Review – Chikyuu Shoujo Arjuna (Anime)

Chikyuu Shoujo Arjuna
Chikyuu Shoujo Arjuna

Como está escrito no subtítulo deste blog, “nenhuma história é ingênua”. Quando eu digo isso, eu digo no sentido de que raramente podemos considerar a ideia de uma obra como fim em si mesma. Praticamente toda obra nos passa algum tipo de mensagem, quer seu autor esteja ciente disso ou não. As vezes é algo tão simples quanto valores morais (amizade, perseverança, honestidade, etc.), ao passo que outras é tão objetivo quanto um incentivo à compra de produtos licenciados. Mas enquanto eu realmente acredito que praticamente toda obra nos passa algum tipo de mensagem, no campo dos animes é difícil vermos obras que poderíamos chamar de “engajadas”. Seja em questões sociais, questões políticas, econômicas, etc., não é exatamente comum vermos obras que se foquem em levantar uma bandeira, seja ela qual for. Mas acontece. Como toda forma de arte, mesmo os animes tem o pequeno punhado de obras claramente comprometidas com uma causa. Criado por Shoji Kawamori e produzido pelo estúdio Satelight, o anime de 13 episódios “Chikyuu Shoujo Arjuna“, lançado em 2001, é definitivamente um destes casos.

A história começa quando nossa protagonista, Juna, morre em um acidente de moto. Conforme seu espírito flutua até que vê a Terra do espaço, ela ouve a voz de um garoto. Seu nome era Chris, e ele faz uma oferta a Juna: lhe devolveria a vida, se em troca ela concordasse em salvar a Terra. Aceitando, Juna então se torna a Avatar do Tempo, que tem como missão enfrentar as Raajas, monstros que vem causando destruição pelo mundo. Mas não deixe que esta sinopse o engane. Enquanto aparentemente apenas mais um mahou shoujo levemente mais sério, “Arjuna” é, em fato, uma obra verdadeiramente ambientalista. Com uma estrutura que beira o episódico, a série critica, de forma bastante ácida e chocante, diversos elementos da sociedade moderna, tais como os métodos agrícolas, a pecuária intensiva, e a dependência humana do petróleo. Se você ainda não assistiu o anime, certamente vale a pena conferir. Mesmo que seja uma obra claramente enviesada (o que não é ruim por si só, diga-se de passagem), ela traz boas reflexões que mesmo hoje ainda soam bastante atuais. Infelizmente, é preciso apontar que algumas posições que o anime toma são… “problemáticas”, para dizer o mínimo, mas dizer mais do que isso vai exigir alguns spoilers, então fiquem avisados. E isso dito, vamos então à review.

Ariyoshi Juna, a protagonista de
Ariyoshi Juna, a protagonista do anime

Começando, então, eu posso dizer que a maior força deste anime é também a sua maior fraqueza: suas mensagens. Como eu mencionei na rápida introdução acima, esse é um anime que fortemente defende ideais ambientalistas, além de colocar diversas pequenas críticas à sociedade moderna. E, é preciso reconhecer, em muitos pontos o anime acerta de forma magistral. Por exemplo, mais ao final do anime vemos como as Raajas começam a devorar e destruir tudo o que é feito a partir do petróleo, o que leva a uma situação de escassez de praticamente tudo: alimentos (devido às embalagens feitas de plástico, um derivado do petróleo), roupas, sistemas de comunicação de forma geral (televisão, celulares, todos objetos que possuem também partes e componentes derivados do petróleo). Foi uma excelente forma de mostrar o quanto estamos dependentes do petróleo, um recurso que se quer é renovável, vale mencionar. Além disso, de forma geral as críticas e comentários sociais que o anime traz são bastante interessantes. A questão do valor das palavras, e de como duas pessoas conversando frente a frente podem ainda assim não entenderem o real significado das palavras umas das outras pode soar clichê hoje, mas ainda guarda em si uma mensagem que merece atenção. E claro, eu não poderia deixar de mencionar o diálogo entre Juna e seu professor de matemática. Durante a conversa, o professor começa a perguntar coisas como porque juntar alunos diferentes em uma mesma sala e ensinar o mesmo currículo, ou porque as frutas e legumes no mercado tendem a ter sempre o mesmo tamanho e forma, ou porque mesmo podendo se falar pessoalmente as pessoas ainda preferem usar o celular. Para cada uma dessas perguntas, Juna sempre responde da mesma forma: porque é mais fácil assim. De longe este é talvez um dos meus diálogos favoritos em toda a ficção, que toca de foma magistral na questão do conformismo humano.

