Pensamentos soltos sobre franquias, cronologias, originais, e mais.

Comecemos falando de digimon...
Comecemos falando de digimon…

Até alguns anos atrás, havia uma interessante teoria dentro do fandom de Digimon, que dizia que Digimon Frontiers era um prequel à Digimon Adventure. Por mais estranho que isso pareça, a teoria até que trazia alguns pontos bem interessantes. Por exemplo, um pouco antes da batalha final em Digimon Adventure, nós descobrimos que aquelas crianças eram a segunda geração de crianças escolhidas, e meio que desde então estivemos esperando alguma futura história tocar nesse assunto (uma esperança que, aliás, segue viva em muitos, ainda mais agora com o lançamento dos filmes de Digimon Adventure Tri, um legítimo caso de Dom Sebastião dos animes, se me perguntassem).  O flashback mostrado em Adventure mostrava claramente cinco crianças, e Digimon Frontiers tem, afinal, cinco personagens principais (com um sexto adicionado depois, mas isso não vem ao caso). Em adição, até o lançamento de Digimon Xros Wars, essa era a única outra série animada da franquia na qual o tempo no mundo real passava mais lento que no mundo digital, o que levou a suspeitas de que as duas séries deveriam ter algo em comum.

Mas talvez o maior fator em apoio a essa teoria tenha vindo do histórico da franquia até então, ao menos em seus animes. Digimon Adventure 02 era uma continuação direta da série anterior. E embora Digimon Tamers parecesse uma espécie de reboot na franquia, a presença do personagem Ryo Akiyama foi um easter egg curioso. Isso porque esse personagem na verdade pertence ao universo de Adventure (nós inclusive o vemos bem rapidamente no anime, num dos flashbacks do Ken, que mostra ele e o amigo enfrentando um digimon). A história desse personagem, em fato, foi contada em sua própria série de jogos, que, para não me estender demais no assunto, grosso modo acaba por contar como ele foi do universo de Adventure para o de Tamers, perdendo as memórias no processo. Então enquanto confirmadamente um universo em separado, ainda havia alguma ligação entre Tamers e as séries que o precederam. E com Frontiers indo ao ar literalmente uma semana depois do final de Tamers (este acabou em 31 de março de 2002, e aquele começou em 7 de abril do mesmo ano) seria mesmo estranho de suspeitar que ele também deveria ter alguma relação com as demais séries?

A geração anterior de crianças escolhidas, conforme mostrada ao final de Digimon Adventure.
A geração anterior de crianças escolhidas, conforme mostrada ao final de Digimon Adventure.

Atualmente essa teoria foi esquecida, em parte porque, bom, acabou que ela estava errada. Oficialmente falando, cada entrada na franquia, com exceção daquelas que fazem conexão explícita com alguma anterior, é o seu próprio universo em separado. Frontiers não é um prequel de Adventure, ponto. Mas o que talvez seja o mais interessante é que essa nem de longe foi a única vez na história que uma fanbase tentou “encaixar”, através de teorias, uma dada obra em um contexto maior. Em fato, uma polêmica semelhante ainda hoje afeta aos fãs de Yu-Gi-Oh!, com uma teoria dizendo que Yu-Gi-Oh! ZeXal se passaria em um futuro alternativo no qual os vilões da série anterior, Yu-Gi-Oh! 5D’s, venceram, e por isso as cartas syncro, introduzidas ao jogo com e foco do anime 5D’s, não existem em ZeXal, dado que o objetivo dos vilões daquele era justamente o fim da invocação syncro. E embora a teoria careça de mais evidências – ela não é nem de longe tão sólida quanto a teoria acima sobre Digimon Frontiers, ainda que provavelmente seja tão incorreta quanto – é interessante que ela surge em um contexto bem semelhante à anterior.

Para os que abandonaram a franquia Yu-Gi-Oh! após os anos 2000, o que vale a pena apontar aqui é que as três séries animadas que precederam Yu-Gi-Oh! ZeXal – nomeadamente Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, Yu-Gi-Oh! Duel Monsters GXYu-Gi-Oh! 5D’s – parecem se passar no mesmo universo. Ok que a ligação de 5D’s com as demais é a mais frágil, se limitando a uma menção à Kaiba Corp e ao filme Bounds Beyound Time, onde o protagonista, Yusei, viaja no tempo para encontrar com os protagonistas das duas séries anteriores, Judai e Yugi, mas ainda assim é uma ligação. Então, quando ZeXal veio, ele, assim como Frontiers, foi meio que a peça que não se encaixava em uma franquia na qual as coisas pareciam se encaixar. E curiosamente Yu-Gi-Oh! Arc-V, série mais recente da franquia no momento deste texto, apenas re-acendeu a possibilidade de explicarem as coisas, finalmente encaixando ZeXal nas demais séries. Obviamente, o tempo revelou exatamente o contrário, e Arc-V tem tanta ligação com o resto da franquia quanto Digimon Savers o tinha com as quatro séries que o precederam. Com o diferencial que agora não havia se quer material para uma teoria que o ligasse aos anteriores (o que também é válido de se dizer, aliás, para Digimon Savers).

