Tropes e clichês: nada é original, mas isso não é desculpa para não tentar.

Sword Art Online // Ensaio 18/08/2017 1
Trope: Accidental Pervert (Pervertido por Acidente) – Auto-explicativo, quando um personagem age como um pervertido acidentalmente, como o Kirito pegando nos peitos da Asuna quando ela cai sobre ele.

Então, o meu último texto, “clichês, estagnação e o problema dos animes“, recebeu reações… mistas, por assim dizer. Houve quem elogiasse, mas também houve quem criticasse. E, francamente, não sem certa razão. Para todos os efeitos, aquele texto ficou horrível, estrutural e argumentativamente falando, parte disso devido a forma como ele surgiu. Como eu explico no começo, originalmente eu pretendia fazer uma lista com alguns clichês que vinham me incomodando, mas depois decidi transformar o texto em uma argumentação sobre clichês de forma geral. E o resultado foi uma bagunça, com exemplos tomando muito mais da metade do texto e o ponto em si só aparecendo bem para o final. Em essência o que eu queria argumentar era que os animes vêm sofrendo do problema de se tornarem convencionais demais, com certos clichês aparecendo porque parece haver um zeitgeist sempre presente de que é assim que anime deve ser – maior exemplo disso sendo os diversos arquétipos femininos: a tsundere, a yandere, a kuudere e por ai vai. Mas até chegar nesse ponto eu dei tantos exemplos de diferentes clichês – muitos deles, diria até a maioria, nem se quer específicos dos animes, uma crítica que recebi e que é bastante válida – que a conversa que o artigo gerou, sobretudo em grupos no Facebook, onde costumo divulgar meus textos, acabou se focando muito mais justamente nos clichês citados, e não no que eu queria que fosse o ponto central do texto.

Paciência: nem sempre o que parece uma boa ideia na teoria o é de fato na prática. Ainda assim, a experiência me deixou com vontade de falar um pouco mais sobre clichês. Desta vez, porém, de forma um pouco mais… completa. Eu já explorei algumas facetas do tema em textos passados – por exemplo, no meu texto “alguns pensamentos sobre originalidade“, ou no artigo “pensamentos soltos sobre o overexposure” -, mas sobretudo a resposta que meu último texto trouxe me deixou com vontade de sistematizar melhor a minha opinião no tema. Porque, bem francamente, esse é um assunto muito mais complexo do que pode parecer a uma primeira olhada, e em si mesmo é um tema que se relaciona a aspectos culturais, sociais, econômicos, mesmo psicológicos. Falando assim até pode parecer que estou exagerando, mas é para demonstrar estes pontos que temos o restante de todo esse texto. Antes, porém, eu quero deixar absolutamente clara a minha opinião com relação a clichês de forma geral: como conceito, “clichê” não será sempre e invariavelmente ruim, ao menos não se assumirmos a definição em português do termo (mais sobre isso em breve). Contudo, existem alguns de fato problemáticos, na medida em que quebram a imersão na história, e mesmo os demais ainda precisam ser bem executados – como, bem, literalmente tudo em uma história -, do contrário podem soar apenas preguiçosos. Cada caso é um caso, mas dito isso eu pessoalmente ainda prefiro histórias que tendam a quebrar convenções do que histórias que as sigam com maestria (mas isso, novamente, é puramente pessoal).

Log Horizon // Ensaio 18/08/2017 // 2
Trope: Trapped in Another World (Preso em Outro Mundo) – Auto-explicativo, quando os personagens são transportados a um outro mundo e não têm como sair, como os personagens de Log Horizon.

Agora, permitam-me começar pergunta o seguinte: o quanto uma história pode ser original? Uso o termo aqui de forma literal: o quão original é se quer possível que uma história seja? Existe um limite para a criatividade? Tudo o que pode ser feito já o foi ou ainda há espaço para inovações? Francamente, essa é uma pergunta muito difícil de responder, e no final a resposta dependerá do quão “essencial” você quer ser. Uma Musume é o nome de um jogo para celular e de um anime que servirá para promover tal jogo, ambos previstos para sair em algum momento de 2018. O conceito é bem simples: existem garotas que são meio cavalos e elas vivem uma vida dupla, parte como colegiais normais e parte como desportistas, participando de corridas. Se você quiser ser técnico a premissa é bastante original, ou pelo menos não existem muitas histórias sobre meninas cavalo por ai. Mas se formos pegar os elementos essenciais dessa premissa, isto é, a ideia de personagens femininas que são parte menina, parte alguma outra coisa, vamos perceber que Uma Musume se ligar a uma já longa tradição de meninas-alguma-coisa. Mais imediatamente ele é reminiscente de animes como Monster Musume no Iru Nichijou, sobre garotas-monstro, e voltando um pouco mais não seria exagero colocar as personagens do anime na mesma categoria de algo como Midori no Hibi, obra na qual a mão do protagonista se transforma em uma garota. Mas se quisermos ser ainda mais essenciais, a antropomorfização de animais, objetos, e mesmo conceitos abstratos é algo que data das primeiras mitologias, milênios atrás.

