200 Posts no “É Só Um Desenho”: Um Pouco Sobre Meus 3 Anos Como Blogueiro

Conforme me sento para escrever este texto, não posso deixar de pensar se não há algo de pretensioso em escrever sobre este blog e – por extensão – de certa forma também sobre mim. Será que há quem se interessaria por um texto assim?

Verdade é que se público fosse uma preocupação de fato eu não escreveria metade das coisas que escrevo para o blog. Boa parte das minhas reviews são de animes e mangás com os quais poucas pessoas se importam, e boa parte dos meus ensaios são de temas que não costumam estar na moda. Eu escrevo sobre o que quero escrever, assim surgiu este blog e assim ele segue até hoje.

Ao mesmo tempo, eu acho que há algo de pretensioso em qualquer autor. Acreditamos que nossas ideias e opiniões possuem valor, e que merecem ser compartilhadas e divulgadas: e deixamos para o público decidir se estamos certos ou errados.

Foi em agosto de 2014 que eu comecei este blog, e três anos depois com este texto eu atinjo a marca dos 200 posts publicados. Claro, entre eles estão textos como informes, divulgação de links e outros que não exatamente se configuram como artigos. Mas o número ainda me parece ideal para aproveitar o momento e refletir um pouco sobre a trajetória do blog.

Interessará a alguém? Bom, isso já é com vocês.

Quando eu comecei esse blog, eu tinha uma ideia bastante clara do que eu queria fazer. Obviamente eu queria falar sobre animes, mas não tinha a menor intenção de seguir o formato padrão de reviews. Questões como personagens, roteiro e animação me interessavam bem pouco, e mesmo hoje não são elementos com os quais eu particularmente me importe, salvo quando uma obra os utilizada de uma forma absurdamente melhor do que as demais.

O que eu queria era falar de temas. De ideias. De conceitos. Era partir dos animes para discutir questões que em muito os extrapolavam. Em 8 de Agosto lancei o primeiro texto do blog, Digimon Adventure – Crescimento, Amadurecimento e Autoconhecimento, e na semana seguinte, no dia 15, lancei o segundo, Sword Art Online – A Relatividade da Realidade e o Valor da Experiência.

Francamente falando, ambos são textos que eu gosto ainda hoje, algo ligeiramente raro. Acho que todo autor tem uma tendência a olhar seus textos mais antigos e pensar “eu poderia fazer isso bem melhor agora”, e eu certamente não sou exceção. Mas pelo menos esses dois eu acho que deixo como estão [rs].

Logo, porém, ficou bem claro que textos como estes demandariam muito mais tempo e pesquisa do que eu dispunha. Uma constante que, infelizmente, segue inalterada. Em dois anos de blog apenas 9 dessas análises foram publicadas, e se está estranhando eu falar em “dois anos” é porque, se reparar bem, nenhuma foi publicada em 2017.

Pensar que há leitores que conheceram o blog este ano e talvez nem saibam que estas análises existem é um pouquinho triste. Elas foram o pontapé inicial de tudo isso, e ainda assim acabaram renegadas a menos do que um segundo plano.

Ainda assim, acho que o espírito do blog se manteve. O ponto era, afinal, que é possível tirar discussões mais sérias e produtivas mesmo de algo como alguns desenhos animados vindos do outro lado do mundo [rs]. Os ensaios aqui do blog são talvez a extensão mais óbvia desse esforço, mas mesmo nas reviews eu ainda evito fazer algo muito formulístico, preferindo ao invés disso abordar aspectos mais temáticos.

Aproveitando, é interessante como quase todos os quadros do blog surgiram do simples fato de que eu não conseguia encaixar o que eu queria falar em algum quadro anterior. Eu queria falar sobre K-ON!, mas sem um tema em especial para abordar acabei cedendo às reviews. Eu queria falar de algumas obras que acompanhava, mas sem querer resenhar algo incompleto acabei adotando o formato de lista. E assim por diante.

