Lista – 5 Mangás de Volume Único que Valem a Leitura.

Kizu

Mangás de volume único! Francamente falando, eis ai um formato que eu adoro. Nada contras as séries mais longas, mesmo aquelas com dezenas de volumes, mas é inegável que estas exigem um comprometimento muito maior por parte do leitor. Em contraste, um bom volume único consegue entregar em si mesmo uma experiência completa, uma história com começo, meio e final que, nos melhores casos, nada deixa a dever às obras de mais longa duração. Ainda assim, é evidente que nem todo volume único é automaticamente uma obra prima, e um ou outro título menos que excelente (para usar de um eufemismo) ainda acaba saindo vez ou outra. Mas não nos concentremos neles, mas sim naquelas histórias que de fato valem nosso tempo e, ao menos no caso daquelas aqui citadas, o nosso dinheiro – porque sim, eu foquei esta lista em mangás publicados aqui no Brasil.

Mas antes de irmos às entradas, eu queria deixar aqui dois rápidos disclaimers. Primeiro, uma menção honrosa ao mangá Tom Sawyer [review], um dos meus títulos favoritos. Originalmente eu considerei incluí-lo nesta lista, mas para ter uma distribuição um pouco maior de editoras – e como este mangá já possui uma review aqui no blog – preferi deixar ele de lado desta vez (quem sabe não o incluo em uma listagem futura?). Mas ainda é um mangá que eu imensamente recomendo. Já sobre o segundo aviso, é a nota que eu faço quase sempre nestas listas do blog: isto aqui não é um top, e não é minha intenção que estes são os melhores volumes do tipo. São apenas 5 mangás que eu realmente gostei e que acho que o leitor também pode vir a gosta, só isso. E dados os avisos, vamos então à lista /o/.

5) Ginga Patrol Jaco (Jaco, o Patrulheiro Galáctico)

Começando as indicações, temos talvez o título mais conhecido desta lista. Mangá do aclamado Akira Toriyama, Ginga Patrol Jaco serve como espécie de prequew à sua obra mais famosa, Dragon Ball, ainda que a ligação entre estas duas histórias seja tão tênue que mal se possa considerar relevante – quer dizer, pelo menos até que você comece a assistir Dragon Ball Super e se pergunte quem diabos é aquele alienígena roxo que você não lembra de ter visto em nenhum dos animes do passado.

Vendo pelo lado bom, é justamente o fato dessa ligação ser tão tênue que permite que o leitor possa muito bem apreciar Jaco sem precisar ter lido – ou assistido – Dragon Ball. Fora isso, Dragon Ball já é uma presença tão marcante na cultura pop de forma geral que eu garanto que mesmo as pontuais referências que Jaco faz à obra mais famosa de Toriyama não passarão desapercebidas mesmo pelo leitor recém-chegado a esse universo. Acreditem: eu, que só conheço Dragon Ball pela série Z quando passava no Cartoon Network do começo dos anos 2000, ainda consegui me divertir bastante com esse volume único.

Indo para a sinopse, a história começa quando Jaco, em viagem à Terra, acidentalmente bate na Lua e acaba caindo numa ilha quase deserta do planeta azul – “quase”, exceto pelo velho ranzinza Omori. Uma troca de palavras depois, Omori concorda em consertar a nave de Jaco, avariada com o impacto na Lua, para que o pequeno ET possa continuar com a sua missão – que eu deixo para o leitor descobrir qual é, caso por ventura ainda não saiba. É uma trama simples, que muito se sustenta no carisma de seus personagens: e devo dizer, carisma é o que não falta a eles.

Ginga Patrol Jaco é o tipo de história que passa voando, tão bem conduzido é o seu ritmo e tão bem amarrado é o seu roteiro. A comédia é ainda outro atrativo válido de mencionar, e enquanto eu não posso dizer que gargalhei lendo esse mangá, eu posso ao menos dizer que ele consegue arrancar uma ou outra risada mais contida. Uma história leve e ideal para passar a tarde, no Brasil o mangá foi publicado pela editora Panini.

