Café com Anime – Kino no Tabi, episódio 9: Várias Histórias

Kino no Tabi // Café com Anime 06/12/2017 // 1

Olá a todos, e sejam muito bem vindos a mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. E como de costume, estou aqui com o Fábio, do Animes 21, o Vinicius, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, para discutirmos nossas impressões sobre o nono episódio de Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated series.

Antes, porém, vale lembrar que no Animes 21 vocês poderão conferir nossas conversas sobre Animegataris e sobre Children of the Whale; no Finisgeekis, nosso bate-papo sobre Girl’s Last Tour; e no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Mahoutsukai no Yome, então não deixem de visitar e ficar de olho nos outros sites.

E dados os disclaimers de sempre, vamos então à conversa /o/


Avatar DiegoDiego:

Esse foi provavelmente o episódio mais divertido até aqui rs. Olá a todos e vem vindos a mais um Café com Anime, agora falando do episódio 9 de Kino no Tabi. Um episódio relativamente mais leve e bem mais puxado pra comédia, sendo uma sequência de esquetes bem gostosas de se assistir. Tudo finalizado com uma curiosa quebra de quarta parede no encerramento. E ai, o que acharam?


Avatar ViniciusVinicius Marino:

Achei, sem sombra de dúvidas, o melhor episódio da série até aqui. Aliás, foi um episódio tão bom que funciona stand alone. Se Kino 2017 fosse só isto, já valeria a pena.

Tudo o que funcionou no anime até esse ponto foi aproveitado nessas esquetes. O Shizu, os países com mensagens significantes, o humor.

Este, na verdade, foi o que mais me surpreendeu. O episódio foi metanarrativo do começo ao fim, tirando sarro das caricaturas que ele mesmo construiu. Ti segura uma granada mesmo quando abraça o Riku. Kino faz um prato que é a cara dela – agressivo e apimentado. A versão inglesa da piada, aliás, ficou perfeita. Não sei se o 辛い (karai) do japonês captura essa nuance, mas em inglês a gíria para pimenta (heat) também significa perigo. Tudo a ver com a nossa Kino!


Avatar GatoGato de Ulthar:

Sem sombra de dúvidas este foi um episódio engraçado! Todas as esquetes funcionaram muito bem. Inicialmente eu achei o caso do velhinho ex-presidente que queria matar alguém meio forçado. Mas pensando melhor depois, caiu como uma luva em caricaturizar os absurdos de Kino até o momento. Gostei bastante da primeira esquete, do ladrão ancião ensinando seu pupilo em como evitar pessoas perigosas que parecem gente comum. O velho cometeu esse erro em atacar a mestra, que sem sombra de dúvidas, é a personagem mais sanguinária da séria, mais do que a própria Kino ou a Ti na minha opinião.


Avatar MexicanoFábio “Mexicano”:

Foi um episódio engraçado sim, claro que com algumas esquetes melhores e outras piores, mas na média foi engraçado e divertido. No contexto de Kino no Tabi, contudo, me parece que foi uma bela Bósnia. Quero dizer, tá, e daí, que isso tem a ver com tudo? Digo, até tem, mas “tudo” não é exatamente bom para começo de conversa, um longo episódio desses pareceu um monte de tempo que poderia ser melhor aproveitado – daí a minha frustração e sensação de que poderia ser melhor. Mas eu já estou frustrado e achando que o anime poderia ser melhor no geral, então não é como se esse episódio em particular tivesse me incomodado.

Das esquetes, acho que a melhor foi a do assassino. No começo eu achei que fosse ser algo tosco. Como assim, sistema de pontos? Ajuda um pouquinho, mata uma pessoa, depois escapa, é isso? Mas quando ficou claro no final que nem mesmo uma vida inteira exemplarmente virtuosa, mesmo para a média de um país que já possui cidadãos normalmente virtuosos, é o suficiente para pagar por um crime hediondo, fiquei mais tranquilo. Em primeiro lugar, o que ele disse, por um ato só ser suficiente para mudar a impressão das pessoas, não importando toda a sua vida pregressa, é bastante verdadeiro, mas não é ele que me importa. A dicotomia entre bem e mal que existe dentro de cada pessoa, a forma como sociopatas podem ser a melhor pessoa da vizinhança, a facilidade que é cometer o mal, isso me fascinou, porque é algo que sempre me fascina.