Planos mudam, se há uma lição que tirei escrevendo para este blog esta certamente seria ela [rs]. Mas também nunca mudam demais. Minha proposta aqui sempre foi a de falar a sério e de levar essa mídia a sério, e isso não é algo que irá mudar. Deixo as piadas e o sarcasmo para aqueles muito mais competentes nisso do que eu.

Espero um dia ser grande nesse meio otaku? Realisticamente falando, não. Em primeiro lugar, blogs são uma mídia em extinção: o povo hoje prefere ver um vídeo do que ler um texto (e eu não estou apontando o dedo, podem me incluir nessa estatística). Segundo que meus textos não são exatamente curtos, como qualquer um que os abrir irá imediatamente ver. E adicione a isso ainda o que mencionei no segundo parágrafo, sobre meu foco em animes pouco comentados e temas fora da moda do momento.

Mas em todo caso acho que estou bem como estou. Não entendam mal, não sou do tipo que falaria algo como “eu escrevo pra mim” ou algo do tipo. Pessoalmente falando, eu penso que se este fosse o caso seria mais produtivo apenas digitar em um documento de word e guardar o arquivo em alguma pasta do computador. É óbvio que eu quero ser lido, mas eu quero ser lido escrevendo o que eu quero escrever, e o segundo toma primazia sobre o primeiro, é só [rs].

E bom, crescendo o blog está. Em um ritmo até que bastante satisfatório, diga-se de passagem. 2014 fechou com pouco mais de 1000 visitantes, ao passo que 2015 superou a marca dos 3700. Em 2016 o blog teve o seu maior salto até então, atingindo os 20700 visitantes, e 2017 já passou a marca dos 38 mil. Ainda é um blog pequeno, mas aos poucos está atraindo atenção.

Mas claro, não poderia deixar de mencionar que boa parte desse crescimento não é puro mérito meu.

Em 2016, o Andre Dedeco, do Portal Tanaka, me convidou para participar do projeto Blogosfera Otaku BR, cuja proposta era reunir blogueiros do meio para trocarem experiências, conversas, parcerias, e por ai vai.

A Blogosfera não foi muito pra frente, e mesmo antes de 2016 acabar já era evidente que ela não atingiria as aspirações para a qual foi criada. Ainda assim, foi graças a ela que acabei entrando em contato com outros blogueiros desse meio. Fora muitas das parcerias do blog, projetos como o debate entre blogueiros ou o Café com Anime não teriam sido possíveis não fosse por ela, então jamais direi que o projeto foi um fracasso [rs].

Aproveitando a deixa, 2016 foi também um ano que acabei por extrapolar um pouco os limites aqui do blog, com experiências que me foram bastante proveitosas.

Em 2015 eu já havia escrito uma review de Koe no Katachi para o pessoal do Portal Tanaka, e em meados de 2016 fui também convidado a escrever uma review de algum anime para o Daiblog, atual Cine61 (óbvio que escolhi falar de Kino no Tabi). Mas um pouco mais duradoura foi a minha passagem pelo ANMTV, para o qual escrevi algumas reviews mensais (ou quase isso) ao longo de 2016.

Infelizmente, a vida acontece. No final daquele ano me vi às voltas com um concurso que poderia me garantir ao menos um emprego temporário, e acabei largando tudo para me focar nos estudos, tanto que se olharem bem não houve nenhum artigo mesmo aqui no blog em dezembro de 2016.

Sob o pretexto de “primeiro eu resolvo a minha vida e o meu blog” (algo que não resolvi nem agora, diga-se de passagem…), logo alguns meses já haviam se passado. Eu nunca oficialmente falei que iria sair do ANMTV ou coisa do tipo, algo pelo qual certamente devo minhas desculpas à equipe do portal. Mesmo assim, essas diferentes experiências de escrita de artigos para outro lugar que não aqui me foram bastante proveitosas em termos de experimentar com outros estilos de escrita que não aquele com o qual acabei me (mal?)acostumando. E claro, sou bastante grato a todas essas oportunidades.

