Toda interpretação é válida? O papel do autor na interpretação de sua obra.

Funfact: Kazuya Tsurumaki, diretor assistente em Neon Genesis Evangelion, já chegou a dizer que o simbolismo religioso no anime estava ali só para distingui-lo de outros animes de robôs gigantes.

Qual a importância do que diz o autor na hora de se interpretar uma obra de arte qualquer? Sinceramente, essa é uma pergunta bem difícil de responder. Nós tendemos a ver o autor como a máxima autoridade sobre a sua obra, mas isso pode ser bastante complicado de sustentar. Por outro lado, já houve aqueles que tentaram romper por completo com essa visão, a exemplo do crítico literário francês  Roland Barthes. Em 1967, Barthes publicou seu ensaio A Morte do Autor, onde advoga por uma separação entre o autor e a sua obra. Para ele, tentar explicar a segunda pelo primeiro seria limitar a própria obra. Mas enquanto eu vejo valor no argumento de Barthes, eu vejo nessa teoria um salto lógico grande demais. Tudo bem que é útil ter algum cuidado ao tratar a palavra do autor como verdade absoluta, mas isso também não significa que devemos concluir que toda interpretação é igualmente válida. É uma situação na qual extremos me parecem bem pouco úteis, francamente falando.

O que me leva ao propósito desse texto. Sendo bem sincero, não é nem de longe a minha intenção resolver toda essa problemática. Ao invés disso, o que eu quero é justamente explaná-la. Há bons argumentos para se duvidar do que diz o autor, e há bons argumentos para se evitar cair no pleno relativismo. Longe de querer dizer qual lado é o melhor, eu pretendo expor a ambos de forma que leitor possa traçar as suas próprias conclusões. Dito isso, eu imagino que pelo menos alguns leitores provavelmente irão querer saber de que lado desse debate eu me posiciono, isso se já não o perceberam pelo parágrafo anterior. Em todo caso, como alguém que vê a arte como uma forma de comunicação, eu tendo a dar bastante importância para as intenções do autor. Dito isso, nem sempre estas serão claras, e no final do dia o melhor que eu posso fazer é dizer que a interpretação do autor é a mais correta, exceto quando ela não é.

Qual o papel do autor na interpretação de sua obra?

Vamos começar falando um pouco sobre a ideia de autor ao longo do tempo. Vejam, hoje nós temos muito essa noção do Autor, com “A” maiúsculo mesmo, dessa entidade que, em sua genialidade, é o único responsável pela criação de uma obra de arte qualquer. Em última instância, esse é mesmo um título legal. O autor, o criador, é aquele que detém os direitos intelectuais sobre aquilo que criou, e é esse o princípio de coisas como o copyright, o combate ao plágio e o combate à pirataria. Mas as coisas nem sempre foram assim, e isso fica sobretudo mais claro quando olhamos as artes plásticas. Pense rápido: você pode citar, de cabeça, algum pintor ou escultor da Idade Média? Se não, o motivo disso é menos uma completa ausência de fontes para se dizer quem eram estas pessoas e mais o fato de que elas nunca realmente tiveram grande notoriedade. A arte na Idade Média era sobretudo uma arte religiosa, e como tal ela possuía cânones e funções religiosas. A pintura em uma igreja não era mero decorativo, mas sim componente necessário para que ela funcionasse como uma igreja.

Baixo uma lógica do tipo, o artista estava muito mais próximo do artesão. Ele executava um serviço segundo uma técnica, e encomendar uma pintura não era realmente muito diferente de se encomendar um sapato ou uma tapeçaria. Num cenário do tipo, podemos explicar uma dada obra de arte através do seu artista? Pessoalmente, eu acho que não. Faria muito mais sentido explicá-la segundo a sua sociedade, segundo os cânones, dogmas e símbolos comuns àquela sociedade. O grande gênio cujo talento incomparável é o que lhe permite projetar a sua visão particular em sua arte meio que simplesmente não existe aqui. A situação é um pouco mais complicada no campo da literatura, pois como eu disse ainda havia a noção dos “clássicos”, embora vale dizer que aqui estamos falando sobretudo de autores de não-ficção. Platão, Aristóteles, Agostinho, eles não estavam exatamente escrevendo para o entretenimento dos outros, e contos mais ficcionais eram normalmente do campo do folclore e do mito, ambos de fato sem uma autoria clara.

A nossa ideia de “autor” é um conceito relativamente moderno.

