Lista – 5 Séries de Vocaloid que Valem a Pena Conferir

Sem título

“Antes de mais nada, se você não sabe o que é um vocaloid, aqui vai uma rápida explicação: trata-se, em suma, de uma voz gerada artificialmente a partir de uma voz humana real. A voz sintética é então vendida e normalmente quem a adquire usa na confecção de vídeos musicais. Aqueles que fazem esses vídeos costumam, dentro da fan-base de vocaloids, a serem chamados de “Producers” (“produtores), e é por isso que muitos autores que vocês verão nesta lista seguem a estrutura básica de “[pseudônimo]-P”. Em adição, enquanto existem muitas musicas de vocaloid no youtube, a vasta maioria das musicas começam sendo publicadas no site de vídeos japonês Nico Nico Douga, dado que a maioria dos producers são japoneses (ainda que existam, sim, compositores em outras línguas, sobretudo inglês e espanhol). E claro, uma vez que se trata de um produto que qualquer um pode comprar, o roll de produções está limitado tão somente pela criatividade humana”

O trecho acima vem da minha lista de 10 musicas de vocaloid que valem a pena ouvir, e de certa forma esta listagem é uma extensão daquela. Enquanto ali eu procurei me concentrar em musicas individuais, aqui vou me focar nas chamadas “séries”: enquanto a vasta maioria das musicas de vocaloid são “isoladas” ou “individuais”, por vezes ocorre de um autor lançar uma espécie de “resposta” a uma outra musica sua antiga, de forma que a nova complemente a anterior. É assim que surgem as “séries” de musicas de vocaloid, que podem ter desde duas musicas até dezenas (como verão nas entradas abaixo), contando histórias complexas, repletas de twists e ótimos personagens. Mas antes de irmos para a lista abaixo, aqui 3 rápidos avisos: 1) como todos os textos desta série, isto é uma lista, não um top. De forma alguma quero dizer que estas são as melhores séries ou as únicas que valem a pena ouvir. São apenas 5 séries que eu gosto e recomendo. 2) as citações e paráfrases, quando acontecem, foram retiradas da Vocaloid Lyrics Wiki, comigo normalmente fazendo uma tradução livre da letra que tem ali. E 3) enquanto a maioria dos producers ficam apenas no nico nico douga, alguns possuem um canal no youtube. Assim, sempre que possível, deixei um link para o canal do autor no youtube, então sintam-se a vontade para ir conferir. E isso dito, vamos à lista.

5 – Mahou no Kagami X Kagami no Mahou (2 Musicas)

Mahou no Kagami
Mahou no Kagami

É bastante comum encontrarmos, em meio às milhares musicas de vocaloids, diversas nas quais os vocaloids Kagamine Len e Kagamine Rin agem como irmãos ou como amantes. O conceito original deles, contudo, é um pouco mais complicado. Tecnicamente falando, ambos são “imagens espelhadas” um do outro, algo mesmo refletido em seus nomes: “kagami” é japonês para “espelho”. São como se fossem a exata mesma “pessoa”, mas em universos ou dimensões diferentes.

Muitos autores brincam um pouco com este conceito, de forma que muitas vezes temos pares de musicas nas quais uma conta a versão da história tal qual Len viu, enquanto a outra conta a versão da Rin. Poucas canções, porém, fazem tão bom uso do conceito de “imagem espelhada” do que a dupla de musicas Mahou no Kagami e Kagami no Mahou, produzidas pela dupla de producers Hitoshizuku-P e Yamasankakkei.

Mahou no Kagami
Mahou no Kagami

A primeira musica, lançada em novembro de 2012, é cantada sobretudo pela Rin, e conta a história de uma princesa de saúde frágil de um reino devastado. Um dia, quando ela está no sótão de sua casa, no espelho que ali havia aparece um jovem. Este se diz seu mágico particular, e a partir daquele momento o mago começa a realizar os desejos da menina. Melhora da saúde, paz entre os reinos… Mas quando todos os desejos da garota são realizados, o mago então diz que é hora dele partir. E com isso, a musica termina em uma nota triste sobre o último desejo da garota, e único não realizado: um amigo.

