Debate – Objetividade na análise de animes [Parte 2] (Uma colaboração da Blogosfera Otaku BR)

"Can you end telling a story?"
“Can you end telling a story?”

Bem vindos de volta agora à segunda (e última) parte do debate com alguns dos membros da Blogosfera Otaku BR. Se você por acaso ainda não leu a parte 1, siga o link e de uma conferida em como a discussão chegou onde ela chegou. Porque enquanto na primeira parte nós discutimos mais a respeito de se é ou não possível analisar objetivamente aos animes (ou mesmo qualquer tipo de arte, conforme os argumentos levantados então), nesta parte a discussão irá mais para o lado de qual a utilidade, em primeiro lugar, de se analisar algo objetivamente ou não.

E para esta parte, temos mais um participante! Além dos já mencionados Vinícius Marino, do Finis Geekis; Vitor Seta, do Otaku Pós-Moderno; Fábio Godoy, do Anime 21; e Cat Ulthar, do Dissidência Pop; agora se junta à nós também o Kouichi Sakakibara, do Animes Tebane. E antes de passar, efetivamente, para a discussão, só queria dizer que mais uma vez foi um debate de bastante alto-nível, em termos de argumentos, respeito e conversação, e ao leitor eu espero que fique no mínimo a mensagem de que pessoas podem discordar sem quererem cair no pescoço umas das outras [rsrsrs]. Como da outra vez, se você ainda não conhece a Blogosfera Otaku, de uma olhada pelo link mais acima, e encerrados todos os avisos vamos então ao debate /o/

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Diego: Eu queria então perguntar o seguinte: se qualidade é objetiva, se ela pode ser objetivamente constatada por todo e qualquer um em qualquer tempo e lugar, então porque ainda assim é possível a uma pessoa não gostar de algo que é objetivamente bom e, em reverso, gostar de algo que é objetivamente ruim? E como eu já imagino que alguém dirá que isso se deve ao gosto ser algo total e completamente independente da qualidade de uma obra, digam então: que valor tem, nesse cenário, a qualidade objetiva de algo? Se não agrada, se não apraz, se não é gostado, de que importa ser objetivamente bom?

Isso dito, eu sigo não convencido de que a qualidade de algo pode ser objetivamente medido. Eu colocaria que, estabelecidos os critérios, é sim possível determinar qual obra os executa melhor. Se eu tomo como critério que para uma obra ser boa ela precisa ter uma animação fluida, eu posso sim dizer qual obra tem a animação mais fluida. Se eu digo que pra ser boa precisa ter um enredo coerente, eu posso dizer que obra tem o enredo mais coerente, ou apontar como um defeito as obras que não o tem.

Porém, o meu problema está justamente com o estabelecimento desses critérios. Os critérios é que eu diria que não são objetivos. Sendo bem direto: por quê ter um roteiro consistente torna uma obra boa? Por que uma animação mais fluida torna uma obra boa? Por que ter este ou aquele traço, esse ou aquele conteúdo, esse ou aquele desenvolvimento, porque isso em específico seria indicador de qualidade? Para mim, a única resposta que eu encontro é que é porque se convencionou que é assim. É consenso que um bom anime precisa ser assim, mas consenso é pouco mais que um argumento ad populum. No final, não é objetivo, pois se mudar o consenso muda-se o que é ou deixa de ser critério para algo ser considerado “bom”.

A meu ver, os critérios para se definir uma boa obra são meramente consensuais.
A meu ver, os critérios para se definir uma boa obra são meramente consensuais.

Fábio: Ser subjetivo não significa ser a Casa da Mãe Joana. Não é porque alguns gostam mais disso e outros gostam mais daquilo, e na média se estabelecem estes e aqueles critérios de avaliação, que esses critérios sejam absolutamente arbitrários.