Os séculos passam, temos o Iluminismo, a Renascença, e nisso a figura do autor vai tomando os contornos que conhecemos hoje. Mas tal visão talvez esteja com os dias contados, ou no mínimo precise de uma urgente atualização. Isso porque as novas mídias tornaram bem complicado atribuir a autoria de uma obra de arte qualquer a apenas um indivíduo. Por exemplo, já pararam para pensar em quantas pessoas são necessárias para se fazer um filme? Claro, temos o diretor, aquele que normalmente leva o crédito pela obra. Mas fora ele temos atores, compositores, roteiristas, temos os técnicos responsáveis pela iluminação, outros responsáveis pelos efeitos especiais, e a lista só vai crescendo. É um trabalho conjunto, e a ideia de atribuir o resultado final a um só indivíduo se torna complicada quando você percebe isso. Para uma dada cena dar certo você precisa da iluminação certa, da atuação certa, da composição certa, das falas certas…

O exato mesmo vale para outras mídias áudio-visuais. Videogames são outro excelente exemplo. Quantas pessoas não são necessárias para se criar um jogo? Quantas não dão ideias e sugestões que acabam chegando ao produto final? Podemos mesmo falar em “autoria” aqui? Podemos atribuir as ideias e mensagens de um jogo qualquer apenas à visão de um único indivíduo? E para finalmente chegarmos a um exemplo mais próximo, vale dizer que os animes possuem a exata mesma problemática. É preciso uma vasta equipe para se criar um só episódio de anime, incluindo ai diversos desenhistas, designers, atores… Novamente o diretor tende a levar a maior parte do crédito, mas ele definitivamente não está fazendo todo o trabalho sozinho, nem de longe. Dito isso, vale mencionar que animes são, normalmente, adaptações de outras mídias. Talvez não possamos atribuir a autoria de um anime a um único indivíduo, mas certamente podemos em um mangá ou light novel… certo?

Anime pode ter múltiplos criadores, mas um mangá ou novel só tem um… né?

Mais uma vez, é uma situação mais complicada do que parece. Pensem em um mangá: costumamos pensar que ele se trata da criação individual de um único indivíduo (com o perdão do pleonasmo intencional), mas esse não é exatamente o caso. Para começo de conversa, existem os casos nos quais um artista faz o roteiro e outro faz a arte. Peguem One Punch Man, por exemplo, onde a arte é feita pelo Yousuke Murata, mas que a faz seguindo o roteiro que o ONE já havia criado para a versão web do quadrinho. Mas mesmo desconsiderando esses casos, todo autor de mangá possui um editor, e por vezes a influência deste na obra pode ser bem alta. Fora dar ideias que o autor pode depois acatar, a pressão editorial também pode fazer um mangá se estender para muito além do que o seu autor desejava (como foi o caso com Dragon Ball), ou pode forçar um cancelamento abrupto da história, fazendo com que o autor não pudesse trabalhar tudo o que gostaria.

A própria revista na qual o mangaká publica pode possuir diretrizes editoriais que obrigam esse autor a seguir certas fórmulas. A Shounen Jump é famosa por fazer exatamente isso, com os mangás publicados na revista tendo de seguir a tríade “amizade, esforço, vitória”. Fora a própria questão de público! Mangás são mídias seriais, algo que abre grande margem para a interferência do público, sobretudo considerando que as revistas de mangá incentivam seu público a opinar sobre os rumos que as histórias tomam. Um personagem pode ganhar mais ou menos destaque a depender de como o público leitor reage a ele, por exemplo, e um mangaká pode mesmo ter de trazer um personagem de volta dos mortos porque a audiência não o queria fora da história. São exemplos talvez extremos, mas que mostram que mesmo o autor de mangá opera baixo a influência de diversos outros “pseudo-co-autores”, por assim dizer.

O quanto de Dragon Ball “é” Akira Toriyama e o quanto “é” seus editores e seu público?

No mundo moderno, nenhum autor trabalha sozinho. Mas fica a pergunta: podemos partir disso para concluir que toda interpretação é válida? Honestamente, uma argumentação do tipo seria demasiado apressada. Em primeiro lugar, mesmo que um dado artista não trabalhe sozinho, ainda assim nada impede da sua “voz” se sobressair frente às demais. Diretores, roteiristas, compositores, animadores, muitas vezes ganham notoriedade justamente por possuírem um estilo próprio de fazer as coisas. Precisam de ajuda, é lógico, e no fim só podem tornar a sua visão uma realidade após mediações com diversos outros níveis da produção, desde colegas até financiadores. Mas, só a título de exemplo, vamos negar a preponderância de Hayao Miyazaki em literalmente tudo o que ele dirigiu? Isso sem nem entrar no mérito de que é perfeitamente possível que toda uma equipe compartilhe de uma mesma visão, e colaborem justamente para transmiti-la.

E aqui entra outro problema que eu vejo com a teoria da morte do autor: ela tira muito da agência do próprio autor (ou autores). Como eu mencionei no segundo parágrafo, eu vejo a arte muito como uma forma de comunicação, na qual um ou mais criadores tentam passar “algo” ao seu consumidor. Esse algo pode ser uma mensagem, uma ideia, um sentimento… Desde a mais filosófica “pense sobre isso” até a mais comercial “compre isso”, eu penso que toda obra tem algo a dizer. E se você retira o autor dessa lógica, a arte essencialmente perde qualquer significado. Ela deixa de ser uma conversa e se torna… nada. Se torna vazia. Inexpressiva. Se torna o que cada um quiser que ela se torne, o que inclusive abre margem para problemas dos mais diversos, inclusive alguns de ordem legal. Duvida? Bom, aqui um exemplo bastante polêmico…

Podemos dizer que não há nada do Miyazaki em seus filmes?

