Café com Anime – Kino no Tabi, episódio 7: Mestra e Aprendiz

Olá a todos, e sejam muito bem vindos a mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. E como de costume, estou aqui com o Fábio, do Animes 21, o Vinicius, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, para discutirmos nossas impressões sobre o sétimo episódio de Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated series.

Antes, porém, vale lembrar que no Animes 21 vocês poderão conferir nossas conversas sobre Animegataris e sobre Children of the Whale; no Finisgeekis, nosso bate-papo sobre Girl’s Last Tour; e no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Mahoutsukai no Yome, então não deixem de visitar e ficar de olho nos outros sites.

E dados os disclaimers de sempre, vamos então à conversa /o/


Diego:

Hey, ao menos essa semana tivemos um episódio bem divertido. Olá a todos e vamos então começar mais um Café com Anime de Kino no Tabi, agora pra falar do quão ridiculamente badass a mestra da Kino era (e ainda é, aparentemente). Digam então, o que acharam de conhecer um pouco mais da pessoa que ensinou a Kino a atirar?


Gato de Ulthar:

Bom, e não é que os melhores episódios são justamente os que a Kino não interfere em nada? Achei legal conhecer um pouquinho do passado da Kino através do passado de sua mestra. Parece que ela ensinou muito bem sua aprendiz a interferir de forma drástica nos países que visita!

O contexto histórico do episódio foi bem bacana, abordando um governo militar extremamente corrupto e autoritário, o que foi bem comum na história moderna, inclusive na do Brasil, já que passamos por um período semelhante. A mestra e seu aprendiz também me lembraram aquele período de tráfico de bebidas da Lei Seca nos Estados Unidos.

Entretanto, há muito o que criticar neste episódio. Ele continua desafiando a credibilidade dele com atuações e situações canhestras. A gente sabe que é ficção, mas é difícil de aceitar que um país inteiro não conseguisse desalojar duas pessoas em cima de uma torre! Eles não possuíam nenhuma artilharia? Nenhum esquadrão de atiradores? Nenhum mísero canhãozinho? Francamente…

E adorei a piadinha que Kino fez com o velho sobre a perna dele.


Diego:

Bom, eu imagino que destruir a torre estava fora de cogitação, considerando que era um símbolo e um marco importante para o país, então nada de canhões rs. Igualmente, pelo visto só havia uma entrada para a torre, e teriam de subir as escadas ainda por cima, já que estavam sem elevador. Não vou dizer que é a mais verossímil das situações, mas Kino nunca realmente se preocupou com a verossimilhança, essa adaptação menos ainda. E como puro “rule of cool” o episódio ao menos funciona muito bem.


Vinicius Marino:

Essa objeção do Gato (e a resposta do Diego) me lembraram do Levante da Páscoa, uma rebelião contra o governo inglês realizada em 1916 na Irlanda. Um grupo de paramilitares ligados ao IRB (predecessor do IRA) ocupou o prédio central dos correios de uma forma parecida à mestre da Kino e seu comparsa. O levante foi organizado por um socialista chamado James Connoly, que estava certo de que “nenhuma nação capitalista destruiria seu próprio patrimônio”. O resultado foi esse aqui:

De fato, é bastante irreal que a cidade não tenha decidido destruir a torre quando as coisas chegaram naquele nível. Na Segunda Guerra Mundial, igrejas históricas e outros monumentos foram bombardeados por muito menos, por servirem de possível esconderijo de snipers. MAS estamos falando de Kino aqui. Esta não é uma série que se importa com verossimilhança. E devo dizer que, pessoalmente, isso não me incomodou.