Que fique bem claro, não é minha intenção estabelecer aqui qualquer relação de continuidade entre as garotas-cavalo de Uma Musume e algo como as divindades do antigo Egito, a exemplo do deus chacal Anúbis, o deus hipopótamo Seth, ou o deus falcão Hórus, algo que soa ridículo só de escrever. O que eu quero dizer é que quando reduzimos um elemento qualquer da ficção às suas características mais essenciais se torna muito difícil não encontrarmos paralelos ao longo da história. O que não deveria ser surpreendente: nós, como espécie, tivemos literalmente milhares de anos para surgir com todo tipo de histórias imagináveis. Por conta disso, nós chegamos em um ponto no qual, ao menos na minha opinião, originalidade plena é simplesmente impossível. Não importa o quão original uma história seja em seus elementos mais específicos, quando pegamos o que lhe é essencial percebemos que ela sempre será levemente parecida com alguma outra. Mesmo algo bizarro ao nível de uma light novel sobre um garoto que reencarna em um mundo de fantasia como uma fonte termal ainda, em última instância, se liga a uma já bem longa tradição de protagonistas adolescentes que reencarnam em um mundo de fantasia, cenário este que se liga a uma ainda mais antiga tradição de pessoas que acabam indo parar em algum tipo de outro mundo – algo que podemos traçar inclusive até antigos mitos de descida ao submundo, como a descida e Héracles ao Hades, em seu 12º trabalho. Repito: originalidade plena é simplesmente impossível.

Demi-chan // Ensaio 18/08/2017 3
Trope: Cute Monster Girls (Meninas-Monstro Fofinhas) – Auto-explicativo, quando monstros são retratados como garotas fofinhas, a exemplo de todas as demi em Demi-chan wa Kataritai.

Em adição, ao longo do tempo alguns “padrões” foram surgindo, sobretudo em termos de estrutura narrativa. Muitas vezes de forma totalmente não intencional. Existe um popular meme na internet que mostra a imagem de três pirâmides ao redor do mundo: as pirâmides de Gizé, no Egito; a pirâmide de Kukulkán, em Chichén Itza, México; e o que parece ser o templo de Koh Ker, no Camboja. O objetivo da imagem é tentar insinuar algum tipo de ligação entre estas três culturas em três pontos distantes do globo, normalmente algo envolvendo alienígenas, mas uma explicação menos esotérica seria a de que simplesmente a forma piramidal é a melhor forma para se empilhar pedras. Histórias passaram por um processo similar ao longo dos séculos. Certas estruturas narrativas foram emergindo e se consolidando tão somente porque se provaram a forma mais eficiente de se contar uma história, e isso já desde antiguidade. No meu texto sobre originalidade, mencionado no segundo parágrafo, eu cheguei a comentar uma destas estruturas, o Monomito de Joseph Campbell. Também chamado de A Jornada do Herói, o Monomito descreve uma estrutura narrativa de 17 passos reunidos em três etapas: a Partida, na qual o Herói deixa o seu mundo em direção à aventura; a Iniciação, na qual o Herói passa pelas várias tribulações nesse novo mundo, em busca de um objetivo qualquer; e o Retorno, no qual o Herói, tendo atingido o seu objetivo e encontrado o que buscava, deve agora voltar ao seu mundo transformado. Campbell desenvolveu a ideia no seu livro O Herói de Mil Faces, onde o autor compara contos mitológicos ao redor do mundo a fim de demonstrar como diferentes culturas chegaram a essa mesma estrutura, uma que inclusive permanece até hoje, embora agora na ficção.

Outro exemplo interessante é o caso da estrutura em três atos. Em sua faceta mais moderna, tal estrutura dita que uma história deve ser  executada em três parte, ou “atos”: o primeiro, no qual somos introduzidos aos personagens, ao mundo da história e aos mistérios que se desenrolarão pelo restante da trama (vão A e B ficar juntos? Irá X encontrar Y? Será Z derrotado? E por ai vai); o segundo, que é essencialmente o desenvolvimento da trama; e o terceiro, onde temos o clímax e a resolução da história. Em sua forma mais antiga, porém, muitos apontam para Aristóteles (384-322 a.C.) e seu livro Poética, uma série de observações que o autor teceu sobre a dramaturgia de sua época. Nesse livro, Aristóteles coloca que uma tragédia deveria ter começo, meio e final, e identifica cinco momentos chave de uma tragédia grega: prologueparadosepisode, stasimonexodus, como aponta Jennine Lanouette em seu artigo A History of Three-Acts Structure. Notem, porém, que a autora chama atenção para o fato de que a Poética era um livro de observações. Aristóteles não realmente inventou a estrutura em três – ou em cinco – atos, ele apenas apontou que ela era uma coisa que existia. E vamos e venhamos, é até difícil de pensar em uma história que não siga algo tão básico quanto começo, meio e final. No máximo eu consigo pensar em algo como charges de um desenho só, ou curtas como Ningen Doubutsuen (que mostra um zoológico no qual os humanos ficam em jaulas), e nós bem poderíamos discutir se esses exemplos se quer contam como histórias em primeiro lugar. Se quiséssemos ser técnicos, poderíamos apontar diversos animes que quebram essa estrutura na medida em que não apresentam nenhum final: a história apenas “para”, sem atingir qualquer conclusão ou resolução, apenas para esperar uma segunda temporada que talvez nunca venha. É uma quebra do sentido moderno da estrutura, mas ao mesmo tempo é uma prática altamente criticada.