No momento que escrevo este texto, ainda deve estar fresco na memória do leitor a polêmica envolvendo o banco Santander. Para quem eventualmente não saiba do que se trata, o banco, usando da Lei Rouanet (uma lei que garante isenção fiscal de certa ordem caso o valor seja investido em algum projeto cultural pré-aprovado), financiou uma exposição sobre diversidade sexual.  O problema é que algumas das peças chamaram particular atenção por, segundo seus detratores, incentivarem práticas como a pedofilia e a zoofilia. Dentre estas  mais polêmicas, eu gostaria de chamar atenção para a tela de Adriana Verejão, Cenas do Interior II. A obra mostra cenas de cunho sexuais das mais diversas, inclusive ai uma na qual dois indivíduos executam o ato com o que parece ser uma cabra, e a um primeiro olhar ela pode facilmente ser lida como justamente uma sátira ou crítica a esses costumes.

Para o curador da exposição, Gaudêncio Fidelis, a obra seria uma representação de toda sorte de miscigenações que ocorreram ao longo da história brasileira (aparentemente ele ignorou por completo a cena da cabra e se focou mais nas cenas de sexo entre pessoas de diferentes etnias). Já para os críticos da mesma, ela seria justamente um explicito incentivo a toda sorte de depravações.Notem que nestas três interpretações, o significado da zoofilia na tela muda por completo. Começa como crítica, se torna essencialmente ignorável, e termina como apoio e incentivo. E essa última interpretação é sobretudo problemática quando você lembra que a lei brasileira proíbe a apologia ao crime, qualquer que seja ele. E tudo bem, Adriana Varejão não foi presa, é óbvio, mas poderemos falar isso para cada artista que por ventura venha a ter a sua obra interpretada de forma menos que enaltecedora?

Vale ainda lembrar: representar algo não é sinônimo de apoiar esse algo.

Que fique claro, isso também não significa que o autor tenha pleno controle sobre a sua obra, ou que mensagens não intencionais não ocorram. No caso, eu sempre me lembro um pouco de Charlotte, anime de 2015 do estúdio P.A.Works com argumento de Jun Maeda. Nele, temos um mundo no qual jovens desenvolvem poderes especiais, que duram apenas até o fim da adolescência. Por conta disso, esses jovens são perseguidos por cientistas inescrupulosos que desejam fazer experimentos neles, e para protegê-los é criada uma escola especial na qual eles podem estudar até seus poderes desaparecerem naturalmente. Por conta disso, Charlotte é muitas vezes chamado de “X-Men com adolescentes e escolinha”, mas a um maior escrutínio nós podemos perceber que as duas obras tratam do tema de formas radicalmente diferente. Enquanto os mutantes em X-Men buscam a aceitação, as crianças em Charlotte podem, quando muito, se esconder e esperar o pior passar.

O que os torna diferentes também os torna um alvo, e nós nunca os vemos realmente lutar contra esse status quo. Mas a coisa se torna legitimamente problemática ao final da série, quando se descobre que os poderes dos jovens são uma doença causada por uma mutação genética, esta por sua vez causada por um cometa que teria passado pela Terra alguns anos antes. Disso, temos que a decisão final do anime é que seria preciso uma cura para os poderes, de forma que todos pudessem se tornar “normais”. Posso só apontar como normalmente esse é o plano dos vilões em X-Men? Francamente, quando você iguala diferença com doença é inevitável levantar algumas sobrancelhas. Mas eu acho que Jun Maeda é um preconceituoso que odeia minorias? Meio óbvio que não.

Mutações genéticas causadas por um meteorito que concedem super poderes… Como raios ninguém na equipe de produção percebeu o quão ridículo isso soa?!

Francamente, Charlotte é ruim. Muito ruim. É mal escrito, mal desenvolvido, mal organizado… A única coisa que realmente se salva nesse anime é a arte e a trilha sonora, porque de resto “mediano” ainda seria elogio. Diante disso, as implicações que o final traz me soam como completamente acidentais. Fruto de pura desatenção e incompetência, não malícia. Algo deveras frequente, vale dizer. Muitas vezes um ou mais autores fazem algo na obra sem realmente refletir o porque de estarem fazendo aquilo, e nisso acabam por introduzir mensagens que certamente não pensaram com antecedência. Nesse ponto, o clichê da donzela em perigo é um ótimo exemplo. Se bem feito pode ser bem interessante, mas como normalmente não o é acabamos com uma série de obras que colocam a protagonista feminina como um prêmio que o protagonista masculino deve conquistar.