A segunda musica, por sua vez, foi lançada no mês seguinte, em dezembro de 2012, e agora conta a versão do Len da história, justamente o mago do outro lado do espelho. Eu prefiro não entrar em detalhes, até para não dar spoilers, mas digamos que a musica trabalha muito bem com a ideia de opostos, e nos dá uma boa explicação de porque o mago decide deixar a garota. E nisso, este par se mostra também um bom exemplo de como funcionam as séries de vocaloid, nas quais normalmente cada musica adiciona algumas informações que fazem o espectador ver as anteriores com uma nova perspectiva.

4 – Night Series (4 Musicas)

Bad End Night
Bad End Night

Mais uma vez temos uma série de musicas de Hitoshizuku-P e Yamasankakkei (honestamente, dava pra fazer um top 10 ou top 20 de musicas de vocaloids só com coisas desses dois… Sério). Desta vez, vamos com aquela que é possivelmente a série mais famosa dos dois. Conhecida como “Night ∞ Series“, ela possui um total de quatro musicas, lançadas entre 2012 e 2014: Bad ∞ End ∞ Night (janeiro de 2012), Crazy ∞ nighT (julho de 2012), Twilight ∞ nighT (fevereiro de 2013) e EveR ∞ LastinG ∞ NighT (setembro de 2014).  E conta a história de… de… er… Então né…

Sendo bastante sincero, a história da Night Series é confusa, para dizer o mínimo. Ela começa com uma personagem, “interpretada” pela vocaloid Miku, andando pela floresta a noite e encontrando uma mansão. Com medo de seguir pela noite sozinha, ela pede abrigo na mansão, sendo bem recebida pelos habitantes, cada um “interpretado” por um vocaloid (a série usa 8 no total: Miku, Len, Rin, Kaito, Meiko, Gumi, Gapuko e Luka). E, se aproveitando da ocasião, os habitantes da mansão decidem dar uma festa para passar o tempo.

EveR LastinG NighT
EveR LastinG NighT

Quando a festa acaba, a recém-chegada vai dormir. Porém, quando ela acorda, ela percebe que ainda é antes da meia noite: o tempo aparentemente havia parado. E é a partir daqui que a história vai se complicando. As duas primeiras musicas parecem contar a mesma parte da trama, uma do ponto de vista da garota e outra do ponto de vista dos habitantes da mansão, e ambas terminam com a menina enlouquecendo e matando a todos. A terceira musica, porém, começa com uma imagem de um relógio indo para trás, como se o tempo voltasse, e a ele segue uma dramatização em papelão do que aconteceu nas musicas anteriores, com a garota assistindo. E a partir daqui a coisa fica progressivamente mais difícil de entender.

Se fosse para dar uma teoria, eu diria que todos estão presos em algum tipo de looping temporal que é, também, uma peça de teatro. O motivo do looping temporal sendo, aparentemente, o fato de que falta a última página do script, de forma que sem ela a peça não pode continuar. Mas não me peça para explicar mais do que isso, porque eu realmente ainda não sei. Mas sinceramente, parte da graça nesse tipo de mídia é justamente pensar em suas próprias teorias, então vá conferir e veja o que acha.

Isso dito, a série já foi adaptada em uma série de duas light novels, que certamente explicam a história com muito mais detalhes (como é comum de acontecer com musicas e séries de vocaloids). Ainda assim, certamente vale a pena dar uma olhada nas musicas.

3 – Benzene Series (5 Musicas)

Paradichlorobenzene
Paradichlorobenzene

Se Night Series é difícil de entender, Benzene Series é absolutamente incompreensível. Parte do problema sendo que nem sabemos se existe algo a ser compreendido ai, em primeiro lugar.

Explicando melhor. Benzene Series é uma série de 5 musicas criadas por Owata-P, lançadas entre 2008 e 2011, na seguinte ordem: Benzene [Therapeutic Brainwashing Song] (Novembro de 2008), Nitrobenzene [Ethnic Brainwashing Song] (Agosto de 2009), Paradichlorobenzene [Destructive-type Brainwashing Song] (Setembro de 2009), Antichlorobenzene [Sin-Cleaning Type Brainwashing Song] (Setembro de 2009) e Toluene [Riddle-solving brainwashing song] (Setembro de 2011). Existe ainda um remix para Benzene e Paradichlorobenzene, mas a letra se mantém essencialmente a mesma. E com exceção da última musica, cantada pela vocaloid Megurine Luka, todas as demais são cantadas pelos Kagamines.