Veja, nossos textos, nossa comunicação funciona porque estamos escrevendo em português correto. Não só correto, como temos tentado manter um bom tom, educado, contido, enfim, os adjetivos que você achar por bem aplicar aos textos que estamos trocando. E assim é bom, e de forma alguma é arbitrário. Existem mecanismos de compreensão, de comunicação, que explicam porque vocês esperam que eu escreva assim e se satisfaçam lendo um texto assim, mas teriam ojeriza, talvez ao ponto de ignorar quaisquer argumentos corretos que eu tecesse, se eu estivesse escrevendo, digamos, em tiopês (alguém ainda escreve assim? alguém lembra disso?).

Bebês gostam de rostos simétricos. Isso não é arbitrário. Continuamos preferindo a simetria mesmo depois de crescidos, aliás. Tendemos a gostar de roteiros consistentes por razões bastante compreensíveis e dessa mesma natureza. Como somos bastante complexos, como nos comunicamos usando códigos abstratos, como até onde eu entendo todo o nosso raciocínio ocorre de forma abstrata, também os gostos de cada pessoa se tornam uma fórmula muito complexa e que provavelmente jamais será desvendável, mesmo assim isso não significa que absolutamente todos os nossos gostos sejam aleatórios. O mais provável é que nenhum deles seja e tudo seja explicável de forma objetiva.

Simetria é algo que agrada a mente humana
Simetria é algo que agrada a mente humana

Vinícius: Quanto à sua segunda pergunta, Diego, a objetividade serve para sabermos por que gostamos/ desgostamos de algo.

Um leigo completo pode afirmar que não gostou da história porque o enredo “não é emocionante”, de uma pintura porque “é feia”, ou de uma comida porque “estava ruim na boca”. Nada disso está “errado”, mas diz a ele próprio muito pouco sobre isso. Este sujeito terá poucas bases para escolher novas obras a conhecer a partir daí.

Pelo contrário, com um pouco de conhecimento objetivo sobre literatura, pintura ou gastronomia, ele poderá saber que a história não o emocionou porque não teve uma peripécia, que a pintura é feia porque não tinha contraste, e que a comida tinha gosto ruim porque faltava acidez.

Não fosse o bastante, saber avaliar uma obra de forma objetiva permite que você comunique seus gostos/desgostos a outros. Se tudo fosse subjetivo, qualquer resenha não passaria de um apelo à confiança: “eu gostei disso, veja também”. Ao descrever ao outro por que você gostou ou não da dita obra, você o ajuda a entender e formar seu próprio juízo sobre isso.

É por isso que boas resenhas são boas independente do veredito. Um crítico que esculache um filme, mas que o avalie corretamente pode até incentivar outras pessoas a assistirem. Mesmo que você, pessoalmente, não goste das escolhas estilísticas, pode ser que seus leitores curtam.

Por exemplo: tenho amigos que não suportam assistir a Gankutsuou por causa da direção de arte extravagante, com um exagero de texturas e efeitos metalizados. Eu, que tenho tolerância a esse visual, sei de seu feedback negativo que posso assistir numa boa. Porque eles comunicaram seus desgostos objetivamente, eu consigo me desvencilhar deles.

Gankutsuou
Gankutsuou

Já seu “argumento de consenso” tem um problema gravíssimo: ele se aplica a absolutamente tudo. Mesmo os fenômenos observados pela ciência, que você citou no começo da conversa como exemplo de objetividade “verdadeira”, não passam de convenções. Aliás, esse é o exato argumento que pós-modernos como Richard Rorty fazem contra a crença em uma realidade objetiva fora da linguagem. Estas convenções são historicamente contingentes, e os fenômenos que explicam já foram, no passado, elucidados por outras (como a Teoria dos Humores e o Modelo Ptolomaico).

Levando esse argumento ao pé da letra, eu poderia dizer que não existe objetividade nenhuma no mundo, e acreditar que as “verdades” da ciência são apenas fruto do consenso dos pesquisadores. O que é, afinal de contas, o argumento dos criacionistas, negacionistas do aquecimento global e “anti-vaxxers”.

