Café com Anime – Kino no Tabi, episódio 5: Histórias e Mentiras

Olá a todos, e sejam muito bem vindos a mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. E como de costume, estou aqui com o Fábio, do Animes 21, o Vinicius, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, para discutirmos nossas impressões sobre o quinto episódio de Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated series.

Antes, porém, vale lembrar que no Animes 21 vocês poderão conferir nossas conversas sobre Animegataris e sobre Children of the Whale; no Finisgeekis, nosso bate-papo sobre Girl’s Last Tour; e no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Mahoutsukai no Yome, então não deixem de visitar e ficar de olho nos outros sites.

E dados os disclaimers de sempre, vamos então à conversa /o/


Diego:

Começa então mais um Café com Anime de Kino no Tabi \o/ E o que dizer desse quinto episódio… Eu gostei, e ao mesmo tempo não é livre de problemas. Após tantos episódios de bangue bangue é bom finalmente termos algum mais calmo. No caso, tivemos duas histórias em um só episódio, algo que acontecia com certa frequência no anime antigo. Individualmente eles são bem interessantes, embora o primeiro perde um pouco do impacto se você não conhece o passado da Kino (que, francamente, o anime está demorando bastante pra introduzir). O segundo foi certamente o melhor, e bem mais próximo do que eu esperava de um novo anime de Kino no Tabi. Mas é bastante discutível até que ponto os dois contos conversam o bastante para justificar estarem num mesmo episódio. Mas bem, falem um pouco vocês: o que acharam desse quinto episódio?


Vinicius Marino:

De fato, foram duas esquetes bem independentes. O que não acho que seja um defeito. Simples que sejam, duas histórias introspectivas e despretensiosas era tudo o que a série precisava para se recuperar do surto de adrenalina.

O segundo conto me lembrou do filme “Dolls”, do Takeshi Kitano. Nele, um rapaz se separa de seu amor, prometendo voltar em breve. A garota religiosamente lhe prepara um almoço todos os dias, à espera de seu retorno que nunca chega. Décadas depois, ele se torna um chefão da Yakuza e tem vergonha de encará-la. Quando finalmente a reencontra, finge ser outra pessoa, tal como o casal de “mentirosos” do anime:


Gato de Ulthar:

Finalmente um episódio sem a Kino surtada se intrometendo em tudo e disparando bala para todo lado. Um punhado de calmaria em um mar de caos. Eu particularmente gostei das duas pequenas esquetes, a segunda foi sem dúvidas melhor construída que a primeira, mas confesso que o caso daquela motorrad presa no museu cortou meu coração. Até cogitei em pensar porque a Kino não surta e dá um jeito de salvar a moto? Mas fiquei contente com a Kino apenas observadora, sem se intrometer nos assuntos nacionais.


Fábio “Mexicano”:

O bom desse episódio é que ele não foi ruim? :P

Gostei mais da primeira esquete, achei-a com mais potencial. Acho que fica fortemente implícito que aquele garoto talvez um dia cresça e roube aquela moto e saia pelo mundo com ela. Se isso tem ligação com o passado da Kino eu não sei, mas como alguém que não conhece tal passado, isso foi o que eu absorvi, e foi bastante satisfatório. Um pouco mais de desenvolvimento teria ajudado, mas foi ok. A segunda esquete não é ruim, mas aquele tipo de relação me deixou perturbado o tempo todo, e mais ainda depois de descobrir a verdade pela princesa. Quando o rapaz revelou que ele também mentia, eu não sei dizer se achei melhor ou pior – acho que para os dois é um pouco melhor que saibam o que se passa, mas a situação ainda parece bizarra demais para engolir. Imagino se em algum nível de abstração não possa ser entendido de forma mais interessante?


Vinicius Marino:

Eu entendi a esquete como uma metáfora sobre a “hipocrisia” nas relações sociais. Como somos forçados a mentir para aqueles com quem nos relacionamos e blá blá blá. Não é a melhor das mensagens – nem foi contada de uma forma especialmente convincente. Mas está anos-luz na frente do “ações têm consequências, então YOLO” de episódios passados.