Fiquei mais intrigado pelo fato da cidade se parecer com a capital murada de ‘Attack on Titan”


Fábio “Mexicano”:

Inverossímil por inverossímil, não existe “lugar seguro” para se dar um tiro com um rifle. Não vou nem implicar com a factibilidade de se mirar tão precisamente uma arma – rule of cool afinal, certo? É o tipo de coisa que passa se não falam nada, mas se falam meu cérebro desmente na hora e fica me perturbando o resto do episódio. Na verdade nem mesmo com armas de calibre baixo há “tiros seguros”, há grandes artérias por todo o corpo que podem fazer alguém sangrar até a morte em questão de minutos. No caso de uma arma daquelas, um rifle sniper, supondo que seja possível mirar apenas nas pernas, elas seriam destroçadas ou arrancadas. E se o choque ou a cauterização provocada pelo calor não impedirem a hemorragia, a pessoa vai sangrar até a morte. Bom, o importante é: não acreditem em Kino no Tabi (ou em todos os filmes e obras de ação com armas de fogo): não existe lugar seguro para se dar um tiro em uma pessoa.

Mas isso não importa. Desde o começo assumimos que Kino não seria verossímil, mas sim um arrazoado de metáforas e mensagens ocultas (ou nem tanto). No caso desse episódio, acho que foi, er … use a força contra governos corruptos e autoritários? Acho que é isso.


Diego:

Acho que a mensagem foi mais “não seja cuzão com estrangeiros” :D


Vinicius Marino:

Esse ponto que o Fábio levantou também tem me incomodado na série. Não é a primeira vez que as personagens usam armas letais na “brincadeira”. Mesmo a escopeta com balas de borracha do episódio da cidade barco é um mau exemplo. Munições como esta podem sim matar, sobretudo nas mãos de uma porra-louca como a Kino. É por isto que elas passaram a ser chamadas de “menos letais” e não mais “não-letais”.

Já sobre a mensagem do episódio em si, acho que o que mais me agradou foi o fato de que este capítulo se sustentou nos próprios pés, a despeito da “força” de sua lição (ou ausência da mesma). Achei legitimamente divertido ver a Kino sênior soltando o YOLO e causando um escarcéu na cidade. É o tipo de coisa que eu faria jogando GTA :D

Aliás, pago para ver um mod de GTA que nos coloque nos pés da Kino.


Fábio “Mexicano”:

Sem dúvida, independente de uma “mensagem”, esse episódio é algo divertido de se ver. Bom, exceto pelo filtro de flashback, aquilo me irritou. Mas a história é divertida, com comédia na medida certa, e poderia ter um pouco mais de ação, mas Kino não é desses animes.


Gato de Ulthar:

Eu ainda não consegui digerir como aquele governo caiu. Segundo o velho, o próprio governo militar teria se envergonhado dos seus atos e passado a agir moralmente? Então o país ainda é governado por um governo militar? Não duvido que a vergonha que passaram poderia motivar dissidentes a se rebelarem e governantes a saírem do cargo, mas…


Fábio “Mexicano”:

O velho é um ex-policial, isso ficou claro, ele pode estar contando a história pela metade, embelezando para o seu lado. Eu imagino algo mais cru mesmo, a população viu que duas pessoas sozinhas conseguem humilhar a polícia, então o que todos eles juntos não poderiam ser capazes de conseguir?


Vinicius Marino:

Sem contar quem, com a quantidade de baixas que a polícia teve, a força teve ter acabado sem efetivos para controlar o povo. A Kino comenta no final que toda uma geração de velhos parece ter levado uma “flecha no joelho”.

Pode ser que o levante tenha vindo de outra facção dentro da própria polícia, indignada com o custo humano e material.


Gato de Ulthar:

Kino piadista é a melhor Kino.


Fábio “Mexicano”:

Com certeza, auto-golpes ou golpes vindos de dentro são muito mais comuns do que revoluções “populares”. Nesse caso, o povo apenas terá dado sorte de os novos governantes serem menos corruptos e, ao longo do tempo, terem aberto a política (suponho que tenham feito isso?)


Diego:

O episódio realmente falha em melho explicar como um monte de policial levando tiro na perna trouxe uma diminuição da corrupção, mas sinto que perguntar isso é pedir demais de um episódio puro rule of cool.


Fábio “Mexicano”:

Não acho que foi uma falha. A Kino conheceu a história por duas fontes interessadas diferentes, só isso, é natural que nem ela, nem nós, saibamos a “verdade verdadeira”.


