Café com Anime – Kokkoku, episódio 2: O Administrador

Começa então mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. Como de costume, juntando-se a mim no debate temos o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, todos aqui para falarmos agora do segundo episódio de Kokkoku.

Mas antes de passarmos à conversa, quero lembrar a todos que cada blog participante do Café com Anime serve de host ao debate de um título diferente. No Anime 21 vocês conferem as conversas sobre Violet Evergarden; no Finisgeekis, as de Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen; e no Dissidência Pop temos as de Junji Ito Colection e de Mahoutsukai no Yome. Não deixem de conferir os outros debates e boa leitura o/


Diego:

Olá a todos e bem vindos a mais um Café com Anime \o/ E vou dizer que esse episódio 2 de Kokkoku foi… interessante. Algumas revelações – aparentemente os vilões estão apenas usando o culto sabe-se lá para que -, algumas meio-revelações – aquele monstro árvore é um ancestral dos protagonistas, que? – e ainda vários mistérios – como o plano real dos vilões… Ao menos acho que o anime “meio” que respondeu o porque do plano complicado dos antagonistas: aparentemente eles queriam que os mocinhos ativassem aquela pedra. Por quê? Vai saber… Mas e vocês, o que acharam do episódio?


Fábio “Mexicano”:

Eles queriam a pedra e, se entendi, queriam sumir com a família inteira dentro do Êxtase. Coisa padrão. Mas porque inicialmente falaram em deixar o avô vivo eu não entendi – talvez fosse para tentar arrancar dele informações sobre aquele mundo e os Gerentes/Arautos (os monstros; em inglês está como Handler/Herald, não sei como está em português, é tradução por minha conta).

A garota do culto lá me parece mais interessante no momento porque dá pra especular muito sobre ela. Aparentemente, quando a Juri parou o tempo, algo aconteceu e ela, que estava parada, passou a se movimentar. Lembram o que o avô disse sobre desfazer e refazer a magia? Se fizessem isso, parece, os cultistas ficariam “presos” naquele Êxtase. Me pergunto se acidentalmente isso não aconteceu com a Majima naquela ocasião e ela ficou 17 anos presa lá dentro, até algum evento aleatório a libertar (talvez aquela cena desconexa do começo do anime, das duas pessoas que se trombam e o celular caindo?).


Vinicius Marino:

Preciso dar crédito ao anime. Se nada mais, ele respondeu bem direitinho à metralhadora de circunstâncias bizarras disparada no primeiro episódio.

Finalmente enxergo uma história digna de ser acompanhada, com um mistério que parece minimamente coeso.

Gostei de ver que há uma seita envolvida, como havíamos pressuposto. Muito embora não espere grandes elucubrações na série, é um tema que me interessa bastante.

A seita disse ter começado na Era Meiji. Foi a época em que as várias vertentes do cristianismo e os misticismos europeus se popularizaram no Japão, depois de séculos de perseguição religiosa. Muitas religiões japonesas alternativas do mundo real surgiram na mesma época.


Gato de Ulthar:

Episódio interessante. Legal ver que foi confirmado que os Arautos são seres que punem quem tenta desestabilizar as regras daquele bundo, em especial quando alguém mexe com alguém que está paralisado.

Achei interessante o irmão da Juri ter “despertado” naquele mundo sem saber o que estava fazendo ali. Aparentemente quando uma pessoa que se pode mover no Êxtase morrer, aquele bichinho vai para o corpo de alguém paralisado, permitindo que se mova ali, como ocorreu com ele. Agora sabemos um pouquinho sobre aqueles seres brilhantes. Ele realmente deve ter pensado que o Ma morreu, já que não possui batimentos cardíacos nem respiração. Mas será que ele não estranhou o fato de tudo ter ficado parado, inclusive os cacos de vidro?


Vinicius Marino:

Imagino que no “calor do momento” as prioridades dele devem estar em outro lugar rs. Que nem aquele sujeito que levou uma bala na cabeça e só descobriu anos depois, ao fazer um raio-x.

Fico me perguntando quanta agência essas águas vivas têm. Será que é uma relação simbiôntica? Será que eles escolhem quem eles “possuirão?” Ou tem a ver com o que levou as pessoas ao mundo estático em primeiro lugar?


Fábio “Mexicano”:

Sabemos uma forma garantida de conseguir uma delas: ficar com o mãozão na pedra mágica durante aquele ritual.

Que se entendi, aliás, tem duas etapas: o sangue atrai as criaturas e depois a palavra mágica paralisa o tempo.


