Café com Anime – Kino no Tabi, episódio 1: Uma Terra Onde é Permitido Matar

E começa agora mais um Café com Anime \o/ Para quem não leu o post anterior no assunto, o Café com Anime é o momento no qual eu, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, e o Fábio “Mexicano”, do Anime21, sentamos para discutir alguns dos animes da temporada.

Aqui no blog vocês conferem a nossa conversa sobre Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated Series. No Finisgeekis estará a nossa conversa sobre Girl’s Last Tour. No Dissidência Pop, a discussão sobre Mahoutsukai no Yome. E no Animes21, temos as discussões sobre Children of The Whale Animegataris.

Portanto puxem uma cadeira, sirvam-se de uma xícara de café, e venham se divertir com a nossa conversa sobre esse anime que se mostra uma das maiores promessas dessa temporada. E quando terminar, não deixe de dar uma passada nos outros sites para ver nossas outras conversas ;)


Diego:
Olá a todos e bem vindos à nossa primeira conversa sobre Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated Series (sim, escrever o nome completo era de suma necessidade! … ou não). E tendo visto o primeiro episódio eu devo dizer que ele realmente não desapontou.

Vinicius Marino:
Esse episódio me lembrou uma piada que meu pai, caipira, me contava:
“Um jagunço entra no vilarejo e pergunta: Tem algum valente por aqui? Não senhor. Nenhum? Não senhor. Nem umzinho? Tem não, senhor. Quando aparece algum nóis mata”.

Gato de Ulthar:
Só tenho uma palavra para definir Kino no Tabi. Promissor! Como o anime é episódico, é natural esperar a definição de um conflito inteiro dentro de um episódio, com início, meio e fim, mas, mesmo assim, superou as expectativas. Tensão criada no clímax do episódio ficou bem bacana.
E quando você percebe que chegou na vizinhança errada….

 

 

 

 

Fábio “Mexicano”:
Ainda estou assistindo, mas se o Vinícius mandou uma anedota, eu também quero:
Siga seus sonhos e seja quem você quer ser. A menos que você queira ser um assassino, aí, por favor, desista dos seus sonhos.

Gato de Ulthar:
Essa anedota foi tão ruim que quero te matar, mas depois depois deste episódio desisti da ideia.

Fábio Mexicano:
Você ficou com medo das pessoas? Eu fiquei com medo das vacas:

 

 

 

 

Enfim, então Kino é isso, é? Tipo uma coleção de Fábulas de Esopo modernas? Interessante.

Diego:
Acho que “coleção de fábulas de Esopo modernas” é uma boa definição, mas apenas em parte. Kino não procura dar uma “moral da história”, ele apresenta um cenário e deixa a cargo do espectador que reflita sobre o que viu. Tanto que a protagonista, Kino, quase nunca faz qualquer tipo de julgamento moral sobre o país que visita.

Fábio “Mexicano”:
Ela não precisa. Não é como se fosse possível muitos julgamentos finais diferentes – a não ser que você seja um psicopata, sua conclusão moral tende a ser a mesma de todo modo, com poucas variações. Mas bom, estou falando só desse episódio, né, não sei se haverá algum outro mais ambíguo.
Por sinal, esse episódio forneceu sim um fechamento moral perfeito, quando ela encontrou o outro forasteiro depois de sair da cidade. Foi um ciclo completo

Vinicius Marino:
Para mim, o episódio passou uma lição moral bem clara. O fato de ter feito isso de forma blasé, e não com um letreiro escrito “MORAL DA HISTÓRIA” no final é forma, não conteúdo. Mesmo que a protagonista seja pretensamente neutra, a exposição do episódio não foi.
Isso não é um demérito, veja bem. Mas é bem difícil ser “neutro” sem pender para a apatia. E Kino é tudo menos apática, a despeito da personalidade reservada.

Fábio “Mexicano”:
Eu ia falar isso; acho que quando ela diz para o homem que já matou vários mas só quer viver em paz que aquela cidade vai ser um bom lugar para ele, ela está dando seu julgamento moral – de forma indireta sim, mas está.