Se a posição desses anti-racionalistas é ridícula, é porque, independente da aceitação popular, algumas convenções são melhores do que outras. Nossa ciência contemporânea é indiscutivelmente melhor do que o que se passava por ciência no século XV. Da mesma forma, algumas formas de análise estética são melhores do que suas alternativas. Um exemplo paradigmático, na minha opinião, é a notação musical. Muito embora seja um sistema ocidental, é a forma mais precisa de registro de informação acústica que conhecemos.  Aliás, ela consegue registrar qualquer tipo de som, nem que seja o barulho dos modems de internet discada dos anos 1990

Eu sou menos otimista que o Fábio quanto à universalidade do gosto humano, mas é evidente que, por mais que relativistas culturais digam o contrário, algumas coisas são comuns a todas as culturas. Descobrir até onde termina a nature e começa a nurture é, obviamente, uma tarefa difícil, mas jamais a realizaremos se nos escondermos na narrativa conveniente de que tudo é construção social

Representação do modelo ptolomaico, com a Terra no centro do universo.
Representação do modelo ptolomaico, com a Terra no centro do universo.

Cat: O Diego levanta o seguinte questionamento: “[…] que valor tem, nesse cenário, a qualidade objetiva de algo? Se não agrada, se não apraz, se não é gostado, de que importa ser objetivamente bom?” Bem, primeiramente devo dizer que o valor de algo não está em sua utilidade para o ser humano. As coisas existem fora da compreensão humana. A beleza, por exemplo, por si só é inútil, mas é uma das coisas mais importantes, o ser humano sempre precisou ver coisas belas, medir importância por utilidade é temerário.

Importante, também, responder a indagação sobre quem teria “inventado” tais critérios objetivos, que traçam padrões para verificar a qualidade de uma obra. Neste caso, temos que adentrar nos primórdios da humanidade, fazendo uma análise da evolução humana do ponto de vista psicológico, utilizando para esse caso o conceito de “Inconsciente coletivo” e “arquétipos” de Jung. Segundo Jung todos nós herdamos certos padrões básicos, certas referências, gostos, emoções que não são particularmente nossos, mas uma amálgama de todas as nossa gerações passadas.

Carl Jung.

Assim, a cultura é hereditária, certos arquétipos como o mito do herói, do mago ou da feiticeira ficam gravados em nosso subconsciente exercendo sua influência, bem como a estrutura do mito em si, da narração. Desta forma, adentramos no conceito de Monomito, também chamado de “Jornada do Herói”, criado por Joseph Campbell, onde é afirmado que os mitos e histórias clássicas das mais diversas culturas seguem um padrão básico, uma estrutura fechada, mesmo podendo haver algumas diferenciações, em sua estrutura geral, todos os mitos seguem a mesma ordem, os 12 estágios da jornada do herói, desde o chamado à aventura, até a obtenção de seu objetivo.

Você pode ver a estrutura da jornada do herói utilizada desde o Épico de Gilgamesh, da Odisseia, da história e Buda e Jesus, até a modernidade, sendo aplicada na maioria das histórias criadas atualmente, como Star Wars, Rei Leão, Senhor dos Anéis, etc. O uso dessa teoria aplicada nas formas de entretenimento moderno foi estudada por Chistroher Vogler, em seu livro a Jornada do Escritor, após utilizá-la com êxito enquanto trabalhava como roteirista dos Estúdios Disney.

Um dos tabletes que contam o épico de Guilgamesh

Kouichi: Eu chegando atrasado, peguei a discussão já em sua metade, ou até mesmo próxima de seu termino, porém me sinto um pouco privilegiado em ter um ponto de vista diferente, conseguindo ver toda a discussão já travada, e me intrometer já com uma convicção de que partido devo tomar.

Em vista de tudo que li, não posso deixar de concordar com o Diego, quando ele deixa claro não acreditar na objetividade, seja isso por não acreditar na consistência dos critérios, ou outro motivo semelhante. De fato, lendo os argumentos anteriores sobre a consistência e importância dos critérios, acabo por duvidar que mesmo com critérios objetivamente decididos, a natureza humana cheia de convicções, sentimentos e construções sociais, o permita usar tais critérios sem um mínimo de opinião pessoal envolvida na decisão. De nada adianta bons critérios, se quem deve os usar não pode enxergar além de vários filtros pessoais.