No Game No Life // Ensaio 18/08/2017 // 4
Trope: Did We Just Have Tea with Cthulhu? (Acabamos de Tomar Chá com Cthulhu?) – Quando um ser absurdamente poderoso se revela uma pessoa legal, a exemplo de Tet, em No Game No Life

Nesse ponto o leitor talvez esteja se perguntando o que tudo isso tem a ver com clichês, em primeiro lugar. Bom, estruturas como a jornada do herói ou a divisão em três atos não são realmente clichês, mas eles são tropes. Ambos os conceitos são bem similares, mas é aquela situação na qual nem todo trope é um clichê, mas todo clichê é um trope. Isso porque, quando aplicado à ficção, esse termo basicamente designa os lugares-comuns e convenções mais típicas da própria ficção. Ou, como a enciclopédia virtual TV Tropes coloca, eles são “uma figura de linguagem conceitual, um atalho narrativo para um conceito que a audiência irá reconhecer e entender instantaneamente”. E eles existem aos montes, e muitos deles você talvez nunca nem tenha se tocado que são tropes. Por exemplo, em alguns cliques no botão random do TV Tropes me surgiram tropes como Bilding is Welding, no qual o trabalho duro de um personagem que cria ou concerta algum aparelho é mostrado através dele soldando alguma coisa; Ultra Super Death Gore Fest Chainsawer 3000, quando videogames, ao serem retratados na televisão, o são como contendo sangue e violência ao extremo; e Tennis Boss, quando um vilão é derrotado com o herói rebatendo seu próprio ataque contra ele mesmo. Aliás, eu acabei de cair em um trope também bastante comum: Rule of Three, quando algo vêm em três (como, digamos, três exemplos). Você provavelmente já viu todos esses tropes mais vezes do que se deu conta, mas também provavelmente nunca pensou sobre eles como um problema. Porque eles não realmente o são. O que eles de fato são é uma convenção. Um pequeno acordo entre autores e consumidores de que é assim que histórias funcionam. É aqui que entra a noção de suspensão de descrença, e embora muitos possam soar irreais ou mesmo absurdos, você também não critica ou questiona.

Nesse ponto, cabe uma distinção entre o português e o inglês. Vejam, tecnicamente falando a nossa língua possui uma palavra análoga a trope: tropo. Mas é fato que quase ninguém a usa, e ao invés disso o comum é usar do termo “clichê” como sinônimo de trope. Isso faz com que, no português, o termo “clichê” não seja nem bom nem ruim, ao passo que no inglês o termo, grafado como cliché, carrega consigo conotações bem mais negativas. Isso porque é justamente quando você começa a questionar que o cliché de fato surge. Pois, nesse caso, ele nada mais é do que um trope que passou a ser prejudicial para a história, normalmente por quebrar a imersão na mesma. Se o trope é um acordo, o cliché é a quebra desse acordo. E ao invés do consumidor entendê-lo como uma parte integrante do que é a ficção, ele passa a ser visto simplesmente como o autor sendo preguiçoso. Infelizmente, uma definição do tipo adiciona um enorme grau de subjetividade ao conceito. Afinal, se eu não vejo um trope como um problema, mas outra pessoa vê, ele pode ser um cliché para ela, mas não para mim. Em alguma medida eu sinto que é nessa problemática que caíram alguns dos exemplos que eu dei no meu texto passado, mencionado no começo deste. Todos os exemplos ali são tropes, mas é bastante questionável se eles são ou não cliché. E isso meio que foi proposital: eu senti que falar apenas de tropes mais consensualmente aceitos como cliché seria basicamente chover no molhado, então propositadamente tentei comentar de tropes que a maioria não parece realmente se incomodar. Foi uma tentativa de dar uma outra visão aos exemplos citados que atingiu graus variados de sucesso, mas em última instância demonstra como falar sobre clichês pode ser problemático.

Sakamoto desu ga // Ensaio 18/08/2017 // 5
Trope: Running Gag (Piada Constante) – Quando uma mesma piada é repetida constantemente. Sakamoto desu ga é uma comédia de basicamente uma só piada: Sakamoto é “cool” e pode fazer de tudo.