Sinceramente, eu vejo bem menos misoginia num cenário do tipo do que vejo pura e simples desatenção. Fruto da ânsia de se seguir a um clichê só porque “bom, todo mundo faz assim”, ao invés de refletir profundamente sobre o porque do clichê existir em primeiro lugar. É uma problemática que eu já discuti no meu ensaio “Tropes e clichês: nada é original, mas isso não é desculpa para não tentar“, e bem demonstra como a desatenção pode fazer o autor colocar em uma obra implicações que talvez ele próprio não gostaria que estivessem ali. Mas nisso é preciso perguntar: só porque não era a intenção do autor, podemos dizer que a mensagem não está ali? Honestamente, isso é muito difícil de responder. E assumindo que ela está, ainda podemos perguntar: como você separa uma mensagem “intrusiva” de pura e simples forçação de barra por parte do consumidor? Sinceramente, eu não vou nem tentar responder essas perguntas, e deixo para que o leitor as considere por si mesmo.

Em uma nota lateral: apesar de merecer muitas das críticas que recebe, Sword Art Online até que soube usar bem do clichê da donzela em perigo.

Pessoalmente falando, eu vejo as ideias que Barthes expressa em “A Morte do Autor” como muito mais úteis para ciências como a história, a sociologia e a antropologia do que realmente para a crítica literária. Como uma dada sociedade ou um dado grupo interpreta, reinterpreta e re-significa uma dada obra de arte pode dizer muito a seu respeito. Quando o grupo terrorista Sekigan declarou “nós somos os Joes do Amanhã” [1], uma referência ao mangá Ashita no Joe, e quando o culto Aum Shinrikyo chamou aos seus purificadores de ar de “cosmo cleaners“, em referência ao anime Uchuu Sekan Yamato, tais atitudes disseram muito mais sobre esses grupos e as suas relações com a mídia e com a ficção do que realmente sobre esses animes e mangás ou sobre os seus respectivos autores.

Mas quando aplicamos essa teoria à crítica literária… Tudo bem, é verdade que o autor nem sempre será confiável. Ele pode errar, ou se descuidar. Em declarações, pode muito bem mentir, seja como uma forma de parecer mais inteligente e profundo, seja como uma provocação ao seu público. Ele pode mesmo esquecer o que estava pensando quando criou aquela obra. Autores também são apenas humanos, afinal, e por isso é preciso algum escrutínio na hora de aceitar suas declarações. Mas é como eu disse, passar disso para “toda interpretação é igualmente válida” é um salto lógico que eu simplesmente não consigo dar. Quando a interpretação do autor deve ser levada mais a sério do que a interpretação de qualquer outra pessoa? Diante de toda essa confusão, eu fico com a minha resposta: sempre, exceto quando não.

1 – Kinsella, Sharon. Adult Manga: Culture & Power in Contemporary Japanese Society, pág. 32.

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Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Neon Genesis Evangelion, episódio 15.

2 – Kino no Tabi: The Beautiful World, episódio 9.

3 – Kono Bijutsubu ni wa Mondai ga Aru, episódio 1.

4 – Re:Creators, episódio 1.

5 – Posters de divulgação de Dragon Ball, Dragon Ball Z e Dragon Ball Super.

6 – Sen to Chihiro no Kamikakushi.

7 – Digimon Adventure, episódio 8.

8 – Charlotte, episódio 11.

9 – Sword Art Online, episódio 17.

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14 comentários sobre “Toda interpretação é válida? O papel do autor na interpretação de sua obra.

  1. Olá Diego! Gostei da resenha e da pauta ser colocada em debate. Fico com a opinião saudoso Selton Mello.

    https://www.youtube.com/watch?v=zHLsTSN-NOo (a opinião dele começa no min 1:18)

    Arte não se trata do somente o autor, mas sim também interação com o locutário. Sua visão molda a matéria bruta do autor, ela pode dar seus significados. Exemplo: uma critica é nada mais uma mistura de que de visões objetivas que embasam e dão suporte a questões subjetivas, a qual contém a finalidade clara de convencer seu publico sobre. Já o publico, escolhe ou não aceita-la. Um bom texto e falta de contradição naturalmente inclina ela a entende-la.

    A obsessão pelo objetivo empobrece o ser, enclausura no receio de interpretar. O olhar do autor não deve ser visão inegável, mas sim uma referencia.

    Enfim. Tenho um site e tenho o desejo de fazer parceria com seu blog, esse é meu twitter: https://twitter.com/Gabrielxqnasc

    E esse é blog https://refugiodosveteranos.wordpress.com/

    Se quiser parceiragem é só falar!

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      • Na verdade, não tem nada de complicado na pratica. Interpretação é base da linguagem cinematográfica.

        Obra e autor são unidades diferentes. Pouco importa a intenção do autor em sua obra, o que importa é o que está nela e o contexto.

        Vamos pegar um exemplo recente, ótimo para essa discussão. 13 Reasons Why. A intenção dos produtores no projeto eram das melhores – conscientizar sobre a importância da depressão – . Mas acabou, pela sua estrutura narrativa glorificando o suicídio como solução para os depressivos.

