Uma Breve Análise – Fullmetal Alchemist Brotherhood: Consistência na Mensagem

Fullmetal Alchemist
Fullmetal Alchemist: Brotherhood

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Fullmetal Alchemist: Brotherhood, uma produção de 2009 do estúdio Bones, é possivelmente uma das poucas obras da animação japonesa que dispensam apresentações. A história dos dois irmãos que cometeram o maior dos tabus alquímicos, a transmutação humana, e agora lidam com as consequências disso, é talvez um dos mangás e animes mais famosos que há.

Agora, ao longo de Fullmetal certamente uma temática desponta como uma das mais importantes: uma clara mensagem contra a guerra. Não é realmente uma mensagem inédita na história, mas o que eu quero apontar aqui é que Fullmetal Alchemist é uma das poucas obras que conseguem passar essa mensagem da forma correta. Isso por um fato bastante difícil de se conseguir: a sua consistência.

É bom eu avisar, mas os próximos parágrafos terão spoilers sobre diversos pontos da obra, então se você ainda não assistiu ou leu Fullmetal Alchemist eu definitivamente recomendo que o faça. Acreditem, o anime vale cada um de seus 64 episódios. E dado o aviso, continuemos…

Talvez o maior dilema que algumas obras precisem enfrentar, especialmente os mangás shounen de aventura e ação, é o de como ser consistente em sua mensagem, ao menos quando essa mensagem é, de alguma forma, uma contra a violência. Isso porque não raras vezes vemos uma obra passando a violência como algo ruim, para logo em seguida colocar mais violência como a solução ideal.

Fullmetal Alchemist: Brotherhood
Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Se precisa de um exemplo, Dragon Ball Z certamente se encaixa nesse ponto. Cada vilão em Dragon Ball Z é tão mal quanto a contagem de corpos que ele produz, e quantos inocentes ele mata sem nenhum motivo aparente. E qual a melhor forma de parar essas máquinas de violência e destruição? Com mais violência, é claro! Batendo e lutando com eles até a morte (deles, de preferência). É aquele velho paradoxo: matar é errado, então vamos matar quem mata para mostrar que matar é errado.

Claro, tudo isso tem um contexto, e não estou aqui para fazer uma crítica a Dragon Ball Z. Mas é interessante notar como Fullmetal Alchemist consegue ser incrivelmente consistente em sua mensagem. No anime, a morte nunca é algo positivo. Os irmãos Elrick, por exemplo, são terminantemente contra matarem os seus oponentes, por mais cruéis e desumanos que eles possam ser. E mesmo quando uma morte ocorre, ela nunca é glorificada.

Nesse ponto, a morte do Envy é talvez a mais emblemática. Envy é um personagem construído para ser odiado. Ele claramente odeia os humanos e se diverte vendo-os sofrer. É enganador e manipulador. E, claro, é o assassino de Huges. Tudo no personagem é construído para que você o queira morto, mas quando ele finalmente está por um fio não é uma cena bonita. Temos Mustang beirando a loucura, em estado de pura ira. Temos a fala do Ed de como Envy sente inveja dos humanos, e ao final é o próprio Envy quem se mata.

Toda morte em Fullmetal Alchemist tem um tom trágico, mesmo deprimente. Mesmo a morte do vilão final é construída de forma a dar pena do inimigo. E quando você liga isso à mensagem anti-guerra do anime, temos uma situação na qual mesmo que a violência ainda seja a resposta única, ela nunca é glorificada. Quando muito, é um “mal necessário”, e mesmo assim apenas até certo ponto, como já comentei da política dos irmãos de nunca matarem.

Consistência no roteiro, nos personagens e nas regras do mundo certamente são importantes, mas penso que consistência na mensagem também é algo que não devemos ignorar. E nesse ponto Fullmetal Alchemist certamente se destaca de outras obras do gênero.

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