Vinicius Marino:

Eu me pergunto: será que as criaturas identificam as pessoas pelo sangue? Ex: você é irmão da Juri, então o “encantamento” dela vale para você também?


Fábio “Mexicano”:

Foi meio arbitrário ter escolhido o Tsubasa, realmente.


Vinicius Marino:

Numa nota não relacionada, as personagens acabaram de descobrir um jeito super eficiente de provocar o caos para emergências: “bata” em alguma pessoa congelada (ou melhor ainda, faça seu inimigo bater) e dê no pé logo depois.


Fábio “Mexicano”:

Tinha gente mais perto. Inclusive tinha gente da família mais perto.

Eu não tenho certeza sobre a segurança desse método…


Diego:

Fora que esse monstro parece meio lerdo, né? Vamos e venhamos, dava pro bandido ter cortado a garganta do Makoto antes de ter a cabeça estourada rs. Imagino que correr dele também não seja difícil… Por outro lado, a coisa se torna ainda pior se for difícil correr dele e ele for do tipo vingativo que te persegue até o fim da existência. Eu não arriscaria nem trombar com alguém acidentalmente, vai que esse monstro passa o resto da história atrás de mim kkkkkk.

Especialmente considerando que não sabemos as regras ainda… que foi meio que o meu único problema com o episódio, e queria saber o que vocês acharam da informação. Nem os personagens sabem quais são as regras que atraem o Handler, o que me parece abrir bastante margem para futuros deus ex machina.


Vinicius Marino:

Esse era meu medo no primeiro episódio. Nesse? Nem tanto. O anime parece estar lidando competentemente com esses mistérios.

Gosto do fato das personagens não saberem exatamente quais são as regras. Acho que uma mary sue sabe-tudo que tivesse toda a lore na ponta da língua me incomodaria mais (muitas obras paranormais apelam para esse caminho…).


Gato de Ulthar:

Parece que da forma que o anime está expondo o lore é o mais acertado. É sempre problemático quando algum personagem sabe todas as respostas de absolutamente tudo.

É engraçado como o “conhecimento” da pedra e seus mecanismos foi se degenerando com as gerações. O avô da Juri sabe de alguma coisa e sabe fazer alguns truques, mas bem por cima. Sabe os métodos mas não sabe os mecanismos. Se não fosse esse acontecimento problemático, creio que ele nem passaria esse “conhecimento” para as futuras gerações. E é bem óbvio que o avô do avô da Juri, portanto, seu tataravô, sabia muito mais. Quando uma tradição familiar é deixada de lado pelas futuras gerações começa a se degenerar desta forma. Se o avô morresse, o conhecimento estaria quase todo perdido.


Fábio “Mexicano”:

Olha, pensando agora, tenho quase certeza que se o avô morresse (e é legal como ele não tem nome, é só “avô” mesmo), o culto poderia simplesmente bater na porta da família e pedir para comprar a pedra :D

Falando mais sério, outra coisa meio sem explicação é o teleporte do avô. Ele disse que seu próprio avô não conseguia, então, para si próprio, ele provavelmente é a única pessoa que já conseguiu se teleportar ali, que já demonstrou esse poder, certo? E ele diz que é uma coisa de afinidade, que alguns não conseguem e nunca vão conseguir – essa parte ele provavelmente ouviu de seu próprio avô. Será que outras pessoas, especialmente pessoas da família, podem desenvolver outros poderes? Será que é isso que vai salvar a Juri no próximo episódio? Quero dizer, pela prévia já sabemos que algo sobrenatural vai acontecer com ela e salvá-la, mas a minha hipótese é isso ser um poder equivalente ao teleporte do avô.


Vinicius Marino:

Pelo que o anime deu a entender, é tudo questão de wishful thinking. Desejando com vontade, pode ser que ela consiga descobrir (ou criar) um novo poder.


Fábio “Mexicano”:

Pelo menos o teleporte é um tipo de poder já catalogado, pelo que deduzimos dos líderes dos cultistas. E talvez essa seja uma das razões para se livrar da família inteira? Ter concorrência já é uma má ideia, e tão pior quando a concorrência tem super-poderes.