A meu ver, Dragon Ball Z é um bom exemplo dessa última frase do Kouichi, que de nada adianta critérios objetivos se as pessoas ainda irão se pautar por preferencias pessoais.
A meu ver, Dragon Ball Z é um bom exemplo dessa última frase do Kouichi, que de nada adianta critérios objetivos se as pessoas ainda irão se pautar por preferencias pessoais.

É muito comum usar alguns dos critérios comuns para avaliar uma animação, mas mesmo assim, além de tais critérios, há sim a opção pessoal por gostar ou não de um determinado tema, e mesmo que o tema não esteja dentro dos critérios totais, creio eu que ele pode sim influenciar na decisão final de um critério. “Se falta fluidez o anime é ruim” mas e se o tema da obra retrata o dia a dia preguiçoso de um personagem, a lentidão não justifica o pouco uso de animação? Em contra partida um battle shounen cheio de cenas ” sakuga” ainda é melhor, simplesmente por ter mais oportunidade de desenvolver a fluidez e a beleza da animação cheia de frames? O tema tende a influenciar na avaliação de um critério, e quando nos adentramos na temática de uma obra, mesmo que seja ela cheia de méritos, o gosto pessoal vai sim decidir se ela te atraí ou não…

Do meu ponto de vista, mesmo a discussão da objetividade passa a ser pessoal, quando tentamos defender que podemos como blogueiros, sermos objetivos em nossas avaliações, ir contra a objetividade da avaliação de um anime ou mangá, é naturalmente ir contra o que mais fazemos, logo vejo que é mais fácil apoiar a objetividade, que ir contra ela…

Fate/Saty Night: Unlimited Blade Work é um bom exemplo de um anime muito bem animado, mas ainda assim bastante tedioso.
Fate/Saty Night: Unlimited Blade Work é um bom exemplo de um anime muito bem animado, mas ainda assim bastante tedioso.

Vinícius: O Kouichi trouxe dois pontos. Nenhum deles, na minha opinião, justifica o repúdio à objetividade.

Em primeiro lugar, a existência de “convicções, sentimentos e construções sociais” não só não inviabiliza a objetividade, como é a sua justificativa. Se fôssemos 100% racionais e/ou se existisse uma verdade absoluta, não haveria necessidade alguma de inventar critérios de análise. Afinal de contas, a verdade absoluta é sempre verdade, independente de como a expusermos. E seres 100% racionais são 100% capazes de colocar suas emoções de lado. Nesse mundo perfeito, não haveria dissenso, e todos concordariam em todas as coisas que importam.

Critérios estandardizados de análise são uma forma de heurística, um caminho para manter nossa subjetividade individual sob controle e atingir o maior nível de objetividade possível em um mundo com informação incompleta. Eles não são perfeitos, mas são o que nos permite fazer afirmações que vão além do “não gosto” ou do “é ruim”. Quero acreditar que todos vocês estejam de acordo que reduzir julgamentos a essas picuinhas é algo indesejável. Do contrário, toda e qualquer argumentação vira uma grande perda de tempo. O que, por consequência, faz de blogs como os nossos um exercício de futilidade.

Quanto ao segundo ponto, não existe uma “tábua dos mandamentos” com regras que todas as obras devem obrigatoriamente seguir para serem consideradas boas. Não só análises objetivas levam em conta o gênero e estilo da obra como estes próprios gêneros e estilos são frutos, eles próprios, de critérios. É por isso que um battle shounen que dependa de velocidade e clareza de movimentos será facilmente menosprezado em função de sua animação, mas uma pérola cult como Midori: Shoujo Tsubaki não. A falta de fluidez no primeiro é um problema muito mais grave do que no segundo. Da mesma forma, a ausência de enredo coerente é um problema grave em histórias dramáticas, mas perdoável em hentais e ecchis com fins onanísticos.

Chika Gentou Gekiga: Shoujo Tsubaki
Chika Gentou Gekiga: Shoujo Tsubaki

O interessante é que, muito embora ocorram injustiças, essas nuances já são respeitadas por uma parte considerável dos critícos. O que prova que já existem critérios mais ou menos difundidos para a análise de animes e mangás.

