Café com Anime – Kokkoku, episódio 10: Batalha Final?

Começa então mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. Como de costume, juntando-se a mim no debate temos o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, todos aqui para falarmos agora do décimo episódio de Kokkoku.

Mas antes de passarmos à conversa, quero lembrar a todos que cada blog participante do Café com Anime serve de host ao debate de um título diferente. No Anime 21 vocês conferem as conversas sobre Violet Evergarden; no Finisgeekis, as de Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen; e no Dissidência Pop temos as de Junji Ito Colection e de Mahoutsukai no Yome. Não deixem de conferir os outros debates e boa leitura o/


Diego:

Então né, oi? Bem vindos todos a mais um Café com Anime de Kokkoku, agora para falarmos de seu décimo episódio. E… Meu senhor, o que falar… A “luta final” foi uma das coisas mais anti-climáticas que eu já vi, espero que o Sagawa se recupere e tenhamos uma outra luta mais decente, porque essa… E precisamos mesmo de um flashback do Sagawa agora? Pra que?! Ai ai… Bom, vou só passar a boa por enquanto: e ai, o que vocês acharam desse novo episódio de Kokkoku?


Gato de Ulthar:

Não tenho nada contra a luta em si, foi ok para os padrões da série. Contudo, que ideia foi essa de fazerem o Sagawa ter que barganhar por sua vida? A cereja do bolo, ou pá de cal, foi ele contando sua história de vida para o Juri e o avô.


Vinicius Marino:

Ô gente, vocês ainda não aprenderam? Todo vilão precisa ser humanizado na hora H. Foi assim com o Cabelo Rosa do Kujira, assim será com o Sagawa.

Agora, vamos falar de pá de cal? E essa cigarra cagando na janela?

Sério, alguém por favor me explique a necessidade dessa cena. É uma metáfora para a qualidade da série?


Fábio “Mexicano”:

Se for metáfora, e acho que foi, provavelmente foi para dizer que a religião não tem nada de pura e etc.

Curiosamente, cigarras urinam, e dependendo da espécie pode sim ser bastante visível.

É só seiva de planta, porém. Enfim.

Então quer dizer que o Sagawa se tornou um assassino amoral porque se frustrou com seu pai quando criança e agora quer fugir dele para longe no futuro? Que muito maravilhoso.

Mas a luta foi legal sim, eu gostei, de verdade. Até a fuga do Sagawa foi compreensível e aceitável, bem como ele tentando barganhar pela própria vida no final. Nada muito inspirado, mas consigo achar verossímil. A motivação dele para tudo é que é apenas cretina. Não sei direito em que momento foi, acho que foi quando o pai dele disse “seu marido trabalha no fim de semana”, mas eu vi que aqueles dois iam ser pegos trepando há quilômetros de distância.


Diego:

Eu não sei se é por esse caminho que Kokkoku quer ir, Fábio, de explicar a personalidade do Sagawa por meio do que ele viu quando criança. Sei lá, é como você bem coloca, uma coisa não parece se conectar direito com a outra, o que pra piorar só mantém em aberto a pergunta de pra que um flashback agora. Sério, não era necessário. O Sagawa já é até que bastante humano, suas motivações são bem compreensíveis, e ele não ter escrúpulos em matar não é realmente algo que exija uma historinha de infância triste.


Fábio “Mexicano”:

Bom, ele começou a abrir o bico para tentar sobreviver. Se é pra ganhar simpatia, tempo, ou uma chance de esfaquear alguém pelas costas ainda vamos ver.


Gato de Ulthar:

Eu sinceramente preferiria que o Sagawa tivesse continuado como cosplay do Toguro e caçando o pessoal em uma busca frenética, do que enfraquecido tendo que barganhar por sua vida.


Vinicius Marino:

Poxa, a forma “zumbie rápido” do Sagawa é praticamente invulnerável! Só com a velocidade que ele exercitou na fuga poderia ter matado metade da turma da Juri.


Gato de Ulthar:

Eu achei esquisito ele ter fugido… Do jeito que ele estripou aquele arauto, eu esperava bem mais.


Fábio “Mexicano”:

Acho que ele se esgota muito rápido naquela forma. Parece já estar esgotado e encurralado, aliás, por isso ele começou a querer ganhar tempo e convencer com historinha.


Diego:

Não acho que ele esteja querendo ganhar tempo. Ele precisa de comida pra se regenerar, e sem isso ele pode comprar quanto tempo for que não vai adiantar nada.

Mas mudando um pouco de assunto, vamos falar um pouco da proposta que o Sagawa fez à Juri e ao avô, de ensiná-los a como sair da stasis por conta própria, sem a pedra. Acham que isso terá futuro na história? Imagino que o Sagawa morre mesmo, mas talvez essa fala seja foreshadow do deus ex que vai permitir à Juri deixar a stasis.


Vinicius Marino:

É .. Acho a mesma coisa. Por algum motivo, Kokkoku tem uma enorme cara de final feliz.

Dito isso, agora que Juri e cia. perderam seu King Kong de estimação, é bem possível que o caldo entorne. Pode ser que decidam matar o Capanga Genérico n. 23, o vira-casaca almofadinha ou até a própria Majima.


Fábio “Mexicano”:

Se controlar os espectros apenas com a própria força de vontade é possível, e o Sagawa já provou que é possível, certamente deve ser possível ordená-los que saiam de seu corpo – o que te joga para fora do estase. Pela mecânica que foi apresentada até agora, nada incoerente. A grande mudança mesmo foi a transformação do Sagawa.


