Café com Anime – Kokkoku, episódio 11: “That’s Not Even My Final Form!”

Começa então mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. Como de costume, juntando-se a mim no debate temos o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, todos aqui para falarmos agora do décimo primeiro episódio de Kokkoku.

Mas antes de passarmos à conversa, quero lembrar a todos que cada blog participante do Café com Anime serve de host ao debate de um título diferente. No Anime 21 vocês conferem as conversas sobre Violet Evergarden; no Finisgeekis, as de Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen; e no Dissidência Pop temos as de Junji Ito Colection e de Mahoutsukai no Yome. Não deixem de conferir os outros debates e boa leitura o/


Diego:

Bom… ao menos só falta um episódio pra acabar (eu espero). Olá a todos e bem vindos ao décimo primeiro Café com Anime de Kokkoku \o/ E… digam que vocês também acharam esse episódio uma tremenda sequência de WTF, por favor. E mais alguém riu alto quando o pai da Juri chegou na espadada no Sagawa? :D


Gato de Ulthar:

Isso era para aqueles que esperavam que o pai da Juri faria alguma coisa. Chegar com a katana e enfiar no Sagawa não foi nada demais, sou sádico por te gostado de quando ele perdeu os dedos e foi expulso de lá?

E me pergunto, vão criar o Sagawa como um filho?

Parece novela mexicana.


Vinicius Marino:

Meu santo Deus. Não, Kokkoku, não é o Sagawa que é insistente. É você!

Eu ia falar que a palhacice do Takafumi redimiu a personagem. Ia comentar como gostei da forma água-viva-com-cerol do Sagawa. Mas esse final?

Não, Gato, acho pior que novela mexicana. É um pseudo-intelectualismo simbólico à la 2001: Uma Odisséia no Espaço.


Gato de Ulthar:

Eu gosto muito de 2001: Uma Odisseia no Espaço! E essa sequência final psicodélica foi um dos momentos que eu mais curti, mas claro, tirando o aspecto visual, no livro o momento faz bem mais sentido, pois o protagonista teve contato com uma civilização alienígena que já havia chegado no terceiro estágio da evolução, formas de vida exclusivamente compostas por energia (os dois primeiros estágios são respectivamente formas de vida orgânicas, como nós, e o segundo formas de vida exclusivamente inorgânicas, baseadas em metais, como naves e computadores “vivos”.

Disse tudo isso só pra falar que não compare Kokkoku com o clássico de Arthur C. Clarke!

Espero ver a Juri cuidando do bebê Sagawa eternamente no mundo parado. Mas isso é bem difícil de ocorrer.


Vinicius Marino:

Eu amo 2001, inclusive as tomadas simbólicas. Meu problema não é com o filme, nem com a obra original do Clarke, mas com as tentativas de chupinhar a profundidade do filme copiando as suas sequências. Muita ficção científica meia-boca têm feito daquela época até os dias de hoje.


Gato de Ulthar:

Ahhhh, entendi, e faz todo o sentido.

E Kokkoku é justamente umas dessas obras meia-boca.


Vinicius Marino:

Do jeito que Kokkoku está indo, daqui a pouco o Sagawa vai virar um macaco e tacar um osso para o céu. Depois, não satisfeito, vai se transformar em uma inteligência artificial e partir para Júpiter.


Gato de Ulthar:

Outra coisa que me chamou a atenção, por quantas transformações o Sagawa passou? De humano para Toguro, depois para balão de ar (essa durou pouco porque explodiu), depois um velhinho seco, daí, um casulo cristalizado, e por último um bebê. No que mais ele se transformará?

Ele é mais versátil que Pokémon e possui mais transformações que o Goku :P


Vinicius Marino:

Crédito onde é devido: Kokkoku erra em muita coisa, mas não na criatividade. E o furacão de ideias por trás do Sagawa é uma verdadeira viagem de ácido.


Diego:

Enquanto vocês estão ai discutindo o pretensiosismo de Kokkoku de emular uma cena em 2001, eu to aqui só pensando em como o bebê Sagawa estava respirando quando a Juri teoricamente expulsou o espectro dele :P Foi a única parte desse final que me incomodou, em grande medida porque depois de tudo o que rolou eu já estou em um estado de “só aceita” com Kokkoku (e acho que já disse isso antes lol).