Fábio: Que tal analisarmos um caso concreto? Não necessariamente real porque a internet é assim, né, a gente nunca sabe. Mas ele é verossímil, o que já o torna um caso de estudo válido. Vou colocar aqui um link para uma fonte de divulgação científica internacionalmente conhecida e reconhecida, o Ah Negão!, olhem o que vai nele e depois retornem aqui: vida de designer.

De início, reconheça-se que a proposta do Cleiton não é lá essas coisas também, mas isso torna esse exemplo ainda mais fascinante: mesmo sendo fraco, não tem ninguém que irá comparar os layouts do Cleiton e do Almir e irá preferir o segundo. Ele é horroroso assim. Quero dizer, há pelo menos uma pessoa que o preferiu, né? O próprio Almir. Mas vamos especular sobre as razões dele? Acho justo. Acredito que uma das seguintes se aplique:

1) Ele está emocionalmente vinculado porque foi ele quem produziu

2) Ele está emocionalmente vinculado porque foi parente/conhecido próximo a ele quem produziu

3) Ele sabe que o dele é pior, mas está exercendo o vão poder de mandar apenas porque sim (em nível psicológico talvez ele tenha até se convencido que o dele é melhor só para poder fazer isso)

4) Ele sabe que o dele é pior, mas ele não gostou do que o Cleiton produziu também e sem conhecimento nenhum inventou aquela porcaria para dar uma vaga ideia do que ele acharia bonito, mas obviamente aquilo não está nem perto de ser um produto final

Reprodução levemente alterada da imagem presente no blog Ah! Negão (alterações feitas para a imagem encaixar na formatação do blog)
Reprodução levemente alterada da imagem presente no blog Ah! Negão (alterações feitas para a imagem encaixar na formatação do blog)

Qualquer dessas hipóteses não diz nada sobre a qualidade relativa de ambos projetos de design. Ainda que seja ruim, o do Cleiton é imediatamente superior para qualquer observador, com ou sem conhecimento específico sobre design ou webdesign.

É preciso criar toda uma escola, um movimento, para padronizar (nem que seja padronizar a falta de padrão) e categorizar porcarias como o design do Almir e conseguir atribuir a eles algum valor. Ou seja, em determinado contexto que, até onde eu sei, ainda não existe nem nunca existiu (mas não duvido que algo semelhante como “webdesign padrão Geocities” tenha recebido trabalhos acadêmicos), é possível sim dizer que o design do Almir é melhor/tem mais qualidade do que o do Cleiton, mas para que chegue-se a isso é preciso produzir conhecimento, é preciso sair da esfera puramente subjetiva e criar valores objetivos. A objetividade existe, é possível e necessária. Isso por um lado.

Por outro lado o nosso cérebro está biologicamente programado para sentir repulsa de bagunça total e completa como aquela peça horrorosa, e ainda que valores estéticos socialmente construídos possam aceitar como belo uma coleção de WordArts desarmônicos e uma foto soltas aleatoriamente em um fundo branco as noções inatas, instintivas de estética, não aceitam e provavelmente jamais aceitarão. A verdade científica também existe e se aplica sim a trabalhos criativos.

E foi aqui que o debate acabou.
E foi aqui que o debate acabou.

Diego: E com esta bastante pertinente anedota trazida pelo Fábio, de uma das mais renomadas fontes de pesquisa científica da história, o debate se encerra por aqui [rsrsrs]. Mas em toda a seriedade agora, no final é uma discussão que irá permanecer em aberto, e acho que nunca foi realmente a nossa intenção chegar em alguma verdade última ou conclusão à qual todos têm a obrigação de seguir.

Foi, acima de tudo, uma conversa e um debate, e um de ótimo nível, como explicitei na introdução. Acredito que ninguém tenha saído dele com a opinião mudada, mas ainda foi um divertido exercício de argumentação, que, esperamos, possa se repetir em breve (então fiquem de olho [rs]). Espero que tenha sido proveitoso para vocês, leitores, esse nem-tão-pequeno debate, e, se quiserem, digam nos comentários qual a opinião de vocês nessa questão. Afinal, como eu disse, é uma discussão que permanece em aberto.