Infelizmente, em mais de uma vez o anime deixa se levar pelos próprios ideais, incorrendo mesmo em uma postura anti-científica e que chega a beirar a pseudo-ciência. Talvez o caso mais exemplar seja quando Juna e Tokio, seu amigo, estão perdidos na floresta. Encontrando uma habitação remota, onde vive apenas um senhor já idoso, o homem conta como todo seu sustento vem do jardim externo. Nada de errado até aqui, mas ai o senhor menciona como ele nunca precisa cuidar do jardim: a própria natureza já o faz. Este método de cultivo (que se baseia praticamente na própria ausência de um método, a ideia aqui é deixar a natureza seguir seu curso) é conhecido como “Natural Farming“, e é possível que seu criador Masanobu Fukuoka, tenha servido de inspiração para o personagem idoso que Juna e Tokio encontram. Mas referências aparte, o anime comenta como aquele pequeno pedaço de terra que era o jardim daquela casa produzia alimentos o bastante para alimentar até 10 pessoas, enquanto que a “manutenção” dependia de apenas uma. Parece uma ótima proporção, certo? Se adotássemos um sistema assim, apenas uma em cada dez pessoas trabalhando na agricultura poderia produzir alimentos para todas as outras 9! Sim, sim, parece ótimo… infelizmente, só parece. O anime completamente falha em reconhecer que a intervenção humana na agricultura se deu justamente porque a simples coleta de alimentos que a natureza fornecia não era o bastante. Desde a chamada Revolução Agrícola, pra lá de 10.000 a.C., a humanidade só conseguiu chegar ao seus atuais 7 bilhões de habitantes por ter sido capaz de produzir alimentos condizentes com tal população. Ainda que quiséssemos aplicar esse tipo de sistema agrícola, dificilmente conseguiríamos produzir alimento para todos. Para começo de conversa porque nem todo solo será adequado para tanto. E a continuar que tal sistema deixaria nossos campos bastante sujeitos a pragas e ao mal tempo. Seria literalmente voltar a uma situação de fome pior do que as constantes crises de fome ao longo da Idade Média.

Conversa ente Juna e seu professor. O anime pode ter defeitos no que diz respeito a crítica à ciência, mas traz excelentes críticas ao comportamento humano.
Conversa ente Juna e seu professor. O anime pode ter defeitos no que diz respeito a crítica à ciência, mas traz excelentes críticas ao comportamento humano.

