Uma Breve Análise – Seikaisuru Kado: Um Bom Uso de CG

Seikaisuru Kado: um anime inteiramente em computação gráfica.

Seikaisuru Kado, anime de 2017 do estúdio Toei Animation, com 12 episódios, foi um desastre. Certamente um dos animes mais promissores deste ano – e talvez um dos mais promissores desta década -, ele ainda assim conseguiu a façanha de atirar pela janela todo o seu potencial. E o que começou com o que parecia ser uma trama política séria terminou… bom, digamos que bem longe disso.

Se evito entrar em maiores detalhes é para não dar spoilers, ao menos não por agora. E sim: mesmo sua sinopse poderia ser considerado um spoiler. Isso por conta de seu episódio zero, que oferece, ao seu final, uma reviravolta capaz de fazer cair o queixo de qualquer desavisado.

Mas dado o meu primeiro parágrafo, alguns que por ventura ainda não tenham assistido ao anime talvez se perguntem se vale a pena ou não se importar com spoilers de uma obra que eu acabo de descrever como “um desastre”. Bom, não me entendam mal, Seikaisuru Kado completamente desperdiça todo o seu potencial, mas eu não diria que isso faz dele uma obra ruim, exatamente. Apesar dos apesares, ainda tem seus bons (mesmo seus excelentes) momentos, com um saldo final relativamente positivo.

O real problema do anime é que ele tinha tudo para ser um novo clássico moderno, uma obra no mesmo nível daqueles animes cult tão comentados pelos mais experientes na mídia. Ao final, porém, ele terminou… ok. Não péssimo, não terrível, mas também não correspondeu às expectativas que criou. E com isso eu deixo o leitor decidir se vale a pena ou não dar uma chance a essa obra.

Shindou, protagonista do anime.

Mas feitos estes comentários, vamos parar por aqui de falar mal desse anime. Afinal, eu não faria uma análise se não tivesse algo de positivo a falar sobre essa obra. E para quem leu o título deste texto, o que seria esse algo já está bastante claro: para todos os problemas que tem em sua história, Seikaisuru Kado ao menos se mostra um excelente exemplo de como fazer bom uso da Computação Gráfica (CG)

Agora, a partir daqui eu vou entrar em spoilers, então se não assistiu o anime e ainda está em dúvida se quer ou não vê-lo sem qualquer informação prévia, agora é a hora de decidir. E para os que ficaram, vou desde já dizer o que faz o CG de Seikaisuru Kado algo tão especial ao ponto de eu querer dedicar um texto a ele: a sua necessidade.

Não é nenhum segredo que a computação gráfica é bastante mal vista no meio otaku, e eu acho que parte disso vem de uma sensação inerente de que ela é… barata. Pessoalmente, prefiro não entrar no mérito do quanto essa impressão é verdadeira, embora a falta de um polimento adequado em muitos CGs certamente não ajuda no caso. Mas seja como for, o importante é que o sentimento existe, e eu acho que o que faz tão prevalecente é o fato de que, a bem da verdade, computação gráfica nunca realmente parece necessária.

Para todos os efeitos, na vasta maioria das vezes em que se usa computação gráfica seria perfeitamente possível desenhar o objeto ou efeito especial a mão. Talvez ficasse mais custoso, talvez levasse muito mais tempo e exigisse profissionais muito mais experientes, mas ainda assim permanecesse o fato de que seria possível.

Kado: o gigantesco cubo caleidoscópico.

Isso, porém, claramente não pode ser dito de Seikaisuru Kado. Um anime completamente em computação gráfica sobre um ser extra-dimensional que veio ajudar a humanidade a evoluir, a computação gráfica é a perfeita ferramenta para mostrar o quão fora do comum é este ser. E nada demonstra isso melhor do que o imenso cubo de 2 quilômetros de aresta que é o Kado.

Seria possível desenhar Kado a mão? Talvez, mas vou dizer que certamente seria um processo ridiculamente trabalhoso e que provavelmente não ficaria tão bom quanto o do anime. O efeito caleidoscópio que cerca ao cubo, e como ele está constantemente mudando, faz dele um objeto estranho mesmo para os padrões de uma animação, e isso é uma ótima forma de mostrar, visualmente, o quão diferente é o próprio Yaha-kui zaShunina: o ser que habita nesse cubo.

Outros objetos ao longo da história seguem a mesma lógica, como a Sansa ou o Nanomis-hein. Mas fica a pergunta: enquanto há um bom motivo para esses objetos serem em computação gráfica, precisava o anime inteiro o ser também? Bom, honestamente, eu acho que sim. Mesclas de 3D com 2D são muito difíceis de parecerem natural, então ter a obra inteira assim foi, na minha opinião, uma boa forma de evitar esse problema e garantir a imersão do espectador.

Como eu já deixei bem claro aqui, Seikaisuru Kado tem os seus problemas. Mas ao menos no que diz respeito ao seu uso de computação gráfica, eu honestamente acho que ele é um exemplo de como usá-lo da forma correta: para criar aquilo que o desenho a mão não pode, usando dessa ferramenta justamente para fazer aquilo que apenas ela pode fazer.

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