Outros artigos que podem lhe interessar:

O “5 de 10”: alguns pensamentos sobre o “mediano”

Uma pequena crítica à crítica

Lista – 10 Animes Recentes que Merecem a Sua Atenção

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Kino no Tabi, episódio 9.

2 – Blogosfera Otaku BR.

3 – Kino no Tabi, episódio 9

4 – Neon Genesis Evangelion, episódio 1

5 – Pôster promocional de Gankutsuou.

6 – Representação do modelo ptolomaico (Wikipedia)

7 – Foto de Carl Jung (Wikipedia).

8 – Tablete que conta o épico de Guilgamesh (Wikipedia).

9 – Dragon Ball Z, episódio 95

10 – Fate/Stay Night: Unlimited Blade Work

11 – Pôster promocional de Chika Gentou Gekiga: Shoujo Stubaki

12 – Blog Ah! Negão

13 – Galilei Donna, episódio 11

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3 comentários sobre “Debate – Objetividade na análise de animes [Parte 2] (Uma colaboração da Blogosfera Otaku BR)

  1. Recentemente escrevi algumas palavras sobre o que acho sobre a possibilidade de uma opinião critica. Reproduzo abaixo o texto. Não tenho qualquer pretensão de verdade, mas acho que pode enriquecer a reflexão junto ao debate do que significa ser objetivo ou subjetivo.