4) Giganto Makhia (Gigantomachia)

Ainda outro mangá possivelmente bem conhecido, dada a fama de seu autor. Kentaro Miura é famoso como o autor de Berserk, o que, para ser franco, foi um dos motivos pelo qual eu fiquei em dúvida de se valia a pena comprar este mangá ou não. Digo, nada conta Berserk, mas violência exacerbada nunca foi do meu interesse, e se Giganto Makhia fosse nessa mesma linha eu provavelmente sairia bem desapontado. Dito isso, o bom dos volumes únicos é justamente como podemos experimentar as coisas sem o compromisso de iniciar uma coleção que talvez fique inacabada.

E devo dizer: fico feliz de ter dado uma chance a esse mangá. O que talvez desaponte justamente aos fãs da violência explicita de Berserk: você não irá encontrar mais disso por aqui. Ah, mas não se preocupe, a ação ainda é bastante presente em Giganto Mahkia, e vale também mencionar o incrível traço de Miura. Francamente falando, este é provavelmente o mangá mais bem desenhado em toda essa lista, ainda que traço seja sempre algo que pode agradar a uns e desagradar a outros. Mesmo assim, acho difícil não se maravilhar com a arte de Giganto Makhia.

A história se passa milhões de anos no futuro, conforme nossa dupla protagonista, Delos e Prome, vagam pelo que parece ser um deserto sem vida. Entrando em contato com uma outra espécie de hominídeos, após uma pequena série de iniciais estranhamentos Delos se verá lutando pelos seus novos conhecidos contra as forças invasoras do mesmo império que havia abandonado. Uma história cativante, com um universo interessante e uma personagens cujas interações são simplesmente divertidas de se ler.

Francamente falando, minha única crítica ao mangá acabou sendo justamente o fato dele ser um volume único. É um universo tão interessante e os protagonistas são tão fáceis de se gostar que eu realmente adoraria ler mais dessa história. Até porque, tecnicamente falando o mangá acaba com um final em aberto, dado que aparentemente Delos e Prome não atingem o objetivo final da viagem de ambos. Em todo caso, ainda é uma história divertida, publicada no Brasil pela editora Panini.

3) 1 Litre no Namida (1 Litro de Lágrimas)

“Aya é uma garota que acaba de entrar no Ensino Médio quando descobre que possui uma doença grave, conhecida como Degeneração Espinocerebelar. Com o tempo ela perderá o equilíbrio, a capacidade de endar, de mexer os braços e até de falar, mas manterá sua memória e mente intactas”. Assim vem descrito na contra-capa de 1 Litre no Namida, publicado no Brasil pela editora New Pop, e só por essa sinopse já fica fácil de entender o seu título.

Honestamente falando, 1 Litre no Namida é uma daquelas histórias que provam como a realidade pode por vezes ser tão dramática quanto a ficção. Tivesse essa trama saído apenas da cabeça de um autor qualquer, eu provavelmente a consideraria excessivamente melodramática, uma tentativa um tanto quanto forçada de capitalizar em cima de um tema tão batido quanto “protagonista doente”. Só que esse mangá possui uma diferença importante: trata-se de uma história baseada em fatos reais (com o perdão do pleonasmo).

1 Litre no Namida é baseado no diário de Aya Kito (1962 – 1988), que aos quinze anos foi diagnosticada com Degeneração Espinocerebelar – e as consequências dessa doença o leitor acaba de ler no primeiro parágrafo. Uma história trágica, sem dúvida alguma, e que provavelmente justamente por isso atraiu bastante atenção. Seu diário foi publicado no Japão em 1986, já com o título 1 Litre no Namida. Em 2004 ele é adaptado em um filme, em 2005 temos o dorama (série de televisão), e no mesmo ano temos então o mangá.

O mangá é creditado à mangaká Kita, e sem ter lido o diário original ou mesmo sem ter assistido a qualquer uma das adaptações anteriores eu francamente não tenho como dizer o quão fiel ele é à história de Aya Kito. Ainda assim, vale dizer o seguinte: segundo se conta, Kito decidiu publicar seu diário incentivada pela mãe, que dizia que isto seria uma forma de dar esperança a outros na mesma condição que ela. “Esperança” é certamente uma boa palavra para definir esse mangá, então pelo menos em espírito eu imagino que ele seja bastante fiel – e uma ótima leitura.