Mas enquanto este tipo de ingenuidade e otimismo agrícola poderia ser relevado como, no pior dos casos, ao menos inofensivo, o anime em alguns momentos toma posturas que podem ser bem perigosas se levadas a sério. O melhor exemplo que eu teria disto, ocorre quando Tokio passa mal após comer o hambúrguer de uma rede de fast-food. Ao que parece, uma Raaja surgiu em seu corpo, e quando Juna vai tentar ajudá-lo a Raaja a infecta também. Doentes, ambos são deixados na casa de Juna, que a organização S.E.E.D., responsável por combater as Raaja (não me perguntem o que esse acrônimo significa, até porque eu acho que nem o criador do anime poderia responder isso rs), transforma numa espécie de hospital improvisado. A organização fornece medicamentos modernos aos dois, como antibióticos e outros, mas eles se mostram inefetivos. Agora, no contexto do anime, faz sentido. As Raaja, como veríamos depois, são, de certa forma, a própria encarnação do sofrimento da Terra. São seres que surgiram para “limpar” o ecossistema das intervenções humanas, então faz sentido que algo artificial como um medicamento não funcione. A forma como o anime resolve isso é com um antigo mito de que o cordão umbilical do bebê teria propriedades curativas. Após receberem uma solução de água com pedaços de cordão umbilical (por algum motivo a mãe da Juna guardava restos do cordão umbilical de ambas as filhas… isso é algum costume japonês ou o anime viajou legal aqui?), Juna e Tokio começam a melhorar. O problema aqui é a clara mensagem de que a medicina tradicional é ineficiente e a “sabedoria tradicional” é a mais indicada, algo que praticamente beira a pseudociência!

Infelizmente, se eu for listar cada um dos momentos em que  anime adota posturas no mínimo preocupantes este texto ficaria demasiado longo. O anime nos apresenta uma visão demasiado binária da natureza enquanto boa e generosa e da sociedade enquanto destruidora e opressora, falhando sobretudo em procurar entender porque as coisas são como são. Porque usamos os métodos atuais de agricultura e pecuária, porque recorremos à fontes de energia como a energia nuclear, porque o sistema educacional é assim e não de outra forma, o anime se preocupa muito mais em apontar estas coisas como negativas sem nunca realmente problematizar como elas surgiram e que função elas tem na sociedade. Por conta disso, enquanto o anime é magistral em apresentar problemáticas, ele falha miseravelmente em suas proposições para resolvê-los! É verdade que o alimento processado pode mesmo trazer complicações de saúde a longo prazo, mas vamos então todos voltar à caça e coleta?! Mas que diabos de “solução” é essa?! Ainda assim, é também preciso considerar o contexto do próprio anime. Lançado em 2001, questões ambientais estavam em alta na época, e se tornariam mais em alta ainda nos anos seguintes. Em 2002 temos a chamada “Earth Summit 2002” (também chamada de “RIO +10”, por ter acontecido 10 anos após a ECO-92, que ocorreu no Rio de Janeiro), organizada pela ONU e voltada para questões ambientais. Em 2004 temos o documentário “Super Size Me“, que atenta para os malefícios do consumo de fast-food. E em 2006, seria lançado polêmico documentário “Uma Verdade Inconveniente“, calcado justamente nas questões do aquecimento global. Como podemos ver, o anime se encaixa muito bem no contexto do começo da década passada, e certamente muitos de seus problemas têm origem no fato de que muito ainda se pesquisava sobre o impacto do ser humano no meio ambiente. Mas quem assistir o anime hoje deve entendê-lo como uma obra de seu tempo e de seu contexto, e de forma alguma interiorizar as críticas do anime de forma acrítica (interiorizar as críticas de forma acrítica, essa frase ficou mesmo ótima… /sarcasmo).

Com o ambientalismo estando em alta no começo da década passada,
Com o ambientalismo estando em alta no começo da década passada, “Arjuna” é certamente uma obra fruto de seu tempo.

Mas se enquanto obra de propaganda (porque o anime é basicamente isso, é propaganda ecológica) o anime tem seus problemas, enquanto anime ele é realmente bem interessante. Começando com os personagens, todos eles são bem definidos e consistentes, e mesmo passam por um bom desenvolvimento. Juna começa como uma adolescente normal, mas termina como a efetiva Avatar do Tempo e protetora da Terra. Tokio é outro que passa por um bom desenvolvimento, começando como seu típico adolescente da cidade grande, mas se adaptando lentamente a uma vida sem os benefícios da cidade. Chris talvez seja o único personagem constante que não demonstre qualquer desenvolvimento ao longo do anime, mas ele realmente não precisava ser desenvolvido. Ele é o arquétipo do guia, é a figura que serve de ferramente para desenvolver os demais, não o contrário. Mas para além de desenvolvimentos individuais, as interações entre personagens são bem interessantes. Vemos o quanto Tokio e Juna são apaixonado um pelo outro e como sofrem com a ausência um do outro. E vemos também como Cindy é devotada a Chris, estando disposta a fazer tudo o que estiver em seu poder para protegê-lo. Mas enquanto os personagens definitivamente não são um problema, eu não posso dizer o mesmo da história.