        Outro situação, agora hipotética. Caso o Adam Sandler de repente falasse que todas suas obras eram uma reflexão a imbecilidade humana ele estaria certo? – vamos supor que ele está falando a verdade sobre sua intenção – Não, já que suas obras não há nenhum elemento narrativo audiovisual que indique essa suposição.

        Tudo trata-se de sensibilidade de quem está assistindo. Toda interpretação embasada na obra é valida, e obvio, caso não tem argumentação dentro do obra em questão, não é.

        Certamente, só vejo essa discussão aflorada no nicho otaku. O nicho cinéfilo é mais conscientizada com a poder da interpretação.

        Recomendo ler alguns livros de cinematografia. Porém, para conhecimento mais simplificado, esse vídeo é ótimo!

        Sobre a parceria, não tenho face. Então mandei um dos criadores do blog falar contigo lá no facebook.

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        • Então… É com esse “Pouco importa a intenção do autor em sua obra” que eu simplesmente não consigo concordar. Tudo bem, o autor pode falhar em passar as ideias que queria, ou pode acabar acidentalmente implicando coisas que não gostaria, mas partir disso pra “não importa o que ele diz” me chega a soar uma falácia do declive escorregadio (não querendo soar rude, só não achei uma forma melhor de dizer isso, honestamente).

          Sinceramente, se toda interpretação é válida (e aqui eu falo “toda interpretação com embasamento”, claro, eu honestamente descartei a priori interpretações completamente escabrosas e sem base mínima nenhuma) então eu não vejo o menor sentido ou vantagem em se criar arte, francamente falando. Se a mensagem que a pessoa quiser passar não fizer a menor diferença, então nem vale a pena tentar passá-la em primeiro lugar (ugh, de novo, espero não ter soado rude demais aqui, só não consegui pensar em outra forma de escrever mesmo).

          Sobre a sua fala abaixo, a respeito de EVA, eu não tinha exatamente uma fonte, porque é o tipo de “lugar comum” que circula pela internet há um BOM tempo. Mas depois do que você comentou eu fui procurar um pouco a respeito, e acabei encontrando não uma fala do Anno, mas uma do Kazuya Tsurumaki, que trabalhou como diretor assistente em EVA. É uma entrevista, na qual rola a seguinte troca:

          “Can you explain the symbolism of the cross in Evangelion?
          KT: There are a lot of giant robot shows in Japan, and we did want our story to have a religious theme to help distinguish us. Because Christianity is an uncommon religion in Japan we thought it would be mysterious. None of the staff who worked on Eva are Christians. There is no actual Christian meaning to the show, we just thought the visual symbols of Christianity look cool. If we had known the show would get distributed in the US and Europe we might have rethought that choice.”

          (fonte: https://wiki.evageeks.org/Statements_by_Evangelion_Staff#Kazuya_Tsurumaki:_Q.26A_from_.22Amusing_Himself_to_Death.22)

          Agradeço por ter chamado a atenção no caso, e vou editar a legenda da imagem pra não dar mais confusão rs.

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          • Nota-se que falei da intenção do autor, não dos elementos da obra que fazem parte de sua visão. O que vale é o que está em sua obra, não o que ele diz ser depois. Caso o autor for eficiente em expor sua visão, naturalmente ela será notada.

            Está falando como toda obra fosse capaz de extrair 500 elementos diferentes, pelo amor, não existe isso. Só se for usar exemplo ridículos. Poucos obras conseguem esse feito de múltiplas observações (estou discutindo sobre visões radicais, não pormenores).

            Todo autor de veia mais “artística” almeja ambiguidade em suas obras, até porque ambiguidade é uma técnica literária e narrativa. Caso a interpretação de tal pessoa não foi premeditada pelo autor, pelo menos a anfibologia é.

            Desde o renascimento, a interpretação serviu tão bem para aflorar o conhecimento humano, reduzir ela para somente “o autor falou isso” é o “ugh” para mim. Arte do audiovisual não se resume a somente “a historia”, o complemento vai desde teorias das cores até conceitos de subtexto, que envolvem inevitavelmente o poder da interpretação.

            Uma observação. Até hoje ninguém sabe a real intenção de Leonardo Da Vinci em sua obra Mona Lisa, as interpretações são diversas. Só porquê não sabemos a intenção a pintura quer dizer que ela não é uma obra prima?

            Não sei seus exemplos de interpretações que considera equivocadas, então não tenho um referencial para argumentar mais. E essa entrevista não faz sentido, Anno criou o conceito de Evangelion muito antes de ir apresentar ao estúdio Gainax e os visuais todos foram criados ou por ele, ou por Sadamoto. Alias, o mangá de Evangelion foi lançado antes do anime, já com as referencias religiosas.

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          • Acho que nesse ponto é melhor apenar concordarmos em discordar, até para que o debate não se torne circular. Eu entendo o que você diz, e no mínimo vou concordar que o que está na obra deve tomar precedência: se o autor queria que algo estivesse ali, mas falhou em transmitir isso, vir depois a público dizer a sua intenção não realmente muda essa falha original. Mas mantenho que a opinião dele não é descartável, ao menos para mim.