    O que significa ser crítico.
    Diria que toda opinião é crítica e que toda crítica é uma opinião, variando apenas o grau qualitativo da suposição que circunda o seu objeto de análise. Como medir a qualidade é explicado indiretamente a seguir.
    Uma opinião critica se sustenta em uma relação dinâmica entre a expectativa e a especulação.
    Uma opinião critica expectativa corresponde a uma fundamentação que busca reproduzir e se escorar em símbolos já existentes, pré-estabelecidos e referenciais, baseando na qualidade de sua potência interpretativa, ou seja, no quando consegue se adequar e reproduzir o sistema de regras em que se insere.
    Uma opinião critica especulativa corresponde a uma busca por novas formas de arranjar as expectativas, ou mesmo possuindo a pretensão de inovar e oferecer suas próprias, e novas, expectativas, regras ou orientações fundacionais. Nisso ela ou cria a expectativa onde se sustentará, e espera que seja reconhecida como basilar, ou usa e distorce a expectativa já instaurada para ser reconhecida como uma possibilidade inovadora e original dentro do sistema já consolidado. Quando falha o destino lhe garante o esquecimento.
    No decorrer do pensamento filosófico e critico ambas as modalidades dinamicamente interagem, sendo o pensamento opinativo critico o marco racional sobre o qual a nossa espécie humana afirma-se e do qual ela possui tanto orgulho. Mas esse sistema tem o lado corrupto da propagação.
    A opinião critica especulativa, quando preponderante, é aquilo que chamamos de filosofia. Junto a ela existe a opinião critica expectativa, que é aquilo que chamamos de tradição; por exemplo, os números, os nomes, os significados e sentidos.
    Quando a opinião critica especulativa nasce, ela pode ter por objetivo uma ampla gama de investigações, e conforme ela vai se assentando, a sua chama vai perdendo a intensidade. Chamaria a isso de envelhecimento, alguns chamam de amadurecimento, a maioria chama de razão, moral, etc., e a consequência imediata de uma opinião critica expectativa que busca se sobrepor a especulação é bem simples, ela se coloca como hierarquicamente necessária, essencial e referencial para que qualquer especulação lhe remeta respeito, por exemplo, quando falamos estamos dentro do campo da linguagem, que é um campo por excelência “expectativo”. Se nos perguntarmos se um dia ele já foi especulativo, a resposta é simples, ele nunca deixou de ser.
    Agora vamos ao ponto principal, o pensamento opinativo crítico.
    Quando opinamos criticamente temos duas direções, a criativa e a confirmativa, seguimos ambas ao mesmo tempo, variando a preponderância de uma ou outra em cada caso particular. A criativa é, como disse acima, a especulação das formas, limites, gostos e texturas, onde uma pessoa cresce a aprende a falar, andar, julgar, sentir e vai lentamente adequando a sua criatividade junto ao sistema de expectativas, crianças são criativas dizem. Adultos também, caso contrário não estaríamos tentando subjugar uns aos outros o tempo todo.
    Seguindo. A confirmativa é uma referência que olha ao espelho das possibilidades e escolhe uma, geralmente uma que possa, ou que, se estabeleça, como sua sustentação. Um exemplo banal e simples é o campo da crítica a filmes. Vamos crescendo e adequando nossos gostos segundo nossas opiniões e valores, ambos dinâmicos, é claro, e no fim, ao estarmos mais velhos e dentro de um contexto social de expectativas, isso em conjunto ao nosso próprio desenvolvimento e nossa própria contribuição ao campo das regras e expectativas, dizemos que algo é bom, melhor, certo, adequado; criamos um sistema de valores e referenciais. Os filmes que antes vimos são repensados e revalorizados segundo nossas novas expectativas, os novos filmes são “adequalizados” as nossas novas capacidades críticas, e a nossa realidade ganha significado.
    Como estamos sempre discutindo e interagindo uns com os outros, novas especulações surgem aqui e ali e lentamente atualizam nossas expectativas, valores e referenciais. No fim chegamos ao ponto de um dia termos verdades e certezas para podermos seguir em frente e estarmos junto ao conforto de um bom lugar na hierarquia!
    Dentro do campo filosófico e critico contemporâneo, creio que a tendência mais forte se apresenta exatamente em cumprir expectativas, sendo essa a maior prioridade; e apenas como tempero, pontualmente especulamos, com o devido cuidado e respeito, novas abordagens que adocem, saguem, amargurem ou azedem levemente os sistemas sobre aos quais se reverenciam e obedecem. Não é à toa que a filosofia contemporânea possui tantas regras quanto qualquer matéria da área de exatas. É claro que a manifestação dessas regras se apresenta de um modo bem diverso, e não acho que erre ao afirmar que o que a filosofia preza acima de tudo é o entendimento e não o questionamento, ou seja, que se entenda as regras primeiro.
    Quem parte do entendimento reproduz o entendimento – ou o chamado questionamento racional –, quem parte do questionamento produz o entendimento (ou não, isso é uma especulação e não uma expectativa), sendo a única diferença entre um e outro o seu momento, onde a chance de alguém que parte do entendimento sair de suas expectativas é menor do que a de alguém que parte da especulação sair do questionamento – aqui está escrito com uma lógica errada e confusa de propósito – , quem especula sempre questiona, talvez, quem entende sempre ambiciona continuar entendendo, talvez.
    De qualquer modo a opinião critica expectativa tende a oprimir a especulação e a normatizar o seu percurso. O que não acontece com tanta frequência no campo da especulação. O crime maior daqueles que criticam baseados em expectativas é serem referenciais que afunilam a diversidade, e ao mesmo tempo propagam o suposto controle. O crime maior daqueles que criticam baseados em especulações é serem fúteis e diversos, e ao mesmo tempo propagam o suposto caos.
    Aliás, qualidade é uma expectativa.

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    • Olha, vou dizer que tive de ler algumas passagens umas duas vezes para realmente entender o ponto onde você queria chegar [rsrs]. Mas foi uma reflexão bem interessante, sem dúvida nenhuma. Nada a acrescentar ou discordar, tho, mas foi uma contribuição bem legal =)

      Curtido por 1 pessoa

      • haha, verdade, peço desculpas, minha escrita não é muito boa e nem muita clara as vezes, e acho que errei uma palavra, se não me engano digitei um “quando” em certo momento, mas deveria ser um “quanto”. No mais, agradeço mesmo pelo elogio. E fico feliz por ter contribuído um pouco com o debate, mesmo que de forma indireta! Grande abraço! ^^

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