Como fazer uma (boa) review negativa?

Falando sobre críticas negativas.

O que define uma boa review negativa? Para mim, isso se resume ao efeito que ela causa. Idealmente falando, apontar os defeitos e problemas de uma dada obra deveria servir para incentivar ao pensamento crítico, além de nos fazer refletir um pouco mais sobre o que faz uma boa e uma má obra de ficção. E notem: eu não digo que todos precisam concordar com a review. É plenamente possível discordar dos pontos apresentados após ponderação, ao mesmo tempo que, para aqueles que gostem da obra criticada, é também possível concordar com os defeitos levantados e ainda seguir gostando daquela história. O ponto aqui é menos a busca de um consenso e mais a ideia de que essa review deveria trazer algo de positivo. Algo que, infelizmente, muitas vezes não acontece. Não é raro encontrarmos reviews negativas que só encontram eco entre aqueles que já não gostavam do anime em primeiro lugar, bem como deve ser ainda mais fácil encontrar tais reviews sendo recebidas com puro desdém e irritação por parte daqueles que gostem da obra analisada. E é aqui, a meu ver, que temos as reviews negativas ruins.

Para alguns, essa minha distinção talvez soe como injusta. Afinal, não é como se o autor pudesse controlar a reação à sua crítica, não é verdade? Bom… Enquanto há certamente alguma verdade nisso (também não sou ingênuo: sei muito bem que há pessoas que não suportam ver aquilo que gostam ser criticado negativamente, por mais ponderada e bem argumentada que seja a crítica), eu ainda não seria tão rápido em isentar ao autor. Isso porque eu acredito que existem algumas estratégias discursivas que podem em muito minimizar qualquer possível reação negativa, estratégias estas que eu mesmo busco usar nas raras vezes em que vou falar mal de algo. Não vou dizer que sejam fáceis de aplicar, e eu mesmo penso que fazer uma boa review positiva é um trabalho bem mais fácil que fazer uma boa review negativa (dai tão poucas reviews minhas nesse sentido). Mas para aqueles que eventualmente se interessarem, ficam então estas considerações.

Não sei se alguém vai dar a mínima pra esses meus pontos, mas vamos que vamos /o/

Agora, antes de entrar exatamente na forma de fazer (e conduzir) uma review negativa, eu acho que vale a pena apontar uma problemática que é única dessa forma de análise: sobre o que falar? Escolher um “bom” anime ou manga a ser criticado negativamente (para ficarmos em exemplos pertinentes ao blog) pode se mostrar uma tarefa bem difícil. Falar mal de uma obra completamente desconhecida pode soar como totalmente inútil (afinal, você estaria essencialmente falando para as pessoas não assistirem uma obra que elas já nem sabiam que existia em primeiro lugar). Falar mal de uma conhecida, mas que a maioria das pessoas também acha ruim, pode por sua vez soar como apenas mais uma gota no oceano. Mas falar mal de uma obra popular e que muita gente goste pode soar como oportunista e insincero, como pura vontade de ser “do contra” (especialmente se a obra em questão for uma mais recente, a última moda do momento ou algo semelhante).

Isso significa que você não pode fazer uma review negativa desses animes? Meio óbvio que não, do contrário praticamente não sobra o que criticar. Mas é importante ter esses problemas em mente, até para decidir a abordagem que se irá tomar. Por exemplo, se for para falar de um anime bem pouco conhecido, poderia usá-lo como uma espécie de “estudo de caso” para explorar um ou mais problemas em particular (coisas como direção ruim, furos no roteiro, personagens mal trabalhados, ou o que achar melhor), tecendo assim considerações mais generalizantes que possam também ser aplicadas a outras obras. Já na hora de falar de um anime mais conhecido, penso que tudo se resuma a o que você tem a falar. Se irá apenas repetir críticas já feitas a exaustão, talvez fosse melhor repensar se vale mesmo a pena falar dessa obra. Mas se, por outro lado, acha que tem algo de novo a adicionar à conversação, então ao menos a review terá o potencial de ser bem recebida. E, a partir daqui, tudo se resume a como você irá conduzi-la…

Podemos parar de chutar cachorro morto, por favor?