            Sobre NGE, eu acho que essa declaração faz perfeito sentido com o anime. O simbolismo religioso ali realmente não cumpre função nenhuma além da estética, e se os nomes fossem alterados não mudaria praticamente nada. Em tempo, eu fui olhar no My Anime List e o mangá de NGE saiu em dezembro de 1994, ao passo que o anime saiu em outubro de 1995. É uma distância bem pequena, honestamente, e me parece bem mais plausível que ambas as obras sejam concomitantes e, por questões de produção, o mangá acabou saindo primeiro.

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          • Acaba aqui mesmo. Só vou fazer uma ressalva, mas não responda, como você disse, para conversa não se alongar mais.

            Isso que o co-diretor de Evangelion falou é um salto logico, só se caso ele esteja falando que abordagem religiosa distingui EVA de outro Mechas. Está desclassificando até relações totalmente simples, “Lança Longuinus” nome dada a lança que perfurou Jesus na cruz, em Evangelion lança que perfura Lilith. EVA, Adão deu sua costela para criar Eva na bíblia, em Evangelion, os Eva são criados a partir de quem? Até o nome do anime é Evangelion=Evangelho.

            Bem. Paramos por aqui.

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  2. 1) Li o texto inteiro. Foi uma experiência interessante. Foi um texto que eu gostei de ler, mas que não concordei com ele^^. Eu acho que o seu texto partiu de uma premissa equivocada. Para o assunto que foi discutido, não deveria ter sido usado a teoria da morte do autor sozinha para uma argumentação. Ela já vai fazer 50 anos e de lá para cá diversas outras teorias surgiram.

    A morte do autor teve sua importância nos anos 1970, pois mudou o foco de análise. Antes a análise era centrada no autor, passou a ser centrada no texto. Mas isso já passou também. As diversas teorias que surgiram desde então já destacaram a ineficiência desse tipo de interpretação. Aí surgiram teorias que focavam o leitor como produtor de sentidos, que colocavam a importância do contexto, etc. Hoje já existe até mesmo uma teoria do “retorno do autor”, também chamada de “escrita de si”, que busca analisar obras de ficção em que o autor se coloca ou se projeta no texto.

    Eu não lembro mais o que dizia de forma específica o texto “A morte do autor” e lembro pouco das outras teorias também. Mas o que eu sei é o seguinte: ninguém diz que toda interpretação é válida. Na crítica literária o que se diz é que toda interpretação é válida SE O TEXTO PERMITIR TAL INTERPRETAÇÃO.

    Esse é o ponto principal que me levou a escrever aqui. O texto partiu de um princípio equivocado, colocando uma teoria ultrapassada, além de uma ideia que não é usada por ninguém. Quer dizer, é possível que alguém diga que toda interpretação é válida? Devem existir leigos que falem absurdos desses, mas mesmo que seu texto fosse direcionado a eles, não fez sentido para mim o uso de A morte do autor como argumento, sendo que existem estudos mais modernos sobre o assunto.

    II

    Mas vamos voltar um pouco. O que eu quero dizer com “toda interpretação é válida SE O TEXTO PERMITIR TAL INTERPRETAÇÃO”? Simples, você pode ter um texto em que uma pessoa interprete de forma X e outra interprete o contrário de X e as duas estarem corretas^^. Pode acontecer de as duas estarem erradas também, é claro. O que vai dizer se as interpretações são corretas é se elas estão embasadas no que o texto está dizendo.

    Note que eu utilizei “correta” por força de expressão. Só que não existem interpretações corretas, existem interpretações válidas. Duas interpretações opostas podem ser válidas sem problemas se estiverem embasadas no que a própria obra passa.

    Agora se uma interpretação NÃO está corroborada com o que o texto diz, obviamente ela é uma interpretação inválida. Pensemos no caso lá do museu que você citou. As obras de arte do museu não têm um texto, mas possuem UM CONTEXTO. Se a pessoa viu nas obras de arte um incentivo à pedofilia e à zoofilia, ela não analisou o contexto e, portanto, isso sequer pode ser chamado de interpretação. É uma tentativa de impor sua visão de mundo em uma obra que não permite isso. Se a pessoa analisar o contexto e ainda assim continuar a achar que é um incentivo à pedofilia, obviamente continuaria sendo uma interpretação inválida. Texto e contexto é tudo. Se a pessoa os ignora baseado em crenças pessoais, a interpretação não é válida. Simples assim.

    Veja que a interpretação depende do leitor, mas depende também do texto e do contexto. Sem elas não é possível realizar a produção de sentidos, a interpretação. Isso é algo discutido e rediscutido nos Estudos literários.

    III

    Qual o papel do autor nisso? Bem, o autor cria a obra buscando passar uma ou várias mensagens. No meio disso, ele cria também diversas outras mensagem sem nem perceber^^. Não existe obra literária que não tenha diversas coisas que o autor não pensou. Por mais que o autor se planeje, sempre vai existir diversas interpretações não previstas. Isso é o que faz ser uma obra de arte. E todas essas mensagens serão “descobertas” pelo leitor na interpretação do texto.