Diego:

Na minha opinião a primeira história foi a mais interessante tematicamente, com a ideia de como os objetos foram reinterpretados de forma romantizada, algo bastante real no nosso mundo. A segunda parte me divertiu com a sequência de twists, mesmo que a um maior escrutinio estes façam bem pouco sentido. Se fosse pra tirar uma mensagem seria a ideia de que algumas mentiras são para o bem, e olhe lá.


Gato de Ulthar:

Seja como for, eu acho que o maior destaque deste episódio foi justamente a postura da Kino. Só que mesmo essa Kino diferenciada, no sentido de não se meter em assuntos alheios ativamente, me incomodou um pouco. Eu esperava que ela pelo menos tentasse fazer alguma coisa pela Motorrad, não somente trocar ideias com o menino, atiçando-o para uma suposta ação futura. Creio que ela podia ter falado com pessoal do museu que a Motorrad necessitava movimentar-se, nem que fossem passeios diários pela região. Sei que o pessoa do país era meio fanático, mas creio que Kino poderia ter explicado a situação, podia até mesmo ter dito que a motorrad voltaria a falar.


Fábio “Mexicano”:

Chegamos ao ponto em que reclamamos quando a Kino intervêm e reclamamos também quando ela não intervém. É justo? Não sei. Mas o anime não foi justo conosco em primeiro lugar :P


Gato de Ulthar:

Creio que Kino precisaria encontrar um meio termo entre a total inação e a intervenção desenfreada, aí sim ela seria uma personagem louvável.


Vinicius Marino:

O grande problema é a coerência. Para uma personagem que não hesita em cometer regicídio, o que custaria conversar com a curadora do museu?


Diego:

É como eu disse na conversa sobre o episódio passado: o anime falha miseravelmente em estabelecer qualquer coisa, incluindo a personagem da Kino. Essa postura não intervencionista e puramente observadora é o normal da personagem, ao passo que é preciso algo muito fora do usual para ela resolver fazer algo drástico (como mandar o povo de todo um país se matar), mas como o anime nos mostrou exceção atrás de exceção pelos últimos 3 episódios, vê-la menos ativa nesse quinto soa praticamente incoerente.


Fábio “Mexicano”:

De fato, a coerência exigiria que a Kino tivesse metido bala em tudo mundo ali e saído do museu montando duas motos ao mesmo tempo…


Vinicius Marino:

Droga, Fábio! Como eu faço para tirar essa imagem da cabeça agora?


Fábio “Mexicano”:

Esse vídeo é super divertido!


Gato de Ulthar:

Se alguém poderia pilotar duas motos ao mesmo tempo era a Kino.


Diego:

E ainda ficaria dando tiros para o ar com ambas as armas ao mesmo tempo :D

Mas bom, mudando de assunto, o que vocês acharam dos twists na segunda parte do episódio? Vou dizer que já esperava ambas as revelações, embora a do homem veio tarde o bastante para me pegar de surpresa, bem quando já havia abandonado a hipótese rs. Mas e vocês, viram os twists chegando ou ficaram de queixo caído no final do episódio?


Fábio “Mexicano”:

Não vi chegando, mas não é como se eu me importasse o suficiente com aquele episódio para me impressionar de forma sincera. A gente nunca mais vai ver eles, a esquete foi se muito mediana, qualquer coisa tá bom.


Vinicius Marino:

Acho que eles forçam o limite da plausibilidade. Eu até entendo o conceito “país das mentiras”, mas não é assim que seres humanos funcionam. E aqui entramos no ponto que levantei na discussão de Kujira: eu só tenho empatia por seres humanos. Kino no Tabi até agora me parece não ter interesse em pessoas, só na ruminação de idéias. Isto até poderia funcionar se as idéias fossem boas, mas do jeito que estão? Acho um defeito grave.