Em uma franquia na qual tudo parecia se encaixar, Yu-Gi-Oh! ZeXal foi uma anomalia difícil de explicar.
Em uma franquia na qual tudo parecia se encaixar, Yu-Gi-Oh! ZeXal foi uma anomalia difícil de explicar.

Vale também mencionar que um cenário do tipo não se limita a franquias para crianças, e Ghost In The Shell é um bom exemplo disso. Descontando especiais, a franquia possui uma grande variedade de filmes e séries que de certa forma sempre acabam caindo em três sub-franquias claras: Ghost In The Shell (o filme original, de 1995, e sua continuação direta, Ghos In The Shell 2: Innocence), Stand Alone Complex (com duas temporadas, um filme, especiais com os Tachikomas, entre outros produtos não relacionados com a televisão e o cinema) e Arise (a série de filmes e, depois, o anime de 8 episódios). Mas as ligações entre essas diferentes entradas é, na melhor das hipóteses, nebulosa. Mesmo assim, os fãs parecem ter aceitado a ideia de que a ordem cronológica dos eventos aceitável seria Arise – Stand Alone – Ghost In The Shell (1995) – Ghost In The Shell 2, mas eu pessoalmente discordaria dessa ordem (sobretudo de se tentar encaixar os dois filmes dentro da cronologia de Stand Alone Complex). Não que ela seja impossível, mas me parece muito mais simples encarar cada entrada como uma nova interpretação do conceito geral de Ghost In The Shell, ao invés de ficar tentando posicionar a história em uma cronologia não-oficial.

Mas é curioso notar que enquanto algumas fanbases fazem um esforço legitimamente hercúleo para “encaixar” tudo o que sai de uma dada franquia dentro de uma cronologia linear e única (bom, ok, talvez nem tão “única” quando começamos a falar em universos paralelos, mas acho que vocês entenderam, né?), outras fanbases parecem fazer um esforço justamente oposto, excluindo da linha do tempo principal obras que, para todos os efeitos, perfeitamente poderiam estar inclusas ali. Dragon Ball GT é talvez o suprassumo dessa mentalidade, mas em tempos mais recentes séries como Saint Seya Omega passaram por debates similares. E o curioso é que aqui a maioria parece tender a não aceitar o “encaixe” mesmo que ele venha “de cima”, dos produtores. Não importa o quanto você talvez odeie Dragon Ball GT, a sua história se passa depois de Dragon Ball Z, ponto. Mas enquanto negar isso não altera o status ou a existência em si da obra, isso ainda demonstra uma certa forma de se relacionar com a franquia de forma mais ampla.

São diferentes formas de lidar com as franquias. Alguns, buscando reunir tudo baixo uma mesma cronologia, enquanto outros buscando remover as partes que não gostam.
São diferentes formas de lidar com as franquias. Alguns, buscando reunir tudo baixo uma mesma cronologia, enquanto outros buscando remover as partes que não gostam.

Por outro lado, existem aqueles que não aceitam que certas obras estejam baixo uma mesma franquia, mesmo que não tenham nenhuma relação maior umas com as outras. Por exemplo, aparentemente alguns saudosistas da antiga série Kagaku Ninjatai Gatchaman, da década de 1970, não ficaram nem um pouco animados com o anime de 2013 Gatchaman Crowds [review], e eu aposto que o leitor consegue pensar em pelo menos uma mão cheia de situações semelhantes. Em fato, para voltar à série que começou esse texto, Digimon até que sofre bastante disso, e cada nova entrada na franquia parece desagradar a uma parte da fanbase que insiste que a franquia “acabou em Adventure” ou “perdeu a sua essência”. Soa familiar? Deve soar, já que praticamente toda franquia parece passar por isso com ao menos parte de sua fanbase. Em fato – e aqui já é uma nota totalmente lateral – mesmo obras únicas passam por isso, curiosamente: quantas vezes você já ouviu que algum shounen infinito “acabou” no arco X, Y ou Z, só porque o falante não gostava dos arcos que vinham depois, fossem eles bons ou não?