    Em outros palavras, de modo geral, o autor não tem autoridade nenhuma sobre o texto, visto que existirão diversas interpretações, com diversas coisas que ele nunca pensou. O autor pode ser importante para uma interpretação? Pode sim, existem casos específicos em que é necessário evocar a figura do autor para uma interpretação (a chamada “escrita de si” que citei mais acima, por exemplo), mas o geral é que o autor não importa em nada.

    O que eu falei aqui é o mínimo do mínimo do assunto. Não daria para falar sobre isso em menos de 100 páginas de word (e eu não estou sendo exagerado, juro). Para terminar eu gostaria de responder uma questão que você colocou, baseado na visão que eu apresentei ao longo do texto:

    “só porque não era a intenção do autor, podemos dizer que a mensagem não está ali? Honestamente, isso é muito difícil de responder. E assumindo que ela está, ainda podemos perguntar: como você separa uma mensagem “intrusiva” de pura e simples forçação de barra por parte do consumidor? Sinceramente, eu não vou nem tentar responder essas perguntas, e deixo para que o leitor as considere por si mesmo.”

    Intenção do autor não é soberana e pouco importa na verdade. O que importa é o texto, e o contexto. Um exemplo que eu gosto de citar é Usagi Drop. Muita gente tem dito que o final do mangá possui uma romantização da pedofilia. O motivo disso é que uma moça de 18 anos passou a viver com um cara uns 30 anos mais velho como marido e mulher. No caso, as pessoas veem isso, pois esse cara cuidou da garota desde que ela tinha 6 anos e quando ela tinha uns 15 ou 16, ela se apaixonou por ele. Esse é um caso clássico de ‘forçação de barra”, pois não existe nada na obra que permita dizer que existe uma romantização de pedofilia. Em primeiro lugar, porque não existe qualquer cena em todo o mangá que mostre algo relacionado a isso, em segundo lugar, pois tudo parte da garota. No final do mangá, mesmo ele aceitando ela como “esposa”, a gente não vê ele amando ela. Foi quase como se fosse “conveniente”. Quem vê “romantização” está forçando a barra, já que o texto não permite isso.

    —–
    Abaixo eu deixo algumas indicações de leitura caso queira se aprofundar nessa questão de interpretação e teorias literárias, pois o que eu disse aqui realmente é resumo do resumo do resumo (a palavra “resumo” deve ser repetida 44 vezes. Rs):

    Textos e livros de Roger Chartier. Todos eles.
    Interpretação e Superinterpretação, de Umberto Eco.
    O demônio da teoria – Antoine Compagnon.

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    • Eu vou tentar explicar um pouco algumas decisões que eu tomei para o texto, mas desde já queria dizer que foi uma ótima contribuição de sua parte. Não concordei com algumas passagens (o que imagino que seria de se esperar rs), mas ainda foi uma leitura interessante.

      Em primeiro lugar, eu queria apontar isso: eu meio que descartei a priori interpretações demasiado absurdas. Como é meio que um consenso geral que qualquer que seja a interpretação ela precisa ter algum embasamento no texto, eu achei que nem valia a pena discutir muito sobre isso num texto que já estava ficando relativamente grandinho para os padrões da internet [rs]. Dai a frase “toda interpretação é válida” tem meio que implícita a ideia “desde que faça um mínimo de sentido”, mas é algo que eu deveria ter deixado mais claro. Falha minha.

      Sobre a questão da morte do autor: definitivamente cabe aqui um mea culpa em admitir que eu não realmente fui além do texto, em termos de procurar quais as críticas que recebeu, como a ideia se desenvolveu nas últimas décadas e por ai vai. De novo: falha minha. Dito isso, a minha percepção é que no meio leigo ela ainda é uma teoria que aparece com alguma frequência, apenas não com essa nomenclatura necessariamente.

      O propósito do texto era explanar um pouco os dois extremos possíveis, de uma excessiva atenção ao autor até um completo desdém pelo mesmo, e nesse sentido a ideia era direcionar o texto a um público de fato leigo (coisa que eu também o sou, inclusive, não tenho nenhuma formação em letras ou em literatura). A citação à morte do autor vem sobretudo como uma forma de dizer que essa ideia de que “toda interpretação é válida” tem um nome e é algo que outras pessoas já pensaram e já discutiram a respeito.

      Agora, sobre a questão do autor…

      “você pode ter um texto em que uma pessoa interprete de forma X e outra interprete o contrário de X e as duas estarem corretas”

      Eu separo essa passagem porque eu achei que ela “resume” bem o ponto que você trouxe bem como os problemas que eu tenho com ele. Eu vou ser BEM franco e dizer que ler isso me trouxe imediatamente à mente esta imagem: https://pbs.twimg.com/media/C1fWItDXAAE3oa7.jpg . Exagero, talvez, mas a ideia de que duas posições contraditórias e mutuamente excludentes podem ser igualmente válidas é uma demasiado relativista para o meu gosto, sinceramente. Em última instância, uma interpretação do tipo pode ser útil para entender a pessoa que faz a interpretação, mas nunca a obra em si, ao menos na minha visão.

