta, por isso tinha conhecimento de coisas como caminhos mais curtos entre cidades. Mas ele não ganhou nenhuma habilidade especial por ter participado.


Fábio “Mexicano”:

Se ele não tinha habilidade só por ter participado do beta, ele tinha conhecimento e montou uma build melhor por ter participado do beta. O efeito é quase o mesmo, no final.

Em todo caso, isso é explicado antes do anime começar.


Diego:

Não realmente, já que ele nem sabia ser possível conseguir aquela skill :P Lembrando que o pessoal do beta não chegou a ir muito longe no jogo não.


Fábio “Mexicano”:

Se SAO tivesse mostrado um Kirito overpower sem explicar, não tenho dúvida que a reação de muitos seria semelhante à minha e à do Vinícius logo de cara. Esse SAO está tomando liberdades porque conta que sua audiência já conheça esse mundo e esse jogo. Como eu disse já bastante acima, ele prega para convertidos


Vinicius Marino:

Bom, já que conhecimento de SAO parece ser imprescindível para esse anime fazer sentido, eu abro mão de comentar qualquer coisa sobre seu enredo, cenário ou personagens. De agora em diante, só falarei sobre aspectos técnicos.


Diego:

“Imprescindível” não é, pelo menos não ainda. Mais uma vez: foi o primeiro episódio. Não da pra saber o que será ou não explicado daqui pra frente. Esperemos um pouco antes de achar que X ou Y é um problema de roteiro quando ainda estamos no episódio 1 de 12.


Fábio “Mexicano”:

Estou criticando justamente por ser o primeiro episódio e ter me deixado com cara de tacho aqui assistindo uma LLENN claramente diferente de todos os demais jogadores e sem entender porque é assim. Se tivesse sido um episódio divertido, poderia deixar passar, mas eu não me diverti com o M narrando o tempo todo. Se a LLENN fosse mais cativante, poderia deixar passar, mas ela é só uma garota moe desastrada bastante padrão.

Eu quero muito que melhore nos demais episódios – eu vou ter que assistir isso, afinal. Mas, para mim, sem bagagem em SAO, que detestei o primeiro anime e nem terminei de assistir depois que começou o segundo cour, esse episódio foi de longe o pior que já assisti dessa temporada. E eu já assisti Souten no Ken Re: Genesis.


Diego:

Se você já reclama do anime se dar ao trabalho de explicar as estratégias do M, imagina ele parar ainda mais vezes pra explicar bilds, e habilidades, e avatares, e sabe-se lá o que mais. Ai sim que o ep virava um infodump de 22 minutos.


Fábio “Mexicano”:

Eu estou torcendo para ele NÃO explicar tudo isso. Que horrível seria!


Vinicius Marino:

Se o anime é incapaz de mostrar visualmente como uma estratégia funciona, talvez adaptá-lo às telas tenha sido um erro.

Sabe o que é mais complicado do que uma partida babaca de FPS? O Dia D. Agora assista O Resgate do Soldado Ryan e me conte as linhas de diálogo expositivo.


Fábio “Mexicano”:

Claro que algumas explicações eventuais são aceitáveis. Mas nesse primeiro episódio ele literalmente narrou tudo do começo até o fim, estivesse eu vendo o que acontecia ou não.


Vinicius Marino:

Obrigado, soldados! Eu jamais adivinharia o que esse objeto pitoresco fazia!


Gato de Ulthar:

Uma coisa que foi comentada no começo é que realmente ocorreu aquele problema no RPG de SAO onde se tornou um combate mortal, quem morresse no jogo morria na vida real.

Se acontecesse algo do gênero nesse anime, com a LLENN tendo que lutar por sua vida, creio que as coisas poderiam ficar mais interessantes. Muito melhor que ver ela jogando casualmente.


Fábio “Mexicano”:

Nem faço questão de tanto, mas sim, falta “alguma coisa”. Eu não me interesso nada pela LLENN, na verdade acho-a um personagem quebrado e que destruiu o episódio em sua única participação relevante nele, mas eu posso vir a me interessar pela jogadora por trás dela.


Diego:

Bom, acho que só nos resta esperar para ver como o anime irá trabalhar todas essas questões daqui para frente. Sendo assim, vamos ficando por aqui. Até a próxima semana o/

E você, leitor, que achou deste primeiro episódio de Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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