Gato de Ulthar:
A lição de moral sem dúvida está lá, mesmo que de forma implícita. Kino só quer saber de viajar, nem ela sabe bem ao certo o motivo dela querer rodar o mundo, é algo que ela ainda pretende descobrir. Ela inclusive recebeu o convite para morar no país, que é justamente uma terra pacífica, salvo os momentos de justiça com as próprias mãos. São justamente essas impressões que ela tira dos lugares que visita que servirão para ela descobrir o que realmente ela quer.
E a moto Hermes? É impressão minha ou as vezes ela responde no lugar de Kino?

Vinicius Marino:
Ela é uma moto falante, não é?
O barato é que o sujeito violento responde a ela numa boa, como se fosse a coisa mais normal do mundo lol

Gato de Ulthar:
Sim, ela é falante. Mas o que me chamou mais a atenção foi ela responder algumas vezes as perguntas direcionadas para a Kino. Como se ela fosse uma segunda personalidade dela, ou algo do gênero.

Fábio “Mexicano”:
A moto ser falante e todo mundo tratar isso como algo normal torna a narrativa ainda mais próxima de uma fábula.
Sobre a história e a motivação da Kino, suponho que possa haver algo a mais, mas por enquanto vou tratar como sendo apenas um pretexto para que ela possa trazer uma lição de moral nova por episódio (ou arco, veremos).

Diego:
Bom, não vou insistir na questão da neutralidade, talvez eu ainda esteja muito com o anime anterior na cabeça, ou talvez seja só uma pequena superinterpretação minha mesmo rs. Pessoalmente, eu acho que o “norte moral” do episódio foi a cidade, e o anime retrata o método deles como o “correto”. Mas é um correto situacional, que vai mudar conforme muda a cidade. Mas bom, mesmo no anime antigo havia instâncias nas quais mesmo a Kino deixava bem clara a sua posição, então… é, não sei onde quero chegar :P
E sobre o Hermes: sim, ele é uma moto falante, e sim, todo mundo acha perfeitamente normal. Funfact, em uma entrevista do Sigsawa que saiu há pouco tempo, ele coloca que o único motivo da moto falar é que ele queria ter algum personagem que conversasse com a Kino.

Vinicius Marino:
Ele é um daemon d’A Bússola Dourada que eu sei ;)

 

 

 

 

 

 

 

Diego:
Eu diria “faz sentido” se eu tivesse lido A Bussola Dourada :P

Fábio “Mexicano”:
Se eu lembro, os daemons de A Bússula Dourada são a manifestação física concreta das almas das pessoas, não são?
É como se você tivesse sim uma alma, mas ela não ficasse no seu corpo, ficasse fora dele e interagisse com você e com o mundo.

Gato de Ulthar:
Hermes é uma inteligência artificial então? E o tipo de máquina que é, chama-se motorad. Parece ser comum no mundo de Kino. E parece ser uma inteligência artificial muito aprimorada, inclusive possuindo a necessidade de dormir, como ficou mostrado no episódio.
Ahh e gostei de como eles chamam as armas em Kino, “persuaders”, um nome bem sugestivo. O anime também deixou subentendido que Kino é uma exímia atiradora. Creio que ela poderia ter dado um jeito no cara facilmente, mas sorte que não o fez.

Diego:
Sinceramente, Hermes soa muito mais como um ser mágico do que como uma inteligência artificial, embora explicar de onde me vem essa impressão me faria dar spoilers rs. Bom, paciência, teremos o backstory da Kino e do Hermes em algum momento do futuro, ai podemos discutir mais sobre isso rs.
E sobre a arma, “persuader” não é um modelo?

Vinicius Marino:
Pesquisando rapidamente, parece ser o nome de uma escopeta.

 

 

Mas há um revólver da Colt chamado “Peace maker”.

Diego:
Bom, segundo a wiki de Kino no Tabi, a “woodsman” é uma colt.