Finalmente, então, entramos na pergunta-título deste texto: como fazer uma boa review negativa? Para começar, é importante que o crítico saiba do que está falando, e isso se divide sobretudo em três aspectos: o roteiro, a intenção e a recepção. O primeiro é talvez o mais óbvio: é preciso ter entendido a história para poder criticá-la. Isso talvez soe como óbvio, mas eu já perdi a conta de quantas vezes eu li ou assisti uma review na qual o autor aponta como falha ou furo no roteiro algo que a história explicou muito bem – e ele apenas não lembra ou não prestou atenção. Já no segundo ponto eu me refiro àquela máxima de procurar julgar a obra pelo que ela é, não pelo que você gostaria que ela fosse. É lugar comum dizer que não se julga uma comédia com os mesmos critérios que se julga uma tragédia, mas aparentemente algumas pessoas ainda têm dificuldade em entender o conceito por trás desse axioma. É, por exemplo, o erro que muitos cometem ao criticar um anime slice of life por “não ter uma história”, quando o foco nos personagens e a ausência de uma narrativa maior são justamente aspectos fundamentais do próprio gênero.

Mas é o terceiro ponto aquele que talvez exija mais clarificação. Meu argumento aqui é que o crítico deveria tentar ver o que já foi falado a respeito da obra que ele pretende resenhar, e isso tanto em termos de comentários negativos como de positivos. Ver, por exemplo, se as críticas que você têm já não foram feitas à exaustão, e talvez até mesmo rebatidas à exaustão. E, talvez mais importante, tentar entender porque algumas pessoas gostaram da obra que você analisar. Talvez elas tenham visto algo que você não viu, ou talvez se preocupem com elementos que você não se preocupa. Obviamente esse é um cuidado que vale muito mais para obras mais conhecidas (e que portanto já possuem uma fanbase em volta), mas como é um ponto raramente levado em consideração eu acho útil referenciá-lo. Inclusive, até para dar um exemplo, foi exatamente o que eu procurei fazer na minha review de Serial Experiments Lain [review]: eu não gostei do anime, mas justamente por isso procurei entender porque outros gostaram, e ver que conclusões e argumentos eu poderia tirar daí.

É preciso entender o que a obra é, e o que ela está tentando fazer, antes de querer julgá-la.

E com isso finalmente chegamos na review em si. Uma vez definida a obra sobre a qual se irá falar e tendo-a entendido bem, como criticá-la sem incorrer na fúria de uma legião de fãs? (assumindo, claro, que a obra tenha isso). Honestamente, é tudo uma questão de tom. O grande problema de muitas reviews negativas é o quanto elas deixam se levar pela emoção. E eu chamo isso de problema porque não raras vezes a emoção com a qual você passa uma ideia é a mesma com a qual os ouvintes irão reagir a essa ideia. Isso pode ser vantajoso em uma review positiva, quando a animação e boa vontade do crítico podem animar aos leitores ou espectadores, mas se torna uma verdadeira armadilha quando o que passamos são sentimentos ruins. Uma abordagem do tipo talvez seja catártica para o autor, que “coloca pra fora” toda a sua frustração para com a obra, mas se você a trata com raiva e desdém os fãs da mesma irão inevitavelmente assumir uma postura defensiva e combativa, pois esse é o normal em praticamente qualquer discussão: quando o outro lado do debate se sente acuado, ele basicamente para de ouvir, e nisso nenhum argumento surtirá efeito mais.

