Informe – FIM do Canal no YouTube (e alguns desabafos…)

Sim, estou oficialmente abandonando o YouTube. Para os que começaram a ler este texto só porque queriam saber o motivo, eu vou ser rápido e direto: eu não aguento mais. Todo o processo de produção dos vídeos se provou extremamente cansativo e extremamente frustrante, então estou jogando a toalha de vez: eu desisto. Mas não, isso não afeta nem o blog e nem a página: ambos seguirão em atividade normalmente.

Pronto, é isso. Mas como eu não gostaria de encerrar as coisas assim, em algumas poucas linhas, eu queria aproveitar aqui tanto para explicar com um pouco mais de detalhe o porquê de eu abandonar o YouTube, bem como para jogar alguns breves comentários sobre a plataforma. Considerem o parágrafo acima a versão too long; didn’t read (tl;dr) do texto que se segue…

Sinceramente, eu não queria abandonar o YouTube. Não sou ingênuo: sei muito bem que há limites para o alcance de um texto. Vivemos em um país no qual as pessoas não leem se quer um livro ao ano, com uma geração para a qual qualquer coisa acima de 140 caracteres já é um “textão”. A mídia escrita tem basicamente duas opções nesse mundo de textos curtos e hyperlinks: adaptar-se (isto é, tornar-se progressivamente mais e mais concisa, e ai chegamos ao estado atual, onde as pessoas preferem discutir com memes de 2 ou 3 linhas ao invés de com frases de punho próprio) ou resignar-se, aceitando o público mais reduzido.

Um blog não pode competir com um canal, é o que eu quero dizer. E ao optar por um blog, há todo um público que, por escolha própria ou não, acaba alienado do seu conteúdo. Eu queria alcançar justamente esse público: essas pessoas que se sentiriam desencorajadas de ler um texto meu só de olhar para a barra de rolagem e perceber o tamanho do mesmo. Mas, sinceramente, para além de ser uma forma de aumentar meu público, eu devo dizer que parte do que me motivou foi também algumas críticas que tenho ao meio otaku no próprio YouTube.

Eu acho que blogs e canais são parecidos em um aspecto: geralmente, quando você vai criar um, você o faz a partir de uma ausência. Existe um tipo de conteúdo que você gosta, que você gostaria de ver mais e de discutir a respeito, mas você não encontra. Então, você o cria. Foi o que me motivou a criar este blog, e foi o que me motivou a criar o canal. Eu queria mais vídeos naquele estilo que eu fiz: análises um pouco mais sérias, sem memes a cada minuto e que saíssem do trinômio personagem – roteiro – parte técnica para explorar temas, ideias, e se aprofundar mais no que é possível tirar daquela obra de fato. É algo que eu vejo com frequência no exterior, vários canais em inglês o fazem. É o modelo do vídeo-ensaio, que até começou a surgir aqui no Brasil, mas que ainda parece distante do meio otaku.

Não querendo dar a entender que esse modelo é superior a algum outro, não é esse o caso. É uma questão de gosto: eu gosto mais desse modelo do que daquele mais comum no meio otaku brasileiro, e por isso queria ver mais do tipo. Não entendam esse meu comentários como um ataque a este ou a aquele canal, até porque, francamente, só pelo fato de esses canais produzirem algo eu já lhes daria meu respeito. Porquê se tem uma lição que eu tirei disso tudo é que produzir conteúdo para o YouTube pode ser incrivelmente difícil.

E ai saímos do porquê eu criei o canal para entrar no porquê eu o estou abandonando…

Fazer um vídeo envolve 2 componentes básicos: o visual e o áudio. Óbvio, eu sei. Mas ambos ponto que não passam nem perto do meu forte. Honestamente: eu não sei editar vídeos. Com o sistema de strike do youtube, eu sabia que usar clips do anime analisado estava fora de questão. Imagens isoladas funcionam melhor pela própria forma como o strike funciona: normalmente, os “robozinhos” do YouTube comparam o seu vídeo com um banco de dados próprio, e se identificam que trechos do seu vídeo batem com partes de um vídeo ou música que o YouTube tenha em sua biblioteca, rola o strike. Assim, uma imagem me parecia mais seguro pelo simples fato de que se uma imagem estática fica 5 segundos na tela, quando o YouTube comparar com o próprio banco de dados o trecho no qual aquela imagem aparece terá 5 segundos bem diferentes (não sei se isso ficou muito confuso, mas acho que é o melhor que consigo fazer por agora, em termos de explicar esse meu raciocínio).

O problema é fazer essas imagens. Para diminuir ainda mais as chances de strike, eu ainda decidi fazer o esquema de uma imagem pequena centralizada sobre um fundo. E ai entra a parte complicada: meus vídeos são, essencialmente, shows de slides, e cada vez que algo muda na tela é normalmente uma nova imagem por completo. O que significa que eu preciso fazer cada uma dessas imagens. E com mesmo vídeos de 2 minutos exigindo em torno de 40 imagens diferentes, o processo se torna maçante e cansativo bem rápido, além de consumir desde algumas horas até um dia inteiro.