Logo no começo, o anime tenta convencer o espectador de que um grande mal se aproxima, um mal que mesmo Chris não é capaz de deter sozinho. A Terra será destruída. Em breve. E de início o anime consegue passar bem essa sensação de urgência. Os dois primeiros episódios são da Juna enfrentando uma Raaja que se dirige a um reator nuclear, algo que poderia causar uma destruição sem precedentes. Logo depois temos um pequeno arco que é basicamente um treinamento forçado para a Juna: ela é jogada no meio de uma floresta, para que possa se “purificar”. A medida radical, o anime nos diz, se deve a falta de tempo antes do dito desastre. Juna precisa desenvolver sua ligação com a Terra e controlar seus poderes o quanto antes. Porém, após estes episódios iniciais, o anime parece esquecer a própria urgência. Após os eventos na floresta, Juna volta para casa e sua vida de estudante. A partir daqui, o anime assume uma estrutura que beira o episódico, com a Juna encarando esta ou aquela Raaja conforme elas aparecem. Para um anime que começou tentando convencer o espectador de que há um perigo iminente, seus personagens definitivamente não parecem lá muito preocupados com esse tal perigo. Mas honestamente falando, essa talvez seja a maior falha que eu possa apontar a este anime, o que já diz bastante. Talvez a falta de maiores explicações sobre o funcionamento daquele universo também possam incomodar alguém, mas ao menos a mim não foi nada de extremamente distrativo. Num geral, é uma trama que se permite tomar o próprio ritmo, mas nunca chega a parecer lento demais ou rápido demais.

Do começo ao fim, o anime tenta passar uma sensação de urgência ao espectador. Ironicamente, essa urgência só é mostrada justamente no começo e no final.
Do começo ao fim, o anime tenta passar uma sensação de urgência ao espectador. Ironicamente, essa urgência só é mostrada justamente no começo e no final.

Agora, algo que vale a pena mencionar é a sua animação. Isso porque Arjuna alterna 3 tipos diferentes de animação. O primeiro deles, majoritário, é a tradicional animação 2D, que certamente merece os cumprimentos. Não me considero entendido em animações, mas considerando que é uma obra do começo dos anos 2000 eu realmente não tenho do que reclamar. O segundo tipo de animação, este usado apenas em cenas bastante pontuais, foi a animação 3D. Infelizmente, a computação gráfica do começo da década passada não é exatamente a coisa mais realista do mundo, de forma que estas cenas, hoje, já se mostram bastante datadas. Ainda bem que são cenas bastante pontuais, então não chegam a ser um distrativo. Finalmente, o terceiro recurso usado foi o uso de imagens reais, sobretudo em flash esporádicos que ocorrem à Juna. Embora uma técnica que destoe bastante da animação,  seu uso cumpre uma função bastante clara na obra: mostrar aquilo que se fala. Sendo um obra que basicamente fala sobre os males que a espécie humana vem causando ao planeta, estas cenas em live action dão uma materialidade quase brutal àquilo que é falado, saindo momentaneamente do escopo de um desenho (e portanto, ficção) para o escopo da realidade, dando um maior impacto e profundidade ao que nos é falado por animação. Combinadas, estas três técnicas criam uma animação que beira o experimental, e que funciona muito bem para o contexto deste anime