É o problema, por exemplo, com títulos sensacionalistas, ou com chamar a obra de “lixo”, “merda”, “bosta”, e por ai vai: os fãs tomam isso como uma ofensa, e ai o diálogo não se estabelece. Vira basicamente uma troca de xingamentos. E enquanto alguns talvez argumentem que você não deveria se ofender só porque alguém falou mal de um desenho qualquer, eu acho essa colocação um tanto quanto ingênua. Você não se sentiria ofendido se falassem mal de alguém da sua família ou de algum amigo próximo? Fato é que o ser humano estabelece relações emocionais com as coisas ao seu redor, sejam elas pessoas ou não, objetos animados ou inanimados, mesmo conceitos ou ideologias. Quando você critica um dado anime, por exemplo, muitas vezes estará criticando algo que possui bastante significado emocional para algumas pessoas (e também por isso é importante ver porque as pessoas gostam da obra em primeiro lugar), e enquanto alguns talvez desdenhem de tal relação eu penso que é muito mais pragmático simplesmente aceitar que ela existe: e escrever a review com base nisso.

Emoções demasiado negativas podem gerar respostas demasiado negativas.

Na oratória romana, que sobreviveu da Antiguidade até ao longo da Idade Média, havia um técnica conhecida como captatio benevolentiae, literalmente “atrair a benevolência”. A estratégia seria hoje considerada pura bajulação, se formos ser bem sinceros, mas em alguns momentos ela possuía uma utilidade bem curiosa: a de separar a pessoa da crítica. Explicando melhor: quando alguém queria discordar das ideias de uma dada pessoa, esse alguém poderia primeiro tecer toda sorte de elogios a essa pessoa, a fim de deixar claro que a crítica que viria a seguir não possui nenhum caráter pessoal (ou seja, seria somente um contraponto ao argumento dela, não um ataque à pessoa em si). Eu acho que algo semelhante poderia ser bastante útil numa review negativa, buscando deixar claro que as críticas apresentadas não tornam quem gosta da obra uma pessoa ruim ou com menor senso crítico. E não no formato condescendente de “tudo bem gostar dessa obra, mas ela é uma merda”, mas sim genuinamente apontando que tudo bem gostar da obra: ela apenas não funcionou com você.

Ninguém gosta de uma pessoa arrogante, e passar uma imagem de arrogância, de “dono da verdade”, é uma viagem só de ida justamente para a situação descrita mais acima. É por isso que eu disse no começo deste texto que eu não seria tão rápido em isentar o autor da responsabilidade pela recepção de sua crítica: porque a postura adotada pode sim afetar bastante como a review será recebida. Muitos acham que basta ter bons argumentos para criticar uma obra, mas enquanto isso é certamente muito importante ainda assim não é tudo. Forma é tão relevante quanto o conteúdo (talvez até mesmo mais relevante, dado que uma forma ruim pode fazer o outro lado ignorar os seus argumentos independentemente do quão bons eles sejam). E claro, para que possa aplicar a essa forma com sucesso, é importante que o crítico não se coloque em algum tipo de pedestal, mas sim entenda que pessoas diferentes podem ter experiências diferentes para como uma mesma obra. A crítica negativa não deveria ser uma massagem no próprio ego, mas sim um exercício de (e convite à) reflexão. E se feita dessa forma, muito possivelmente será muito mais bem recebida.

Redes sociais do blog:

Facebook

YouTube

Twitter

Uma pequena crítica à crítica.

O que você valoriza em um anime?

Sword Art Online – A Relatividade da Realidade e o Valor da Experiência.

Imagens (na ordem em que aparecem)

1 – Kino no Tabi, episódio 9

2 – Mawaru Penguindrum, episódio 3

3 – Sword Art Online, episódio 1

4 – K-ON!, episódio 1

5 – Tonari no Seki-kun, episódio 6

Anúncios

5 comentários sobre “Como fazer uma (boa) review negativa?

  1. Sua matéria foi excelente, porém foi muito extensa, a maioria não vai ler completamente ou pular partes, em compensação falou sobre os fatos importantes no final, eu dou a sugestão de escrever os artigos não tão pequenos, mas também não tão grandes e agradeço pelo artigo, um bom dia.