Sobre o que elas falam? Nem a mais vaga noção. Sério. A primeira musica começa com um texto explicando o que é o composto químico “benzeno”, e depois apenas repete “bolinho de arroz, anêmona do mar, benzeno, ヽ(゜゜)ノ benzeno” (sim, esse emoji oficialmente faz parte da letra). E se isso já é estranho, as demais musicas vão ficando ainda mais esquisitas. Ao ponto de que quando chegamos em Toluene, a maior parte da legenda da musica é substituída por “*” sabe-se lá porquê. As únicas musicas que parecem dizer algo são as três últimas, mas o que elas dizem é um completo mistério. Embora… Talvez seja errado buscar sentido aqui.

Antichlorobenzene
Antichlorobenzene

Eu disse que a musica Benzene é composta por apenas uma frase, mas na verdade existe uma outra estrofe, que aparece de quando em vez ao longo da musica: “esta musica tem significado? Não há significado para esta musica”. E as demais musicas da série dão sua própria variação desta estrofe. Nitrobenzene diz “esta musica tem significado? O significado desta musica é nitrobenzeno”. Paradichlorobenzene e Antichlorobenzene diz o mesmo que Benzene, afirmando a não existência de significado para as musicas. E ai vem Toluene, que explicitamente diz: “esta musica tem significado? O significado para este verso… existe” (grifo da própria letra da musica). Finalmente, sm18917849 (e sim, esse é o nome da musica), o remix de Benzene, explicitamente diz não apenas “esta musica não tem significado”, mas também que “benzene” não tem significado.

Qual é a verdade? Trata-se realmente de um monte de bobagens sem sentido, ou existe ai algo por trás? Bom, é difícil de dizer. Mas justamente por isso estas musicas são tão instigantes. Eu mencionei na entrada anterior que parte da graça dessa mídia é você fazer sua própria interpretação do que vê, criando suas próprias teorias. E esta série definitivamente permite isso. Além disso, considerando referências à química, jazz e sabe-se lá ao que mais, no mínimo aquele que tentar entender essa série deve acabar aprendendo uma ou duas coisas no processo. E se mais nada, garanto que ao menos as aulas de química ficarão bem mais interessantes (rs)

2 – Kagerou Project (22 Musicas)

Summertime Record
Summertime Record

E aqui chegamos naquela que é possivelmente a mais famosa série de vocaloid, bem como aquela que se espalha pelo maior número de mídias. O que começou com a musica Jinzou Enemy, lançada pelo producer Jin em fevereiro de 2011, hoje contém, para além das mais de 20 musicas que compõem a série original, adaptações em light novel (uma série chamada Kagerou Daze), mangá (chamado Kagerou Daze também) e anime (Mekakucity Actors, lançado em 2014 pelo estúdio Shaft).

Agora, essa é a única entrada nesta lista que eu não pretendo entrar em muitos detalhes pelo simples fato de que eu já o fiz, quando da minha review de Kagerou Project. Mas falando de forma breve: a história se foca em um grupo de crianças especiais, o Mekakushi-dan. Cada criança possui um poder especial, que se ativa quando seus olhos ficam vermelhos. Além disso, aparentemente cada criança ganhou esses poderes após uma experiência de quase morte, sendo que todas a teriam experimentado especificamente no dia 15 de agosto: um dia de verão.

Ayano no Kofuki Riron
Ayano no Kofuki Riron

Cada musica se concentra na história de uma ou mais destas crianças, com a trama geral de fundo sendo a de um looping temporal que se repete de novo e de novo, cada vez que o grupo de amigos encontra uma morte trágica.  É uma história que trabalha bastante com temas como isolamento e ostracismo social, a perda de um ente querido, bem como temas um pouco mais “vagos”, como amor e amizade, além de ter seus elementos de comming of age. 

As primeiras três musicas da série são cantadas pela vocaloid Hatsune Miku, mas a partir da quarta (e até o final da série) as musicas são cantadas pela vocaloid I.A. É uma história instigante, bonita, mas também com seus elementos trágicos. Certamente compensa dar uma olhada.