Isso ter sido uma esquete da Kino é um inesperado ponto positivo :D Mas bom, essa foi uma esquete muito parecida em vários aspectos com o primeiro episódio. Já a pior esquete foi da Kino também, o país das boas memórias. Eu entendi a piada assim que a Kino saiu de lá, mas o anime se arrastou e arrastou e não terminava a esquete nunca, perdeu completamente a pouca graça que já tinha. Ou talvez eu devesse dizer que a pior esquete foi o “País do Posfácio Animado”? Quero dizer, nem é um posfácio de verdade porque o anime continua, propaganda enganosa isso aí :P


Avatar DiegoDiego:

Já que o Fábio entrou nisso, acho que é um bom momento pra falarmos um pouco de quais foram nossas esquetes favoritas do episódio. E eu digo isso porque vou ter de discordar do Fábio: para mim, a melhor foi justamente a do país das boas memórias XD Eu adorei o absurdo de toda aquela situação, e também o quão consternada a Kino ficou. Considerando que ela é uma personagem bastante estoica, que não exatamente demonstra um espectro lá muito grande de emoções nesse anime, foi interessante ver como ela ficou abalada, e meio que coloca a noção da importância, para ela, das memórias que ela faz em cada lugar que passa. Entendo porque alguns talvez achem que a esquete durou tempo demais, mas pelo menos a mim não incomodou rs.


Avatar GatoGato de Ulthar:

Eu gostei da bastante da primeira esquete, sobre o ladrão e seu aprendiz. Foi hilário ver o velho surtar ao lembrar que tentou assaltar a mestra da Kino! E como ele aprendeu bem ao lição, sendo capaz de observar que tanto a Kino como Shizu e a Tii são muito mais perigosos do que parecem…


Avatar ViniciusVinicius Marino:

Gostei da esquete do sistema de pontos, tal como o Fábio. Acho que foi uma das discussões filosóficas mais bem encaixadas na série até agora. Mas acho que minha favorita foi a do país da cozinha, com a piada da pimenta. É o tipo de premissa que, em um anime de comédia, poderia ser bem mais desenvolvida. Mesmo assim, colocou um sorriso no meu rosto.


Avatar DiegoDiego:

De fato, em termos puramente temáticos a esquete do sistema de pontos foi mais interessante do episódio. Então vamos discutir ela um pouquinho :D De forma geral, o que acham da ideia? Justa? Injusta? Justa, mas ingênua?


Avatar MexicanoFábio “Mexicano”:

Obviamente injusta. Mas o questionamento que ela induz é sincero.

É um experimento moral mental. O que é mais injusto, uma pessoa que foi boa a vida inteira ser julgada por um único ato errado, ou uma pessoa que foi escrota a vida inteira ser julgada por seu único ato de bondade?


Avatar ViniciusVinicius Marino:

Lembrando que, no nosso sistema legal, já existem agravantes e atenuantes. Sem contar várias infrações que são informalmente resolvidas ou “desculpadas” antes de entrar no sistema de fato. De um ponto de vista institucional, não há dúvidas de que é injusta, mas é um tipo de “injustiça” que fala aos nossos próprios instintos.

Há toda uma biblioteca de dramas policiais sobre “cidadãos de bem” que se ferraram por uma ação precipitada. E outra, maior ainda, sobre criminosos redimidos que mereceriam ter sua ficha resetada.

Nenhuma justiça é “perfeita”. E são essas imperfeições, mais do que seus acertos, que geralmente ganham espaço na ficção.