    Curtir

    • Honestamente, esse artigo ainda ficou pequeno perto de outros daqui do blog xD Não tem muito o que fazer, é o meu estilo de escrita mesmo, e enquanto eu sei que pode afastar alguns, paciência rs. Qualquer estilo adotado vai afastar algumas pessoas. O próprio fato de ser em texto escrito (em um país que não tem uma cultura de leitura assim tão forte) é já algo que afasta. Então eu só vou escrevendo no estilo que me agradar mais mesmo xD Em todo caso, legal que gostou do texto =)

      Curtido por 1 pessoa

  2. Muito interessante a postagem, até porque é fácil elogiar ou criticar demais uma obra quando é feita uma review, ou num tom mais comum, uma resenha. Quem faz precisa seguir dois pontos de vista: aquilo que a obra se destaca e o que prejudica a ser melhor, em comparação a outras obras de estilo similares.
    Um caso a ressaltar é tentar encontrar algo numa obra que remete a outra, mais conhecida: por mais que a mais conhecida tenha seus aspectos mais óbvios, não custa dar uma chance e quem sabe, gostar do conteúdo dado, seja clichê ou não.
    Um caso é falar de animes que seguiram a tendência de outra, como exemplo, “Pokémon” e os animes que usam o estilo de itens ou criaturas colecionáveis. Se analisar estas séries, dá pra notar o esforço dado a querer dar uma diferença entre este e os monstrinhos de bolso; uns conseguem criar mais, seja no roteiro, seja na interação dos personagens, chegando ao ponto em alguns casos, superar o original. Já vi animes que tem uma temática em comum e durante seu andamento, revelarem características que podem colocar esta série em um patamar diferente.

    De toda forma, foi uma postagem boa e não se preocupe se ficar longa demais ou de menos. Se é um assunto que o interessa, siga sem medo. Gosto de ler análises que passam uma reflexão ou uma opinião, numa época que muitos acham ser donos da verdade e digerem tanto, que quando alguém pergunta a respeito, não sabem opinar ou fala de forma equivocada ou sem fundamento em suas palavras.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Olá, Diego, há quanto tempo hein? Faz bem um mês ou mais que não entro mais no Facebook, então acabei demorando para ver essa sua postagem, mas antes tarde do que nunca né?

    Então, seu texto tem muitos pontos ótimos quanto a como abordar uma crítica negativa, assim como quanto a de que forma algo deve ser dito. Porém, como já era de se esperar, discordo de alguns pontos e gostaria de lhe explicar o porque.

    Em primeiro lugar, no seu segundo ponto você disse que devemos “procurar julgar a obra pelo que ela é, não pelo que você gostaria que ela fosse”, mas isto não faz sentido. Veja, é da natureza fundamental da crítica apontar o que algo DEVERIA SER em comparação ao que aquilo É. Críticos não são escritores de sinopses. Nossos textos não são descritivos, são opinativos. Quando dizemos “esse animê é incoerente demais para uma tragédia”, não estamos apenas dizendo o que ele É, mas também que ele DEVERIA SER mais coerente para ser melhor, já que histórias sérias tem que fazer sentido (ao contrário de comédias).

    Outra coisa dita no texto, ainda sob o mesmo ponto, é que “criticar um anime slice of life por ‘não ter uma história'” é um erro porque “o foco nos personagens e a ausência de uma narrativa maior são justamente aspectos fundamentais do próprio gênero”. Embora eu deva concordar que é triste como muitos não assistem obras genuinamente boas por medo da “ausência de história” (que muitas vezes está lá, vide Rakugo), o simples fato disso ser parte inerente ao gênero não o isenta de criticismo. A esmagadora maioria dos shonens usa de Deus Ex Machinas na forma do poder da amizade, por exemplo, e isso é ruim por mais que seja parte do gênero. A esmagadora maioria das fantasias vistas em adaptações de light novels se apegam mais a apelação aos otakus do que à bem escritos personagens ou história, e isso também é ruim por mais que seja parte do gênero. A esmagadora maioria dos animês de esportes conta exatamente a mesma história, com exatamente a mesma estrutura, apenas mudando o esporte, e isso, mais uma vez, é ruim, independentemente do quanto faz parte de um gênero.