Mas as transformações do Sagawa foram mesmo bem interessantes. Eu definitivamente não esperava as duas últimas, e foi um conceito bem legal ele virar um cérebro e depois um casulo.


Gato de Ulthar:

Pois é, o cérebro! Eu havia esquecido de mencionar ele.


Vinicius Marino:

Só eu que não consegui expurgar essa imagem da minha mente?


Gato de Ulthar:

Eu também pensei exatamente isso! :P


Fábio “Mexicano”:

Minha cara vendo esse episódio:

Mas vá lá, até antes dele virar um bebê dá pra tolerar. Tudo parece fazer algum sentido, supondo que ele tenha dominado o próprio corpo e os espectros em nível quase molecular. Mas virar um bebê? Qual é, para com isso. Ainda mais logo depois da Juri tirar da bunda a conclusão de que ela e o Sagawa são iguais. Iguais em que? Nem iguais em determinação eles são, pois apesar do que ela disse, já havia ficado claro na cena no quarto que ela não ia ter coragem para passar a faca no vilão. Ela estava ligeiramente mais corajosa que o avô, mas não o suficiente. Então no que exatamente os dois são iguais???


Gato de Ulthar:

Pois é, eu literalmente boiei nessa parte, no que os dois são parecidos?

Eu pensei que não havia captado a nuance do episódio, mas pelo visto não foi só eu.


Diego:

O anime parece tentar passar que são iguais no sentido de nascerem em famílias problemáticas, mas mesmo nessa comparação o episódio esquece que os dois encaram isso de formas bem diferentes. O Sagawa faz de tudo para fugir da sua família, enquanto que a Juri fez de tudo para lutar por ela. Dito isso, eu pelo menos gostei da sequência após ela concluir que os dois são iguais, tacando o foda-se e decidindo continuar com a expulsão do espectro. Em muitos animes uma realização do tipo faria o protagonista dar pra trás. Foi forçado? Sem dúvida nenhuma, mas ao menos eu achei que o anime fez algo minimamente interessante com isso.


Vinicius Marino:

E, justamente ao passar essa mensagem, Kokkoku mostra que não entende como pessoas de verdade funcionam. O anime esquece a famosa verdade do Tolstoi que abre Anna Karenina: “todas as famílias felizes são iguais. Cada família infeliz é infeliz de sua própria maneira”.


Fábio “Mexicano”:

Essa decisão após a realização de última hora da Juri é uma que ela já havia tomado lá no quarto também. Ela só reafirmou, depois de uma conclusão sem sentido.

Talvez diga muito mais sobre como a Juri encara sua relação com a família do que como as coisas realmente são? Alguém quer tentar interpretar a partir dessa premissa?


Gato de Ulthar:

A Juri é uma colcha de retalhos muito vaga, não dá para saber ao certo o que ela pensa ou pretende, no começo do anime ela tinha certa vergonha da família pelo estado deplorável dela, depois, no mundo parado, ela tomou a iniciativa de salvadora da família, lutando como uma tigresa para salvar todos, em especial o menino Makoto, no qual ela, como os demais, depositavam todas as esperanças possíveis. Mas o que ela realmente pensa da família? O que ela quer para si mesma?


Diego:

Eu vinha achando a caracterização da Juri ok pela maior parte do anime, fazendo dela uma pessoa que age com convicção quando em momentos de extrema necessidade. Dito isso, eu achei um pouco estranha a caracterização dela como totalmente disposta a matar o Sagawa. Esperava que ela fosse bem mais relutante do que acabou se provando, e isso me fez pensar desde quando a personagem estava assim tão ok de ativamente matar outra pessoa (lembrando que até aqui ela só expulsava os espectros, seus alvos aparentemente seguiriam vivos).


Fábio “Mexicano”:

Tão ok ela ainda não estava, afinal ela se assustou com o pai. Tanto no quarto quanto na rua ela parou instantes antes e reafirmou sua convicção, e só então prosseguiu. E nos dois casos, ela se comparou ao próprio vilão: talvez reconheça que o que decidiu fazer é em certa medida “errado”. Ou talvez seja uma forma de transferir a culpa para o próprio Sagawa.