Agora, o motivo de eu trazer tantos exemplos aparentemente desconexos, e mesmo contraditórios, é que eu acho que eles não são assim tão desconexos e contraditórios, mas dizem respeito, ainda que de formas diferentes, a um conceito em específico: a ideia de “cânone”. Do que é ou não é “canônico”. Então Dragon Ball GT existe, ok, certo, mas ele não é canônico, diria alguém. Enquanto que as teorias referentes à Digimon FrontiersYu-Gi-Oh! ZeXal são essencialmente tentativas de encaixar essas séries no cânone de uma outra. O ponto aqui, portanto, é a criação de uma cronologia “certa”, “correta”, na qual se encaixam – ou não – as diferentes obras de uma franquia. E repare que aqui eu digo “correta”, e não “oficial”. Porque, para todos os efeitos, tecnicamente tudo o que sai em uma franquia é “oficial”, no sentido de que foi aprovado por aqueles que são, afinal, os donos da marca, e a qualidade do produto em nada afeta isso. Goste você ou não de Dragon Ball GT, ele é tão oficial quanto qualquer outra coisa na franquia. Então, no final, esse tipo de debate é essencialmente uma forma pela qual os fãs de uma franquia incluem ou excluem o que gostam ou não gostam, dizendo muito mais respeito à forma como nos relacionamos com a franquia do que sobre a franquia em si.

Dragon Ball GTé tão oficial quanto qualquer outra entrada na franquia, quer você goste dele ou não.
Dragon Ball GTé tão oficial quanto qualquer outra entrada na franquia, quer você goste dele ou não.

Obviamente, essa distinção entre canônico e não-canônico é também bastante útil aos produtores, roteiristas e autores num geral. A depender do tamanho de uma história, ela pode já estar tão grande, complexa e intrincada, que qualquer adição a ela iria inevitavelmente causar algum furo no roteiro. Dizer, e portanto oficializar, que uma entrada naquela franquia não é canônica, é basicamente dizer “não nos comprometemos a não contradizer as entradas anteriores”. É, essencialmente, o ponto dos spin-offs: poder abordar uma dada temática em um contexto que não o da série principal, sem, portanto, uma enorme necessidade de se manter fiel ao cânone daquela. Isso dito, os fãs ainda podem escolher ignorar as palavras dos produtores, e não faltam fãs que irão considerar esse ou aquele spin-off como canônico ou não pouco importa o que esta ou aquela autoridade declare. O que me leva a perguntar: por que isso importa? Digo, do ponto de vista da produtora, é fácil saber: dizer o que é ou não canônico é dizer o quanto eles podem se desviar do modelo vigente até então, ponto. Mas para os fãs, de onde vem esse afã por construir um cânone “correto”, incluindo ou excluindo obras aparentemente ao bel prazer? 

Bom… Pessoalmente falando, eu acho que essa vontade de estabelecer um “cânone” de certa forma se liga a dois outros conceitos em particular: o conceito de “autor” e o conceito de “original”, ambos os quais, aliás, muitas vezes andam juntos. Basta olhar, por exemplo, que muitas vezes o argumento para algo ser considerado canônico ou não é ter sido escrito pelo autor da obra original. Dragon Ball GT não é canônico porque não foi escrito pelo Toriyama, mas Dragon Ball Super é. Outros, ainda, tomam a aprovação do autor como o mínimo necessário para a obra ser canônica. Assim, mesmo que o roteiro não seja de próprio punho do autor, o fato dele ter aprovado e dito “é canônico” já seria o suficiente, e isso é algo que, até onde vai o meu conhecimento, incita alguns debates “acalorados” sobretudo entre os fãs de Saint Seya. É toda uma questão que, no final, diz respeito ao quanto o autor de uma obra é, de fato, a autoridade final daquela obra. Questão essa, diga-se de passagem, mais complexa do que parece, que se estende em debates literários e filosóficos. Infelizmente, não é minha intenção abordá-la em profundidade aqui, mas quem se interessar eu recomendo dar uma olhada no vídeo “Does it Matter What Evangelion’s Creator Says?“, do canal Idea Channel.