É possível fazer uma história sem tropes? Não. Simples assim. Em fato, não é possível fazer qualquer tipo de produção artística sem tropes, pois eles são praticamente onipresentes. Existem tropes do cinema, da televisão, do teatro, da música, dos videogames, da propaganda… Como eu disse, nós já temos atrás de nós milhares de anos de histórias sendo contadas, então é praticamente impossível uma obra que não possua semelhança nenhuma com nada já feito em toda a história humana. Mas tal realização coloca uma problemática bem complicada. Se é impossível fazer algo plenamente original, e mais, se mesmo um clichê nunca irá desagradar a todos, é justo criticar uma obra por conter clichês? Notem que eu não perguntei se é possível: isso certamente o é. Mas é justo? Bom… Sim e não. Em primeiro lugar, criticar um clichê só por existir é talvez o ponto onde a coisa se torna injusta – e sim, eu sei, foi exatamente o que eu fiz no meu artigo anterior, mas calma que eu vou (tentar) explicar isso um pouco melhor depois. Porém eu acho válido aqui uma comparação dos clichês com outros elementos do roteiro. Digamos, um protagonista. Faz sentido criticar uma história tão somente por ter um protagonista? Meio óbvio que não. Mas faz sentido criticar tal história se seu protagonista for mal trabalhado, mal desenvolvido, mal aproveitado e, ainda por cima, nada carismático? Sim, faz. Como qualquer outro elemento de uma história, clichês – aliás, tropes de forma geral – podem ser bem ou mal executados, e tudo depende da habilidade do próprio autor.

É aqui que entra o problema que eu tentei apontar com o meu último artigo. Tudo em uma história deve estar ali por um motivo, e as melhores histórias são justamente as que seguem essa regra. Para isso, porém, o autor precisa saber o que está fazendo, e ter muito claro qual o ponto ao qual quer chegar. Como consequência, um perigo sempre constante é o de se deixar levar por tropes e clichés de forma acrítica, aplicando-os à sua história sem nenhum real motivo para além de “oh bem, todo mundo faz assim então vou fazer também”. Novamente, esse é o exato sentimento que eu tenho para com light novels envolvendo um protagonista qualquer cercado por garotas arquetípicas. Existe um lugar no qual os arquétipos femininos mais comuns fazem algum sentido, e este é a mídia das visual novels. Isso pelo caráter de jogo da mídia. Considere uma visual novel com, digamos, cinco rotas diferentes, cada rota determinada por com qual garota o protagonista termina namorando. Ter aqui cinco garotas radicalmente diferentes permite que o jogador experimente cinco interações radicalmente diferentes, algo que não seria possível se as personagens fossem mais realistas, ao menos não sem um enorme esforço. Fora dessa mídia, porém, esses arquétipos não fazem o menor sentido. Digo, fazem algum sentido comercial, e eu já irei comentar isso, mas em termos narrativos eles são só… preguiçosos. São uma forma de criar um vasto cast de personagens sem realmente criar um único personagem, já que no final tudo o que as garotas são se resume a um bando de frases de efeito e atitudes sem sentido.

Charlotte // Ensaio 18/08/2017 // 6
Trope: Tomboy and Girly Girl – Uma menina-macho e uma patricinha. Geralmente as duas aparecem juntas, sobretudo quando são as únicas garotas no anime. Em Charlotte, uma só personagem encarna ambos os arquétipos.

“Ah, mas é assim porque vende”. Sim, de fato, e esse é exatamente o problema. A verdade é que nenhuma dessas histórias mais genéricas é realmente um grande sucesso comercial. Quando muito essas obras caem nas graças de um público altamente de nicho: os otakus. Que, sim, tendem a gastar uma boa quantia de dinheiro nas obras que mais gostam, mas uma industria não pode e não deve se sustentar apenas em um nicho. Que fique claro: eu de forma alguma estou dizendo que histórias que apelem ao público otaku não podem existir, o que eu estou dizendo é que é prejudicial para a industria quando a única coisa a mantendo de pé é um público pequeno. E sim, claro, existem animes que atingem enorme sucesso, indo muito além do público otaku e mesmo indo além do próprio Japão. Em tempos recentes, Yuri on Ice foi um grande sucesso que conseguiu atingir inclusive os praticantes de patinação artística, ao passo que obras como Sword Art OnlineShingeki no Kyojin conseguiram atingir um real status de fenômenos globais. E sim, claro, podemos discutir sobra a qualidade das obras mencionadas, mas o ponto aqui não é esse. O ponto é que das centenas de animes que saíram nos últimos cinco anos eu consigo pensar em menos de meia dúzia que tenham atingido um sucesso estrondoso. Pensem, em compensação, quantos livros, filmes e músicas não se tornaram sucesso de vendas, de audiência ou de público no exato mesmo período e nisso deve ser possível entender onde eu quero chegar.