1 – Evillious Chronicles (50+ Musicas)

Chrono Story
Chrono Story

Se Kagerou Project é a mais famosa, Evillious Chronicles é certamente a maior, ao menos em termos brutos. A série, ainda em andamento, conta já com quase 60 musicas, pelo menos duas séries de light novels (“Story of Evil” e “Deadly Sins of Evil”), diversos mangás (desde mangás que adaptam partes da série até mangás 4koma de comédia envolvendo versões chibi dos personagens), isso sem contar os vários livretos promocionais que acompanham os CDs das musicas. Tudo isso tendo começado em março de 2008, com a musica Clockwork Lullaby 0 – Wordplay, do producer Akuno-P, também conhecido como MOTHY (acrônimo para Master of The Heavenlly Yard).

A história, porém, é um pouco complicada de explicar. Apesar de considerada uma série só, Evillious Chronicles na verdade combina em si 5 série, com pelo menos duas das quais ainda em produção, mais uma série de musicas “soltas”. Combinadas, as séries (chamadas Original Sin Story, Deadly Sins of Evil, Story of Evil, Clockwork Lullaby e Four Endings) contam uma história que se passa na região fictícia de Evillious, no continente Bolgano. Um mundo criado por quatro deuses, que deveria purificar a Malícia. Em um dado momento, os 7 Pecados são libertados: 7 Demônios, cada qual habitando um objeto. Deste momento em diante, a série segue uma cronologia de mil anos, que conta a história de 7 Pecadores (humanos que fizeram um pacto com um dos 7 demônios) e das duas Magas que buscam pelos 7 Recipientes de Malícia. E conforme o ano mil se aproxima, o fim dos tempos vai se anunciando.

Nanatsu no Tsumi to Batsu
Nanatsu no Tsumi to Batsu

Chamar “Evillious Chronicles” de “ambicioso” seria ainda subestimar a obra. Combinando elementos da mitologia judaico-cristã, fábulas europeias e eventos históricos reais, Evillious Chronicles mostra desde o surgimento do universo até o seu possível final, conforme passa pelas trágicas histórias de indivíduos, organizações e países destinados a perecer no curso do tempo. Tudo isso criando um dos universos de fantasia mais coerentes, detalhados e realistas que eu já vi. Aqueles que se interessam pelo chamado world bilding, histórias nas quais a construção e detalhamento do universo da mesma é um elemento importante, certamente irão se interessar por Evillious Chronicles. Mas a história também se mostra bastante competente em lidar com seus personagens, cada qual com seus próprios objetivos, métodos e problemas. Finalmente, a série também é famosa por seus constantes plot twists, frequentemente trazendo informações que faz o espectador repensar tudo o que sabia da história até então.

A série, contudo, pode ser um pouco difícil de compreender devido ao seu tamanho. Além disso, é curioso notar que Evillious é uma franquia multimídia por excelência. Enquanto séries como Kagerou Project ou Night Series receberam adaptações em outras mídias, as adaptações de Evillious funcionam mais como mais uma peça no quebra cabeças que é a história do que realmente algo preocupado em contar a integridade da trama. Neste sentido, o diálogo que se estabelece entre as variadas mídias é muito maior do que normalmente se esperaria, de forma que para entender a série acaba sendo necessário ter ao menos alguma noção do que ocorre em todas as suas variadas frentes.

Trabalhando com temas como o “mal” e a “loucura”, usando mais de uma dezena de vocaloids, contando uma história intrincada que se estende no tempo, com um mundo bem trabalhado e personagens bem desenvolvidos, a série é talvez o melhor exemplo do que pode ser atingido usando desta mídia em particular. Definitivamente uma história que vale a pena conferir.

Imagens (Na ordem em que aparecem):

1 – Clockwork Lullaby 7 – Nanatsu no Tsumi to Batsu

2 – Mahou no Kagami

3 – Mahou no Kagami

4 – Night Series – Bad End Night

5 – Night Series – EveR LastinG NighT

6 – Benzene Series – Paradichlorobenzene

7 – Benzene Series – Antichlorobenzene

8 – Kagerou Project – Summertime Record

9 – Kagerou Project – Ayano no Kofuku Riron

10 – Clockwork Lullaby 5 – Chrono Story

11 – Clockwork Lullaby 7 – Nanatsu no Tsumi to Batsu

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