Avatar GatoGato de Ulthar:

Primeiro vamos partir do princípio de que não é possível “imanentizar o eschaton” (sempre quis usar essa expressão!), ou seja, criar um paraíso na Terra, onde os maus sempre serão punidos justamente e os bons triunfarão sem mácula. Essa esquete abordou uma das muitas tentativas de formar uma sociedade justa, mesmo que com isso haja o “perdão” eventual de algum crime ou outro. Essa esquete serve como um exercício mental de como a questão de se criar uma sociedade igualitária não é nada simples.


Avatar DiegoDiego:

Não sei até que ponto podemos chamar o sistema que o país usa de “injusto”. Em primeiro lugar porque o perdão não é bem um perdão, né. A pessoa perde pontos, e naquela sociedade isso deve ser o equivalente moral de uma multa para nós. E para crimes mais graves… Bom, só olhar como é preciso toda uma vida excepcionalmente dedicada a fazer o bem para que seja possível ser perdoado por assassinato, e mesmo assim só poderia matar um indivíduo.

Francamente, o que mais me incomodaria num sistema do tipo seria o marcante utilitarismo que ele propõe. Você age como uma boa pessoa porque isso traz prestígio, não por ser a coisa certa a se fazer. Mas de novo, é como funciona nossa sociedade, não concordam? Há um discurso moral de se “fazer o certo”, mas que é sempre reforçado pelo medo da punição e pela promessa da recompensa em algum nível.


Avatar MexicanoFábio “Mexicano”:

Se você acha utilitarismo justo (fez bem em citar, é exatamente isso e teria que aparecer uma hora), então vai achar aquele país muito justo mesmo.

E você pode enxergar por outro lado também, e levando em conta princípios legais e ciência que se produz a respeito: eles vivem em uma sociedade que está permanentemente os pressionando, oprimindo mesmo, a fazer boas ações. E isso é feito com um sistema de pontos: boas ações dão pontos, más ações retiram pontos. Do ponto de vista de alguém jogado no meio disso, com nós e a Kino fomos, tamanho utilitarismo sem dúvida soa escandaloso, mas eles são condicionados desde tenra idade a apenas realizar boas ações. É muito difícil para eles eventualmente cometer, de vontade própria, uma má ação. Vide o caso do ex-presidente.


Avatar DiegoDiego:

Bem apontado. Mas mudando um pouco o assunto, e o que dizer da última esquete, sobre o país das memórias? O Fábio já disse que não gostou, e eu digo que foi a minha favorita do episódio. O que os demais acharam dela?


Avatar MexicanoFábio “Mexicano”:

Achei a piada ok. Não gostei dela ter se estendido. Só repetindo resumidamente o que eu já disse, enfim.


Avatar GatoGato de Ulthar:

Eu gostei desta esquete. Dá pra imaginar o desespero da Kino em perceber que simplesmente esqueceu três dias da sua vida.


Avatar MexicanoFábio “Mexicano”:

Não a senti desesperada, mas brava mesmo, revoltada.


Avatar ViniciusVinicius Marino:

Eu acho que é oficial! Kino passou pela cidade de Attack on Titan.

Kino no Tabi // Café com Anime 06/12/2017 // 2

Muito justo terem apagado a memória dela! Na certa, não gostou muito do que viu rs

Brincadeiras à parte, gostei de ver o Hermes tirando um sarro pesado da sua companheira. Ele sempre foi meio arrogante, mas foi o prazer vê-lo pôr as garras de fora dessa maneira.


Avatar DiegoDiego:

Eu já disse mais acima, mas vou dizer de novo só para concordar com o Gato: de fato acho que essa última esquete mostra um lado mais desesperado da Kino, talvez quando muito frustrado, mas de forma alguma ela me pareceu brava. Só… incrivelmente incrédula mesmo, e acho que esse era o ponto, mostrar o quanto ela valoriza as memórias que cria ao longo dessa sua jornada, ao ponto de ficar bastante consternada de tê-las perdido mesmo que só em parte.

