Uma Breve Análise – Jinrui wa Suitai Shimashita: Uma Obra Satírica

Jinrui wa Suitai Shimashita
Jinrui wa Suitai Shimashita

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

É curioso que, parando para pensar, não costumam aparecer muitos animes efetivamente satíricos. Isso que o Japão possui uma longa história de obras de arte de cunho satírico, que em períodos mais antigos ridicularizavam até aos vícios dos nobres. Felizmente, ser raro não significa ser inexistente.

Lançado em 2012, Jinrui wa Suitai Shimashita se passa no distante futuro, no qual a humanidade vem decaindo em números. Nesse mundo, uma nova espécie desponta como aquela que irá herdar a Terra: pequenas criaturinhas conhecidas como “fadas”.

Nossa protagonista – que, assim como a maioria dos personagens, não recebe nenhum nome próprio – é a Mediadora enviada pelas Nações Unidas para estabelecer boas relações entre humanos e fadas. E com as fadas sendo normalmente as responsáveis pelas maiores maluquices, a garota está constantemente no epicentro dos mais variados problemas.

Agora, até pela sua natureza de obra satírica, o anime abre margem para se discutir uma vasta gama de questões, e é ideal para qualquer um querendo assistir algo que o faça pensar e refletir um pouco em meio às risadas. Mas para este texto, eu queria falar um pouco do gênero em si dessa obra, e de como ela o representa. Afinal: o que é uma sátira?

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Jinrui wa Suitai Shimashita

Bom, para todos os efeitos, uma sátira é um gênero (literário, de poesia, de encenação, e por ai vai) no qual se ridiculariza “algo”, esse algo podendo ser ideias, ideologias, costumes, comportamentos, ou mesmo categorias sociais ou pessoas em específico. E, via de regra, a sátira possui um intento de mudança: você, por meio dela, expõe para as pessoas o absurdo desse “algo” na esperança de que elas não o pratiquem ou não o sigam.

Claro, a coisa é muito mais complicada do que isso, ainda mais para um gênero cujos primeiros relatos de existência podem ser traçados até o Egito antigo, mas por agora essa rápida descrição vai ter que dar. E disso nós entramos no anime em questão: Jinrui wa Suita Shimashita.

Agora, enquanto eu vou ser o primeiro a reconhecer que não podemos ter certeza das intenções do autor, e se elas eram de fato a de combater a certos costumes, ou de apenas zombar deles, nós ainda assim podemos reconhecer elementos da sátira no anime. Um bom exemplo sendo o seu tom constantemente cínico e sarcástico, que abertamente ridiculariza os mais variados costumes e práticas sociais comuns.

Nesse ponto, as próprias fadas talvez sejam o melhor exemplo, ou ao menos o mais constante ao longo da obra. Elas próprias são uma verdadeira sátira da própria humanidade, de várias formas. Por exemplo, em seu impulso criativo quase anárquico, de construir e criar apenas porque podem, independente da aplicabilidade, utilidade ou segurança daquilo que criam.

Jinrui wa Suitai Shimashita
Jinrui wa Suitai Shimashita

O constante desejo por uma figura de liderança que possam adorar é também uma característica comum das fadas, e isso nós vemos tanto no episódio no qual a protagonista e algumas fadas ficam presas em uma ilha (o que levas as fadas a nomearem a protagonista a sua rainha, fazendo tudo o que ela exigisse) quanto no episódio que mostra o primeiro encontro da protagonista com as fadas enquanto mediadora (no qual as fadas a adotam como uma figura divina a ser cultuada)

O exagero como forma de expor o ridículo de algo é uma ferramenta bastante comum na sátira, e as fadas em Jintai são um legitimo exagero das mais variadas facetas da humanidade. Não à toa o anime as chama justamente de “a nova humanidade”.

Em adição, outros bons exemplos de como o anime se encaixa na ideia de sátira vem justamente de quando ele não está fazendo rir. Isso porque ao contrário do que se possa imaginar, nem toda sátira precisa ser engraçada, no sentido de que fazer o público rir não é uma necessidade dentro do gênero.

No caso, um bom exemplo disso é o do arco da Pion e o Oyage. Sem entrar em spoilers de fato, esse é um arco cuja mensagem final é passada de uma forma muito mais dramática e sentimental do que cômica, e ainda assim ela expõe o ridículo da ideia de ser obrigado a dedicar a vida a um trabalho que não se gosta e que não renderá qualquer fruto significativo.

Obviamente, tudo isso são apenas alguns exemplos. Com uma estrutura de um arco a cada um ou dois episódios, o anime possui um leque incrivelmente variado de temas, e falar de cada um deles seria demais para os propósitos desse texto. Mas acho que os exemplos dados devem ajudar qualquer um a ter uma boa noção do que esperar desse anime, ou de como entendê-lo.

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