Diego:

Criar um novo poder só pela força do pensamento é algo que o anime teria de trabalhar muito bem pra não soar tirado do nada… Mas bom, lançar uma outra pergunta então: teorias sobre aquelas águas-vivas de luz? :D Aparentemente elas são uma peça chave em tudo naquele mundo, permitindo que as pessoas o acessem, além de, pelo que o avô falou, serem o que dão a ele o poder de teletransporte. O que será que elas são? E será que também possuem alguma relação especial com a família protagonista, assim como o Handler? Sei que é difícil de especular com tão pouco, mas vamos ver se alguém acerta algo no chute XD


Fábio “Mexicano”:

É difícil de aceitar que uma dimensão paralela, com leis físicas diferentes da nossa, exista apenas desde a Era Meiji e que uma família japonesa aleatória seja sua soberana. Quando eu penso demais sobre o mundo de Kokkoku, é isso que me vem à cabeça.


Diego:

A família deles parece uma família japonesa aleatória, mas sabe lá qual a importância que teve na Era Meiji? Não é incomum grandes e importantes famílias degenerarem em matéria de poder ao longo das gerações. Pode ser algum membro da família no passado tenha feito algum pacto com algum ser, talvez um Handler, para conseguir determinado poder. Esse tipo de situação não é realmente nova na ficção.


Fábio “Mexicano”:

Mas daí a serem os soberanos de um mundo inteiro? Nem Ciro, Alexandre, Gêngis, Felipe II, Suleimão ou Vitória chegaram perto disso. Ok, eu estou superanalisando, eu sei, mas enfim.


Gato de Ulthar:

Não me lembro, é dito expressamente que eles são os soberanos daquele mundo?


Fábio “Mexicano”:

Não, mas se o Handler/Herald, que é a criatura mais poderosa daquele mundo, é da família deles, então… são, no mínimo, os Guardiões do Estase.


Diego:

Vamos e venhamos, ainda há muito daquele mundo que não sabemos. O simples fato de haver mais de uma pedra já pode ser um indicativo que há mais famílias na mesma situação da nossa protagonista. Pode mesmo haver mais de um Handler, e só não sabemos. Ou pode ser que aquele Handler, quando humano, foi quem desenvolveu a magia capaz de parar o tempo em primeiro lugar. Fora que até aqui só o avô demonstrou algum poder além do que os vilões são capazes, e o Handler claramente não favorece a família (ele ia atacar a Juri quando ela pretendia descontar a raiva em um dos sequestradores parados).


Vinicius Marino:

Eu tive a impressão de que existiam mais de um Handler. Não sei, talvez sejam as minhas referências específicas de “contraforça” que discutimos aqui antes.

De qualquer maneira, é sensato supor que, uma vez ascendida àquela forma, uma pessoa pode abrir mão de sua humanidade.

Além do mais, já que estamos lidando com conflitos geracionais, não é implausível que ramos diferentes de uma mesma família tenham se antagonizado com o passar das décadas. Seja qual for o caso específico, justificaria um Handler agir indiferente (ou mesmo hostilmente) a algum membro da família.


Diego:

É uma possibilidade. Mas bom, acho que já deu uma boa discussão xD Vamos então para o fechamento: com as novas revelações, o que esperam do anime daqui para frente?


Fábio “Mexicano”:

Eu acho que em breve vai ser menos um mistério e mais uma história de super-poderes? Se vai ser bom ou ruim eu ainda não sei dizer.


Gato de Ulthar:

Está muito cedo pra mim tecer qualquer ideia formada de onde isso poderá levar. Talvez aconteça como o Fábio disse, uma aventura de super-poderes. Mas eu sinceramente gostaria que não abandonassem o tom de mistério.


Vinicius Marino:

Estou com o Gato. Fico mais confortável com uma história de mistério (nem que apenas um suspense “corporativo”, com seitas, máfias e empresas malvadas). Não sou contra a uma história de super-poderes, mas digamos que esse é um gênero que se beneficia de produções luxuosas. E Kokkoku é apenas… ok nesse sentido.


Diego:

Eu consigo ver o anime indo pra uma rota mais “embate de super poderes” durante os seus episódios finais, para talvez o clímax da história. Até lá, acho que ficaremos muito mais nos mistérios mesmo, como a identidade dos vilões, seu propósito, a família da Juri, e claro, o que aconteceu da primeira vez que ela usou esse poder, ainda quando criancinha. É bastante coisa pra explicar até, e espero que o anime consiga – sinais de competência ele certamente já deu, mas digamos que pelo menos até aqui eu ainda sigo com um pouco de cautela [rsrs]. Mas vamos ficando por aqui. Uma boa semana a todos, e até o próximo Café o/

E você, leitor, que está achando de Kokkoku até aqui? Sinta-se a vontade para descer um pouco mais a página e deixar um comentário com a sua opinião.

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