    É preciso equilíbrio entre entender o quão bem a obra foi em relação aos seus próprios objetivos, e o quão bons esses objetivos são em comparação à outras obras. Obras mais ambiciosas, que arriscam mais e tentam ir mais longe quase sempre são melhores do que aquelas que se contentaram em ser simplesmente legaizinhas.
    Para mais informações: https://www.youtube.com/watch?v=GaIvoxUFqsU

    Agora vem um ponto com o qual discordo apenas em parte. Você diz que é importante “deixar claro que as críticas apresentadas não tornam quem gosta da obra uma pessoa ruim ou com menor senso crítico” e isso é absolutamente correto. Gosto não é uma questão de escolha na maioria das vezes, é algo que depende de fatores externos, como a sua predisposição genética, seu estado mental no momento de assistir, sua criação, sua cultura, etc. Esses fatores fazem com que pessoas diferentes gostem de coisas diferentes, o que não só é perfeitamente normal como é saudável.
    Para mais informações: https://www.youtube.com/watch?v=Ac1o5gtGJuk

    O meu ponto é que essa inconsistência torna qualquer avaliação crítica principalmente ou até puramente baseada em gosto pessoal irrelevante para quem não tem os mesmos gostos que a pessoa em questão, além de, obviamente, inconsistente. De novo, não há nada de errado em recomendar coisas que você gosta para pessoas que também gostam daquele tipo de coisa, e reviews primariamente subjetivas com certeza são úteis na hora de decidir se a diversão que aquele filme vai TE proporcionar vale o caro preço da ida ao cinema.

    Ainda assim, existe uma distinção a ser feita entre algo que é tecnicamente bom e algo que eu gosto por parecer “bom para mim”. Alguém talvez ache que as lutas de Hand Shakers foram boas, como aquele cara que apareceu num print do Thunder, (link: https://twitter.com/thunderbout/status/853440150856138753) mas ele está simplesmente errado pela definição básica do que torna uma luta em um desenho animado bem feita. Certas coisas não se contentam em simplesmente “não funcionar comigo”, elas não funcionam também de uma perspectiva técnica. Assim, por mais que uma frase como “tudo bem gostar dessa obra, mas ela é uma merda” tenha, de fato, um tom agressivo, ela não deixa de ser a verdade (quando bem embasada, claro). Critique o tom, não o conteúdo da mensagem.

    (Só um nitpicking básico: “condescendente”, em português, significa tolerante e complacente, o exato oposto da versão dessa palavra em inglês, condescending.)

    Finalmente, em sua conclusão, você afirma que a “Forma é tão relevante quanto o conteúdo (talvez até mesmo mais relevante, dado que uma forma ruim pode fazer o outro lado ignorar os seus argumentos independentemente do quão bons eles sejam)”, afirmação com a qual, novamente, concordo em partes. Embora sim, a forma pode fazer certas pessoas ignorar o conteúdo de seus argumentos, isso apenas mostra a superficialidade dessas pessoas. Vale a pena gastar seu tempo convencendo alguém que facilmente se ofende? Isso vai depender do que a pessoa quer fazer com seu tempo, mas, pessoalmente, não só não vejo porque manter a cordialidade em situações extremas, como não vejo porque isso tornaria uma review negativa ruim. Ser “bonzinho” demais quase sempre terá o efeito oposto: fará as pessoas pensarem que os problemas apontados na obra não são grande coisa.

    Fora isso, o texto é útil e pode ajudar a muitos adolescentes estressadinhos a aprender a ser a acalmar. Apenas creio que uma boa review, positiva ou negativa, precisa de conteúdo argumentativo em primeiro lugar. A Forma, da qual um dos aspectos é o tom, é secundária, e depende mais do público alvo que o crítico quer atingir do que qualquer outra coisa.