      “Intenção do autor não é soberana e pouco importa na verdade”

      E esse trecho eu separo porque acho que cabe bem no que eu respondi no comentário imediatamente acima: enquanto eu totalmente concordo que a intenção não é soberana, e que existem problemas bastante reais em se tratar a intenção do autor como verdade última, passar disso para “ela pouco importa” me soa como uma falácia do declive escorregadio (sem querer soar rude, só não consegui pensar numa forma melhor de escrever). É um salto lógico que me soa grande demais, e que de certa forma mina completamente o que eu vejo como o próprio propósito da arte, que é o seu papel como uma forma de comunicação.

      Sobre os livros: agradeço a recomendação, e tentarei dar uma olhada neles quando possível =)

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  3. Gostei muito do tema, parabéns pelo texto.
    Uma dúvida que eu tenho, você disse que os méritos do filme normalmente são dados ao diretor, mas quem ganha o prêmio de melhor filme não é o produtor? Teoricamente não seria considerado pela indústria o principal responsável?

    Você questionou se toda interpretação é válida, creio que toda interpretação é possível, mas nem toda interpretação é válida. Ex: Fanáticos que usam trechos de livros religiosos descontextualizados para disseminar o ódio e o preconceito, eles podem interpretar desse jeito o trecho, mas não é uma interpretação válida já que é descontextualizada e baseada simplesmente em crenças e gosto pessoais.

    Tem uma questão que eu sempre faço: Quanto % da obra pertence ao autor? O que é quebra de direito autoral ou não? Se formos pensar bem o autor de fanfic, doujinshi, fanart foram influenciados pela obra do autor da mesma maneira, que ele foi influenciado por outras pessoas. Ex: Teoricamente todo filme sobre robôs baseados na obra de Asimov é um plágio igual a alguém pegar o universo de alguma obra e adicionar 2 personagens de sua autoria.

    Achei muito bom da sua parte ressaltar que, as obras são ficcionais, muita gente não diferencia realidade e ficção, se você assiste um filme de terror é um assassino em potencial, vê moe é pedófilo, joga mortal kombat é violento. Não compreendem que os personagens de mortal kombat são personagens, não pessoas, que é muito mais psicopático eu enviar vídeo de um acidente no whatsapp do que eu ver blend-s ou aplicar fatality no MK.

    Primeiramente acho que todos deviam ler\assistir a interpretação do autor, porque possibilita que ele explique sua obra, evitando mal-entendidos, ainda mais na época de hoje que ninguém vê nada, assiste nada, só se baseia no que fulano disse no twitter, fez vídeo no youtube, escreveu tal crítica. Hoje em dia é muito fácil, inventar um boato: “Angel Beats incentiva o suicídio”, “Animes são opressores das mulheres”, “Isso é pedofilia não é arte”, porque várias pessoas nas redes anti-sociais vão defender isso, criticar quem fez, ofender quem gosta, sem nem ver a obra. Pessoalmente acho que quando interpretamos a obra do autor, ela deixa de ter seu sentido original, deixa de ser o charlotte da key, passa a ser a sua charlotte. Da mesma maneira que uma música é escrita por alguém e dependendo da interpretação muda tudo, acho que o mesmo vale para animes e etc,se você pedir pra 2 pessoas diferentes explicarem qualquer anime, você vai ter 2 animes completamente diferentes e que são diferentes do original. Ex: Girl Last tour primeiro episódio, temos o anime das duas que se detestam, das duas que são irmãs e o que o autor e diretor quiseram na realidade.

    Martin Scorsese disse algo bem interessante recentemente:”Bons filmes feitos por cineastas de verdade não são feitos para serem decodificados, consumidos ou instantaneamente compreendidos,Eles não são nem mesmo feitos para serem instantaneamente admirados. Eles são feitos porque a pessoa atrás da câmera precisava fazê-los”, pessoalmente eu sempre acreditei que quem escreve livros, mangás, light novel, filmes e etc. deveria se preocupar com a história que quer contar, não se vai ser aceito, se vai vender, se vai repercutir, infelizmente como você citou isso se perdeu, tem gente escrevendo obrigado porque precisa do dinheiro, tem gente que só quer criar polêmica (um estupro, 2 homicídio, 7 chifragens e assim vai).

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    • Ótima contribuição. Não vou ter muito o que comentar em cima, mas para responder a sua pergunta inicial: no caso, eu me refiro mais ao meio “leigo”, os espectadores mesmo. Sobretudo entre os animes, aliás, o diretor de um recebe bastante atenção dos espectadores, ao passo que quase ninguém menciona os produtores. Não acompanho premiações como o óscar e não sei como fazem na entrega do prêmio de melhor filme, mas acho que para a população em geral o diretor tem bem mais prestigio que o produtor.

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