Já numa linha de maior continuidade com o blog em si, em 2016 eu também tentei me aventurar um pouco no YouTube. Foi um projeto curto: o primeiro vídeo, Análise | Fullmetal Alchemist: Brotherhood – Consistência na Mensagem, saiu em 5 de agosto de 2016, ao passo que o último, apropriadamente intitulado apenas Informe | Fim do Canal, saiu em 9 de maio de 2017. Os motivos dessa vida curta eu já expliquei em outro texto, então não vou detalhar aqui.

Pretendo voltar com o canal um dia? Sim. Mas é aquilo: todo dia eu penso “vou tentar gravar um vídeo hoje”, mas esse “hoje” sempre acaba indo para o “amanhã” [rs]. Ainda assim, foi divertido explorar um formato diferente, e mesmo não tendo o melhor dos microfones ou as maiores habilidades de edição eu ainda consigo gostar de muitos dos vídeos que produzi nesse período.

No final de 2016 eu também me voltei um pouco para a página do blog. Já há algum tempo eu queria movimentá-la um pouco mais, de forma que não publicasse nela só uma vez por semana – a periodicidade do blog até então. Quadros como Uma Breve Análise e Indicações surgiram ali, e depois acabaram indo para o canal. Com o fim deste, as análises vieram para o blog, e as indicações cessaram em definitivo.

Mas eis que uma ideia me vem à mente: falar sobre filmes em anime. Desde que comecei a acompanhar essa mídia eu sempre me centrei mais nas série para televisão, então essa me pareceu uma boa forma de me “forçar” um pouquinho a ver mais filmes.

O quadro viria a se provar super intermitente, e o que era pra ser semanal acabou virando mais um “semanal, se der” [rs]. Mas ao menos cumpriu com seu objetivo, embora também me fazendo ver que o formato de filme provavelmente não é o que mais me agrada – vide como o número de reviews negativas ou indiferentes é bem maior que o de positivas.

Mas oh bem, que nem tudo sai como o planejado é uma constante com o qual já me acostumei [rs]. Avançando assim no tempo em fim chegamos a 2017, que só nesse último trimestre de ano viu surgir três novos quadros aqui no blog.

Um deles eu já mencionei, que é o Café com Anime. Um projeto em parceria com o Fábio, do Anime21, o Vinicius, do Finisgeekis, e o Cat, do Dissidência Pop, nele nós discutimos alguns dos animes que estamos assistindo. É algo ainda novo, e um formato com o qual nós mesmos ainda estamos nos acostumando, mas que sempre rende conversas divertidas e interessantes.

Os outros dois quadros são os Resumos de Livros e o Antiguidades, ambos bastante auto explicativos, ambos com bem pouco potencial de atrair um grande número de leitores, e ambos que eu gosto bastante de fazer [rs]. Com eles o blog atinge a marca de 10 quadros, alguns obviamente mais regulares do que outros (mas nenhum oficialmente abandonado!).

Que será do futuro? Bom, eu certamente não acharia ruim continuar crescendo. E ainda tenho esperanças de eventualmente trazer o canal de volta, e obviamente quero escrever mais análises como as do começo do blog. Mas fora isso, o futuro é uma página em branco, a ser preenchida com qualquer euforia aleatória que me vier à mente [rs].

Três anos e 200 posts se passaram. Que esse blog já tenha durado tanto é um milagre em si mesmo. Mas já que cheguei até aqui, que venham então os próximos anos.

Ah, e post tematizado com imagens da Kino porque Kino no Tabi é masterpiece :D

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2 – Kino no Tabi, episódio 1

3 – Kino no Tabi, episódio 2

4 – Kino no Tabi, episódio 2

5 – Kino no Tabi, episódio 3

6 – Kino no Tabi, episódio 3

7 – Kino no Tabi, episódio 10

8 – Kino no Tabi, episódio 10

9 – Kino no Tabi, episódio 11

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