Mas eu tendo a crer que o visual de um vídeo não é a parte mais importante: muita gente não irá se quer assistir, e só deixará o vídeo de fundo enquanto faz outra coisa. O áudio, porém, pode facilmente engrandecer ou arruinar o seu vídeo. Da minha experiência como consumidor: quanto mais claro e natural for o áudio, mais profissional e respeitável o vídeo parece. Conteúdo pode ser importante, mas a forma aqui é tanto quanto: já perdi a conta de quantas vezes eu fechei um vídeo só porque o áudio era ruim.

Para mim, o problema estava em ter um áudio claro. Sendo bem sincero: eu não consigo um minuto de silêncio onde eu moro. É cão do vizinho latindo, é gente em casa tagarelando alto, é vizinho que resolve gritar no meio da rua… Gravar qualquer coisa que seja, nessas condições, se provou um processo absolutamente frustrante, no qual você fala uma linha de texto e ai precisa esperar o barulho na rua diminuir para conseguir falar outra. Irrita. Muito. E há um limite do quanto programas de edição de áudio podem ajudar. Por isso, aliás, que todos os meus vídeos tem algum tipo de trilha sonora ao fundo: ela mascara bem os diferentes ruídos de fundo daqui da minha rua.

Agora, até há pouco eu estava disposto a aceitar todas essas complicações e seguir produzindo vídeos por um único motivo: eu gostava do resultado final. Meus vídeos não são incríveis por nenhum padrão possível, mas eu ao menos estava satisfeito com eles, o bastante para publicá-los, inclusive. Infelizmente, por alguns motivos meu antigo celular acabou quebrando, e era nele que eu gravava minhas falas. Eu comprei um novo (porquê, francamente, já estava precisando também, já tinha bem alguns anos que eu não trocava o celular), mas o microfone deste é incomparavelmente pior do que o do anterior. A voz sai metálica e distante, e é como eu disse, há um limite do quanto programas de edição de áudio podem ajudar.

O resultado  disso é um processo extremamente frustrante, irritante e cansativo, que produz um resultado final que eu não gosto. Eu não queria desistir do YouTube, mas sinceramente: não vale a pena. É tempo e energia investidos em algo que não me agrada. Se é para ser assim, eu ganho mais indo ver algum anime…

Talvez um dia o canal volte? Talvez. Estaria mentindo se dissesse que completamente desisti da ideia. Mas se isso acontecer, não será amanhã, não será na próxima semana, no próximo mês, provavelmente nem no próximo ano. E por isso este aviso. Sim, talvez um dia o canal volte. Mas até lá, eu – admitidamente frustrado e irritado – me despeço do YouTube.

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6 comentários sobre “Informe – FIM do Canal no YouTube (e alguns desabafos…)

  1. também tenho a mesma opinião sobre os canais de animes Br,e gostava muito do seu(descobri o blogue pelo canal) então espero que algum dia volte,muito bem da dificuldade de ter um canal no YouTube eu mesmo desisti disso também

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  2. Uma pena, seu canal é um dos melhores dentre o pessoal que fala de animês no Youtube em termos de conteúdo. Como um colega produtor de vídeos, entendo perfeitamente a dificuldade e o tempo gasto no processo (especialmente as frustrações quanto ao áudio, uma sala cheia de caixas de ovo é o meu sonho). Ainda assim, é um canal que fará falta no Youtube para os que o assistiam, pelo menos como contraponto à minha chatice :P

    Bem, mas já que o blog continua, eu gostaria de saber se tenho como não perder teus posts por aqui, já que não costumo acessar blogs com frequência.

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    • Sobre não perder os posts do blog, acho que o mais “garantido” seria pela página do facebook. Curtindo a página você tem a opção de receber notificações de quando sai algo novo nela. E como basicamente as únicas duas coisas que eu posto lá são links para o blog ou as reviews de filmes, seria o método mais seguro rs. Do contrário… Bom, texto sempre sai aqui no blog nas sextas a noite, então seria o caso de entrar aqui aos sábados que quase certamente teria um texto novo o/

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  3. Essas palavras realmente me deixam triste, pois era um canal que eu realmente gostava de assistir… Bem, pelo menos não sumiu sem avisar como certas pessoas (tipo eu?).

    De qualquer forma, espero que o canal volte um dia e que não desista do blog também… Mas visto que as circunstâncias o impediram de continuar o canal, será compreensível se aparecesse algo para atrapalhar outras atividades…

    Enfim, espero que continue escrevendo. Gosto de saber como pensa e de aprender contigo. ^^

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  4. É uma pena pra nossa comunidade perder os seus videos, mas eu compreendo completamente as suas razoes. Produzir videos é uma coisa (muito) desgastante e desmotivadora.
    Eu vou passar a consumir seu conteúdo por aqui, mas como falaram aí, espero que um dia vc tente produzir para o youtube novamente!

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