Uma Breve Análise – Gallery Fake: Arte que Permanece

Gallery Fake
Gallery Fake

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Conforme eu assistia Gallery Fake, anime de 2005, eu me peguei me perguntando: o que é “arte” pra esse anime?

Para dar algum contexto, em Gallery Fake acompanhamos o dia a dia de Fujita Reiji, especialista do mundo das artes, antigo curador do Museu Metropolitano, e que agora gerencia a Gallery Fake, uma galeria especializada em falsificações e cópias. Essa galeria, porém, é apenas uma fachada para os reais negócios de Fujita: compra e venda de arte no mercado negro.

Assim, seria de se esperar que o anime lidasse bastante com o que tradicionalmente chamamos de “arte”, especialmente “artes plásticas”: pintura e escultura. E enquanto ele de fato faz isso, ele de certa forma também vai bem além. Com um formato episódico, no qual em cada episódio temos o foco em uma obra de arte diferente, normalmente ligada ao drama pessoal do figurante da vez, pelo anime passam, sim, quadros e esculturas, mas também passam relógios, fotografias, caixas de musica, caleidoscópio, pinturas rupestres, bonecos, joias…

O escopo de objetos materiais com os quais o anime lida é enorme, e é nesse sentido que eu não pude deixar de me perguntar qual era, afinal, a definição de “obra de arte” para esse anime.

E bom, de imediato, duas características despontam em praticamente todas as peças mencionadas no anime: esforço e importância histórica. A vasta maioria das obras mostradas eram peças que precisaram de um vasto esforço e tempo investido para serem terminadas, bem como eram peças de grande importância para a história de um determinado artista, movimento artístico, religião, e por ai vai.

Gallery Fake
Gallery Fake

Mas conforme eu fui assistindo ao anime, eu percebi uma terceira característica, um pouco mais sutil: sentimento. Cada um dos objetos mostrados eram peças com as quais os personagens podiam se conectar emocionalmente, fosse por algum sentimento que a peça passava, alguma lembrança que ela evocava, ou qualquer coisa nesse sentido.

Sobre isso, tem uma cena que eu acho bastante emblemática do assunto, e que ocorre no episódio 31. Sem dar spoilers, é uma cena na qual a personagem Mitamura compara duas obras de arte em exposição, falando que embora ambas atraiam o mesmo número de pessoas, em uma delas as pessoas param e ficam observando por muito mais tempo. Em outras palavras: uma obra é apenas “vista”, enquanto outra é muito mais “absorvida”.

E eu acho essa ideia bem interessante. A meu ver, o que o anime tenta dizer é que boa arte, do tipo que se imortaliza no curso da história, vai além da pura técnica. Claro, esforço importa, e muito. O anime de forma alguma atira a técnica pela janela, muito pelo contrário. Mas técnica somente não basta. Emoção é a palavra chave aqui: arte que “fica”, que permanece, é aquela que toca as pessoas, que faz elas pararem e a olharem de verdade, ao invés de só passar o olho. E que provavelmente continuará em suas mentes mesmo depois que elas pararem de olhar.

Claro, isso pode ser absurdamente subjetivo, e o anime reconhece isso, sobretudo em seu último episódio. Ainda assim, quando eu paro e penso nos animes que mais gosto, que colocaria no topo de qualquer top 5 ou 10 meus, eu não posso deixar de perceber que são, todos, obras sobre as quais eu continuo pensando sobre mesmo meses ou anos após tê-las assistido.

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