Gato de Ulthar:

Eu acho que o casal de mentirosos funcionaria melhor se os dois estivessem fingindo em conjunto para poderem viver tranquilamente, ambos conhecendo o segredo um do outro, mas cada um mente para o parceiro! Não consigo vislumbrar uma felicidade verdadeira neste casal.


Fábio “Mexicano”:

Cada um está contente consigo mesmo, mas não estão felizes juntos.


Vinicius Marino:

O que só mostra que a noção de “amor” pela qual se orientam é bem deturpada, para dizer o mínimo.


Gato de Ulthar:

Kino (ou foi Hermes?) até chamou o país de “País dos Mentirosos”, só que pelo o que vi, os úncios mentirosos são o próprio casal…. Claro que os habitantes o lugar devem mentir diariamente, como todo mundo faz em todo lugar, mas chamar o país de “país dos mentirosos”, eu achei um pouco demais.


Fábio “Mexicano”:

Eu acho que o cara que falou sobre o sujeito “louco” é “mentiroso” também, e é o espião da família real que o louco menciona no final


Gato de Ulthar:

Vai saber né?


Fábio “Mexicano”:

O Diego que tem que saber :D


Diego:

O “pais dos mentirosos” vem por todos acreditarem estar mentindo para o “louco”, enquanto ele está mentindo para todos. E eu pensei que o “espião” que ele menciona no final fosse a própria mulher, já que no fim ela que agiu como tal, avisando a família e possibilitando a fuga.


Fábio “Mexicano”:

É uma possibilidade, mas ela também menciona espiões para poder retornar para o país, então é preciso uma terceira pessoa aí.


Diego:

Ela menciona? Juro que não lembro. Em que momento ela diz isso?


Fábio “Mexicano”:

Quando está contando a sua história.


Gato de Ulthar:

Bem no final do episódio, quando estão indo embora, após se despedir do mentiroso.


Fábio “Mexicano”:

Aqui:


Diego:

Oh, acho que simplesmente não dei atenção a essa cena. Pior que com esse contexto de fato fica bem evidente que o amigo espião que ele menciona deve ser o que conta a história para a Kino. Desatenção minha, lol. Mas bem, o resto da cidade ainda acredita que está mentindo para o cara, então meu ponto se mantém XD

Mas bem, acho que podemos encaminhar o debate para o final já. Não é um episódio que dê muito o que comentar, afinal. Mas há uma coisa que acho que ainda podemos discutir. Um grande problema que eu tenho com o anime está sobretudo na ordem dos episódios: ele falha em estabelecer a norma antes de partir para a exceção (e nisso a Kino observadora do episódio 1 é imediatamente seguida da Kino vingativa do episódio 2). Diante disso, eu pergunto: e se esse episódio 5 tivesse sido, na verdade, o episódio 2? Não acho que resolveria todos os problemas do anime (nem de longe!), mas eu pessoalmente cheguei à conclusão de que teria sido bem melhor. O que vocês acham?


Fábio “Mexicano”:

Teria sido um episódio 2 melhor. Mas ainda ficaria faltando a transição. Nenhum dos demais três episódios ficaria bem como um terceiro episódio. Quando simplesmente não existe nuance, talvez seja melhor ir direto de um extremo a outro mesmo, como Kino no Tabi fez, colocando o Coliseu como segundo episódio.


Vinicius Marino:

Acho que talvez seria uma escolha mais “harmoniosa”, porém, devo dizer que o contraste do primeiro com o segundo episódio foi divertida, se nada mais. Em uma temporada desprovida de grande peso emocional (ou intelectual), ser apresentado à Kino “chaotic neutral” foi um atrativo em si.


Gato de Ulthar:

Essa ordem sugerida pelo Diego poderia ter harmonizado melhor as coisas, mas como o Fábio mesmo disse, não há um terceiro episódio que se encaixe bem. Talvez esta pergunta seja melhor respondida no final do anime, onde podemos fazer um exercício de tentar reordenar os episódios de uma forma que eles se encaixem melhor.


Diego:

Bom, já temos um ponto de discussão para o episódio final, então rs. Mas por agora podemos encerrar a conversa. Até a semana que vem a todos o/

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