Diego:

De fato. Mas mudando um pouco de assunto, o que acharam da Mestra e seu Parceiro? Falar um pouco desses personagens.


Fábio “Mexicano”:

Kino versão adulta? Eu totalmente imagino a Kino se tornando daquele jeito quando crescer. Um pouco mais introspectiva apenas, talvez, mas tão mortal e astuta quanto.


Gato de Ulthar:

Gostei da dupla, tanto a Kino adulta quanto do maluco que a acompanhava. O cara era um aprendiz, mas escondia material de um assassino profissional, e nem a mestra sabia disso.


Fábio “Mexicano”:

Mas soube usar perfeitamente, LOL


Vinicius Marino:

Não comprei muito a surpresa da mestra com o equipamento do aprendiz. Para personagens que vivem tão “fora” da moral, é o tipo de cena que confunde mais do que esclarece.

Aproveito que estamos falando disso para perguntar uma coisa ao Diego: a tão antecipada importância dos “três dias” veio daquela cena desse episódio?


Diego:

Acho perfeitamente natural a surpresa da Mestra. Ela só não sabia que seu aprendiz tinha aquilo, e pelo visto nem sabia o que ele fazia antes de se juntar a ela. Notem que em momento nenhum ela julgar moralmente o rapaz ter aquilo, ou mesmo comenta se aquele equipamento estaria fora de suas habilidades. Foi só um “ah, ele tem isso… ta”.

Mas sobre a importância dos três dias: não, não é por conta desse episódio. Tem mais coisa por vir ainda nesse quesito rs


Fábio “Mexicano”:

Eles deviam ter prometido tudo e fuzilado a Kino-mestra assim que saía da torre.

Bom, isso se fosse um anime buscando a verossimilhança, né. Não foi um defeito, só achei que seria divertido mencionar isso.


Gato de Ulthar:

Kino no Tabi é um anime muito divertido, deixando de lado todas as incongruências e bizarrices, não me arrependo em nenhum instante de estar assistindo ele! E bem, a cena da torre foi muito divertida. Eles poderiam ter se escondido e fugido para fora do país sorrateiramente, mas preferiram chutar o balde.


Diego:

Acho que depois de tomarem tiros até não poder mais eles simplesmente ficaram com muito medo pra tentar alguma gracinha depois de abrir as portar pros dois fugirem (isso se ainda havia gente o bastante pra tentar algo, considerando que a Kino aponta que a maioria dos velhos do país usavam bengala).


Vinicius Marino:

Sabe aquele momento no RPG que você decide voltar pra cidade que não vai mais visitar e matar todo mundo pelo XP? Então, é o tipo de coisa que eu imagino a mestre da Kino fazendo.


Diego:

Não sei não, você anda jogando uns jogos meio estranhos :P (na verdade provavelmente sou eu quem não joga quase nada, mas oh bem…). Em todo caso, acho que posso abrir para as considerações finais. Alguém quer dizer algo sobre este sétimo episódio que ainda não disse? :D


Fábio “Mexicano”:

Que eu ainda não disse? Hmm… estou desapontado pela mestra da Kino não ter sua própria moto falante?


Gato de Ulthar:

Falando em jogos, essa situação me lembrou Fallout 3, onde o protagonista podia explodir, se quisesse, uma bomba nuclear e sumir com a cidade. Eu fiz isso. Acho que possuo uma ética Kinoniana.


Fábio “Mexicano”:

Ética Kinoniana, precisamos desenvolver e propagar isso


Gato de Ulthar:

-Kant, +Kino.

Não que eu desgoste deste filósofo, foi só pra ficar legal mesmo.


Vinicius Marino:

Crítica da razão kinoniana. O livro que faltava no cânone de Kant.


Diego:

Não é como se precisássemos de um livro para expor a ética Kinoniana. Ela se resume a “atire nas pernas de qualquer um que se meter no seu caminho” :D Mas oh bem, fiquemos por aqui esta semana. Até a próxima a todos o/

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