Mas para encaminhar o debate ao final, uma última pergunta: o que dizer do pequeno posfácio do autor durante a ending? De minha parte, achei inusitado e bem divertido, mas ao mesmo tempo eu tenho de concordar com o Fábio que ele parece meio fora de lugar, e ficaria melhor no último episódio do que aqui rs


Avatar ViniciusVinicius Marino:

Ah, deixem de ser chatos. Foi mó legal! Eu nem sou fã das novels nem nada, mas fiquei emocionado pelo depoimento. É um autor, gente como a gente, que um dia ganhou seu merecido lugar ao sol!

Nem sei se foi tão fora de lugar assim. O episódio dessa semana foi basicamente um “tributo” a essa nova versão de Kino. Um pout pourri de seus maiores destaques. Achei digno encerrar com uma intervenção mais meta.


Avatar GatoGato de Ulthar:

Penso como o Vinicius, o autor merece uma homenagem! Não creio que haja um lugar certo para esse posfácio, e de qualquer forma, combinou muito com a proposta deste episódio em si, que foi justamente trazer várias esquetes mas descontraídas.


Avatar MexicanoFábio “Mexicano”:

Nada contra o autor ou sua mensagem! Foi bonitinho também, ainda que um pouco auto-referencial demais, hahaha! Só achei estranho um “posfácio” no meio da série mesmo. Nada de fim do mundo também.


Avatar DiegoDiego:

Que foi legal eu não discordo, de forma nenhuma :P Mas bem, acho que essa nós podemos encerrar por aqui kkkk Próximo é o episódio 10, que pelo título trará outra história que já foi adaptada no anime de 2003… e justamente aquela que mais precisaria do backstory da Kino para ter o impacto adequado… ai ai, mas vamos lá, reclamações ficam para depois. Por agora, até uma próxima a todos o/

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Um comentário sobre “Café com Anime – Kino no Tabi, episódio 9: Várias Histórias

  1. Primeira esquete – Uma lição interessante sobre não julgar precipitadamente alguém. Analisar os detalhes e o contexto são muito importantes. Apenas me incomodou como o carinha mais novo, ao observar a Kino, reparou facilmente que ela era uma garota, com o anime tendo mudado o estilo de arte no rosto da Kino, pra ela parecer mais feminina. Quebra a brincadeira de ser complicado identificá-la como mulher, apenas pela conveniência da situação.

    Segunda esquete – Essa foi a mais interessante, ainda que com uma direção um tanto não natural, ao meu ver. O sistema do país me pareceu bastante funcional, a mensagem levantou questionamentos interessantes acerca da nossa visão social, mas a maneira com que o senhor agiu no episódio me soou expositiva e dramática de mais.

    Terceira esquete – Sem graça! Já vi duzentas situações do tipo em outras obras e, além de não ser algo criativo, também não gostei de sua execução. Nada me pareceu fazer sentido, desde o pensamento dos “chefs” sobre o uso dos pratos dos viajantes, ao “payoff” da piada.

    Quarta esquete – A mais curta, porém com um levantamento minimamente interessante: nem sempre uma ação é de fato sincera.

    Quinta esquete – O segundo mais interessante e o único que me surpreendeu, de fato! A ideia de ser um dos países mais marcantes, com o mesmo impossibilitando-o de reter memórias de sua estadia, foi uma sacada inteligente. Apenas me pergunto o porquê dos mesmos não quererem que seus visitantes mantenham suas memórias, o porquê da total confiança de que Hermes não contaria nada e se esse sistema não acaba por ser prejudicial a vida útil daquele país, a longo prazo.

    Por fim, essa ideia do posfácio animado foi a coisa mais inusitada que me lembro de ver nos últimos anos, nessa indústria (se já houve em algum outro anime, eu não faço a menor ideia). Simplesmente gostei pelo diferencial, apesar de concordar com ambas as ideias, de que casaria melhor com um episódio final (no sentido prático da palavra), mas também se relacionou bem com esse episódio estruturalmente singular.

    Acho que concordo com a ideia deste ter sido o episódio mais divertido de Kino no Tabi (2017), até aqui.

    Curtido por 1 pessoa

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