Vinicius Marino:
E no Velho Oeste armas às vezes eram apelidadas de “equalizers”, justamente porque transformavam as pessoas em “iguais”. Não importa quem você seja na escala social. Se tiver uma arma contra você, tem de obedecer.
Tudo a ver com a mensagem do episódio, diga-se de passagem :D

Diego:
Em uma nota: Keiichi Sigsawa, o autor das light novels de Kino no Tabi, é um aficionado por armas.

Gato de Ulthar:
Realmente, não tem como “persuaders” ser um modelo, pois além de Kino dizer o nome das armas quando questionada pelo Hermes, são duas armas diferentes, um é um revólver no melhor estilo velho-oeste e a outra arma é uma pistola semi-automática. Além disso, hermes falou que ela é boa no uso dos “persuaders” e ninguém fala que alguém é bom no uso de um modelo específico, mas sim no uso de arma como um todo.
E mudando de assunto, não parece que os países daquele mundo são muito pequenos?

Fábio “Mexicano”:
Bom, por isso eu chamo de “cidade” mesmo mas faz sentido se tudo for uma coleção de fábulas de todo modo.

Diego:
Os países em Kino no Tabi tão muito mais pra cidades-estado do que para países, mesmo.

Gato de Ulthar:
A animação, as cores, o uso da iluminação, tudo muito bonito e tal, mas eu senti falta de alguma alteração no terreno quando a Kino passa com o Hermes. Por exemplo, nem um rastro nas estradas de terra ou na grama. Está bem que não é um filme com um orçamento imenso, e nem é uma coisa que deprecie a obra, mas foi uma impressão que me chamou a atenção.

Diego:
Eu nem reparei nisso, lol
Mas bem, acho que podemos finalizar essa conversa com uma pergunta que eu provavelmente irei fazer em todos os episódios de Kino: vocês viveriam no país apresentado? XD

Fábio “Mexicano”:
Boa pergunta. Digo, como um padrão é algo divertido de se perguntar. No caso desse país, não. Ele nos pareceu seguro porque vimos um caso de um idiota que declarou sua intenção à luz do dia, em público, a plenos pulmões. Alguém mais inteligente entraria na minha casa silenciosamente na calada da noite e me mataria enquanto durmo. Oh sim, talvez ele fosse descoberto e morto depois, viva a justiça! Mas eu já estaria morto, então não.

Gato de Ulthar:
Em uma primeira análise o país parece muito bom de se morar, eu até viveria nele, mas… A questão moral do episódio, ao meu ver, aborda a temática da justiça popular, ou justiça com as próprias mãos. Parece tudo legal, até o momento que muitos “erros” possam acontecer, não raro vemos casos de suspeitos dos mais diversos crimes serem espancados e mortos e depois a investigação policial mostrar que eram inocentes, esse é o problema de delegar a satisfação da justiça ao povo ao invés do Estado, com o devido processo legal.

Vinicius Marino:
Concordo com o Cat. O episódio tenta mostrar uma sociedade idílica em que o PNA (Princípio de Não-Agressao) leva à paz entre os homens. Mas isso não diz nada sobre erros de julgamento – acidentais ou propositais. Todo mundo tem vieses: gostam mais daqueles que compartilham seus valores, crenças, time de futebol. Se uma briga caísse no diz-que-diz, quem vocês acham que levaria o primeiro tiro? O “cidadão de bem”, pilar da comunidade, ou o forasteiro? Eu não queria ser o forasteiro…

Diego:
São bons motivos. Vou dizer que a perspectiva de viver em um local como esse também não me é exatamente agradável rs Em todo caso, foi um bom episódio, e como alguém que viu o primeiro anime eu posso dizer que ele foi bem “Kino”. Há muito ainda que poderíamos discutir, mas como nunca foi nossa intenção esgotar o episódio eu acho que podemos ir parando por aqui desta vez. E retornamos na semana que vem, com o segundo episódio: Coliseu.

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