2) Nigeru Otoko (O Homem que Foge)

Natsume Ono não é realmente um autor tão comentado aqui no Brasil. Ainda assim, alguns de seus títulos devem soar vagamente familiares para muitos, tal como Sarai-ya Goyo (ou House of Five Leaves, como é mais conhecido no ocidente) ou ACCA: Jusan-ku Kansatsu-ka, que inclusive teve uma adaptação para anime relativamente recente. Ainda assim, poucos provavelmente sabia o que esperar de Nigeru Otoko, ou no mínimo eu sei que eu não sabia. Mas era um volume único, e ainda por cima com uma qualidade de material levemente acima do padrão, então por que não dar uma chance, certo?

A história começa quando uma garota entra numa floresta na qual existe a lenda de um homem que se transforma em urso, e que concederá um desejo a qualquer um que consiga passar uma noite com ele. A garota acaba encontrando a uma cabana na floresta, mas para sua surpresa a realidade era a de um homem morando junto de um urso aparentemente domesticado. Um primeiro capítulo que na verdade serve muito mais como um prólogo, já que logo no capítulo seguinte somos melhor introduzidos ao personagem título: o homem que foge.

A contra capa do volume brasileiro, publicado aqui pela editora JBC, declara o mangá como “um conto de fadas para adultos”, e é fácil entender porquê. O protagonista foge literalmente e emocionavelmente de uma realidade difícil, até que esta acabe por vindo confrontá-lo. Eu não entro em maiores detalhes para não acabar dando nenhum spoiler acidental, mas vale dizer que o desenvolvimento do personagem e da sua situação tão talvez o ponto alto da história, que bem merece mais fama do que acabou tendo.

Um último elemento que eu destacaria é a arte, que mais parece beirar ao esboço. Detalhe não é o foco aqui, e nem precisa ser. Se o ultra-realismo de algumas obras bem merece aplausos, também é válido de mérito aquelas histórias que usam de seu traço como um adicional, seja para criar uma certa atmosfera, seja para melhor refletir as emoções que dos personagens – ambos aplicáveis a Nigeru Otoko. Uma excelente história, capaz mesmo de provocar alguma reflexão no seu leitor, e de nos fazer pensar o quanto nós mesmos não fugimos de certas coisas.

1) Kizu (Feridas) 

Finalizando então a lista, temos aqui outro mangá que provavelmente poucos pararam para ler. Apesar do pequeno disclaimer no topo da capa proclamando este mangá como do mesmo desenhista de Another, Hiro Kiyohara, Kizu é um que, na minha opinião, se sustenta muito mais na força de seu roteiro e personagens, de Otsuichi, do que na de seus desenhos. Embora, para ser sincero, não se deixe enganar pela capa: o traço no interior do mangá é certamente muito melhor do que esta sugere.

Em todo caso, a história começa quando Keigo, um garoto com um histórico de um pai abusivo e alcoólatra, encontra na sua escola com o menino Asato, um jovem com o estranho poder de literalmente poder tomar as dores e as cicatrizes dos outros para si… Mas que também as pode devolver para quem ele achar melhor. Um rapaz tímido e isolado, com seus próprios problemas familiares, e que acaba por servir como um ótimo contraponto à personalidade um pouco mais agressiva do Keigo.

Trata-se certamente uma história dramática, e pelo menos esse aspecto a capa consegue transmitir muito bem. Ao mesmo tempo, é também uma história esperançosa, ainda que é melhor eu não explicar mais para não dar spoilers [rs]. A ideia de compartilhar a dor do próximo não é realmente inovadora, já tendo sido aplicada literal e metaforicamente em outras histórias, mas eu sinto que Kizu soube como dar um ar bastante humano a esse tipo de premissa – ou talvez eu só veja assim por ter gostado tanto desses personagens.

É um paradoxo curioso: Kizu é provavelmente o mangá que mais gostei dentre os 5 presentes nesta lista, mas eu não realmente tenho muito o que falar sobre ele, ainda mais sem entrar em spoilers. Ele é só realmente muito bom, e uma leitura fácil de recomendar para qualquer fã de drama ou de histórias um pouco mais agridoces. No Brasil, o mangá foi publicado pela editora JBC.

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Sobre histórias sem rumo (ou, a importância da previsibilidade)

Review – Planetes (Mangá)

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Kizu

2 – Jaco, O Patrulheiro Espacial (Panini)

3 – Gigantomachia (Panini)

4 – 1 Litro de Lágrimas (New Pop)

5 – O Homem que Foge (JBC)

6 – Feridas (JBC)

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