Diego:

Talvez… Mas bom, mudando um pouco de assunto, que dizer do fim do Sagawa? O Vinicius já trouxe a sua indignação com a aparente tentativa de copiar 2001, mas o que os demais acham desse fim para o vilão da história? E acham que a família da Juri irá criá-lo? Ou talvez a Majima?


Gato de Ulthar:

Fim? Será que ele não tenta mais nenhuma transformação? Se não, penso que ele vai ser criado como uma “criança” normal, me lembro que em Fullmetal Alchemist Brotherhood acontece algo semelhante…


Fábio “Mexicano”

Sou à favor de doar o bebê Sagawa para a Pepsi fazer adoçante.


Diego:

Que referência, em Fábio :P E sim, Gato, acontece algo semelhante com um dos homunculos em FMA:B (melhor não dizer qual para evitar spoilers, por antigo que o anime já seja rsrs). Mas sobre o Sagawa, se for pra chutar eu diria que provavelmente a família da Juri irá criá-lo, mas pontos para o anime se resolverem botar ele pra adoção ou coisa do tipo.


Fábio “Mexicano”:

Larga ele no estase. Nada que venha do Sagawa é bom.


Vinicius Marino:

Eu acho que a Juri aceitará seus deveres maternos e criará o bebê anticristo. Um final zoado, forçado e moralmente questionável para um anime que… Bom, com esse final, não é preciso dizer mais nada.


Diego:

Bom, vamos então mudar um pouco o personagem em foco :D O que acharam do pai da Juri nesse episódio?


Gato de Ulthar:

Ele teve um desfecho digno de seu personagem, ter seus dedos cortados e sendo expulso do mundo parado como um idiota.


Vinicius Marino:

Adorei a participação dele. Foi perfeita. É para isso que ele foi criado.

De quebra, sofreu um pouco por toda a confusão que inadvertidamente causou as outros.


Diego:

Acho que existe um comentário a ser feito quanto ao fato do Takafumi ter sido o personagem mais bem caracterizado do anime – eu só não sei que comentário é esse :D Digo, ao menos as ações dele eu entendo, por patético que ele em si seja, o que já é mais do que eu posso dizer da vasta maioria do restante do elenco >.>


Vinicius Marino:

Não tenho como discordar. O fato dele ter um nome próprio de que todos nós nos lembramos é outra pista poderosa


Fábio “Mexicano”:

Ele é o único personagem de quem ouvimos seus monólogos internos! Ao se esforçar para fazer uma piada, acabaram criando o personagem mais bem caracterizado da história de Kokkoku. Isso definitivamente diz muito sobre essa série.


Diego:

Ótimos pontos. Bom, para finalizarmos, o que vocês esperam do final de Kokkoku, agora que falta apenas um episódio? Acho que todos concordamos que teremos um final feliz com todos deixando a stasis bem, mas esperam algo mais desse episódio final?


Fábio “Mexicano”:

Que o bebê Sagawa seja sacrificado no altar de seu próprio culto.

Para apaziguar a minha ira.


Vinicius Marino:

Posso ser bem otaku fedido? Quero que o anime justifique o fanservice do ending. Do jeito que está parece muito deslocado XP


Fábio “Mexicano”:

Oh sim, eu tinha pensado nisso também! Quero dizer, ele já “justificou” a loucura da opening, né?


Gato de Ulthar:

Quero ver a Juri criando o bebê Sagawa como uma criança normal, e os dois sendo felizes juntos.

Como num comercial de margarina.


Fábio “Mexicano”:

Eu quero ver a Juri criando o bebê Sagawa que nem em Usagi Drop (o mangá).


Gato de Ulthar:

Fábio…


Fábio “Mexicano”:

O anime que me ofendeu primeiro!


Diego:

LOL. Pois bem, acho que depois dessa podemos encerrar por aqui XD. Até a semana que vem a todos. E vejam pelo lado positivo: está acabando! \o/

E você, leitor, que achou de mais este episódio de Kokkoku? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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