E antes de encerrar a review, um último detalhe que eu acho que vale a pena ser mencionado é o uso que este anime faz das referências ao hinduísmo. Para começar, toda a obra é bastante baseada no Bhagavad Gita, obra hindu, “Gita” (como é normalmente chamada) trata de um diálogo entre o príncipe Arjuna e seu guia Krishna. No anime, Juna é uma clara referencia ao príncipe hindu, o que podemos ver inclusive pelo uso que a personagem faz do arco e flecha, arma característica do príncipe. Já Chris seria a representação de Krishna, divindade hindu (hora uma entidade em si só, hora um dos avatares do deus mantenedor Vishnu, depende da fonte que estivermos lendo), Krishna era normalmente retratado como um garoto, embora no Bhagavad em específico ele seja representado como um senhor idoso já. Mesmo a Raaja advém do conceito hindu de um mal causado pelo ferir a Terra. E claro, a noção de que somos todos um e o mesmo é típica da mitologia hindu, na qual éramos todos originalmente um, que se dividiu até dar origem ao universo tal como é hoje. Disso advém o conceito de “maya“, “ilusão”: a realidade tal como a vemos é uma ilusão, e a verdade é a união original de todos os seres. É um anime que sabe usar muito bem de suas referências simbólicas e mitológicas. Em primeiro lugar, pois ainda que o espectador não pegue essas referências, ele ainda poderá entender o anime sem nenhum problema. Em segundo lugar, pois se você pega essas referências o anime ganha uma profundidade ainda maior. E, finalmente, em terceiro lugar, pois não se trata de uma referência sem propósito: usar do hinduísmo em uma obra que trabalha com sobretudo com a ideia de que somos todos um só foi certamente uma ótima escolha, com referência e temática se ligando e dialogando de forma magistral.

Uma boa história, com bons personagens. Pode ter seus problemas, mas ainda é um ótimo anime.
Uma boa história, com bons personagens. Pode ter seus problemas, mas ainda é um ótimo anime.

Considerações finais, Chikyuu Shoujo Arjuna é certamente uma obra bastante única. Uma das poucas obras em anime claramente engajadas com uma causa, ela certamente tem suas falhas, a maioria delas causada possivelmente por conta do enviesamento ideológico que move a obra. Mas estas falhas de forma nenhuma tiram o valor da obra como um todo. Seu valor histórico, enquanto um fruto de seu próprio tempo e contexto, certamente é bem alto, mas seu valor enquanto anime certamente não fica para trás. Embora algumas críticas estejam bastante datadas, em face das pesquisas e do progresso científico das última década e meia, o anime ainda consegue trazer críticas e questionamentos que são tão relevantes hoje quanto o eram em 2001. Além disso, seus personagens são consistentes e bem desenvolvidos, ainda que um ou outro personagem poderia ter ganho um pouco mais de tempo em tela (mas hey, eu sempre digo que se a minha única crítica a um personagem é que eu gostaria de ver mais dele então algo de certo o anime fez rs). A história é bem desenvolvida, embora não muito explicada e com muita coisa ficando sub-entendida ou sem explicação. Considerando a forma como o anime acabou, eu diria que é uma daquelas obras que teria se beneficiado de uma segunda temporada, a fim de amarrar todas as pontas soltas, mas ainda assim não posso dizer que não foi um final conclusivo. Num geral, é um bom anime, com boa animação, excelente trilha sonora, uma boa trama e que alcança bem o seu objetivo de fazer o espectador refletir sobre uma série de questões, ainda que provavelmente nem sempre a conclusão do espectador vai ser a conclusão a qual o anime tenta chegar. Na minha opinião, uma obra que definitivamente vale a pena conferir.

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Chikyuu Shoujo Arjuna – Episódio 1

2 – Chikyuu Shoujo Arjuna – Episódio 1

3 – Chikyuu Shoujo Arjuna – Episódio 6

4 – Chikyuu Shoujo Arjuna – Episódio 13

5 – Chikyuu Shoujo Arjuna – Episódio 13

6 – Chikyuu Shoujo Arjuna – Episódio 13

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