Desde meados dos anos 1980 houve uma lenta, porém importante, mudança nos animes. Os anos 60 foi onde o anime como o conhecemos hoje de fato começou, com Tetsuwan Atomu (Astro Boy), mangá de Osamu Tezuka, recebendo sua primeira adaptação para animação em 1963. Vinte anos depois temos toda uma geração que cresceu vendo animes na televisão e que podiam, agora, ingressar na industria não mais como puros consumidores, mas como efetiva força de trabalho. Podiam, afinal, produzir os animes que tanto gostavam quando menores. Avancemos algumas décadas e chegamos no estado atual da industria, onde os animes são majoritariamente produzidos por otakus e para otakus. Novamente, é essa mudança que Hayao Miyazaki critica, quando ele disse que a industria estava “cheia de otakus”, pessoas “interessadas apenas nelas mesmas”, “humanos que não aguentam olhar para outros humanos”. Num cenário do tipo clichês são um problema não porque clichês são um problema e ponto, mas sim porque eles são um sintoma de um problema maior. Eles evidenciam um fechamento criativo da industria, um efeito bola de neve onde os fãs só aceitam um tipo de história e a indústria, dependente de uma parcela muito pequena de pessoas para se manter de pé, precisa agradar a essa parcela: e nisso vemos avalanches de histórias umas iguais às outras, uma tentando capitalizar no sucesso da anterior – e muitas vezes falhando miseravelmente.

Akashic Records // Ensaio 18/08/2017 // 7
Trope: Stripperiffic – Quando a roupa é impraticavelmente sexy, a exemplo dos uniformes escolares em Rokudenashi Majutsu Koushi to Akashic Records

Nesse ponto, temos um bom momento para falar de um outro problema, que se liga aos clichês sem, porém, se limitar a eles – ou mesmo aos animes. Me refiro, aqui, ao overexposure. Fato é que tudo, em excesso, faz mal, e no caso da ficção isso normalmente significa que tropes muito utilizados tendem a se tornar clichés. Quanto mais e mais vezes você vê um dado evento, arquétipo, frase ou semelhante, mais esse elemento deixa de soar como parte integrante de uma história qualquer e mais ele passa a soar como apenas o autor tentando imitar o que veio antes. Verdade seja dita a maioria das pessoas não está realmente preocupada de se um determinado trope já foi usado vinte ou dois mil anos atrás, mas pode começar a cansar se ele já tiver sido usado nas últimas cinco ou dez obras que a pessoa viu. É o problema que muita gente – eu incluso, vale dizer – têm com cenários escolares, ou histórias de isekai (protagonista que vai parar em outro mundo), ou mesmo, para sair do meio otaku, com filmes de super heróis da Marvel e da DC: tais cenários têm sido a norma há anos, e é difícil não pensar que tudo o que podia ser feito com eles já o foi, até mais de uma vez. Se isso é verdade ou não é uma discussão que podemos ter em outro momento, mas fato é que não precisa ser: basta que exista essa impressão. E é fácil falar “basta assistir outra coisa”, mas a situação não é tão simples. Eu mesmo faço isso, tentando evitar ao máximo obras que eu sei que não irão me agradar, mas isso não muda o fato de que cada vez que eu abro um chart da temporada para ver o que tem de novo eu descubro que, no fundo no fundo, a resposta a isso é “não muito”.

Sim, existe ai também o problema da quantia de obras já vistas. No momento que escrevo esse texto eu devo ter visto algo em torno de 150 a 200 títulos de anime diferentes, talvez um pouco mais. Esse não é realmente um número lá muito grande, bem o contrário: eu conheço muitas pessoas que já o ultrapassaram há um bom tempo. Mas ele é um número grande o suficiente para que certos padrões já comecem a se tornar evidentes. E não entendam mal, existem padrões que eu gosto. Eu inclusive já cheguei a escrever um texto sobre o meu clichê predileto: quando a música de abertura toca como insert song. Mas inevitavelmente alguns irão desagradar, por qualquer motivo que seja, e a estes ainda acaba sendo adicionada toda a carga negativa que o termo “cliché” traz consigo. Por exemplo, a ideia de resolver tudo na base da porrada é uma que profundamente me incomoda em absolutamente qualquer circunstância, então personagens de estilo “macho-man”, que esmurram primeiro e perguntam depois, me irritam. E perceber que todos os personagens assim são meio que iguais adiciona todo um nível de preguiça ao que já é, por si só, um personagem do qual eu não gosto (e é por isso que eu acho o Kamina a pior coisa em Tengen Toppa Gurren Lagann, a propósito). Isso é subjetivo? Bom, sim, é. Como eu disse antes, o próprio conceito de “clichê” possui em si algo de subjetivo, e não há realmente muito o que podemos fazer a respeito. No máximo eu posso dizer que, se você discorda de mim que esse clichê em específico seja um problema – ou mesmo que seja um clichê – tudo o que eu posso fazer é pedir que se concentre mais no argumento do que no exemplo.