    Então é isso aí, só alguns contrapontos ao texto. Espero que essa budega me notifique quando chegar alguma resposta, lol.

    Curtir

    • Daora que por algum motivo seu comentário foi parar na caixa de spam do wordpress e só agora eu vi >.> (deve ter sido a quantia de links, talvez). Bom, mas em todo caso, agora que eu li, vamos por partes /o/

      1) “Veja, é da natureza fundamental da crítica apontar o que algo DEVERIA SER em comparação ao que aquilo É.”

      Mais ou menos. Eu entendo o ponto que você tentou fazer, e não exatamente discordo dela. Acho que foi o meu ponto que você não entendeu direito, na verdade, e extrapolou para um pouquinho além do que deveria. Uma coisa é a obra querer ser, digamos, um anime de esporte, e fracassar como tal. Outra coisa bem diferente é um crítico falar que só por ser um anime de esporte a obra automaticamente é ruim: porque ele não gosta de esportes. É isso que eu quero dizer com “julgar pelo que é”, ou talvez eu devesse ter dito “julgar pelo que ela quer ser”. Faz sentido criticar um drama por não ter comédia o bastante? Faz sentido dizer que shounens de luta são uma merda porque os personagens têm super poderes? São argumentos sem sentido justamente porque atacam a própria essência do gênero no qual a história se encaixa. O cara ser um otaku sem noção com mulheres caindo aos pés não é um elemento essencial do gênero isekai, por exemplo, e pode ser criticado mesmo que seja prevalente. Mas a pessoa ir parar em outro mundo é a própria definição do gênero: e alguém que critique que a história é ruim porque a obra deveria se passar no mundo real estaria completamente ignorando todo o ponto daquele gênero. Entende?

      2) “existe uma distinção a ser feita entre algo que é tecnicamente bom e algo que eu gosto por parecer “bom para mim”.”

      Qualquer coisa têm uma dimensão de “bom pra mim”. Por mais tecnicamente boa que uma obra seja, em quesitos como animação ou coreografia, por exemplo, isso ainda será inútil se a pessoa não se importa com aquilo. É, por exemplo, meu caso com Akira: por bonitinho e ajeitadinho que seja em sua parte técnica, o filme é um saco de tão tedioso xD. Algo de subjetivo sempre estará presente, e por isso toda review é pelo menos parcialmente subjetiva, mesmo quando aponte algo mais objetivo (por exemplo, dizer que uma dada obra tem animação fluida é objetivo, mas dizer que isso é bom já entra em certo nível de subjetividade).

      3) Sobre o nitpicking: me fugiu qualquer palavra melhor e nisso foi com a tradução do termo em inglês mesmo x_x Mas ainda tem seu sentido, como se a pessoa “tolerasse” a opinião do outro, apenas (sei lá, pra mim “tolerar” sempre pareceu ter um sentido um pouco negativo, como que uma espécie de “não tem jeito né, fazer o que, é uma merda, mas eu aceito”)

      4) “Vale a pena gastar seu tempo convencendo alguém que facilmente se ofende?”

      Bom, pra mim sim. É como eu disse, se a review negativa atinge apenas quem já pensa igual, então ela é praticamente inútil. Nessa lógica faz bastante sentido tentar convencer o máximo de outras pessoas possível. Mesmo q elas não saiam convencidas, ao menos terão pensado um pouco sobre a obra. Claro, sempre vai ter aqueles com os quais conversar é dar murro em ponta de faca, e certamente há um limite do quanto é saudável discutir com gente claramente não aberta a conversa. Mas eu acho que o quão aberta a pessoa estará depende muito do tom de quem falou primeiro. Um tom agressivo gera respostas agressivas, mas um tom mais leve certamente atrairá muito mais pessoas dispostas a conversar sem atirar pedras.

      Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s