A participação do autor é por vezes usada para determinar se uma obra é canônica ou não, e é a principal diferença entre Dragon Ball GT e Super
A participação do autor é por vezes usada para determinar se uma obra é canônica ou não, e é a principal diferença entre Dragon Ball GT e Super

Mas e quando uma obra não possui um só autor? Porque, em essência, esse é o caso da franquia Digimon. Surgida a partir de uma variante dos chamados “bichinhos virtuais”, no caso os V-Pets, mangá, anime e demais produtos podem possuir um elenco radicalmente diferente de pessoas envolvidas, nenhuma podendo realmente clamar ter criado “A” história certa de Digimon. Nesse sentido, essa se torna uma das poucas franquias de histórias existente, ao menos até onde vai meu conhecimento, a não possuir um cânone, uma história que seja oficialmente a “correta”, da qual as demais podem apenas se desviar. Digimon Frontiers, Savers Xros Wars são tão “Digimon” quanto qualquer série predecessora. E vale apontar, ainda que em menor grau isso também se aplica a Ghost In The Shell. Enquanto o mangá seria aqui a obra original, nenhuma das animações efetivamente o adapta de forma plenamente fiel. Mais do que isso, os filmes e as duas séries animadas possuem equipes bastante diferentes por trás, incluindo diretores e roteiristas. Então enquanto há uma versão “oficial” vinculada a um autor claro, ela se limita ao meio do mangá, ao passo que no meio áudio-visual a ideia não encontra um correspondente óbvio.

Bom, em casos assim, ainda se mantém o senso de “original”, embora aqui desvinculado de um autor: é o primeiro que saiu, simples assim. Embora… Mais ou menos. Afinal, o primeiro Digimon, ou melhor dizendo, a primeira história de digimon, que saiu não foi Digimon Adventure, de 1999, mas o mangá Digimon Adventure V-Tamer 01, de 1998. E o anime não é nem de longe uma adaptação dela: apenas pegaram o nome e design do personagem principal, Taichi, e o conceito de “criança levada para o mundo digital, onde forma uma pareceria com um digimon” e criaram uma história inteiramente nova em cima disso. Ainda assim, pelo menos aqui no ocidente é essa, em fato, segunda história que recebe o título de “original”, o que nos leva ao ponto de que talvez a forma com a qual nos relacionamos com o conceito de original talvez seja menos em sua expressão objetiva, daquilo que efetivamente veio primeiro, mas sim de um modo um pouco mais subjetivo, daquilo que eu vi primeiro. Então se a primeira coisa de Digimon que você viu foi Digimon Adventure, ele é o “original” e tudo o que veio depois é fruto de uma franquia que “perdeu a essência”.

Digimon Adventure V-Tamer 01 foi a primeira história publicada da franquia Digimon.
Digimon Adventure V-Tamer 01 foi a primeira história publicada da franquia Digimon.

Claro, essa observação pode inclusive ser expandida para muito além de uma franquia. Se a primeira vez que você ver algo novo é o que vai determinar o seu ponto de referencia para dizer se um conceito de “original” ou não, isso talvez explique algo como Sword Art Online. A premissa de pessoas “presas”, de uma forma ou outra, dentro de um mundo virtual não era em si algo realmente original. No meio dos animes a série .Hack// já partia de uma premissa similar, e mesmo no cinema ocidental a ideia poderia muito bem remontar à Tron, de 1982. Mesmo assim, houve um considerável “hiato” da premissa no final dos anos 2000, e quando em 2012 Sword Art Online a retoma, o público que o assistiu já era recém-chegado o bastante à mídia para considerar a história como algo original. E depois disso, cada nova entrada na ideia de “protagonista que vai parar em um mundo de estilo RPG” é vista como uma forma de capitalizar em cima do sucesso de Sword Art Online. Que fique bem claro, porém: nada disso eu digo em defesa ou ataque à qualidade de nenhuma dessas obras, é apenas uma observação partindo da conclusão anterior.

E o que podemos tirar de tudo isso, o leitor pergunta? Eu não faço a mínima ideia. Tem um motivo para o título do texto dizer “pensamentos soltos sobre”, que é justamente o fato de eu não saber se se quer há uma conclusão a ser traçada de tudo isso em primeiro lugar. Porque as pessoas parecem se importar tanto com o conceito de “original”, muitas vezes equiparando-o ao de “correto” em se tratando de séries de ficção, seria talvez a próxima pergunta lógica a ser feita, mas tanto eu não posso oferecer uma resposta a ela, ao menos ainda, como caso pudesse eu acho que esse é um tema que mereceria o seu próprio texto, ao invés de talvez um ou dois parágrafos aqui. Então eu vou encerrar o texto por aqui mesmo, e o leitor que tire dele aquilo que lhe parecer mais relevante, se alguma coisa [rs].

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Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Digimon Frontiers, episódio 1

2 – Digimon Adventure, episódio 53

3 – Posters de divulgação de Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, GX, 5D’s e ZeXal

4 – Ghos in the Shell Stand Alone Complex, episódio 1

5 – Dragon Ball GT, episódio 1

6 – Dragon Ball Super, episódio 1

7 – Digimon Adventure V-Tamer 01, capa dos volumes 1, 2 e 3

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