Gurren Lagann // Ensaio 18/08/2017 8
Trope: Get a Hold of Yourself, Man! (Recomponha-se, Homem!) – Quando um personagem está surtando e outro “ajuda” lhe dando uma porrada, a exemplo deste momento em Tengen Toppa Gurren Laggan.

E qual é o argumento aqui, afinal? Sobretudo esse meu último parágrafo soou como um bando de ideias não muito bem estruturadas, então é hora de começarmos a fechar esse texto. E para tanto, eu quero deixar uma coisa bem clara: clichês – ou melhor, tropes – podem ser bem utilizados. Mas um reconhecimento do tipo também deixa implícito o seu oposto: da mesma forma que podem ser usados bem, eles podem ser usados mal. O medidor de qual é o caso será o quanto o autor entender sobre a própria histórias e sobre o trope que estiver utilizando. Em suma, depende da habilidade do autor de saber o que está fazendo. Mais do que apenas imitar acriticamente o que fez sucesso antes, o autor precisa tomar esses tropes para si e torná-los integrais para a sua história. E, ao menos na minha opinião, nenhum anime recente demonstrou isso melhor do que a adaptação do mangá de Kohei Hirokosh Boku no Hero Academia (My Hero Academia). Eu disse isso no meu texto sobre o overexposure e vou repetir aqui: Boku no Hero Academia não traz nada de novo, e é, em essência, um amontoado de clichês. Mas ele funciona, porque longe de ser pura imitação de algo ele é uma ativa celebração desses exatos clichês tão caros aos mangás shounen de ação e aventura. Nisso a obra se torna não apenas sobre super heróis lutando contra vilões, mas também sobre o mangá shounen tal como o moldou a revista Shounen Jump, certamente a mais influente de seu gênero. Não entendam mal, não estou dizendo que é a intenção do autor tecer algum tipo de comentário sobre os mangás shounen, mas ao demonstrar claro entendimento sobre as estruturas e clichês comuns à demografia o autor consegue nos lembrar porque eles existem em primeiro lugar. Sim, não poucos clichês existem porque funcionam, mas para funcionarem eles precisam ser bem executados, e Boku no Hero Academia os executa com maestria.

Dito isso, timing é também um fator a ser considerado. Gostando ou não, modismos sempre irão existir, sendo estes consequência direta de uma mídia que precisa lucrar para se sustentar. Sobre isso, cabem duas observações. Em primeiro lugar, seria ingenuidade criticar o presente como tomado por um capitalismo selvagem em oposição a um passado idealizado de arte pela arte. Dinheiro sempre foi um fator predominante nesse meio, basta lembrar que mesmo os mais aclamados mestres do Renascimento ainda dependiam de algum mecenas que os pagasse (e ao qual precisavam agradar). Ao mesmo tempo, também seria ingenuidade estabelecer uma relação direta entre esse passado e o nosso presente. Se antes o sucesso de uma obra de arte dependia do quanto ela agradava a uma pequena elite, atualmente seu sucesso depende do agrado do maior número de pessoas possível, o que não vem sem consequências. Em todo caso, permanece o fato de que qualquer coisa em demasia cansa. Isso adiciona a problemática de que por mais bem utilizado que um clichê seja, ele ainda pode soar como batido se vier no momento errado. É daí que surgem expressões como “uma lufada de ar fresco” para descrever obras que quebrem convenções. Nenhuma obra pode ser plenamente original, mas ela pode ser relativamente original, se distanciando não de absolutamente tudo o que veio antes, mas apenas daquilo que é o comum na época. E é isso que eu quero dizer quando coloquei, no começo deste texto, que eu prefiro histórias que tendem a quebrar convenções do que histórias que as sigam com maestria.

Boku no Hero // Ensaio 18/08/2017 9
Trope: Loud Glup (“Glup” Alto) – Quando o personagem engole de nervosismo, fazendo um sonoro “glup”.

Um comparativo entre duas obras recentes talvez ajude a entender meu ponto. Ambas obras do gênero romance, de um lado temos Tsuki ga Kirei [review], um drama, enquanto que do outro temos Gamers!, uma comédia romântica. Agora, vamos deixar uma coisa clara: eu gostei de Gamers!. No momento em que escrevo este texto o anime está em seu 5º episódio apenas, mas já se mostra uma obra divertidíssima, embora também clichê. Seus personagens são arquetípicos em algum nível, mas ainda são bem caracterizados o bastante para serem carismáticos. Seu roteiro é baseado em mal entendidos que afetam de alguma forma os variados relacionamentos amorosos da obra, mas longe de ser um recurso usado para fazer drama forçado ele serve tão somente para fazer comédia. E por mais subjetiva que seja a comédia, eu devo dizer que estou achando o anime hilário. Claramente a equipe por trás do anime, que adapta a light novel de Sekina Aoi, sabe muito bem o que está fazendo, e entende bem o material que tem em mãos e o público ao qual ele se destina. É um exemplo de clichê feito certo. Porém, muito mais me agrada Tsuki ga Kirei, justamente por ser um romance mais realista e “pé no chão”. Não entendam mal, Tsuki ga Kirei não é a única história do tipo, nem o único anime do tipo. Mas ele é uma exceção, em um cenário dominado por clichês como aqueles presentes em Gamers!. Ele pode não ser plenamente original, mas ele é original em relação ao que é comum no momento em que foi lançado, e isso basta para vê-lo como inovador e diferente: como, justamente, uma lufada de ar fresco.

