Uma Breve Análise – Yu-Gi-Oh! Duel Monsters: Filler Feito Certo

Quando fillers são uma inevitabilidade, como fazê-los?

Desde bem cedo na história da indústria do anime a relação deste com os mangás foi bastante estreita. E desde bem cedo, animes que tentaram adaptar mangás em andamento se depararam com um problema crucial: como cabe muito mais conteúdo em um episódio de anime do que cabe em um capítulo de mangá, é sempre apenas uma questão de tempo até que o primeiro alcance o segundo e fique sem o que adaptar. Como, então, proceder?

Ao longo da história foram pensadas diferentes soluções, e hoje a mais usual é a de se adaptar apenas uma parte do mangá, deixando um final inconclusivo e retomando a adaptação quando houver conteúdo suficiente no material original – isso se a primeira adaptação render bem, é lógico. No passado, porém, a ideia de simplesmente parar a transmissão do anime não era realmente muito agradável, o que levou outra solução para o problema: fillers.

O termo vem do inglês e significa “preencher”, referindo-se a conteúdo do anime (de pequenas cenas até arcos inteiros) que não está no material original, colocado ali com o objetivo de se ganhar tempo enquanto o mangá seguia em publicação. Uma prática, hoje, universalmente criticada, e não sem motivo. Fillers raramente eram tão bons quanto o material original, mas podemos dizer que isso nem era o maior problema.

Narrativamente, fillers eram quase sempre inúteis. Eles não podiam avançar muito a história, os personagens ou os seus objetivos, do contrário seria impossível retomar a adaptação de onde ela havia parado. Dessa forma, quase sempre era possível excluir os fillers de uma obra qualquer e absolutamente nada de valor seria perdido. Mas eis então que temos Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, um anime que mostra que esse não precisa ser sempre o caso.

Quando fillers são uma inevitabilidade, como fazê-los?

A maioria já deve estar pelo menos familiarizada com a franquia Yu-Gi-Oh, que começa com o mangá de Kazuki Takahashi, originalmente publicado na revista semanal Shounen JUMP, e que hoje se expandiu para um dos jogos de cartas mais populares no mundo, ao lado de nomes como Magic e Pokemon TCG. A história original, porém, apresenta um defeito bem curioso: ela se foca demais no protagonista, Mutou Yuugi.

No começo do mangá alguns dos amigos do Yuugi até ganham um pouco de atenção, como a Anzu (Tea, na versão americana e brasileira) e o Jounochi (Joey, na versão ocidental), mas conforme a história vai avançando vai tudo se centrando cada vez mais no Yuugi, e os demais personagens vão sendo aos poucos postos de lado (literalmente até: eles ficam do lado torcendo enquanto o Yuugi arisca o destino do mundo em um jogo de cartas).

Justamente por isso o anime pode tomar uma decisão interessante para os seus fillers: aproveitar o conteúdo original para trabalhar um pouco mais personagens que o próprio Takahashi não estava a fim de trabalhar. O alvo favorito dos roteiristas do anime era o Kaiba, que se torna um personagem chave nos arcos filler do mundo de realidade virtual do Noa, do despertar dos dragões lendários, e no do último torneio antes de último arco.

Mas aqui e ali outros personagens também foram ganhando um pouco mais de atenção. Talvez o primeiro filler de fato do anime é o duelo do Yuugi contra a Rebecca, que nos dá um backstory bem legal pra como o avô do Yuugi conseguiu o Blue Eyes White Dragon – backstory totalmente original do anime. E vez ou outra o anime também faz algum secundário duelar só pra dar a ele um pouco mais de tempo de tela.

Não que todo filler de Yu-Gi-Oh Duel Monsters seja exatamente bom, mas né…

Agora, não me entendam mal, eu não estou dizendo que os fillers de Yu-Gi-Oh! Duel Monsters são bons. Alguns até de fato são, enquanto que outros só fazem abrir toda sorte de furos naquele universo (afinal, os monstros vem de uma dimensão alternativa conforme mostra o arco dos dragões da lenda, ou de dentro do coração das pessoas, como mostra o arco das memórias do faraó?). Mas eles estavam no caminho certo.

No passado, fillers eram praticamente uma necessidade, na medida em que o anime era feito para durar. Tudo bem que números exorbitantes como os de One Piece e Naruto eram raros mesmo na época, mas ainda assim era comum que um anime tivesse 50, 100, mesmo mais de 200 episódios. Parar a sua transmissão não era uma opção, ao menos não se o anime estivesse fazendo sucesso, então os roteiristas tinham de entregar algo.

Mas se for para criar conteúdo original, o melhor caminho possível é explorar o que o próprio autor não quis explorar. Personagens pouco destacados, side quests que talvez expandam a lore daquele universo, mesmo talvez um aspecto do protagonista que não foi bem trabalhado na versão original. Adaptação é também uma oportunidade para melhoras, e fillers podem melhorar uma obra – por difícil que seja de acreditar nisso hoje.

Animes mais recentes chegaram a fazer algo semelhante a Yu-Gi-Oh! Duel Monsters em maior ou menor escala. K-ON é quase que inteiramente filler, ao passo que a segunda temporada de Boku no Hero Academia teve um episódio dedicado à personagen Tsuyu – e ambas essas obras são largamente aclamadas. Ponto em caso: pela má fama que os fillers possuem, eles não são inerentemente ruins, e Yu-Gi-Oh é um singelo exemplo disso.

E você leitor, que acha da questão? Gostava de algum dos fillers de Yu-Gi-Oh! Duel Monsters? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário.

Redes sociais do blog:

Facebook

Twitter

YouTube

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, episódio 41

2 – Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, episódio 98

3 – Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, episódio 147

Um comentário sobre “Uma Breve Análise – Yu-Gi-Oh! Duel Monsters: Filler Feito Certo

  1. Yu-Gi-Oh Duel mosnters é mesmo um bom exemplo de anime com fillers bons, o primeiro filler do Duel monsters (porque antes a Toei animation adaptou os 7 primeiros volumes do mangá de yu-gi-oh, que os fãs batizaram de yu-gi-oh zero porque é o primeiro anime de yu-gi-oh, e também tinha fillers também bons pois focavam no card game duel monsters e até mais organizado que o mangá) é o duelo do Yugi/faraó vs Bakura (episódio 13) mas que teve inspiração no confronto que o faraó teve com o Yami Bakura, que foi numa partida de RPG (e bem legal) e nela Yugi e cia também viraram personagens do jogo de RPG, e se eu não tivesse lido o mangá não saberia que era um filler de tão bem encaixado que ficou na história.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s