Gato de Ulthar:

Penso como os demais, é uma deixa para um final feliz. A Juri precisa de algum método que a permita deixar o mundo paralisado.

Mesmo que eu ache isso uma conveniência de enredo bem meh.


Diego:

Não sei se acho uma conveniência, exatamente… Mas acho que o anime poderia ter explorado um pouco mais os spectres. O que são, de onde vêm, se são conscientes em algum nível, qual a relação que estabelecem com os humanos e porque… Praticamente tudo no universo de Kokkoku ou só “é”, ou é explicado com “porque sim”. Esse tipo de construção de mundo deixa sempre em aberto ao autor criar o que precisar quando precisar, e acho que nisso que algumas coisas soam como convenientes demais.


Fábio “Mexicano”:

Essa é a diferença entre fantasia pura e ficção científica, né? Sendo um cenário contemporâneo e tratando de um tema comum em ficção científica, o tempo, meio que esperamos que Kokkoku seja uma ficção científica. Mas não é. É só fantasia. Poderia ser com elfos em uma floresta, mas é com humanos em uma cidade.


Diego:

Não é bem por ai. Mesmo um mundo de fantasia ainda precisa de regras mais bem estabelecidas que vão além de “porque sim”. Ou, se há uma explicação “porque sim”, ela é geralmente algo primevo, um ou dois axiomas que servem de eixo central para a construção de um sistema mágico, por exemplo. Kokkoku deixa praticamente tudo em aberto.


Fábio “Mexicano”:

Depende. Geralmente é tudo “magia”, e quase sempre pode surgir uma “magia maior”.

Acho que Kokkoku está sendo súbito demais, apenas.


Vinicius Marino:

Nunca achei que diria isso, mas eu meio que concordo com o Diego. Mesmo a fantasia precisa ser coerente consigo mesma. Não dá para inventar um novo poder a todo instante só pela conveniência do roteiro. Por outro lado, também concordo com o Fábio de que o problema é só o andamento. Kokkoku está coerente à sua essência. Isto só está nos sendo jogado na cara sem a menor cerimônia.


Gato de Ulthar:

Concordo com o Diego e o Vinicius, mesmo um mundo mágico precisa de certa lógica para fazer sentido, eu pelo menos não aprecio poderes tirados de qualquer lugar só para o enredo se tornar conveniente.

Eu vejo que Kokkoku não soube para onde ir e tudo ficou meia boca, nada realmente ruim, só medíocre mesmo. A ação ficou mediana, o drama mediano, o desenvolvimento do lore mediano, a evolução dos personagens mediano, o mistério mediado. Kokkoku é se tornou um pão com ovo pela falta de capacidade técnica dos produtores em cozinhar algo melhor.


Diego:

Mesmo um pão com ovo pode ser gostoso, se bem feito. Mas Kokkoku tem um gosto meio insosso. Não tem nada estragado ali, mas claramente quem estava cozinhando não sabia muito bem o que estava fazendo. Não é O anime mais “soulless” que estamos acompanhando – Junji Ito e sua animação absolutamente vergonhosa levam esse prêmio -, mas é também uma história que parece se contentar em ficar no absoluto básico. O que torna o nosso trabalho meio complicado, já que é difícil achar o que falar dele :P

Bom, vamos então falar um pouquinho mais do Sagawa? Já discutimos ele em outras instâncias e mesmo um pouco nessa nossa conversa, mas o que acham do personagem como um todo? Funcional, ou diriam que nem isso? De minha parte, eu sinto que tinham uma boa ideia para o personagem – vou seguir dizendo que sua motivação é bem interessante -, mas não realmente souberam como executar da melhor maneira.


Fábio “Mexicano”:

Que absurda essa ofensa gratuita e desnecessária à Junji Ito! Diego, assim você me desaponta…

Sobre o Sagawa, acho que sempre critiquei ele, né? Não parecia um líder de culto, não tenho absolutamente a menor ideia de porque seguiriam ele (esse episódio ofereceu um vislumbre disso: talvez seja apenas hereditário mesmo, o que é tosco, mas vá lá, pode funcionar), o plano dele sempre pareceu grandiloquente e exagerado demais para um objetivo tão simples (sim, o objetivo era simples), e o que ele quer conseguir no final das contas sequer é maligno – só os meios que ele escolheu é que foram deliberadamente os piores possíveis. E desde que ele decidiu virar um arauto, tem alguma coisa de errada com o timing de cada decisão dele também que não sei explicar direito, pode ser só porque o anime é ruim, talvez a culpa nem seja dele.


Vinicius Marino:

Acho ele um amontoado de idéias – algumas boas, outras nem tanto – que nunca de fato se cristalizam. Eu consigo ver um grande vilão nele, que talvez ficou perdido nas páginas do mangá ou na cabeça do criador. Enfim, um antagonista perfeito para Kokkoku.


Gato de Ulthar:

Quanto a motivação dele, posso admitir que gostei da ideia, é algo que eu gostaria de botar em prática! Mas como vilão, ele não convenceu muito, muito menos como líder religioso. Em suma, parece que lhe faltou “sentimento”.


Diego:

Bom, vamos então ficando por aqui, e torcer para que tenhamos mais o que falar do episódio 11 :D Pelo menos Kokkoku já está na sua reta final. Só mais um pouquinho pessoal, e até a semana que vem o/

E você, leitor, que achou deste décimo episódio de Kokkoku? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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