Para finalizar, é preciso comentar, mesmo que apenas brevemente, o elefante no armário que muitos leitores já devem ter identificado. Em suma: tudo isso o que eu falei, sobre a mídia se tornar estagnada em uma repetição acrítica de clichês e em uma sequência de modismos que seguem até exaurir um gênero, é exclusivo dos animes? Bom… Não, pura e simplesmente. Esse é um problema que praticamente qualquer mídia criativa enfrenta, ao menos em algum nível. Quando muito, o que existe de específico sobre o caso dos animes (e mangás, e light novels, e industrias afins) é a necessidade de agradar a um nicho consumidor bastante específico, enquanto que outras mídias, ainda que enfrentem o problema da repetição, ainda procuram agradar o maior número de pessoas possível. Isso dá a essas outras mídias uma estabilidade econômica que os animes bem que gostariam de ter, mas mesmo esse aspecto talvez comece a mudar. Primeiro, e apesar do que falei anteriormente, nem todo anime é feito visando ao público otaku. O cinema é especialmente propenso a ter animações voltadas para o grande público, a exemplo dos filmes do estúdio Ghibli ou, mesmo, o recente sucesso mundial Kimi no Na Wa [review], de Makoto Shinkai. Mas a televisão também possui a sua parcela de obras que aspiram ser mais do que a sua coletânea genérica de waifus arquetípicas. O bloco noitaminA, da Fuji TV, surgiu em 2005 com o específico propósito de exibir animes que apelassem para além do típico público alvo de jovens adultos do sexo masculino e já nos entregou excelentes animações, a exemplo de Hourou Musuko [review], em 2011, e Fune wo Amu [review], em 2016. E sobretudo nos últimos anos temos visto uma consistente onda de animes claramente voltados para o público adulto não otaku, como Joker Game ou Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu. Hoje estes exemplos são a exceção, mas não me parece fora da realidade pensar que eventualmente eles possam se tornar a norma.

Joker Game // Ensaio 18/08/2017 10
Trope: Only Six Faces (Apenas Seis Rostos) – Quando os personagens da história são muito parecidos uns com os outros, a exemplo dos personagens em Joker Game.

Para além disso, é preciso considerar a influência externa na mídia. Em algum nível, anime nunca foi essa mídia fechada em si mesma que muitas vezes imaginamos que o seja, como o canal The Canipa Effect bem demonstrou em seu vídeo Anime: The Global Medium. Mas até algum tempo atrás a contribuição estrangeira aos animes era muito mais… pontual. Tínhamos alguns artistas estrangeiros trabalhando em diferentes níveis da produção,  a terceirização da animação para estúdios fora do Japão, sobretudo alguns na Coréia, e algumas pontuais parcerias entre estúdios estrangeiros e japoneses. Mas com o advento dos serviços de streaming eu acredito que a influencia externa será cada vez maior. O mercado chinês de streaming é grande e importante para o Japão, e com serviços como Netflix e Crunchyroll integrando comissões de produção, e mesmo produzindo seus próprios animes, creio que cada vez mais teremos obras com um apelo muito mais amplo do que apenas o público otaku.

Até que ponto essa expansão seria positiva? Tão perigoso quanto repetir o passado acriticamente é abraçar a mudança como inerentemente positiva. É fato que essas mudanças trarão sua própria leva de problemas, alguns dos quais já se mostrando evidentes. Por exemplo, me incomoda o fato de que Castlevania, produção original da Netflix, já teve a sua segunda temporada anunciada. É um mal da televisão ocidental que tudo o que faz algum sucesso é continuado e reprisado até perder qualquer qualidade que originalmente possuía, ou até cair em uma mesmice que o torne puramente tedioso. Mas esta é uma discussão para um outro momento. Este texto já está suficientemente grande, e já consegui expor tudo o que gostaria. Fiquemos, então, por aqui, e deixemos para comentar o futuro quando ele de fato chegar.

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Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Sword Art Online, episódio 8 (tropeAccidental Pervert)

2 – Log Horizon, episódio 1 (trope: Trapped in Another World)

3 – Demi-chan wa Kataritai, episódio 1 (tropeCute Monster Girls)

4 – No Game, No Life, episódio 4 (tropeDid We Just Have Tea with Cthulhu?)

5 – Sakamoto desu ga, episódio 1 (tropeRunning Gag)

6 – Charlotte, episódio 4 (tropeTomboy and Girly Girl)

7 – Rokudenashi Majutsu Koushi to Akashic Records, episódio 1 (tropeStripperiffic)

8 – Tengen Toppa Gurren Lagann, episódio 7 (tropeGet a Hold of Yourself, Man!)

9 – Bouku no Hero Academia 2, episódio 6 (tropeLoud Glup)

10 – Joker Game, episódio 1 (tropeOnly Six Faces).

7 comentários sobre “Tropes e clichês: nada é original, mas isso não é desculpa para não tentar.

  1. Desde já quero afirmar que não concordei com muitas das afirmações ou conclusões que retirastes em relação aos clichês (mas não é isso que quero comentar), mas, foi um dos melhores e mais completos posts que vi, pela internet (muitas vezes superior ao teu anterior post, relacionado com o tema), não tentando impor (em demasiado) a sua opinião, em relação ao tema, e abordando vários temas correlacionados (e até que importantes) que normalmente ninguém aborda, quero desta forma dizer, bom trabalho pelo post feito.

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    • Bom, não concordar é natural, e apesar de serem sempre o meu posicionamento no assunto, meus textos são sempre feitos com a intenção de iniciar debates, ao invés de encerrá-los xD Em todo caso, valeu pelo comentário e legal que achou o texto bem feito =)

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  2. Fazendo um comentário off-topic o post em si é filosófico porque lhe faz pensar que as pessoas normalmente são muito parecidas com as outras. Então, vale a pena conviver? Existe aspectos diferentes, mas no geral todos são iguais. O mundo é tão limitado a grupos de pessoas e isso é visível em redes sociais. Quanto mais se convive no meio desse grupo, mais as pessoas deste são parecidas, então se tornam basicamente cópias.
    E claro se eu fizesse mesmo parte de algum, isso me tornaria igual a eles. Pra mim é decepcionante, talvez não para o OP. Mesmo não querendo, alguém vai pertencer a algum grupo de qualquer maneira.
    Posso ter falado merda e não sei me expressar tão bem quanto vc, mas vc acabou de deixar uma pessoa bem depressiva e confusa. ksksksks Parabéns pelo post

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    • Eu acho que entendo o que você quer dizer, mas pessoas são bem mais complicadas do que isso rsrsrs. Mesmo em um grupo aparentemente homogêneo as pessoas ainda mostram marcas de sua individualidade. Dificilmente duas pessoas concordarão em tudo, o que já serve de exemplo de como duas pessoas raramente pensam igual. Claro, todo mundo segue algum padrão ou modismo, isso é inevitável. Estamos todos imersos em uma mesma cultura, afinal. Mas é como eu disse, mesmo no mais homogêneo dos grupos as pessoas ainda encontram jeitos de expressarem a própria identidade. Pessoas são complexas, afinal rs.

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  3. Eu não sei se é por já estar na fase adulta ou ter a síndrome que acha que tudo o que era produzido no “meu tempo” era melhor, mas eu não consigo me atrair mais pelo os títulos que saem a cada nova temporada de alguma estação do ano. Sempre que vejo a ilustração promocional de um anime ou a sinopse penso em algo como “isso vai ser chato” ou “eu já vi isso antes”. O mais interessante é que esse pensamento vêm de uns tempos pra cá, pois até então considerava tudo algo como uma novidade no meu ponto de vista. Há cinco anos, eu assisti dois animes na qual eu considero importantes na minha aproximação com nichos mais diversificados e que foge do padrão Battle Shonen; Ore no Imouto ga Konna ni Kawaii Wake ga Nai e Boku Wa Tomodachi ga Sukunai, mas nesse momento, eu não consigo me atrair pela as obras novas dos autores de ambas as histórias (a de Haganai será lançada nessa temporada de outubro). É como se eu já estivesse saturada de tanto ver mais do mesmo, de tanto ver garotas que não condiz com a realidade e que agem forçadamente. Eu gosto de Slice of life, mas se manter dentro do nicho está cada vez mais difícil por conta dessa fórmula batida em que os autores japoneses ainda insistem em trabalhar. É claro que me posicionando no lugar deles, eu também apostaria eu algo onde existisse a possibilidade de atrair um público e consequentemente, a garantia de venda do meu trabalho, mas como telespectadora, adulta e cheia de coisas pra fazer, afirmo que até o que era pra entreter não está entretendo mais.

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  4. Sobre clichês e tropes, sempre gosto muito de uma frase de Kevin Nash: “Existem apenas 9 razões pelas quais dois lutadores podem ter um combate”, só que nem todo mundo viu essas razões, nem todos viram esses 2 lutadores lutarem, o que importa não é querer inventar uma décima razão, ou deixar complexo a história da luta, o que de fato importa é trabalhar bem uma dessas razões, construir bem o enredo da luta e os 2 lutadores entregarem uma grande luta, se a luta for bem feita e a história bem construída ninguém vai se importar que a luta foi simplesmente por causa de um cinturão ou etc.

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